A Virgem Cigana

Mischa conhece bem a sensação de abandono. O seu pai alemão desapareceu no final da guerra, deixando-o a ele e sua à mãe entregues ao ódio e ao desprezo dos outros habitantes da vila francesa.
Um dia o vento traz-lhe Coyote, um americano, e a sua vida muda radicalmente. Deixando a França para trás, Mischa reencontra a felicidade ao lado da mãe e de Coyote numa pequena cidade americana. No entanto, e tal como aconteceu com o seu pai, o padrasto também desaparece de repente sem uma palavra.
Já adulto, Mischa vive atormentado por estas cicatrizes. Quando a sua mãe, ao morrer, entrega a um museu A Virgem Cigana, um célebre quadro de Ticiano cuja existência Mischa desconhecia por completo, este decide então regressar a França para fazer as pazes com o seu passado e descobrir a verdade sobre a origem do quadro, por mais dolorosa que esta possa ser.

ISBN: 9789722524599 – 11×17 (Bertrand Editora) / 2012 – 464 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este é o segundo romance da autora Santa Montefiore que leio, sendo que o primeiro foi A Árvore dos Segredos. As expectativas estavam elevadas, devido à estreia fabulosa que tive com ela e por isso estava bastante entusiasmada com este A Virgem Cigana. Este romance conta-nos a história de Mischa e da sua mãe, Anouk que vivem num chateaux em França, ostracizados pela população local, pois Mischa é filho de um alemão. Mischa e a mãe são tratados como traidores pelos habitantes da comunidade e têm uma existência muito complicada e bem exigente. Até que Coyote, um americano, chega à aldeia e muda a vida tanto de Mischa como de Anouk. A música e o amor entra nos seus corações e Coyote é o motor de mudança toda, apesar de todo o mistério e desconfiança que o segue como uma sombra. Há algo de Coyote que ninguém consegue alcançar, nem aqueles que ele diz amar. E essa sombra torna-se notória quando este deixa Mischa e Anouk sem qualquer espécie de aviso.
Mischa, que idolatrava Coyote, acaba por crescer com a ideia que foi abandonado sem razão aparente e a raiva entra no seu espírito para dominar toda a sua vida. Quando a mãe morre, deixa para trás uma série de perguntas às quais Mischa vai tentar responder com uma visita emotiva aos fantasmas do passado.

A escrita de Santa Montefiore foi algo que me agradou muito no livro anterior e este A Virgem Cigana não foi nenhuma excepção. A forma como ela descreve os cenários é muito apelativa e é impossível não nos deixarmos encantar pelas imagens que ela traz à nossa imaginação.  As suas histórias puxam sempre um pouco pelo lado mais emotivo do leitor e isso também ajuda a criar uma ligação especial às jornadas destes personagens fictícios. Este livro passa por vários países – França, Estados Unidos da América e Chile. Para mim, que gosto de ler sobre sítios onde nunca estive, foi um achado. Adorei tentar colocar-me no lugar dos personagens e tentar imaginar as paisagens que a autora pintou para mim.
A infância de Mischa foi a parte do livro que mais me emocionou, por razões óbvias. A crueldade está bem presente e é algo muito forte ver como é que os outros habitantes tratam esta criança inocente. Por isso mesmo, senti um orgulho imenso quando Mischa conseguiu ultrapassar os seus traumas.

A parte contemporânea, apesar de me ter cativado por causa do mistério que envolveu a vida de Coyote, não teve o mesmo impacto em mim. Tenho que confessar, contudo, que existiram certos pormenores mais para o final desta leitura que me surpreenderam e que foram os responsáveis por manter o meu interesse até ao final. Fiquei apenas um pouco desiludida com a parte romântica. Se não fosse isso, esta leitura tinha-se revelado ser uma bastante interessante em vários aspectos. No entanto, esta escolha da autora em termos românticos foi uma que não me convenceu na totalidade e soube-me a pouco, tendo em conta o resto do livro.

Concluindo, foi uma leitura que teve óptimos momentos e outros que ficaram aquém das expectativas. Gostava de ter visto mais desenvolvimento no romance propriamente dito e creio que isso não permitiu no final recordar-me deste livro de uma forma mais intensa ou mais querida. Quero, apesar isso, ler mais livros da autora.

Lições de Sedução

A Árvore dos Segredos

Um amor proibido nas Pampas argentinas. Numa apaixonante paisagem onde o sol se põe em tons de fogo, a escritora inglesa, Santa Montefiore, escreve um épico de amor, desilusão e segundas oportunidades. No rancho de Santa Catalina os irmãos Solanas vivem e crescem juntos. Quando Paco se apaixona por uma irlandesa, Anna Melody, tudo muda na família. A filha de ambos, Sofia, que cresceu sob a sombra da Ombu na quente planície, vive um amor proibido que a obriga a deixar a terra que sempre amou. Uma saga de família a levar-nos da Inglaterra à Argentina, numa cuidada narrativa de emoções fortes com um inigualável odor a gardénias… Ombu é a única árvore nativa nas Pampas. De ancestrais raízes essa árvore cresce e observa em silêncio os homens e mulheres que por ali passam. Sofia, filha de um argentino e de mãe irlandesa, espiga rebelde e decidida. A sombra da árvore é o seu esconderijo favorito. Ali pode passar horas a observar a vasta paisagem, conversando com os primos Maria e Santiago. Enquanto a sua mãe, Anna Melody, se tenta adaptar à terra do marido, Sofia cresce enraizada naquele lugar não concebendo sequer partir. Ao apaixonar-se pela pessoa errada é obrigada pela família a abandonar o rancho voltando vinte anos depois… Um épico de amor, perda e aprendizagem da vida. Natural de Winchester, Inglaterra, mas de ascendência argentina, Santa Montefiore escreveu um poderoso romance sobre o sentimento de pertença a um lugar, sobre a violência das paixões e o deixar para trás o passado recomeçando noutro lugar, investindo em outros afectos. Na vida não amamos só uma vez, nem de uma só forma. Sofia, a protagonista, descobre isso já mulher. Mas descobre-o ainda a tempo de ser feliz.

ISBN: 9789724242453 – Círculo de Leitores / 2001

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Nas pampas argentinas, em Santa Catalina, vive uma família extensa. A família Solanas. Várias gerações passaram por esta casa e deixaram a sua marca neste espaço. As crianças nas férias de Verão, têm muito que fazer. Jogam pólo, vão à piscina, andam a cavalo e visitam o ombu que se encontra na propriedade, pedindo à árvore os desejos que querem ver cumpridos. Diz-se mesmo que esta árvore é mágica e a verdade é que ela assim o é, pelo menos até as mesmas crianças crescerem e deixarem de acreditar na magia desta árvore. Sofia Solanas e Santiago são primos direitos e são também os melhores amigos. Andam sempre juntos, são inseparáveis. Até que Sofia começa a sentir algo mais por Santi e as coisas complicam-se. Afinal, ela ainda é uma criança e não pode saber, na verdade, o que realmente quer. Já para não falar na reacção que os seus pais teriam se alguma vez descobrissem que Sofia nutria estes sentimentos pelo seu primo direito. Contudo, não escolhemos quem podemos amar e Sofia e Santi acabam por esquecer a opinião dos outros e preocupam-se em amar-se um ao outro apenas. Como era esperado, a relação é descoberta pela família e Sofia é obrigada a afastar-se de Santa Catalina. Os caminhos de Sofia e de Santi acabaram por se separar e as vidas de cada um deles nunca mais vai ser a mesma. Contudo, e se…?

Este livro foi-me recomendado por uma amiga e confesso que me encontrava muito receosa para o ler, razão pela qual adiei a sua leitura por meses afim. No entanto, eu acredito que cada livro tem uma altura certa para ser lido e agora que finalmente me decidi a ler esta obra, que marca a minha estreia com a autora Santa Montefiore, sei perfeitamente que não poderia existir melhor altura para ler este livro. Mal comecei a ler o livro, fiquei presa à sua história. O primeiro impacto foi a forma como a autora descreve a Argentina e a vida neste país. Fiquei deslumbrada logo à primeira “vista”. Fiquei fascinada pela paisagem das pampas argentinas e pelo contraste que existe entre o meio urbano de Buenos Aires e o campo. Parece um país apaixonante. Fiquei com imensa vontade de o visitar.

A escrita da autora é portanto, cativante, para dizer o mínimo. A narrativa chamou-me logo à atenção, pois é fluída e apanha o leitor desprevenido. Eu, mais ainda, porque não estava à espera de encontrar o que acabei por encontrar neste livro. O que encontrei foi uma história muitíssimo bem construída, uma família e personagens apaixonantes, além de toda a riqueza descritiva da paisagem e da história do país. Estes são todos parâmetros que, quando são bem executados, me conquistam numa leitura.

Encontrei o relato de várias gerações. Um testemunho histórico, diria. Encontrei múltiplas histórias de amor. Cheias de paixão, ressentimento e arrependimento. Encontrei o destino. E encontrei também algumas lições que prometem deixar a sua marca no meu futuro. O facto de ter podido acompanhar diversas gerações desta família deu-me uma perspectiva muito alargada de como é a realidade da Argentina nas várias épocas que aqui são faladas. Mas a intensidade do discurso nunca muda e acabamos por amar estas personagens como se fossem a nossa própria família. Sentimos o sofrimento de cada um e partilhamos com elas, as suas alegrias e as suas tristezas.  É algo poderoso sentir que pertencemos a um mundo que conhecemos dentro das páginas de um livro. E foi assim que me senti quando comecei a ler A Árvore dos Segredos. Facilmente senti que fazia parte desta família, que me sentava à mesa para jantar com eles e que jogava pólo e que sentava no ombu a pedir os meus desejos e a rezar para que eles se realizassem rapidamente. Sofia e Santi, especialmente ficaram no meu coração, por razões muito particulares. Estes os dois têm uma história…emocionante.

Este livro despedaçou-me o coração, fez-me sofrer. E voltou a colar as peças todas, colocou-o de novo, inteiro, dentro do meu peito. Várias foram as vezes que quis gritar de frustração  chorar de desespero e rir de felicidade.

Mas só nos apercebemos do muito que gostamos de uma coisa quando a deixamos durante algum tempo. Quando regressamos, vemo-la num tom completamente diferente porque, de súbito, somos capazes de nos afastar para nos apercebermos de como realmente é. Passamos a amar com muita intensidade todas as coisas que anteriormente tínhamos como certas, porque sabemos o que é passar sem elas. ”

– in A Árvore dos Segredos

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