A Conquistadora

Opinião:

É algo raro para mim ler romances históricos. Não quer dizer que não goste deste género literário, mas não dou oportunidade a mim própria de explorar melhor este campo de literatura. Foi inteiramente ao acaso que dei de caras com este livro da autora Teresa Medeiros. A verdade é que vi opiniões tão positivas que cheguei a um ponto em que só conseguia pensar neste livro. De tal modo que fui à procura dele em vários sítios, porque este livro teimava em não sair dos meus pensamentos. 
Não descansei enquanto não comprei o livro e o comecei a ler. E ainda bem, porque gostei bastante deste livro e foi uma maravilhosa descoberta, fora do que são as minhas escolhas habituais. Nos últimos tempos, tenho dado liberdade aos meus impulsos e tenho saído da minha zona de segurança. Tenho arriscado na compra de livros de géneros literários diferentes e a verdade é que me tenho surpreendido grandemente com as minhas escolhas. Adoro sentir que consigo ler vários géneros, porque para mim, ler é que conta. Quanto mais variedade houver, melhor. O que interessa é que os livros me satisfaçam. Como foi o caso deste.

Teresa Medeiros conta-nos a história da fortaleza de Tara, em Erin (a antiga Irlanda). Conn, o rei desta nação vê-se a braços com um problema que anda a assaltar o seu povo. O assassínio de vários dos seus homens de Fianna, um grupo de guerreiros de elite ao serviço do rei, promete trazer complicações ao seu reino, enquanto o assassino destes homens não for levado à justiça. 
Conn decide então ir em busca do responsável pela morte dos seus melhores homens, mas não sabe que o seu inimigo é de facto, uma mulher chamada Gelina Ó Monaghan. 
Esta sente um ódio incrível por Conn, pois considera-o responsável pela destruição dos seus entes queridos. Mas também irá descobrir que Conn é muito mais do que aparenta ser.
No meio de um reino que está em risco de cair em mãos alheias, em intrigas e traição, Conn e Gelina, vão também conquistando-se um ao outro, sem sequer disso estarem conscientes.

Confesso que não estava à espera de gostar deste livro, e por isso é que foi uma descoberta tão maravilhosa. Teresa Medeiros conseguiu desde início agarrar-me à história e ao enredo, que deu voltas e reviravoltas muitíssimo interessantes e tentadoras. A escrita da autora é muito agradável e bastante fluída. Conseguiu captar muitíssimo bem o ambiente que se vive numa corte feudal, retratando o rei soberano e os respectivos súbditos com uma clareza notável, sem se tornar aborrecida.
Conseguiu também trazer-nos personagens interessantes e divertidas, como Nimbus – o bobo anão da corte – e ainda Sean Ó Finn, um dos guerreiros elite do rei soberano.
Estes são os aspectos mais positivos que encontrei.


Por outro lado e embora tenha gostado do livro, existiu também a parte menos afortunada do livro. 
Um desses factores menos afortunados é a construção das personagens. Não poderei falar com detalhe qual foi a situação que me fez sentir isto, visto que é um spoiler, mas posso dizer que em certa altura, achei que a construção da personagem de Conn merecia melhor, sendo ele um protagonista que deveria passar a mensagem de força de carácter e soberania. A autora leva este personagem por alguns caminhos que não me agradaram e que deram uma luz inconstante ao mesmo. Deu-me a sensação de que esta personagem vivia os acontecimentos ao sabor do vento. Quem já leu a obra, certamente, poderá perceber do que aqui falo. De qualquer forma, ficou esta impressão mais negativa, pois parece-me coisa de um autor amador. Um personagem que não finca bem a sua personalidade, nem tem um lugar certo e decisivo no rol de acontecimentos do enredo, não pode ser um bom protagonista, pelo que este deixou um pouco a desejar. A autora poderia ter aqui limado algumas arestas.


Outro aspecto negativo é o facto de autora escrever certas cenas que a meu ver, eram completamente desnecessárias e não trouxeram nada de novo ao enredo. Deu-me a sensação de que eram apenas cenas “para passar o tempo” e acrescentar mais algumas coisas à história, que no final acabaram por não ter significância nenhuma. Em vez de escrever estas cenas, a autora poderia ter optado por desenvolver melhor o final desta narrativa, que foi um pouco abrupto e saltou rapidamente para um epílogo muito pequeno, que pouco acrescentou. 


Contudo, tenho que referir que este livro é considerado, por uma massa de fãs bastante significativa, como o “pior” da autora, pelo que reservo a esperança de ler outro livro de Teresa Medeiros que me encha melhor as medidas. Creio que para mudar de ambiente, este livro foi muito bom. Embora pudesse ter havido espaço para melhorar, a autora revelou ser uma boa contadora de histórias e conto ler mais obras da sua autoria.