Água aos Elefantes

Foi com muito agrado que descobri esta obra na minha biblioteca local e que o trouxe para ser meu companheiro por uns tempos. Devido à falência da editora em questão, este livro é muito difícil de encontrar, pelo que é com muita pena que não vejo outra editora a pegar nesta obra que merecia ser reeditada. 
Já tinha ouvido falar muitas vezes sobre este livro, especialmente quando os anúncios da sua adaptação cinematográfica começaram a aparecer muito por aí. Depois de ter visto o trailer da mesma, decidi que tinha de ler o livro antes de ver o filme. (Parte dos meus rituais dos quais não abdico). Assim sendo, o entusiasmo não se conseguia conter e com uma premissa tão interessante quanto esta, Água aos Elefantes, era uma obra que parecia prometer “mundos e fundos”.

O romance de estreia de Sara Gruen conta-nos a história de Jacob Jankowski, um senhor que conta já com a honrosa idade de 93 anos. Jacob, nos anos em que a Grande Depressão assolou os Estados Unidos da América de uma maneira devastadora, tinha tudo o que podia pedir. Estava a estudar em Cornell, a tirar Medicina Veterinária e pouco faltava para ir trabalhar lado a lado na clínica do seu pai. 
Tudo isto muda quando os pais de Jacob têm um acidente e o rapaz descobre que o seu pai estava completamente falido. Assim, sem oportunidade de continuar os seus estudos, devido à falta de rendimentos e herança, Jacob foge, até que dá por si, a entrar num comboio. 
Este não é um comboio qualquer. É um comboio que faz parte de um circo chamado Benzini Brothers: O Maior Espectáculo da Terra
O jovem polaco por acaso da sorte, consegue ficar com um emprego como veterinário do circo e entra assim num mundo circense que lhe é completamente desconhecido e estranho. 

E é neste circo que Jacob irá conhecer o amor da sua vida. Uma mulher que tanto tem de bela como corajosa e talentosa. Ela chama-se Marlena e é a responsável pelo número dos cavalos, com os quais tem uma ligação espantosa e quase incompreensível. Mas Marlena é virtualmente inatingível, pois ela é casada com o chefe de Jacob, August.
Poderão eles ser felizes e viver uma história de amor? Ou estará o amor de Jacob condenado a nem sequer florir? 

Este livro surpreendeu-me pela positiva. Fiquei francamente admirada e apesar de ter iniciado a leitura do livro muito calmamente, depressa esta se tornou uma leitura voraz. As personagens e o próprio enredo absorveram-me de uma maneira incrível. O ambiente da narrativa, igualmente. 
Nunca tinha lido literatura que se debruçasse sobre o mundo circense, nem sobre o período da Grande Depressão, pelo que foi uma experiência única (até agora) que se revelou uma deliciosa surpresa. 
Não esperava realmente gostar tanto deste livro. A escrita de Sara Gruen envolveu-me a todo o momento. 

É também de referir que este livro tem uma particularidade interessante: no final de cada capítulo, ou a cada dois capítulos, existe fotografias pertencentes a museus, que retratam o mundo circense dessa época, pelo que é fantástico acompanhar a narrativa com ajudas visuais tão brilhantes quanto estas. 
É de fazer notar, igualmente, a pesquisa que a autora fez para completar este seu romance. Achei fantástica a maneira como ela abordou e coordenou um tema alegre – circo – com um ambiente desesperante – a crise económica que se viveu nesses tempos.
O livro tem momentos alegres, mas também tem descrições algo chocantes que permitem o leitor saborear uma realidade muito intensa, no que toca ao ambiente que se vivia nos EUA na altura da crise que assolou o mundo, mas em particular, esta nação. 
A natureza humana que a autora aqui nos apresenta tanto é calorosa como cruel, mas acima de tudo, a realidade é bem-vinda, ainda que por vezes a mesma seja triste. 

O único ponto menos positivo que aponto é que a autora não desenvolveu tudo o que eu queria que ela desenvolvesse. Acho que ficou uma ou outra ponta solta e gostaria que tal não tivesse acontecido. 

No entanto, foi uma obra que me marcou. Uma boa aposta!