A Estirpe

Um Boeing 777 proveniente de Berlim aterra no aeroporto JFK e, de repente, pára na pista. As janelas estão fechadas. As luzes estão apagadas. Ninguém responde às chamadas da torre de controlo. Nenhum passageiro atende o telemóvel. Parece que o avião deixou de existir… O que os investigadores encontram lá dentro gela-lhes o sangue. 

O que ao princípio parece apenas um vírus altamente contagioso revela-se uma ameaça aterradora. Os vampiros estão de volta e estão sedentos de sangue. A epidemia vampírica propaga-se a uma velocidade vertiginosa e, ao cabo de poucos dias, invade toda a ilha de Manhattan. Mas isto é apenas o começo. Porque existe um plano sinistro para conquistar rapidamente todo o planeta. 


Guillermo del Toro, visionário realizador, e Chuck Hogan, escritor premiado, conjugam imaginações neste romance arrojado e épico sobre uma assustadora batalha entre homens e vampiros que ameaça toda a Humanidade. É o primeiro volume de uma empolgante trilogia e um extraordinário acontecimento literário internacional.


ISBN: 9789896720001 – Suma de Letras / 2009



Os vampiros voltam a atacar ” – reza o selo que vem colado na capa da edição que li. Guillermo del Toro e Chuck Hogan começam com este volume, A Estirpe, uma trilogia sobre vampiros, seres esses que já muito foram explorados e que já não trazem surpresas nenhumas. 
Confesso que apesar de já ter ouvido falar sobre o livro, não tinha a mais pequena noção que o mesmo falasse sobre vampiros. Acho que a maior parte das pessoas já deve saber por esta altura o que eu penso sobre esta coisa dos vampiros. Não é que não goste deles (os primeiros livros que li dentro deste tema foram bem conseguidos), mas já foram tão explorados que já cheguei a um ponto em que eles me enjoam. Já li tanta coisa com vampiros que se revela muito difícil, senão impossível, eu encontrar algum livro que me arrebata. Acho que esta leitura reflectiu esse sentimento na perfeição. Uma mistura entre horror e ficção-científica, os dois autores tentaram aqui mostrar um lado diferente dos vampiros.

A Estirpe começa com um relato de uma lenda urbana romena, que é contada aos pequenitos, uma versão mais obscura e perigosa do papão, ou do monstro do armário. E muito mais real, também. A avó do pequeno Abraham contava-lhe esta história em pequeno e após este ter sido obrigado a fugir da sua terra por causa da 2ª Guerra Mundial, vai dar-se conta que aquilo que ele achava ser apenas uma lenda urbana, é um pesadelo muito real e muito assustador. Que tem de ser combatido, antes que seja tarde de mais. 

Anos depois deste acontecimento, um avião proveniente de Berlim, prepara-se para fazer a aterragem no aeroporto JFK, quando sem qualquer aviso, se desliga completamente. Na torre de controlo, a confusão instala-se devagar, pois ninguém do avião responde aos apelos dos funcionários que tentam contactar a tripulação para saber o que se poderá ter passado. 
Os passageiros e a tripulação não mostram qualquer sinal de vida, nem de agitação e o próprio avião parece um aparelho sem força, completamente inanimado. Quando as entidades competentes chegam ao local para analisar a tragédia, que parece não ser realmente uma tragédia, apercebem-se que todos os passageiros estão mortos, à excepção de quatro pessoas. 
Mas estes cadáveres não são normais, nem apresentam os sintomas normais de decomposição.
Eph, o médico responsável por resolver o mistério, vai conhecer Abraham e ele próprio vai perceber que os pesadelos podem sem dúvida, ser reais. 

Como começar a falar sobre este livro? 
Como já disse, vampiros é uma coisa que já há muito tempo não tem fascínio para mim. Felizmente, quando peguei no livro, não sabia o que me esperava e por isso pude ir para esta leitura com uma mente aberta. Sim, estes vampiros não são nada daquilo que estou habituada a ver, são muito mais assustadores, autênticos pesadelos saídos de mentes muito criativas, mas mesmo assim foi difícil ultrapassar a questão base vampiresca. As primeiras 100/150 páginas são muito interessantes e foram lidas num ritmo vertiginoso, onde o desenvolvimento da história e do mistério me impediu de largar o livro. Depois disso, notei uma diferença notória, tanto no ritmo de acção como nos desenvolvimentos do enredo e o meu entusiasmo com a leitura diminuiu drasticamente. 
A escrita da dupla é até bastante fluída e agradável, mas não foi o suficiente para me manter cativa até ao final. Guillermo del Toro, com a sua formação de realizador, passou de forma óbvia os seus conhecimentos para o livro e por um lado isso foi uma vantagem. Tornou o livro muito activo e senti-me sempre como que se estivesse uma longa metragem a passar à frente dos meus olhos. 
Por outro lado, a mudança de POV’s (points of view) era constante e aborreceu-me um bocado. Quando me começava a interessar num relato de certa personagem, a agulha virava e era tempo de antena para outra personagem. 
No entanto, há que referir que a explicação para a existência destes seres foi bem fundamentada e mais uma vez se nota que os autores se esforçaram bastante para fazer com que estes seres parecessem os mais verdadeiros possíveis. Com uma explicação lógica bastante plausível. A mistura entre ficção-científica e horror acabou no final por se revelar equilibrada e foi um dos pontos mais fortes do livro, para mim, apesar de o livro ter vários clichés que já muito se viram tanto em filmes como em outros livros. As referências à obra de Bram Stoker, Dracula, foram várias e deliciosas por já ter lido esta obra.  

No fundo, este livro seria óptimo se fosse um guião para um filme. Na minha opinião, teria muito mais potencial. Aquilo que os autores tentaram fazer foi de certa forma, pôr um leitor a “ler um filme”. Foi a ideia com que fiquei.
Foi um livro que me deu algum prazer a ler e acho que os autores até tiveram uma ideia original. A forma como apresentaram esta ideia foi igualmente bem estruturada. Contudo, tudo isto não foi o suficiente para me deixar entusiasmada para ler os restantes livros da trilogia. 

Recomendo este livro para os amantes de vampiros, ficção-científica e de horror. Provavelmente os fãs de Guillermo del Toro irão gostar igualmente desta obra. 



               

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A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata

Opinião:

Confesso que a minha experiência com romances epistolares é nenhuma ou quase nenhuma. Poucos foram os livros que li que possam ser caracterizados dessa forma. Conheci este livro por acaso. Dei de caras com esta capa (que é linda , a meu ver) e ao ler a sinopse, fiquei irremediavelmente interessada nesta obra. Ainda mais quando vi algumas opiniões bastante entusiásticas. 



Foi com entusiasmo que comecei a leitura deste livro e se é verdade que me senti algo receosa, porque as minhas experiências com livros epistolares é quase inexistente, nem pensei nisso quando fui agarrada pela história, logo nas primeiras páginas.
Devo começar por explicar que eu gosto imenso de livros que retratem a época durante e após Segunda Guerra Mundial. É uma época histórica que exerce, sem dúvida alguma, um grande fascínio sobre a minha pessoa, pelo que é com imensa curiosidade que leio livros que falem sobre esta altura histórica e que é alvo dos mais variados estudos e abordagens.
Juliet Ashton é uma escritora londrina. Durante a guerra, ela trabalhava para um jornal, em que escrevia crónicas sob um pseudónimo. Estas crónicas tinham como objectivo serem objectos de humor, para contrastar com o espírito que se vivia durante o período conturbado da 2ª Guerra Mundial. Agora, viu recentemente estas crónicas serem aglomeradas e publicadas num livro. E é exactamente durante esta fase de sucesso da sua vida que recebe uma carta de um senhor Adam Dawsey, que lhe diz que é o orgulhoso proprietário de um livro que outrora pertenceu a Juliet. Adam reside em Guernsey, nas ilhas do Canal que foram ocupadas pelos Alemães durante os 5 anos da Guerra Mundial. Durante o período de ocupação, todas as formas de comunicação eram proibidas, pelo que estas ilhas estiveram – literalmente – isoladas do mundo. E é em Guernsey que devido à Ocupação Alemã, vai surgir entre os habitantes da ilha a Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata.
Juliet começa então a corresponder-se com os membros desta Sociedade e revela um interesse crescente tanto pela Sociedade como pelos membros que a constituem. E é quando decide ir conhecer os membros, que a sua vida irá dar uma volta inesperada.
Este livro foi uma maravilhosa surpresa. Ainda mais, porque como o título indica, os livros são uma peça chave no enredo. É um livro delicioso, emocionante e intenso. A ideia da autora Mary Ann foi fantástica e conquistou-me logo às primeiras páginas. A sobrinha, Annie, conseguiu terminar esta ideia tão brilhantemente como a sua tia, que por motivos de saúde, nunca conseguiu terminar de escrever esta obra. Após ter acabado a leitura, agradeci ao mundo em geral, que esta obra tenha tido a possibilidade de sair cá para fora.
Adorei o livro, inundou-me das mais variadas sensações possíveis e quando cheguei à última página, quis voltar à primeira e redescobrir tudo de novo, mais uma vez.
Para quem é amante da literatura, ou simplesmente, quem quer ler um livro maravilhoso, um relato intemporal e uma história linda e intensa, este é o livro que têm de ler.
É um livro que não irei tão cedo esquecer e vou reler mais vezes. Um livro para os momentos alegres, para os momentos tristes, ou melancólicos.
Este foi o meu melhor amigo, durante os dias que passei com ele. Deu-me conforto, fez-me rir e esteve sempre comigo, na minha mente, recusando-se a deixar-me. Hoje agradeço por isso mesmo, porque é uma leitura que recomendo a toda a gente.