Divergente

Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família… e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama… ou acabar por destruí-la.


ISBN: 9789720043818 – Porto Editora / 2012

Num futuro pós apocalíptico, a sociedade encontra-se organizada em cinco facções. Esta divisão pretende que só e apenas as melhores características dos seres humanos sobressaiam e assim a sociedade se torne perfeita, sem qualquer falha. Assim, nascem: Abnegados, onde sobressai o altruísmo e por isso tornam-se perfeitos para governar a sociedade onde vivem pois o egoísmo é eliminado; Intrépidos, onde a coragem é o grito de ordem e acabam por se tornar o exército que defende os limites da cidade, pois vêem a cobardia como uma das maiores falhas do ser-humano; os Cândidos que primam pela honestidade e sinceridade, pois é impossível que uma sociedade prospere baseada nas mentiras de outrem ; os Cordiais que valorizam acima de tudo a amizade e vêem o contacto social como uma das coisas mais importantes na vida em comunidade; e finalmente os Eruditos, que são mentes sedentas de conhecimento, pois é igualmente impossível que uma sociedade evoluída, cresça se estiver rodeada de ignorância. 
Cada uma destas facções contribui com as suas melhores características para que a vida em comunidade seja perfeita e consiga prosperar sem nenhum percalço. 

Outro dos princípios desta sociedade é de que os jovens devem poder escolher livremente o seu futuro e por isso mesmo, a todos os jovens de 16 anos é dada a possibilidade de escolher uma das cinco facções (pode mesmo escolher aquela onde nasceu), mas no entanto, terá que viver com essa escolha para o resto da sua vida, pois caso contrário só tem duas escolhas: a morte ou uma vida de sem-facção, que é uma vida miserável sem ter onde pertencer, nem onde viver, andando para sempre à deriva. 
Breatice Prior vê-se numa escolha, para ela, impossível – ter de escolher entre a família ou a sua secreta identidade, quem ela acredita ser. Contudo, após a escolha, esta compromete-se a ser a melhor concorrente das provas de iniciação (as provas permitem saber se os iniciados estão aptos para seguirem com aquela escolha para o resto da vida deles), mesmo que isso seja mais perigoso do que ao início se parece revelar. E na verdade, Tris – que decidiu mudar de nome para marcar este novo ciclo na vida dela – corre perigo de vida, pois a competição é feroz e ela é vigiada não só pelos seus colegas iniciados, mas também pelos líderes da facção que escolheu. 
Isto tudo porque Tris não é uma jovem normal como os outros podem pensar. Ela tem algo dentro de si que a marca como diferente, como divergente. Como única. E quando descobre que uma das facções está sob ameaça de guerra (por caprichos de outra), pondo toda uma sociedade perfeita em rota de colisão, apenas esta sua característica única poderá significar uma esperança para evitar a ruptura da sociedade como ela a conhece… Isto é, se ela conseguir no entretanto sobreviver aos testes de iniciação e ao seu treinador, Quatro, que mexe com ela a níveis que ela nem consegue começar a compreender.

Divergente marca a estreia de Veronica Roth no mundo literário e é o primeiro volume de uma nova série young-adult (a série é também intitulada Divergente) que promete ser um sucesso tão grande quanto foi o seu antecessor, a trilogia Jogos da Fome. De facto, este livro cedo começou a conquistar as massas, em especial depois da febre de Hunger Games ter acalmado minimamente. Os fãs da trilogia, que procuravam livros que acentuassem o sentimento de nostalgia, cedo encontraram em Divergente um novo motivo para se entusiasmarem tanto quanto nos livros de Suzanne Collins. 
Por mim mesma, falo. Depois de ter lido a trilogia, nunca esperei encontrar um livro do mesmo género que me conquistasse tão profundamente quanto fiquei com o Hunger Games. Mas enganei-me redondamente e Veronica Roth mostrou-me o quanto. A verdade é que desde que o livro saiu em inglês, que andava de olho nele e quando o livro saiu cá, fiquei em pulgas para o ler. Sendo eu membro indissociável do blogring, não pude perder a magnífica oportunidade de ler este livro. As expectativas eram muitas e elevadas e acabei por esperar uma repetição de Hunger Games e oh! como caí que nem um patinho nesta teoria…

A escrita da autora é fantástica, viciante. É como comprar uma barra de chocolate e tentarmo-nos convencer a comer apenas um quadradinho e quando damos por ela, já comemos metade da tablete. Verdade – mal comecei o livro, simplesmente não o consegui parar de ler e a verdade é que comecei a ler o livro na sexta-feira à noitinha e acabei-o há momentos. As emoções ainda estão à flor da pele, especialmente no que toca àquele final, que me deixou com água na boca a querer ir ler o segundo volume já e agora. 
As personagens foram igualmente estimulantes – não só senti uma empatia imediata com Tris e com o Quatro, como adorei todas as restantes personagens, até mesmo um dos mauzões. Acho que a autora conseguiu criar personagens cativantes, tendo em conta que a maioria dos autores deste género costuma exagerar nas crises existenciais dos adolescentes, que parecem um coitados nas mãos de alguns escritores. Por vezes até dá pena.
Por outro lado, este livro não é só “dá cá um beijinho para lá, outro para cá”. Este livro é sobretudo acção e o enredo está todo ele, de uma forma geral, direccionado para o movimento dos personagens e para a evolução da trama e não para os romances muito problemáticos dos jovens. Claro que Beatrice acaba por sentir algo mais por Quatro e a relação que se desenvolve entre estes dois tem características óbvias de um romance young-adult, mas foram cenas bem escritas, bem planeadas e fizeram sentido ao longo do desenvolvimento do livro e não foram apenas para preencher lacunas. 

Por tudo isso e pela forma como o livro está organizado, pela originalidade da autora (sim, porque eu adorei esta sociedade – até mais do que havia gostado da sociedade de Hunger Games) e acho que a autora escolheu uma forma muito inteligente de organizar este mundo. Fiquei, de facto, muito admirada e muito contente por ela ter ido buscar esta organização de características, que são exactamente aquelas que mais falta fazem na sociedade em que vivemos. E esta escolha fez-me pensar no quanto um livro destes (que irá decerto parecer desinteressante a muitas pessoas) nos mostra o que por vezes, pensamos já ter esquecido.

A-do-rei. 

         


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