A Revolta

Opinião:

Eis que nos encontramos novamente, desta vez para falar do último livro da trilogia Jogos da Fome. Como devem ter reparado, li os primeiros dois volumes em relativamente pouco tempo. Este não foi excepção. Livros pequenos como são, permitem uma leitura rápida, fluída com elementos de puro entretenimento.
Se é isto que esperam encontrar nesta trilogia, estes são os livros indicados para passar bons momentos. 
Se só agora entram em contacto com esta trilogia, convido-vos a verem o que achei sobre os dois volumes anteriores – Os Jogos da Fome e Em Chamas – respectivamente.

Tal como o livro anterior, A Revolta, deixou-me com vários sentimentos contraditórios. Após ter acabado a leitura do segundo volume, criei algumas expectativas quanto a este capítulo final. Umas foram atingidas, outras nem por isso.
Posso dizer que no geral, o livro revelou-se inferior aos anteriores e ficou aquém das minhas expectativas.
Parte da justificação para eu não ter achado este capítulo final à minha medida é porque o verdadeiro impacto de todo este universo gerou-se no primeiro livro, onde tudo era novidade e a autora conseguiu de forma brilhante agarrar a atenção dos leitores com a criação dos Jogos. O enredo foi interessante, a dinâmica dos Jogos ainda mais e as personagens que a autora nos deu a conhecer eram até certo ponto fascinantes e promissoras. 
De certo modo, a autora, no segundo volume preferiu voltar a falar sobre os Jogos e marcou assim este livro como uma espécie de repetição. Apesar de ter tido os seus pontos positivos, não conseguiu deslumbrar por não haver novidade.

Para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ler a opinião do segundo volume, eu havia referido que a protagonista se encontrava alheia do que acontecia em seu redor. Ora é precisamente este ponto que mais “prejudicou” a minha leitura com este livro. Se isto é possível, a protagonista ainda mais alheia se encontra neste livro e é com dificuldade que ela percebe os objectivos e motivações das pessoas com quem ela lida de perto. Creio que isto pode de certa forma ser propositado. Afinal, Katniss é apenas uma adolescente. Mas parece-me despropositada a intenção da autora criar esta personagem, que simboliza para esta nação a liberdade e a revolta e depois não desenvolver a dita cuja conforme aquilo que ela representa. Este ponto desiludiu-me fortemente.

Por outro lado, em termos de acção, este livro agradou-me de forma bastante considerável. Não me aborreceu a escrita da autora e os caminhos que ela tomou, pelo que posso dizer que este ponto (quase) equilibra os aspectos menos positivos. 
O final desta aventura pareceu-me o adequado e gostei de poder dar um fim às personagens que tanto gostei de conhecer e fiquei contente pelo destino (nem todas, mas a maior parte). No geral, creio que este livro pode entreter, pode divertir e pode emocionar, mas sem grandes expectativas. 
A autora preferiu criar um livro menos exigente, digamos assim, tendo em vista a faixa etária para que escreve e esta condição pode não satisfazer a massa de leitores de ficção que exige um pouco mais de complexidade, ou melhor dizendo, um pouco mais de cuidado na trama que está a desenvolver. 
A classificação que afectei para este livro acaba por reflectir a trilogia no seu todo e também a conclusão que este livro teve. Embora tenham existido aspectos que me desiludiram, como a construção dos personagens, existiram outros que fizeram esta leitura valer a pena. 

    

Em Chamas



PODE CONTER SPOILERS
Opinião:


Depois de ter lido o primeiro volume, “Os Jogos da Fome”, e de ter ficado agradavelmente surpreendida, eis que comecei logo a leitura do segundo volume, “Em Chamas”.
O livro é praticamente do tamanho do anterior – ou seja, pequeno – pelo que demorei pouco mais de 24 horas a ler esta segunda aventura de Katniss Everdeen. 
Trazia, para este volume algumas expectativas, mais pelos comentários que tenho visto por aí, do que propriamente o livro em si, visto que o final do primeiro livro foi um indicador bastante seguro do que viria no futuro.

Pela primeira vez na história de Panem, os Jogos de Fome permitem que dois vencedores saiam ilesos da Arena. Mas Katniss e Peeta, com a sua vitória despoletaram um sentimento de revolta em alguns distritos, pelo que a vida dos familiares e entes queridos e até a dos próprios protagonistas,  encontram-se gravemente ameaçadas. Assim, estes têm de manter a pretensa de casal feliz para que não haja risco de rebelião na nação. Mas a força destrutiva do Capitólio não fica satisfeita com os esforços de Katniss e de Peeta e não está disposto a deixar que estes dois cidadãos escape como sendo um símbolo de libertação do regime para o seu povo. E assim, Katniss e Peeta encontram-se de novo na Arena dos Jogos de Fome a lutar pela sua sobrevivência.    

Não sei bem como começar a expressar os meus sentimentos sobre este livro. Sinto-me um pouco dividida. Existiram aspectos nesta obra que me agarraram e satisfizeram grandemente, outros que me deixaram um pouco desiludida. Desiludida porquê? Não porque o livro não tenha sido uma boa experiência de leitura, mas porque esperava mais da autora, depois da estreia brilhante que ela fez neste universo.
Portanto, vou começar pelas partes positivas:

A autora neste volume debruça-se neste volume sobre o Capitólio e sobre o organismo político que governa Panem, que era uma temática que me interessava sobremaneira e um dos factores que me deixou grudada ao livro até atingir o final. Neste livro, temos oportunidade de saciar a curiosidade sobre o Distrito 13 e perceber como é que o governo está a manipular o seu povo e com que objectivos. Podemos também analisar mais profundamente quais são os pontos fortes e fracos deste regime totalitário que está sempre com um olho em cima de todos os acontecimentos e não deixa (praticamente) nada escapar. 
Temos também a oportunidade de conhecer mais personagens que no primeiro volume nos suscitaram interesse, especialmente a família da Katniss: a sua mãe e a sua irmã, Prim e também o seu melhor amigo/paixão, Gale. Além disso, a autora deu mais ênfase neste volume ao triângulo amoroso Gale/Peeta/Katniss, o que permite algum sentimento de antecipação e também alguma adrenalina, pois ainda é uma incógnita com quem a protagonista irá ficar. Este triângulo serve, neste volume, para preencher alguns espaços mais mortos do enredo e com sucesso, aumenta o interesse dos leitores até ao final. 

Por outro lado, eis que nem tudo é perfeito:

Já seria de esperar que a autora tivesse de se repetir um pouco, visto que Katniss e Peeta se encontram de novo nos Jogos da Fome. Aborreci-me um pouco na narrativa dos jogos pois senti durante esses momentos que não havia nada de novo para explorar neste parâmetro. Creio que a autora poderia ter escolhido um caminho menos previsível e que trouxesse de facto alguma novidade ao enredo. Não foi uma parte desnecessária no livro, mas o verdadeiro impacto dos Jogos aconteceu no primeiro volume, pelo que agora a novidade já não criou tanta excitação, nem interesse. 
A construção da protagonista no primeiro volume parecia prometer uma evolução fantástica e consciente. No entanto, este segundo volume traz-nos uma protagonista algo patética, no sentido em que não percebe nada do que se passa à sua volta, pois parece que vive no mundo da ignorância. Talvez seja propositado, talvez não. Mas visto que o enredo até é algo previsível (ainda que interessante), parece-me um pouco irreal que a personagem de Katniss se mantenha tão alheia do mundo em seu redor. 
De facto, a única personagem que não se revelou tão interessante foi mesmo a nossa protagonista, que a meu ver, merecia um trabalho e uma atenção mais cuidada da parte da autora. 

Contudo, no geral, foi um livro que me manteve na expectativa e agarrada às suas páginas. Uma leitura com vários atractivos, sendo o mais imponente o entretenimento que traz ao leitor. Uma obra com contornos aterradores, devido à sociedade que representa, mas que é leve o suficiente para nos podermos embrenhar com facilidade e rapidez no enredo.  
De tal forma que irei começar o terceiro livro mal tenha tempo de me mergulhar nas suas páginas.
E assim espero acabar a trilogia com as expectativas atingidas. Ah, e já agora eu torço pela equipa Peeta!          


Let the Games begin! 



Os Jogos da Fome

Opinião:

And may the odds be EVER in your favor!


A trilogia “Jogos da Fome” da autoria de Suzanne Collins tem sido alvo das críticas mais positivas que tenho visto nos últimos tempos. São livros que foram integrados e classificados como género de literatura juvenil, a primeira coisa com a qual não concordo minimamente. De facto o único elemento que vejo como juvenil neste livro é a idade dos personagens deste volume. Não são todas as personagens, como é óbvio, mas aquelas de maior importância para o enredo pertencem todas à classe etária dos 12 aos 18 anos. E aqui acaba, a meu ver, os elementos que poderiam ser indicados como juvenis.
Quando vi que eram livros mais indicados para jovens adultos, deixei que isso me toldasse um pouco a perspectiva e na altura, nunca pensei vir a ler estes livros. 
No entanto, deu-se a oportunidade de adquirir logo os três volumes em inglês, pelo que decidi arriscar e sair, novamente, da minha zona de segurança em literatura. 
Mais uma vez, as minhas leituras têm corrido muitíssimo bem e apenas com este primeiro volume, já constatei que serão livros que me irão satisfazer sobremaneira (está certo que só posso falar com certeza deste livro, mas creio que me esperam bons momentos). Confesso que esta leitura tinha todos os factores contra o sucesso da mesma: o facto de ser considerado um livro juvenil, o facto de ser um livro de ficção científica, entre outros factores que normalmente não me atraem num livro, tudo se juntou como que para conspirar contra esta experiência. No fim, parece que estes factores todos se revelaram ser os mais interessantes do livro. 

Panem, a antiga América do Norte, tem a sua sede de totalitarismo no Capitólio. Panem era, originalmente constituída por 13 distritos, mas este último distrito foi dizimado por se ter rebelado contra o sistema. Assim, na actualidade, apenas restam 12 distritos. Cada qual tem a sua função para que a nação prospere e tudo é controlado até ao mais ínfimo pormenor.
Todos os anos, o Capitólio organiza um evento de entretenimento em que um rapaz e uma rapariga de cada distrito são escolhidos, ao acaso, para participar nestes “Jogos de Fome”. O objectivo destes 24 adolescentes é sobreviverem a todos os outros, seus adversários. Apenas um pode ganhar este jogo de vida ou morte. Katniss Everdeen nunca pensou que ela própria pudesse vir a participar nestes jogos, até ao momento em que a sua irmã, Prim, é seleccionada. Assim, Katniss voluntaria-se para tomar o lugar da sua irmã mais nova. 
E assim começa a luta pela sobrevivência num campo de batalha que é constantemente, 24 horas por dia, sete dias por semana, filmado pelos olhos electrónicos sabedores do Capitólio e é também passado em todas as televisões da nação, para entretenimento das massas. Os desafios e os obstáculos sucedem-se um atrás de outro e Katniss tem de fazer de tudo para poder sobreviver a este jogo mortal.

Tenho de começar por dizer que adorei a obra “1984” de George Orwell. Mesmo não sendo completamente comparável a esta obra, as parecenças no que toca ao ambiente que se vive nesta sociedade opressora são bastantes. Esse foi o primeiro factor que me agarrou a esta leitura. 
O segundo factor que inevitavelmente me conquistou à narrativa de Suzanne Collins, foi toda a construção e originalidade da ideia base do livro. Este é para mim, o grande ponto forte do livro. Mal conseguia tirar os olhos de cada página que passava, devido à ansiedade de saber o que viria a seguir. 
Creio que nunca tinha visto um enredo tão bem estruturado quanto o que acontece neste “Os Jogos da Fome”. A autora teve mesmo uma ideia de génio ao criar este universo totalitário e controlador, de uma forma tão consciente e aterradora, que é impossível o leitor não se sentir fascinado com todas as particularidades desta nação, Panem. Embora já se tenha visto isto em outros livros, acho que a maneira como a autora manipulou certas características e até as próprias personagens, levou ao grande sucesso que este livro, posteriormente teve. 

A escrita da autora é bastante simples, sem grande rodeios, o que permitiu um relato muito fluído que consegue agarrar o leitor sem qualquer problema. As personagens estão bem construídas, apesar de haver ainda espaço para melhorar. Creio que terei de esperar para constatar como se dá a evolução destes nos próximos volumes, visto que ainda agora comecei a ter um breve vislumbre deste universo que a autora criou com mestria. 

Não é uma narrativa nada exigente e é uma história simples com alguns contornos que nos fazem pensar e ponderar sobre a sociedade que se vive neste enredo. Mais ainda, faz-nos correlacionar esta sociedade recriada, com a nossa sociedade real. Não posso deixar de referir que todo este organismo político que a autora criou é extremamente interessante e espero que ela aprofunde mais o assunto nos restantes livros. 

Um livro que nos deixa a querer mais e é por isso mesmo que irei, já de seguida, iniciar a leitura do livro: Em Chamas, o segundo volume da trilogia. Espero que traga tantos bons momentos como este primeiro volume me trouxe.