As Mentiras de Locke Lamora

Diz-se que o Espinho de Camorr é um espadachim imbatível, um ladrão mestre, um amigo dos pobres, um fantasma que atravessa paredes. De constituição franzina e quase incapaz de pegar numa espada, Locke Lamora é, para mal dos seus pecados, o afamado Espinho. 

As suas melhores armas são a inteligência e manha à sua disposição. E embora seja verdade que Locke roube dos ricos (quem mais vale a pena roubar?), os pobres nunca vêem um tostão. Todos os ganhos destinam-se apenas a ele e ao seu bando de ladrões: os Cavalheiros Bastardos. O submundo caprichoso e colorido da antiga cidade de Camorr é o único lar que o bando conhece. Mas tudo vai mudar: uma guerra clandestina ameaça destruir a própria cidade e os jovens são lançados num jogo de assassinos e traidores onde terão de lutar desesperadamente pelas suas vidas. Será que, desta vez, as mentiras de Locke Lamora serão suficientes?




ISBN: 9789896373375 – Saída de Emergência / 2011


As Mentiras de Locke Lamora foi um livro que apesar de nunca me ter suscitado interesse, acabou por vir parar à minha casa devido a uma bela oportunidade na promoção 2=3 do site da editora Saída de Emergência.
A teimosia sempre foi uma qualidade ou defeito do meu carácter e apesar de eu saber que a fantasia não é a minha praia, hei-de sempre, sempre acabar por dar o benefício da dúvida. 
A verdade é que no último ano, Robin Hobb foi um exemplo de que boa fantasia existe e por isso, quando se deu a oportunidade para este livro vir parar às minhas mãos, acabei por ceder, ainda que com alguma hesitação.

Este livro que dá início a mais uma série – Cavalheiros Bastardos – no género da fantasia foi um livro que fez um sucesso estrondoso junto dos fãs do fórum Bang! e não só. Por vários blogues e espaços dedicados à literatura, vi este livro ser considerado como um dos melhores de 2011 e muitos foram os elogios feitos a esta obra de Scott Lynch. 
Vários foram os leitores que se deixaram enfeitiçar pela cidade de Camorr e pelas mais variadas personagens que o autor criou.

A sinopse parece bastante atractiva e parece trazer-nos um mundo cheio de aventuras e personagens que prometem conquistar o leitor com grande facilidade.
Locke, o protagonista deste livro, não tem uma vida fácil e logo desde pequeno é educado para roubar dos mais ricos, de forma a sobreviver. A verdade é que enquanto todos os outros órfãos, que como Locke roubam para o seu mestre como forma de subsistência, Locke é único mesmo dentro desta realidade cruel. É que Locke ganha um gosto diferente pela arte do ilusionismo e acaba por ser uma espécie de Robin dos Bosques da fantasia. E a cidade de Camorr irá tornar-se o seu parque de diversões, para as suas milhentas aventuras.

Confesso que as expectativas para este livro eram bastante altas, considerando os elogios que a obra tem angariado nos desde que foi lançada em 2011. Como leitora curiosa que sou, tinha de ver por mim própria onde estaria o fascínio e porque é que esta era “supostamente” uma dos melhores trabalhos de 2011 editados em Portugal. A verdade é que a leitura começou muito mal e assim foi até ao final.
As primeiras 80 páginas foram um martírio e quase estive para desistir, mas após espreitar alguns comentários decidi manter-me firme e continuar a sofrer. Afinal, sempre podia esperar que o livro tivesse um início pobre, mas depois me conquistasse.
Infelizmente, por razões que não consigo ainda muito bem explicitar ou apontar, este livro ficou o mês de Fevereiro inteiro “em águas de bacalhau”. Na semana passada, já chateada comigo mesma, forcei um pouco a motivação e li a restante obra. 

E esta será a última vez que lerei por obrigação, digamos assim. Este é exactamente o tipo de fantasia que não me convence e que simplesmente não consigo apreciar. Que desilusão se revelou esta obra. Uma escrita muito maçuda, já para não dizer confusa, deixou-me com a cabeça em água e a paciência por vezes revelou-se de pouca dura. 
Não foi uma leitura nada fácil e embora eu inconscientemente saiba que fiz mal forçar um pouco as circunstâncias, sei perfeitamente que fiz bem em tirar as dúvidas, porque se fosse hesitar na sua leitura, o livro nunca mais teria saído da prateleira e para sempre iria olhar-me com julgamento.

Assim, sempre pude tirar a prova dos nove, em como Scott Lynch não foi bem sucedido a cativar o meu interesse.
Infelizmente, sei também que a leitura deste livro coincidiu com aquilo a que eu chamo o meu “bloqueio de leitora”, que referi na minha rubrica “Estados de Espírito”, o que acabou por influenciar a minha perspectiva. 

Provavelmente, não irei dar a este livro uma segunda hipótese, mas como não gosto de fechar possibilidades, quem sabe um dia o livro me mostre o seu verdadeiro valor?


      

    

Advertisements