Especiais

Tally Youngblood pensou que tudo não passava de um rumor, mas agora é uma Especial.Uma máquina de luta criada para controlar os Imperfeitos e manter os Perfeitos na maior ignorância.Ser programada de forma perfeita, com uma força extraordinária e um único propósito, talvez não seja a melhor coisa que lhe podia ter acontecido. Tally ainda tem memórias de algo mais. Tem sido fácil ignorá-las, até que lhe é oferecida a possibilidade de exterminar os rebeldes do Novo Fumo para sempre. Tudo se resumirá a uma escolha final: seguir aquele longínquo bater do coração ou levar a cabo a missão para a qual a conceberam.

ISBN: 9789896680145 – Vogais & Companhia / 2011 – 288 páginas

O Hobbit

Este é o terceiro livro da série Uglies que leio e o penúltimo. Especiais mostra-nos a protagonista Tally Youngblood numa outra nova fase da sua vida, com os novos desafios que esta apresenta. As aventuras da adolescente Tally Youngblood e companhia não param por aqui e mesmo quando tudo parece acabar bem ou estar a ir no rumo certo, é quando tudo se desmorona.

Confesso que quando comecei a ler esta série pensei que tinha encontrado aqui leituras agradáveis. O primeiro livro foi um pouco fraco em termos de enredo, mas estava muito bom em termos do mundo que o autor construiu. Fez-me pensar no mundo das aparências e no valor que damos à beleza e nos ditos padrões normais daquilo que é belo. Depois desse primeiro impacto, tinha algumas expectativas para os restantes volumes da série e foi com alguma esperança que achei que o autor iria tomar um rumo parecido àquele que tinha imaginado na minha cabeça.

Contudo, o segundo livro não se revelou uma leitura tão frutífera e já existiram mais factores que me desiludiram. Contudo, reservei a esperança que ao aproximar-se do fim da série o autor desse um rumo diferente aos seus livros e à sua protagonista, Tally Youngblood.
Chegando à leitura deste terceiro livro deparo-me com um cenário igual ao segundo livro, pelo menos no que toca em desilusões. A verdade é que o autor escolheu apresentar as aventuras da Tally de forma muito cíclica e embora eu não dissesse que isso tem que ser negativo, neste caso, não me conseguiu captar a atenção e/ou o interesse. Pelo contrário. Acho que esta forma repetitiva, este ciclo que se inicia a cada novo livro e que acaba no último capítulo de cada volume, traz pouca dinâmica a esta história e à série.
Chega inclusive a dar a sensação de que estivemos a ler o mesmo livro até agora e não houve realmente nenhuma evolução. O que não é verdade, pois embora Tally a cada nova fase experimente os mesmo sentimentos, a verdade é que ela já evoluiu de alguma forma desde o primeiro volume.

Só não está a ser uma evolução com a qual eu contasse. Creio que a subida na hierarquia desta sociedade está a ser apresentada de forma interessante, mas a personagem de Tally – constantemente com as mesmas dúvidas, sem de facto aprender a lidar com aquilo que verdadeiramente lhe acontece – torna-se aborrecido.

O final já não foi a surpresa que eu esperava que fosse. Chegámos ao fim de um ciclo que acabou da forma que eu esperava que acabasse e por esse prisma não houve nenhuma novidade, nenhum entusiasmo.
Vou ler o último livro exactamente por ser o último livro da série, mas as esperanças que esta série fosse uma maravilhosa, dissiparam-se há muito.

Contudo, não deixa de ser uma narrativa tipicamente young-adult (com os seus atractivos) que creio que poderá agradar a outros leitores.

Pássaros Feridos

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Perfeitos

Finalmente, Tally Youngblood é Perfeita. Tem um rosto e um corpo absolutamente fantásticos, o seu guarda-roupa é o máximo, o seu namorado é lindo e a sua popularidade está no auge. Tem tudo o que sempre quis! Mas por que será que apesar das festas constantes, do luxo da alta tecnologia e da liberdade completa subsiste a sensação de que algo não bate certo? Algo… importante! É então que Tally recebe uma mensagem do seu passado imperfeito e se lembra de tudo. A diversão acaba de imediato. Agora, ela tem de escolher entre lutar para esquecer o que sabe e lutar pela própria vida… É que as autoridades não pretendem deixar vivo alguém que saiba o que ela sabe.

ISBN: 9789896680138 – Vogais & Companhia / 2010 – 296 páginas

O Hobbit

Este é o segundo volume da série Uglies do autor Scott Westerfeld que nos traz uma nova e melhorada Tally. Tally, que sempre quis ser Perfeita, consegue finalmente o seu desejo embora esta nova existência não seja exactamente o que ela esperava. As memórias de tempos passados assaltam-lhe o espírito e algo lhe diz que esta cidade tem algo de muito errado. Lá no fundo, ela já sabe o que isso é, mas é apenas quando recebe uma missiva de companheiros de tempos passados que se apercebe o que está em falta neste cenário. Afinal, ser Perfeita não é assim tão bom quanto ela esperava e agora Tally terá que fazer de tudo para se libertar deste fardo que é ser uma perfeita.

Tinha achado o primeiro volume desta série agradável quanto baste. De facto foi uma leitura com altos e baixos, embora o final me tenha deixado ansiosa para saber o que viria a seguir. O que mais apreciei na série foi o universo que o autor aqui construiu. Um mundo onde a beleza e a perfeição é o mote que faz mover a sociedade, onde todos os habitantes são condicionados para entrarem dentro de certos parâmetros de beleza, este foi desde o início um mundo que me fascinou. Não é segredo algum que a nossa sociedade dá uma importância revoltante às aparências exteriores e confesso que esta é uma temática que me interessa. Achei de facto maravilhoso a originalidade do autor, a forma como estruturou esta dicotomia entre Imperfeitos e Perfeitos.
Com esta ficcionalização da beleza, o autor consegue trazer à luz muitas verdades sobre a nossa realidade. A importância que os nossos adolescentes (e não só) dão à sua beleza física é algo preocupante. Apesar de todos nós reconhecermos e dizermos que não são as aparências exteriores que contam, não há nada que mude esta realidade, pois a verdade é que as aparências e a tal “perfeição” continua a pesar muito.
O autor foi bem sucedido em deixar-me a pensar em todos estes aspectos relativos ao conceito da beleza (muito em semelhança ao que me aconteceu no primeiro volume).

Em termos de evolução da história, posso dizer que gostei bastante de alguns desenvolvimentos, especialmente daqueles que estão relacionados com o pré-sociedade bela, por assim dizer. Gostei que o autor tivesse dado uma ideia de como esta sociedade veio a ser e adorei que ele nos mostrasse essa realidade. Mas, este volume também teve as suas partes negativas. O autor teve um discurso muito repetitivo e isso testou-me a paciência. A ponto de começar a contar quantas vezes ele usava a mesma palavra no mesmo capítulo. Isto fez com que a leitura se tornasse um pouco aborrecida, por vezes.
Em termos de personagens, houve novidades e todas elas me agradaram, especialmente o Zane. Sinceramente, o David e a Maddy desiludiram-me neste volume, apesar de ter gostado bastante deles no primeiro livro.
Já Tally, achei que a evolução dela foi positiva, apesar de (obviamente) ter os seus momentos de adolescente irritantes.

Em suma, foi um livro muito semelhante ao primeiro. Uma leitura agradável quanto baste, mas que não obstante, nos deixa sempre interessados naquilo que virá a seguir. O autor acaba sempre os seus livros de uma forma a que é impossível resistir. Por isso, não é com nenhuma surpresa que me sinto bastante curiosa para ler o terceiro volume desta série, que promete mais emoções.

Pássaros Feridos

Imperfeitos

Num mundo de extrema beleza, a normalidade é sinónimo de imperfeição.
Num futuro não tão distante quanto isso, não há guerras, nem fome, nem pobreza. O mundo é perfeito. Todos são perfeitos. Pelo menos, depois de completarem 16 anos. Qualquer um pode ter a aparência de um supermodelo… e que mal haveria nisso?
Tally Youngblood mal pode esperar pelo seu décimo sexto aniversário, altura em que será submetida à cirurgia radical que a transformará de uma mera Imperfeita para uma deslumbrante Perfeita. Uns lábios bem delineados, um nariz proporcional, um corpo ideal… é tudo o que sempre quis. Já para não falar que uma vida de diversão num paraíso de alta tecnologia espera por si.
Mas quando a sua melhor amiga decide virar as costas a esta vida perfeita e foge, Tally descobre um lado inteiramente novo do mundo dos Perfeitos – e que, por sinal, nada tem de perfeito. É então forçada a fazer a pior escolha possível: encontrar a amiga e traí-la ou perder para sempre a possibilidade de se tornar Perfeita.
Seja qual for a sua decisão, a sua vida nunca mais será a mesma.

ISBN: 9789896680121 – Vogais & Companhia / 2010 – 329 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este volume marca o início de uma série intitulada Uglies que nos fala sobre uma sociedade que está dividida por pessoas imperfeitas e por aquelas que são perfeitas. Cada criança, aos 16 anos, é sujeita a uma operação que os muda fisicamente e os torna concordantes com aquelas que são reconhecidas como directivas de beleza. O conceito de belo é estipulado por um comité que acaba por ser responsável pelas operações que se fazem a estes adolescentes a partir dos 16 anos. O mundo dos belos e dos perfeitos é um mundo que torce pela igualdade em todos os aspectos, mesmo na conformidade física entre eles. A genética é algo que deixa de controlar o ser-humano.

Mas o que é ser belo? O que é ser perfeito? Significa termos feições simétricas? Não será o conceito de belo algo relativo e mutável? Será a beleza algo exterior apenas, não tendo em conta o que está por detrás de toda a aparência exterior? Será que ser belo significa não conseguirmos pensar por nós próprios, que temos de encaixar em certos parâmetros?

Confesso que estava muito curiosa para conhecer não só esta série mas também este autor, por já ter lido tantas opiniões positivas dos livros dele. Este livro até ganhou alguns prémios pelo que esperava algo extraordinário daqui. Embora tenha verdadeiramente gostado do mundo que o autor aqui nos apresenta, acho que ficou a faltar qualquer coisa ao livro. Foi uma leitura agradável quanto baste, mas não foi o suficiente para me deslumbrar.

O ponto mais forte deste livro é mesmo o universo. Um mundo em que apenas somos alguém quando somos perfeitos é um mundo assustador. Ao longo desta leitura, perturbou-me a veracidade desta afirmação e o facto de podermos descrever a nossa sociedade desta maneira – pelo menos até certo ponto. Fez-me verdadeiramente ponderar a importância que hoje em dia se dá às aparências. Cada vez mais na verdade. Embora possamos dizer que a beleza vem do interior (e vem) também sabemos que o exterior tem um certo apelo para todos os nós e não é possível dissociar-mo-nos disso. É totalmente inegável, seja em que ambiente for. Acho que o autor colocou a nu muitas verdades sobre a nossa sociedade, sobre a pressão que é posta nas pessoas para serem lindas e perfeitas e para encaixarem num molde típico de beleza.
A ler este livro senti esse sentimento de sufoco, de tentar pertencer, de ser. O livro está poderoso nesse aspecto e como disse e volto a repetir, é o melhor deste volume.

Por outro, as personagens foram uma desilusão. A Tally desiludiu-me várias vezes como protagonista, sinceramente. Logo à partida pareceu-me muito fraca e com uma personalidade muito fútil e embora o desenvolvimento durante o livro tenha sido notório (até acabando por me surpreender no último capítulo) ela não seria a minha escolha para  protagonista. De facto, não existiu nenhuma personagem que me tenha saltado à vista. O único que pode ser considerado o melhor do lote é o David e mesmo assim, muito pouco gostei daquela atitude de rapaz indeciso entre duas raparigas, a tentar fazer um-do-li-tá.

A escrita é agradável o quanto baste, mas devo dizer que não foi uma narrativa que me tivesse tirado do sério. Apontei uma frase, que achei que condensa este livro na perfeição, mas não posso dizer que o livro tenha convidado a uma leitura compulsiva. Foi antes uma leitura fluída mas com alguns momentos de aborrecimento. O último capítulo foi realmente surpreendente e aquilo que mais me inclina para continuar a série. Sei que este mundo ainda tem várias coisas para mostrar e não posso deixar de me mostrar curiosa com o futuro, mas também sei que esperava mais.

What you do, the way you think, makes you beautiful.

~ Scott Westerfeld

Pássaros Feridos