Opinião – A Rainha no Palácio das Correntes de Ar

 
Opinião:
E cá estamos finalmente, para falar do Millenium 3.
Primeiro que tudo, adorei o livro (eu sei que já não é novidade nenhuma este adjectivo ser usado para estes livros). Apesar de ser um livro mais parado, com outro ritmo e outro estilo, é um livro fenomenal como o autor nos habituou com as duas anteriores obras.
Eu vi este livro de uma maneira muito simples, mas no entanto, muito atractiva:  uma luta entre o Bem e o Mal.

Eu pessoalmente adorei toda a planificação da estratégia que cada pessoa teve de fazer para que tudo corresse da melhor maneira.
Adorei ver que a Lisbeth tem muitos mais amigos e pessoas que estão dispostas a apoiá-la do que aqueles que ela pensa. Apesar de ela ter uma personalidade única, é mesmo muito bom ver que ela tem muita gente que gosta dela por aquilo que ela é.

Cada personagem teve um papel a cumprir neste plano para ajudar a Lisbeth e todos foram extremamente bem sucedidos e estiveram todos muito bem. A única ausência que acho que foi muito notável foi o Paolo Roberto e a Miriam Wu, que são pessoas que são importantes na vida da Lisbeth e este livro como é todo ele focado no passado, no presente e no futuro da Lisbeth, acho que deveriam ter tido um papel em toda esta luta para limpar o nome dela.

O livro toca todo ele em assuntos muito sensíveis, mas que não me deixaram de fascinar. Posso ser sincera, quando digo que a politica não é assunto que me fascine (na prática – na teoria, já é outra coisa) e no entanto vi-me constantemente surpreendida por o autor ter feito da política um assunto interessante. Por outro lado, é incrível ver que na verdade isto poderia acontecer a qualquer pessoa – os interesses do governo ou de uma entidade do governo (mesmo que este não tenha conhecimento dela) serem mais importantes do que a vida de um ser humano.
Estes escândalos já podem ter tido lugar na vida real e foi isso que eu mais gostei neste livro – a possibilidade de isto alguma vez acontecer a uma pessoa é horrível, mas nem por isso deixa de ser verdadeira. Mesmo que um pouco obscura, inacreditável e muito injusta são atitudes que existem pelo mundo fora. 


Digamos que podemos ver as coisas desta forma: os interesses de pessoas que são qualificadas de importantes, submetem-se, muitas vezes, à vida de uma inocente e de uma espectadora na escolha de vida de outras pessoas. As pessoas que são dotadas de um egoísmo fascinante e que conseguem manipular a vida de uma pessoa – bem, nem consigo começar a ponderar as consequências dos actos. Nem consigo imaginar o tipo de pessoa que tem a presença de espírito para fazer algo semelhante a outro ser-humano.

Achei este livro completamente fascinante por causa disso. A Lisbeth nunca teve uma vida normal, porque interesses alheios assim o decidiram e é imperdível, ver como é a Lisbeth lida e luta contra isso.

Este livro só peca por uma característica, que por acaso, no segundo livro não foi tão visível. Algumas características de uma das personagens principais – Mikael Blomkvist – irritam-me sobremaneira e temos em alguns aspectos, pontos de vista tão opostos quanto é possível. Por vezes foi difícil aceitar as atitudes dele, porque gosto dele como personagem e acho que poderia ser melhor aproveitado. 


Mas de resto, estes três livros são sem dúvida, fenomenais! Quem ainda não leu esta trilogia, não pode imaginar o que está a perder. 

Opinião – A Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo


PODE CONTER ALGUNS SPOILERS.
Opinião:
Hoje vou falar-vos um pouco sobre este Millennium 2, A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo.

Bem, numa palavra adorei (tal como adorei o livro anterior). Posso dizer que gostei mais deste segundo livro do que do primeiro.
Se o primeiro livro me conseguiu confundir, imaginem este. O grau de intriga é muito maior. As ligações entre cada personagem é muito mais interessante e descobrir qual vai ser o desfecho para todas elas é uma aventura sem igual. Mas é um confundir bom, para que tenham sempre presente que este livro foi uma boa surpresa a todos os níveis.

Gostei mais deste livro por várias razões, mas posso mencionar à partida, uma delas: uma das personagens principais, Mikael tem algumas atitudes que me irritam no primeiro livro – digamos que é mais um estilo de vida, vá. Neste livro não se nota tanto esses traços de personalidade e por isso, este livro é muito mais interessante. O leitor está completamente focado nos acontecimentos relatados, em termos de mistério e história.

Nunca, nem nos meus melhores dias eu conseguiria adivinhar a ligação entre a Lisbeth e alguns dos personagens que integram este segundo volume da Trilogia Millenium (nomeadamente o Zala, o Bjurman, o Teleborian e ainda o polícia, Bjorck). Para quem já leu, sabe a que me refiro. Foi preciso puxar muito pela cabeça e aguentar as dores no braço (do peso do livro) para perceber que ainda havia ali muito que explicar e que nem tudo o que parecia, de facto, era.

Este livro fez-me pensar imenso em como num simples acto de pessoas egoístas e egocêntricas pode condenar a vida de uma pessoa, uma inocente.
Bem, a Lisbeth acaba também por ter a sua quota-parte de culpabilidade. Como o Palmgren, o seu primeiro tutor, disse :
“A Lisbeth é mesmo violenta e existe qualquer coisa nela que não funciona muito bem. ”

Mas apesar de tudo, já tentaram imaginar o que é uma pessoa, ou melhor um conjunto de pessoas completamente malvadas decidirem juntas a vossa vida só porque querem proteger os seus interesses próprios?! Horrível! Mas dá muito que pensar, no entanto.
Para mim, foi um dos pontos fortes deste livro. Agora estou francamente ansiosa para saber o que se vai passar com o próximo livro. Claro que vai ser um livro muitíssimo interessante, já estou à espera. As expectativas são de facto muito elevadas.

Só espero que acabe, se não com um final definido, que pelo menos não acabe tudo em aberto.
Estou receosa que o final do 3º livro deixe tudo em aberto, visto que o suposto era existirem mais livro do apenas e só estes três, não tivesse ocorrido uma fatalidade como a que veio a suceder-se.

Gostava de sentir que – sendo que não haverão mais livros do autor – encerrei uma trilogia poderosa, fantástica, com o sentimento de que as coisas acabaram mesmo e que as personagens não ficarão ali num tempo indefinido com os seus futuros desconhecidos.

Opinião – Os Homens que Odeiam as Mulheres

Opinião: 

Este livro foi a minha estreia com policiais nórdicos. De certeza que já devem ter ouvido falar deste livro. Fui desenterrar estas opiniões, porque vou novamente debruçar-me noutra autora nórdica e creio que para o arquivo de opiniões é sempre bom contar com variedade. Durante os próximos 2 dias irei publicar as opiniões dos livros seguintes. 

Que fascinante, adorei. Agarrei-me à história com garras e dentes, logo nas primeiras páginas. Adoro policiais, que me prendam logo nas primeiras páginas, porque não consigo resistir a ir acompanhando o enredo com as minhas próprias teorias.
No início do livro vi-me algo confusa, era difícil saber quem era quem, com tanto nome. Especialmente quando o Henrik, uma das personagens que mais peso tem neste livro, começa a descrever grande parte da sua família. Só pensava “que grande baralhada, não vou saber quem é quem”. Mas, pelo contrário, logo se reduziram a apenas alguns nomes que iriam ter uma parte importante na história, muito mais fáceis de memorizar e apenas por coincidência com nomes muito mais legíveis (vá-se lá perceber e tentar memorizar alguns nomes suecos que apareciam). Para quem não se encontra habituado, é capaz de estranhar – ainda mais para quem não se encontrava, até este momento, familiarizada com obras literárias do Norte da Europa.

Como já disse atrás, fui formulando a minha teoria…e no momento de revelação estava completamente tudo errado.
Bem, para ser totalmente sincera, nem tudo se encontrava completamente errado, mas grande parte das coisas, especialmente acontecimentos importantes, nos quais eu tinha realmente falhado o alvo. É uma característica que a mim tanto me frustra como me cativa mais para o resto da leitura. 

O autor construiu neste volume personagens interessantíssimas e sobre as quais vou gostar muito de ler. A Lisbeth é uma personagem que eu admiro e que me surpreende a cada linha que leio. É também a pessoa mais misteriosa e sobre a qual mais vou gostar de conhecer para os próximos volumes. 
Digo-vos que há muito que não encontrava um policial que me fizesse revirar na cama, com tantas possibilidades. Confesso que já suspeitava de tudo e de todos. 
Outra personagem que merece bastante destaque é o tutor da Lisbeth. Uma personagem cheia de força, um pilar para a Lisbeth. Espero também que ele volte a aparecer nos próximos volumes.

Os livros são certamente extensos, podem vocês pensar. Mas garanto-vos que o autor vos vai conquistar com a sua escrita e com a mestria com que ele revira os acontecimentos. Um policial frenético. 

E irei certamente ler os restantes livros. Recomendo, mesmo para quem não seja fã de policiais. Os nórdicos vieram para ficar.