Breve História de Amor

Breve História de Amor é o desfile de retratos autênticos sobre relações quotidianas. Caminhos do acaso que levam homens e mulheres a cruzarem os seus destinos, por vezes, nas circunstâncias mais surpreendentes. 

Pessoas que se encontram, ou se reencontram, que se unem ou se separam, sentimentos intensos e irreprimíveis que determinam as suas vidas e alteram bruscamente e sem aviso os seus destinos.

Através de uma descrição intensa e cirúrgica, Tiago Rebelo conduz-nos aos pensamentos mais íntimos das personagens que tantas vezes se confundem com os nossos. 

Autor de romances bem conhecidos do público, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda ou Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo oferece aos leitores a versão original das melhores histórias publicadas ao longo de mais de um ano na revista Domingo, do Correio da Manhã, e ainda o conto inédito Amores Indeléveis.
ISBN: 9789892316574 – Edições Asa / 2011 – 161 páginas


Breve História de Amor é uma colectânea de pequenas histórias de amor, como o título muito bem indica. Alguns destes contos foram publicados na revista Domingo, do Correio da Manhã. Na verdade, não há muito que dizer sobre este livro fala. Fala sobre amor. Fala sobre o quotidiano e a forma como o amor pode aparecer sem aviso e inesperadamente. Fala sob encontros, desencontros e reencontros. Tenta mostrar como a malha das relações humanas pode ser tão complicada, mas tão bela ao mesmo tempo, porque para nós, o amor é tudo. Fala sobre destino, sob acções que tomamos, parecendo-nos insignificantes, mas que mais tarde percebemos que significam tudo.

Não estava a contar ler Tiago Rebelo tão cedo. Isto porque, a minha primeira experiência que tive com o autor não superou as minhas expectativas. Contudo, este título falou comigo. A sério. Sempre que eu lhe dizia “não, tu ainda não és para já. Quero guardar-te durante mais um pouco”, ele contrariava-me e dizia de volta “mas eu tenho um título tão sugestivo, tão romântico, tu sabes que me queres ler”. Quem acabou por ganhar a batalha foi o livro, como podem verificar. E assim foi, sabendo eu que tinha de dar oportunidade ao autor de me mostrar mais do seu trabalho, porque eu ainda não estava disposta a desistir da sua escrita. E posso dizer que a experiência se revelou melhor, sem dúvida.
Normalmente não costumo apreciar contos, devido à curta extensão dos mesmos, o facto de não podermos criar uma relação mais estreita com os personagens e o facto de o enredo ser tão fugaz, parece que mal o começamos a ler já ele nos escapa dos dedos. Por isso, não sabia muito bem o que devia esperar deste Breve História de Amor
Já percebi que Tiago Rebelo é um romântico. Acredito nisso muito fielmente e apenas com duas obras dele lidas. Este sentimento, de amor, está sempre muito presente nas suas palavras, mesmo que subliminarmente  Os seus personagens masculinos tem todos uma aura de romantismo e simbolismo à sua volta. Não sei explicar muito bem o que quero dizer, mas os seus personagens masculinos são sempre homens que sentem muito, que são apaixonados e que dão uma aura de paixão e de sofrimento em tudo o que fazem no seu dia-a-dia. Com isto, acredito que estes pequenos pormenores são um simbolismo em si mesmo. Simbolismo de que o autor está a dar uma parte de si a cada personagem, uma parte do seu romantismo, que transborda para os seus trabalhos. 
Claro que isto, sou eu a extrapolar e nada mais. Mas com os livros deste autor permito-me dar largas à sua personalidade, talvez por ele ser português, talvez por ser dos poucos autores em que reconheço tanta intensidade ao escrever sobre amor, sobre perda, sobre desencontros. 

Voltando ao livro, apesar de pequeno e apesar também de ser uma colectânea de contos, o autor conseguiu verdadeiramente captar o meu interesse. Gostei da brevidade das histórias, sem me dar possibilidade de me integrar muito na vida dos personagens. Deu-me a sensação de ir andar pela rua e ter estes breves vislumbres, que isto poderia de facto acontece. Eu poderia ser testemunha de alguma destas situações nos meus passeios diários entre São Sebastião e Campo Pequeno, ver as pessoas ao meu redor e assistir a algumas cenas (como de facto, já aconteceu). De modo geral gostei de todos os contos porque (uns mais que outros) têm todos uma carga emocional muito grande e são todos histórias bastante verosímeis.

Gostei bastante e recomendo para quem gosta de ler pequenos contos que retratam de uma forma muito verdadeira a panóplia de sentimentos característicos da nossa natureza humana.  
Para aqueles que estão curiosos, já escolhi o próximo livro do autor que lerei: Uma Promessa de Amor. Foi outro título que falou comigo. (Os títulos das obras deste autor estão fantasticamente cativantes. Parabéns).
Um autor português que ainda me irá surpreender ainda mais, espero. 

Opiniões do mesmo autor:



  

Uma Noite em Nova-Iorque



Uma Noite em Nova Iorque é uma complexa história de encontros e desencontros, promessas e desilusões; mas também uma história de descoberta e de esperança, que reflecte o dilema dos protagonistas divididos entre duas forças poderosas: a obrigação de perpetuar uma união que já não lhes traz alegria e a urgência de correr atrás de uma enorme paixão que mais não é do que uma carta fechada.



ISBN: 9789892313764 – Edições ASA/ 2011 – 184 páginas



Filipe Passos, escritor, está a celebrar o seu quinquagésimo aniversário na cidade de Nova-Iorque. O seu aniversário, não é no entanto, a única razão pela qual ele se encontra a um oceano de distância de Lisboa. Não. 
Filipe está numa fase da sua vida a que se pode chamar de uma encruzilhada  Isto porque, por um lado, tem noção que o seu casamento já não tem salvação possível e os oito anos que partilhou com a sua mulher, Patrícia, são agora somente melancólicas recordações dos seus tempos apaixonados. Contudo, hesita em pedir o divórcio devido aos filhos que têm em comum. Por outro lado, existe Isabel, a mulher da sua vida, que conheceu na Feira do Livro de Lisboa há alguns anos e à qual autografou um dos seus romances famosos. Apaixonou-se perdidamente por ela, embora sabendo que este é um romance com muitas condicionantes e que é isso mesmo que torna impossível a sua evolução, ou sobrevivência. Isabel deixa-o e Filipe, tenta seguir com a sua vida. No entanto, uma promessa e um desafio ficou para além deste romance disfuncional: que eles se encontrem no 50º aniversário de Filipe em Nova Iorque. Talvez esta fosse a última hipótese para finalmente salvarem o que resto do seu amor. 
Catarina é uma jornalista, que conhece um artista musical famoso no mercado nacional. Jonas é um engatatão, como se diria na gíria da nossa língua. Tem imensas namoradas, em rápida sucessão e aquilo que sente por elas é uma forma de preencher o vazio que se instalou há muito tempo dentro de si. Até que conhece Catarina numa entrevista que ela lhe fez para o jornal onde trabalha e se apaixona por ela, como nunca aconteceu com nenhuma outra mulher que ele já tenha conhecido na sua vida. Contudo, Catarina conhece o género de homem que Jonas é e a sua insegurança acaba por destruir a relação entre os dois. Jonas acaba por lhe fazer um ultimato: a única maneira de ela salvar a relação deles e mostrar que confia nele e nos seus sentimentos, é ir ao seu concerto em Nova Iorque.
A cidade de Nova Iorque torna-se assim, palco de reencontros,  um lugar onde quatro pessoas podem encontrar as respostas que andam à procura. Será que irão conseguir?

Nunca tinha lido nada deste autor, embora já o tivesse ouvido falar dele e das suas obra literárias, devido especialmente à obra O Homem que Sonhava ser Hitler. Contudo, a oportunidade de ler os seus livros nunca se me apresentou e agora, devido ao blogring, Uma Noite em Nova Iorque, a oportunidade pela qual esperava, finalmente se apresentou ao meu alcance. Assim sendo, confesso que não sabia o que esperar nem do livro, nem do autor. Nunca tinha sido curiosa o suficiente para ver outras opiniões e portanto, nunca criei nenhuma ideia quanto ao trabalho de Tiago Rebelo. 
E tenho que dizer que não desgostei da experiência, embora tenha noção que esperava de alguma forma, mais qualquer coisa.

A escrita do autor é agradável, embora um pouco simplista. Tem um discurso muito fácil de acompanhar e esta não é uma leitura que exija muito pensamento. É mais leitura que pretende entreter, do que fazer reflectir. Na minha opinião, isso é um ponto positivo, até certo ponto. Gostei do facto do autor ter criado um enredo que obriga a que a vida de vários personagens se cruzem, com alguma alusão à questão do destino. 
Por outro lado, achei que as personagens se encontravam pouco exploradas e desenvolvidas e confesso que não gostei de nenhuma em particular. O autor escolheu para os seus protagonistas pessoas que se regem por valores com os quais não concordo, como por exemplo, o facto de tratarem a traição com tanta leviandade e de aceitar a mentira e a ilusão como parte rotineira das suas vidas. Foi uma característica que me enervou durante todo o livro e é-me impossível de todo, concordar com esta visão.

Ao escrever esta opinião, perdi a conta às vezes em que me enganei a escrever o nome do protagonista deste livro. Ao invés, escrevia sempre Tiago. Não sei porquê (e não, não foi devido à profissão de ambos ser igual) teimei em imaginar o protagonista do romance com o aspecto do autor. É uma situação tão rara de me acontecer e ao mesmo tempo curiosa, que achei que devia mencionar. Talvez o Filipe seja em alguns aspectos, o alter ego de Tiago Rebelo. 
De certa forma, este livro é agradável, entretém, mas fica-se por aí. Não achei nada de muito especial e embora tenha alguma curiosidade em ler o obra que mencionei anteriormente, creio que não irá ser tão cedo que a leio. 
No entanto, quando o fizer, espero que o autor me mostre o seu outro lado de escritor.