Um Dia Perfeito

Quando eram crianças, as quatro amigas Mackensie, Emma, Laurel e Parker, passavam horas a imaginar como seria um dia de casamento perfeito. Anos mais tarde, as suas fantasias tornam-se realidade, mas de uma forma que não esperavam: criaram uma empresa de organização de casamentos e realizam os sonhos de outras mulheres.
Em Um dia Perfeito, ficamos a conhecer Mackensie Elliot, uma fotógrafa bonita e independente, que adora captar os momentos felizes e únicos que descobre nos casamentos. Mas tanta felicidade ao seu redor por vezes recorda-lhe um passado de amargura e que quer deixar para trás.
Quando conhece Carter Maguire, irmão de uma noiva, sente que um inofensivo flirt pode ser mesmo aquilo que precisa para tirar a cabeça de tantos casamentos.
O que não esperava era que o coração lhe pregasse uma rasteira e exigisse algo que ela julgava impensável… Poderá Mackensie descobrir o caminho para a felicidade e rumar, um dia, ao altar?

ISBN: 9789897100512 – Chá das Cinco (Saída de Emergência) / 2013 – 288 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Mackensie Elliot e mais três amigas de infância são sócias de um negócio de organização de casamentos, que têm nos últimos anos, crescido em popularidade. Como consequência, os seus calendários estão sempre preenchidos com mais um casamento. Estas quatro amigas são boas naquilo que fazem exactamente porque primam pela qualidade em todos os seus eventos. Esforçam-se para que os casais tenham um dia perfeito e inesquecível. Mackensie é a fotógrafa e dentro da empresa, trata de tudo aquilo que pertence a este campo. A ela interessa-lhe que a cada fotografia que tira, está a perpetuar um momento feliz. Mas na verdade, lá no fundo, ela não acredita que ela mesma possa viver essa felicidade. E a máquina fotográfica, é para ela, uma maneira de se desvincular da possível desilusão de não encontrar um momento que valha a pena perpetuar. Carter Maguire, com o seu jeito tímido e um pouco atrapalhado, vai mudar a sua vida. Aquilo que Mackensie pensava que seria uma relação simples, pouco séria, revela-se ser muito mais que isso. Resta saber se ela vai agarrar esta oportunidade ou não.

Acho que já não é novidade o quanto gosto desta autora. Nora Roberts e os seus livros marcaram uma fase da minha vida e embora hoje em dia, já não leia os livros dela com tanta sofreguidão, continuo a dizer que esta é das autoras que mais significa para mim. Por ter sido uma das autoras que me tornou uma bookahólica e por ter sido ela que me apresentou ao romance, a este género que transforma todos nós, em românticos desesperados. Já li muitos, muitos livros dela. São menos os que não li do que os que li e dizer isto sobre uma autora que tem uma bibliografia tão extensa quanto esta senhora, é dizer muito. Por isso mesmo, cada vez que pego num livro da Nora, sei perfeitamente àquilo que vou. A escrita dela é muito simples, muito directa. Ela escreve histórias com um propósito, que é o de entreter os seus leitores. E é isso que ela faz. Umas vezes melhor, outras vezes pior.

Este é o típico romance contemporâneo que hoje em dia se encontra em muitos livros. É um género muito conhecido e o que não falta por aí são livros destes. A Nora Roberts já tem uma fórmula, que decerto alguns de vocês conhecem, mas este livro tem algo diferente dentro do universo Nora. É que é um livro que fala sobre noivas. E sobre casamentos. Antes de ela ter escrito este quarteto das noivas, nunca antes se tinha dedicado a escrever um livro que se concentrasse tanto neste dia tão especial para quem se vai casar. E acho que isto é uma verdadeira inovação.

Ficou a faltar a típica aura de mistério neste livro e ainda bem. Acho que para o efeito que a autora quer construir com esta empresa de organização de casamentos, fica melhor deixar a parte dos crimes para outro plano. Contudo, temos a dose normal de conflitos na relação dos dois protagonistas, o que cria curiosidade nos leitores. É um livro que se lê num instante. Como disse, a narrativa é muito simples e fluída, pelo que é uma leitura que se faz de uma forma rápida. Tenho que dizer que adorei o Carter. Aqueles maneirismos desajeitados deram outra graça ao romance. Quanto às restantes personagens, confesso que estou a morrer de curiosidade para ler o romance da Parker. Ah, e estou bem curiosa para ler mais sobre o irmão dela. Tenho cá uns planos para ele.

Gostei. Achei uma história romântica, muito doce e creio que os restantes livros deste quarteto serão uma boa aposta. Uma boa leitura para dar início ao verão.

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A Muralha de Gelo

5739512Eddard Stark só aceitou o prestigiado cargo de Mão do Rei para proteger o rei… ou não suspeitasse que o anterior detentor desse título fora mandado assassinar pela rainha. Mas agora Eddard tem a certeza que foi ela. E também sabe a razão: a rainha tem um segredo escabroso que pode levar à queda da dinastia e mesmo à guerra civil!E como se a conspiração palaciana não bastasse, tudo piora quando o rei Robert Baratheon é ferido mortalmente por um animal numa caçada. Mas a Mão do Rei já desconfia de tudo: terá sido mesmo um animal… ou o trabalho de mais um assassino da rainha? Um homem honrado e justo, Eddard Stark começa a temer ser derrotado pelo ninho de víboras que é a Corte e a Casa Lannister. Mas a ameaça de guerra civil não é a pior sombra que paira no ar. No norte, para lá da muralha de gelo, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E ainda mais longe, a última herdeira dos Targaryen prepara-se para invadir os Sete Reinos com o maior exército alguma vez visto… e com o auxílio de dragões!

ISBN: 9789896370206 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2007 – 397 páginas

Lorde Eddard Stark é agora Mão do Rei e com este cargo vêm mais do que responsabilidades. Ned rapidamente se apercebe de que a vida na corte real não é tão fácil como à primeira vista poderia parecer. Os segredos que vai descobrindo são uma ameaça grande e perigosa. Ned não sabe em quem confiar e o caos e a desconfiança rapidamente se instalam em Porto Real. Quando Robert Baratheon fica ferido com gravidade, Ned percebe que terá de agir com subtileza mas também com rapidez porque o Inverno está mesmo a chegar e a vida nos Sete Reinos nunca mais será igual com as ameaças que se encontram à espreita em todas as esquinas.

Esta A Muralha de Gelo é a segunda metade do primeiro livro da série As Crónicas de Gelo e Fogo. O primeiro volume das crónicas foi uma surpresa estonteante para mim. Um mundo rico com imensas personagens, pormenores e descrições, adorei conhecer esta criação de George Martin. Por isso mesmo achei por bem ler estes dois livros de seguida, visto que na versão original são um livro. À semelhança da primeira metade, é um volume cheio de acção e movimento, onde somos surpreendidos em vários momentos da narrativa.

Não sei bem explicar o que irremediavelmente me conquistou nestes volumes que acabei de ler. A escrita do autor é certamente cativante, muito descritiva, mas muito dinâmica que atrai o leitor a cada instante. O seu mundo é rico, variado e cheio de coisas novas para descobrir e explorar. Os seus personagens são muitos, mas igualmente ricos. Não sabemos em quem confiar e os amigos de hoje podem ser os inimigos do amanhã. Esta viragem e eterno mistério é interessante, já para não dizer que a possibilidade de lermos sob pontos de vista diferentes nos mostra diferentes visões do mesmo acontecimento, tendo assim uma aproximação mais real aos personagens.

Pouco posso acrescentar sem revelar pontos fundamentais do enredo, por isso, fico-me por dizer que para já, este mundo está a ser uma surpresa e com certeza que tenciono ler, pelo menos, os próximos dois volumes em português que correspondem ao segundo livro no original. George Martin promete novos e excitantes desenvolvimentos neste mundo fantástico e eu estou pronta para descobrir mais. Vou também aproveitar para começar a ver a primeira temporada da série televisiva. Confesso que já me encontro inquieta para ler os próximos livros.

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Opiniões do mesmo autor:

A Guerra dos Tronos

5739442 Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo. Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga. Entre eles estão o anão Tyrion, a ovelha negra do clã Lannister; John Snow, um bastardo de Eddard Stark que, ao ser rejeitado pela madrasta, decide juntar-se à Patrulha da Noite, uma legião encarregue de guardar uma imensa muralha de gelo a norte, para lá da qual cresce uma assustadora ameaça sobrenatural ao reino. E ainda a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert Baratheon, que pretende ressuscitar os dragões do passado e, com eles, recuperar o trono, custe o que custar.

ISBN: 9789896370107 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2007 – 379 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Eddard Stark é Lorde Stark, senhor de Winterfell. Winterfell situa-se no norte e esta é uma das casas mais antigas dos Sete Reinos. Eddard sente-se feliz e confortável com a vida que aqui leva, junto da sua senhora e dos seus filhos. Contudo, a chegada do Rei e seu amigo, Robert, acaba por alertar Ed de que a sua vida está prestes a mudar. Os seus receios acabam por se provar serem verdadeiros quando Robert pede a Ed que este seja a Mão do Rei, o seu braço direito. Isto é uma grande honra, pois é um lugar que muitos ambicionam e que traz a quem tem esta posição, bastante poder. Contudo, a Mão anterior que pereceu de uma forma algo suspeita, não descansa Ed e a sua mudança para Sul significa que Ed irá aterrar no meio de conspirações políticas, sem saber em quem pode totalmente confiar. “O Inverno está a chegar” e os tempos difíceis estão apenas a começar.

Este A Guerra dos Tronos marca a minha entrada na série As Crónicas de Gelo e Fogo e marca também a minha estreia com o autor George Martin. Como é óbvio, não fiquei cega ao sucesso que tantos os livros como a série televisiva fizeram por esse mundo fora e portanto não foi com muito espanto que me apercebi que este primeiro volume foi o livro mais votado na minha iniciativa Desafio aos Leitores. Confesso que me encontrava um pouco receosa, no entanto. Nunca fui a maior fã de fantasia, como vocês já estão fartos de saber, mas nos últimos anos, tenho lentamente mudado a minha opinião. Portanto, foi sim com algum espanto que acabei esta leitura a desejar mais. Na verdade, eu só li a primeira metade do primeiro livro (a editora divide os livros desta série), pelo que foi por essa razão que mal acabei A Guerra dos Tronos, comecei a ler A Muralha de Gelo.

E estou positivamente admirada. A escrita de George Martin é incrivelmente fluída, algo que não esperava. Esperava que este fosse o tipo de narrativa vagarosa, lenta a desenvolver e muitíssimo descritiva. Contudo, contrariamente às minhas expectativas, encontrei uma narrativa bastante dinâmica, com bastante ritmo e um enredo que nos deixa com vontade de descobrir mais e mais a cada paragem que façamos. Dificilmente larguei o primeiro volume, pois como digo, o autor tem uma escrita muito fácil e que faz com que o leitor mergulhe no livro sem alguma hesitação.

Ao início, senti-me um pouco confundida com tanto nome, tanta casa e tanto pormenor e característica sobre este mundo único. Cada capítulo é-nos apresentado num ponto de vista diferente e para mim isso é uma vantagem, visto que num mundo rico em personagens é importante ter mais que uma visão dos acontecimentos. Faz-me sentir, como leitora, mais próxima de cada um dos intervenientes da história e do livro. É-me difícil dizer que parte do livro, gostei mais. Se do enredo principal, se da construção dos personagens. Creio que ainda é cedo para começar a fazer este tipo de julgamento.

Posso contudo dizer que foi uma descoberta que me deixou surpreendida e que me deixa com água na boca para saber e descobrir mais. Sei, com toda a certeza, que as surpresas não acabam aqui. Aliás, ainda nem vi nada, de facto. Mas sei que o autor ganhou outra nova leitora. Espero que os próximos “episódios” se revelem tão bons quanto este primeiro volume.

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Jogos Secretos

Suzy Curtis é a miúda que tem tudo: emprego de sonho, Rolls Royce vermelho e uma arrebatadora estrela de rock como ex-marido. Mas há dias em que nem ela devia sair da cama: ao tentar desesperadamente fugir a uma multa por excesso de velocidade, conhece Harry e vê-se numa alhada que envolve uma amostra de esperma, um polícia e um copo de batido do McDonald’s. 
Harry não é propriamente um caso de amor à primeira vista, mas é um caso sério de atração sexual. O que não vem nada a calhar pois a mãe de Suzy acaba de falecer deixando-a a braços com um segredo de família que promete mudar toda a sua vida… 
Com Jill Mansell, o amor nunca é simples nem fácil. Mas é sempre divertido e inesquecível!




ISBN: 9789897100352 – Saída de Emergência (Chá das Cinco) / 2012 – 377 páginas

Quando Harry e Suzy se conhecem pela primeira, existe logo desde os primeiros momentos uma atracção física inegável. Harry é um agente da polícia que está prestes a multar o irmão de Suzy por uma infracção grave, mas de alguma forma, ambos se conseguem safar. Contudo, Suzy e Harry não se esquecem um do outro e à terceira vez que se encontram acabam por começar uma relação. Harry é lindo e por demais perfeito – pelo menos à partida. No entanto, Suzy começa a perder o entusiasmo e o interesse no Harry, porque aquilo que parecia perfeição, é tudo menos isso. Ele tem vários problemas, mas o maior é: ele está demasiado interessado. 
E quando Suzy conhece o irmão mais velho de Harry – Leo – os seus problemas ainda se tornam maiores. É que agora Suzy está presa numa relação sem futuro e sem saída e está apaixonada pelo irmão do seu namorado. 
Jill Mansell traz-nos outro livro que promete algumas gargalhadas. 
A personagem principal, Suzy, é a típica rapariga vulgar, algo trapalhona que passa pela vida com boa disposição, sempre. Suzy tem o trabalho que quer e a sua vida aparentemente não podia ser melhor. Contudo, ainda não encontrou a pessoa certa para si e cada vez que tenta, que conhece alguém, acaba por falhar redondamente. Não sabe se o problema está nela, mas a verdade é que pela primeira vez, depois de conhecer o Leo, sente-se inadequada. Pela primeira vez na vida, percebe que talvez o problema nas relações seja mesmo dela. 
Já sabia o que esperar deste livro. Na verdade, a fórmula não é diferente de qualquer outro livro da autora. Muitas situações caricatas, personagens algo disparatados mas bem-dispostas e muito riso à mistura. Alguns romances vão sendo construídos ao longo da narrativa, nem sempre de forma muito simples ou fácil, mas é sempre tudo feito com uma camada de humor para dar graça aos acontecimentos. 
E esta fórmula, após tantos livros publicados, continua a deixar-me satisfeita.


Jogos Secretos não apresentou nenhuma excepção. Estando já bastante familiarizada com a escrita da autora, entrei com facilidade nesta narrativa. O livro leu-se muitíssimo bem, pois a escrita fluída é uma marca notória nas obras de Jill Mansell. 

Como sempre, foi um livro que me arrancou algumas gargalhadas e que me deixou com um sentimento de bem-estar. É um bom remédio para a má disposição, acreditem. 
Apesar de a personagem principal por vezes me ter irritado ligeiramente com a sua impulsividade ou com a sua maneira algo inconsequente de ver a vida, de forma geral, acabou por se redimir.  
Os restante personagens foram interessantes e sinceramente, gostei de todos os romances que aqui nos foram apresentados. 
Para quem já conhece esta autora e gosta do seu estilo, pode esperar um livro divertido e romântico. Para quem não a conhece mas sente curiosidade, há tantos livros bons por onde escolher. 
Confesso que este livro não ficou dentro dos meus favoritos da autora, mas de qualquer forma, foi uma leitura que me proporcionou momentos de boa-disposição e de liberdade, no sentido em que pude colocar as preocupações de lado por umas horas. 

Opiniões da mesma autora:











Paixões à Solta

Daisy MacLean é a diretora de um delicioso hotel rural. Desde que o seu marido infiel morreu num acidente de carro, tem-se mantido solteira e boa rapariga. Mas agora não confia em homens bonitos e charmosos, e é por isso que a antiga estrela de rugby, Dev Tyzack, não tem nenhuma hipótese em a conquistar. Pensa ela… Infelizmente o passado de Daisy está a intrometer-se no seu futuro. Quando menos espera, aparece Barney, o porteiro, com algo que pertencera ao marido que Daisy pensava ter conseguido esquecer. E para aumentar a confusão, não faltam outras personagens excêntricas como Tara, a criada sempre infeliz no amor; Dominic, cujo casamento se vai realizar no hotel mas que já não quer aquela noiva; ou o próprio pai de Daisy que mantém uma relação secreta. Desta caótica torrente de paixões à solta só poderá resultar um grande desastre. Ou talvez não!
ISBN: 9789897100284 – Chá das Cinco / 2012 – 393 páginas

Numa pequena aldeia britânica, esconde-se um hotel muito simpático com funcionários e clientes que não perdem um momento de diversão nas suas vidas. Os segredos nesta pequena comunidade também são mais que as pessoas que lá habitam e o caos rapidamente nasce por aqui. 
Daisy, directora do hotel local, descobriu que o seu marido lhe era infiel após a morte do mesmo, consequência de um acidente rodoviário. Um ano depois, só tem cabeça para a gestão do seu hotel. Mas quando conhece Dev, as suas prioridades ficam confundidas. É que ele é um homem irresistível e não lhe dá nenhuma trégua. Só que Daisy não consegue confiar completamente em Dev, pois as suas memórias não são as melhores e não consegue lutar com a sombra das infidelidades do seu marido. 

Há bastante tempo que não lia nada de Jill Mansell e tendo em conta que ela é uma das minhas autoras favoritas no panorama de literatura romântica, isto é dizer muito. Contudo, eu gosto sempre de guardar estes livros para quando preciso ou me apetece ler algo dentro deste género. Assim tenho a certeza que os livros e as leituras são muito melhor apreciadas. Foi o que aconteceu com este Paixões à Solta, que se leu de uma assentada, como invariavelmente acontece com esta autora bem-disposta. Sinceramente, já não sei quantos livros dela li até hoje. Talvez tenham sido uns 11 e portanto conheço o estilo de escrita dela muito bem. É uma escrita leve, bem-disposta onde a autora se apoia em personagens um pouco desajeitadas, muito divertidas que se introduzem em situações cómicas e caricatas, sempre com azar ao amor. 
E entre as confusões e os mal-entendidos, as personagens acabam por se apaixonar e encontrar as pessoas que são certas para cada um deles. 
A autora escreve sempre sobre três ou quatro casais no mesmo livro e estas são sempre leituras que nos deixam bem dispostos e ainda nos arrancam umas boas gargalhadas. 

Gostei especialmente deste livro porque fala sobre um hotel muito simpático, numa comunidade algo fechada e com personagens mesmo muito divertidas. As situações caricatas e divertidas também lá estão em grande número e esta leitura foi um bálsamo exactamente por esse factor. Ri-me bastante e gostei especialmente de assistir ao romance entre os personagens principais Daisy e Dev. 

Posso dizer que voltar a esta leitura me deixou com extrema vontade de ler os restantes livros que ainda não li da autora. Mas vou resistir porque sei que apreciarei ao máximo estes livros quando mais precisar deles para descontrair da melhor maneira com Jill Mansell.
Estes livros são o melhor remédio para os dias mais tristes.

Opiniões da mesma autora:
         


O Regresso do Assassino – Vol.1





Ele é um bastardo com sangue real. Ele é um assassino com poderes malditos. Ele é a única esperança para um reino caído em desgraça. Atreva-se a entrar num mundo de perfídia e traição que George R. R. Martin apelidou de “genial”. Atreva-se a acompanhar um herói que a crítica considerou “único”. O Regresso do Assassino é o regresso da grande fantasia épica. Se está à espera de mais do mesmo, este livro não é para si. Caso contrário… bem-vindo a uma aventura que nunca irá esquecer!






ISBN: 9789896373306 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2011 – 565 páginas


15 anos após os acontecimentos d’ A Saga do Assassino, Fitz e companhia voltam a relatar-nos as aventuras no reino dos Seis Ducados. 
Depois do conturbado final do livro A Demanda do Visionário, Fitz Cavalaria decide viver em reclusão. Poucos são os que não o dão como morto e portanto, o bastardo da linhagem dos Visionário, vive uma vida recatada na sua cabana com o seu lobo Olhos-de-Noite e o seu aprendiz Zar. Se por vezes, Fitz sente vontade de voltar a Torre de Cervo para a sua vida antiga, rapidamente destrói o sentimento de melancolia e convence-se de que a sua vida está exactamente da maneira que ele deseja. Pela primeira vez na sua vida, pode tomar decisões por si  e é apenas a si próprio que tem de dar justificações das suas acções. 
Apesar de tudo, as saudades dos tempos em que vivia em Torre de Cervo não podem ser negadas e quando Fitz recebe a visita de Breu na sua humilde casa, a vontade de voltar para Torre de Cervo torna-se um pensamento constante no seu espírito quando este recusa o pedido que Breu lhe faz para ensinar a magia do Talento ao herdeiro da coroa Visionário, sob pretensa de não desejar ver-se envolvido na política dos Seis Ducados novamente.
Contudo, a escolha é-lhe retirada das mãos quando o herdeiro desaparece inesperadamente a escassas semanas da cerimónia do seu noivado que irá firmar uma importante aliança entre os Seis Ducados e as Ilhas Externas. 
Fitz vê-se então arrastado para os cenários da sua infância, onde memórias com 15 anos de idade o assaltam e antigos instintos voltam à superfície. A sua missão é encontrar o príncipe Repeitador e trazê-lo de volta a Torre de Cervo antes da cerimónia de noivado, mas nem tudo é tão fácil como parece, pois este desaparecimento do príncipe esconde alguns mistérios…    

Depois de ter ficado insatisfeita com o final d’ A Saga do Assassino, reservava algumas esperanças e expectativas para esta nova série O Regresso do Assassino, protagonizada mais uma vez, pelo Fitz, desta feita 15 anos mais maturo. Sendo este um livro com proporções consideráveis, devo dizer que fiz a transição para o novo ano a ler este livro. Comecei a lê-lo em 2012 e acabei em 2013. 
Confesso que me foi algo difícil entrar na narrativa. Há praticamente um ano que não lia nada desta autora e ela tem um estilo de escrita muito próprio, algo pesado para quem não está habituado a este tipo de discurso e portanto as primeiras 100 páginas foram, para mim, um período de adaptação. Até cheguei a ficar com receio de mudar a minha opinião quanto aos livros desta autora, mas após estas primeiras 100 páginas, a leitura começou a revelar-se mais agradável e mais fluída.
O que constituiu um enorme alívio para mim, pois esta autora foi a primeira a mostrar-me o lado bom do género fantástico. 

Quanto à escrita, não há nenhuma surpresa, portanto. A narrativa continua lenta, com um desenrolar lento, bastante descritiva e um discurso muito introspectivo. O narrador é o Fitz e apesar de estar 15 anos mais envelhecido, ainda continua com os mesmo problemas existenciais de sempre e com os mesmos assomos de criancice. Este pormenor não me deixou satisfeita de maneira nenhuma. Parece-me algo irreal que esta personagem tenha crescido e amadurecido, mas que ao mesmo tempo, ainda é o bastardo imberbe que conhecemos na primeira série. Esperava que a autora tivesse desenvolvido esta personagem de uma forma mais aceitável e mais realista. 
Contudo, gostei bastante de voltar a este universo. Ultrapassando estas crises do Fitz e o período inicial em que tive de me re-habituar à escrita de Robin Hobb, esta foi uma viagem que apreciei e muito. 
Os leitores têm oportunidade de relembrar vários acontecimentos da série anterior e tem igualmente a oportunidade de ver os personagens que tanto marcaram os livros anteriores, tal como o Breu, o Bobo e o Olhos-de-Noite. É notável a forma como o reino dos Seis Ducados se expandiu e prosperou após o conflito da Guerra dos Navios Vermelhos. O reino prosperou, mas em certos aspectos, tornou-se mais rude e mais ignorante. Os Manhosos são, cada vez mais, mal tratados na via pública e são alvo de torturas e de injustiças que ninguém se dá ao trabalho de chamar à atenção. São perseguidos como os animais a que se vinculam e esta sombra de injustiça ameaça dividir o reino inteiro dos Seis Ducados. 
Gostei imenso do enredo do livro. Sempre demonstrei interesse em saber mais sobre as magias do Talento e da Manha e creio que este livro se focou primariamente nestes dois assuntos para meu júbilo, pois é uma das coisas que mais gosto nesta série. 

Paralelamente ao enredo principal, temos a relação entre o Bobo e o Fitz, que está muito evidente neste primeiro volume. O Bobo sempre foi uma personagem muito misteriosa e nunca se soube muito sobre ele. Falando por enigmas, esta é uma das personagens mais importantes deste universo, ainda que à partida possa não o parecer. Um dos maiores mistérios para mim na primeira série sempre foi aquela relação algo disfuncional entre o bastardo Fitz e o bobo do Rei Sagaz, Bobo. Neste livro pude saciar um pouco a minha curiosidade e perceber melhor o sentimento que os liga, embora não possa dizer que me encontro plenamente satisfeita. Creio que a autora terá obrigatoriamente que voltar a estes dois. 

De forma geral posso dizer que agora que retornei a este universo, percebo o que me atraiu à partida. É um universo com tantas facetas, com tantos pormenores, com tantos detalhes descritivos e com tantos personagens interessantes, que vale a pena seguir de perto a jornada de cada um deles. A autora volta a deixar-me com inúmeras perguntas às quais desejo respostas, urgentemente. 
Desejo saber mais sobre o príncipe Respeitador e sobre o futuro deste reino, nesta que é uma nova era na história dos Seis Ducados.

Aproveito para agradecer ao Pedro por me ter incentivado a ler este livro mais cedo do que mais tarde, no meu desafio aos leitores

Opiniões da mesma autora:

    
  
  

Magia ao Vento



“A Sarah voltou para casa”. Desde que Damon Wilder procurou refúgio em Sea Haven ouve-se o mesmo boato passar de boca em boca de quase todos os habitantes da pacata vila costeira. Até o vento parece murmurar o nome dela – um devaneio tão sugestivo que leva o curioso Damon até à casa da falésia de Sarah, onde procura o seu abrigo. Mas Damon não chegou sozinho. Foi seguido por alguém até Sea Haven. Alguém que rodeia as sombras da casa Drake, onde Sarah esconde os seus próprios segredos. O perigo ameaça os dois – tal como o desejo mais premente que alguma vez sentiram – e está a apenas um sussurro de distância.


ISBN: 9789896373269 – Saída de Emergência / 2011 – 157 páginas

Sarah Drake é a mais velha de sete irmãs. A família Drake é uma família muito curiosa. Há algo mágico que envolve o nome daquela família, da casa que passou de geração em geração. As profecias que fazem parte desta família são muitas. Uma delas é que em cada geração, a sétima filha Drake terá sete filhas. Outra é que os portões da mansão Drake apenas se abrem para aquele que se irá revelar o homem certo para cada uma das sete irmãs. Por isso, quando os portões de casa se abrem para Damon Wilder, as irmãs, recentemente retornadas a casa, ficam completamente boquiabertas. E Sarah não consegue esconder a atracção que sente por Damon, apesar do próprio a avisar que o perigo que o envolve pode trazer sérias consequências não só para a  Sarah, como para as suas restantes irmãs. Contudo, Sarah não quer desistir de Damon. Afinal, algumas profecias são fortes demais para serem ignoradas…

Confesso que quando soube que a editora Saída de Emergência ia apostar nesta autora, não senti muita curiosidade em ler as suas obras. Contudo, tendo recebido o primeiro livro da série das irmãs Drake em oferta, decidi que valia a pena conhecê-las. Olhando para o tamanho do livro, achar-se-ia que podia ser uma pequena introdução e não um primeiro livro, aquele que marca o início de uma série. Mas, contrariamente às minhas crenças, este é realmente o primeiro livro da série, embora este pareça mais um conto do que uma história  desenvolvida.
A verdade é inegável para mim. Se não tivesse recebido este livro, dificilmente alguma vez o compraria e nunca conheceria esta série, a não ser que no futuro, a comprasse em inglês. Assim sendo, foi com alguma indiferença que comecei esta leitura. 

Como podem calcular, o livro serve realmente de introdução à série. É a história das irmã das mais velha das sete irmãs Drake. Sarah tem alguns poderes de premonição e apaixona-se por Damon Wilder, que não só é um cliente, como também é o homem com quem ela está destinada a ficar. 
A favor do livro, tenho a dizer que a autora conseguiu fazer com que eu me interessasse nestas sete irmãs e nas suas capacidades e poderes misteriosos. É uma escrita bastante simples, que se segue com muita facilidade e que mantém o leitor interessado nos acontecimentos que estão para vir.

Por outro lado, a história tornou-se algo confusa para mim, alguns acontecimentos aparecem do nada no enredo e o leitor perde o fio condutor da história. Isto é algo que talvez possa não ser culpa da autora. Pode ao invés ser problema de tradução. 
Fiquei com pena que a história fosse tão breve e lamento também que não tenha existido a oportunidade de explorar mais estes personagens, porque estranhamente, no breve período que Damon e Sarah me acompanharam, senti carinho por eles. E tenho pena que a história deles não tenha merecido mais atenção e dedicação. 

No entanto, creio que o que a autora quis fazer com este pequeno livro foi chamar à atenção dos leitores para a série e deixar espaço para os leitores ficarem curiosos e ansiosos para lerem mais. Eu sei que fiquei curiosa. E mais: fiquei com imensa vontade de ler mais sobre as irmãs Drake. E vou fazê-lo, num futuro próximo. 




Titus – O Herdeiro de Gormenghast

Titus, o Herdeiro de Gormenghast é literatura fantástica mas não se assemelha a nada que tenha sido escrito antes ou depois. Gormenghast é um castelo antiquíssimo, do tamanho de uma cidade e que, tanto quanto sabemos, pode ser a única construção em todo o mundo. Sem pontos de referência para a nossa realidade, o romance adquire uma atmosfera surreal e mágica. As personagens são todas elas bizarras: o taciturno e cadavérico Mr. Flay, o vulgar e obeso Swelter, o ligeiramente deformado mas brilhante Steerpike. E Titus, o herdeiro de Gormenghast. O castelo de Gormenghast é um mundo de pesadelo e nenhuma pessoa sã lá quereria viver… e no entanto, quão estranho, belo e divertido é esse mundo! Arrisque-se nesta leitura pois nunca mais a irá esquecer.


ISBN: 9789728839888 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2007



Gormenghast é mais do que um castelo. De facto, Gormenghast parece ser tudo o que abarca este universo que Mervyn Peake criou. É o mundo conhecido, uma cidade imensa, sem fim à vista. Tanto quanto o leitor se consegue aperceber, Gormenghast é tudo o que existe neste universo algo alternativo e para os seus habitantes, é o refúgio, a vida, tudo aquilo que eles próprios conhecem e ditam de usual. 
Esta é uma história que nos conta a vida quotidiana neste reino de Gormenghast, que é no mínimo, insólito. O conde e a condessa de Gormenghast acabaram de gerar um herdeiro que, um dia, irá governar todo este mundo – Titus. Ele é razão para que a vida neste reino se agite de uma forma que antes não foi possível. 
Na verdade, desde que todos os residentes no castelo, souberam de tal notícia que a vida adquiriu novos contornos. Até mesmo os Exteriores, os cidadãos que habitam fora das muralhas do castelo, vêem, de alguma forma, a sua vida ser afectada por esta notícia. Para todos, esta notícia é recebida com sorrisos e alguma surpresa, pois isso significa que Gormenghast finalmente terá um herdeiro para assumir as responsabilidades do reino quando assim for devido. 
Mas nem tudo é o que parece e por meio de corredores sombrios e escadas que nunca mais acabam existem personalidades com interesses individuais que não vêem estas notícias com tão bons olhos como outros e assim, Gormenghast torna-se palco de uma aventura repleta de acontecimentos singulares, estranhos, mas que ao mesmo tempo, entretêm e divertem o leitor.

Conheci este autor e este livro através das menções que lhe são feitas na lista dos 1001 livros para ler antes de morrer. Quando descobri que a colecção bang! já havia editado este livro em 2007, fui a correr ler sinopses e opiniões que me pudessem ajudar a decidir se haveria ou não de ler este livro. Sendo classificada por muitos como uma obra dentro do fantástico, única, não poderia deixar de me sentir impelida a ler este livro, mesmo que o fantástico não seja o meu género literário favorito. Contudo, e não tendo muitas opiniões (nos blogues portugueses) para me ajudar a decidir, acabei por tentar a minha sorte e ver o que é que este livro tinha assim de tão extraordinário. Sendo que é uma obra que data de 1946, acreditei que pudesse ser algo realmente original dentro do género em que se insere. 
E não me enganei. 
Titus – O Herdeiro de Gormenghast é mesmo uma obra muito original e que me mostrou um lado do fantástico que eu não conhecia e que acabou por me conquistar de certa forma. 

A escrita do autor não é uma que considere fácil. Tem muitas descrições, um discurso bem articulado, mas por vezes, complicado de seguir. É um autor que fala por meias palavras e espera que o leitor consiga perceber onde ele quer chegar e conta com a nossa atenção contínua para que o mesmo consiga de facto, aproveitar esta obra. Por isso mesmo, é uma leitura lenta e que custa a entrar no ritmo. 
O início do livro foi algo complicado para mim, porque apesar de não estar habituada a este tipo de escrita, não me adaptei logo ao ambiente do livro. Achava que tudo era muito estranho, insólito e não conseguia perceber um fio condutor na trama. A história propriamente dita, demorou a desenvolver e cheguei a pensar que se o livro fosse sempre assim, a coisa não iria correr lá muito bem para os meus lados.
No entanto, o livro puxava por mim. Por um lado, pensava que isto era demasiado estranho para eu estar a desenvolver algum tipo de afecto pelo livro, mas por outro, quando fechava o livro, pensava «então mas agora o que será que vem a seguir? O livro não pode ser só isto…». E a verdade é que mal consegui entrar dentro do espírito da obra e da escrita do autor, comecei a apreciar aqueles discursos que falam mais nas entrelinhas e que têm o seu quê de ironia. 
Acabei por conhecer melhor as personagens que viviam dentro do castelo de Gormenghast e acabei também por firmar algumas lealdades com uns, e acabei por entrar em conflito com outros. 

Como não podia deixar de ser, a figura central da história é Titus. É por ele que esta história se desenrola. É por ele que o futuro se forma, se constrói. Embora o leitor não tenha tido oportunidade de saber como é que esta personagem vai ser enquanto pessoa, pois ele era senão um bebé, foi das personagens que mais me ficou na memória. A segunda foi a sua irmã, Fuschia. E em terceiro, o Steerpike que conseguir surpreender-me sempre a cada momento da história, quando no início, após o ter conhecido, achava que ele seria um pobre inocente no meio de toda esta insanidade. 
Existiram outros que são igualmente dignos de atenção, tal como: Swelter, as gémeas Cora e Clarice, e o criado pessoal do conde Sepulchrave – Mr. Flay. A obra está repleta de personagens únicos, que enchem este livro tanto de animação como de frustração e todos eles, tão completos e complexos que é uma delícia tentar descortinar as suas verdadeiras personalidades. 

Algumas conspirações e mistérios pelo meio, mas sobretudo imaginação e fantasia é o que faz deste livro uma obra que vale a pena ler, embora ao início possa parecer algo estranha. 
Contudo, Mervyn Peake traz aos seus leitores um mundo vasto para se explorar. Gormenghast pulula de vida e é um prazer irmo-nos aprofundando neste universo misterioso e com muitos segredos. 
O final do livro é algo que me deixou a pensar e que deixa também o gosto de ansiedade para ler a continuação, que é algo que irei fazer a seu tempo.

Somando tudo, eu e Gormenghast ainda não estamos prontos para nos separarmos. 


O Fim Chega Numa Manhã de Nevoeiro

Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, de uma nova e talentosa voz do fantástico nacional 

Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional. Acontecem coisas sinistras pelas ruas de Lisboa. Coisas que nos escapam ou que preferimos ignorar por falta de explicação. Também Baltazar Mendes as ignoraria, se pudesse, e talvez assim não se visse tristemente reduzido de inspector policial a sujeito compulsivo de uma avaliação psiquiátrica para determinar se é ou não um louco assolado por delírios mirabolantes e um perigo para a sociedade. Mas sabe bem que não são delírios. A culpa é do Sr. Salcedo, um investigador paranormal que insiste em arrastá-lo para um submundo de que não quer fazer parte. E tudo porque Baltazar tem um dom. Ou uma maldição…


ISBN: 9789896373726 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2011

Baltazar Mendes, é afastado da força policial sob a acusação de ser maluco, uma mente alucinada. De maluco, é que ele não tem nada, embora isso seja uma afirmação algo relativa, mas como estava a dizer, talvez o único problema de Baltazar seja o facto de ser ele ser um sujeito invulgarmente imune a tudo o que é sobrenatural. Por causa disso, Baltazar acaba por se ver numa situação onde não quer participar, tudo por causa de não se poder transformar no fantoche de uma qualquer  criatura sobrenatural. 
Existe uma personalidade da nossa história que se encontra intimamente ligada ao nevoeiro e essa mesma personalidade encontra-se à espera que o despertem do seu adormecimento, para que ele possa tomar conta do mundo e realizar uma profecia.
Assim, pelas ruas de Lisboa, Baltazar é arrastado contra vontade, para um duelo entre forças sobrenaturais das mais variadas espécies, numa aventura repleta de acção e mistério, misturando o fantástico com a história do nosso país. Uma mescla de humor sarcástico, de suspense e de imaginário e criatividade que culmina na realização, ou não, de uma profecia algo mirabolante. 

O Fim Chega numa Manhã de Nevoeiro é uma aposta da Colecção Bang! e que nos traz uma mistura entre fantástico e a fantasia urbana. A perfeita aposta para esta colecção da Saída de Emergência, diria eu. Desde o lançamento deste livro que estava curiosa sobre o mesmo, não devido à sinopse, que não me inspirou particularmente, mas devido ao trabalho estético do livro. 
Para já, é um título muito bem escolhido, misterioso e sonante. E a capa está muito bem conseguida, com os elementos fundamentais desta obra representados de uma maneira brilhante. Confesso que adoro o pormenor do táxi Mercedes. Bem, esta conjugação de factores (para não falar das opiniões que vi) foi aquilo que me impeliu a ler este livro e a oportunidade apresentou-se agora para o fazer. 
Eu gosto bastante do género fantasia urbana. O mesmo não se pode dizer do fantástico, género onde sou muito picuinhas e onde as obras tem de ser escolhidas a dedo. Mas, para contrabalançar isto tudo, sou igualmente fã de policiais e de thrillers e sendo este, um livro que pretende juntar de certa forma, estas áreas, fiquei com algumas expectativas. 
Posto isto, tenho que dizer que o livro não correspondeu às minhas expectativas, nem me encheu as medidas. 
Este é um livro repleto de momentos de acção frenética, com muito movimento e muito activo, tal como dinâmico. O enredo tinha muito potencial e a história foi interessante de acompanhar, que prima pela originalidade. Contudo, na minha opinião, o enredo apesar de valorizar a criatividade está a meu ver, pouco desenvolvido e explorado. Acho que para o livro que é, está pouco extenso e isso acaba por se reflectir na maneira como o enredo se desenvolve. As coisas acabaram por ser todas muito rápidas e toda a história acabou por me saber a pouco. 
Toda a obra, é na sua essência, virada para o novo, para o criativo, para as ideias diferentes. O autor tem realmente uma mente cheia de inspiração e ideias interessantes para explorar e por isso mesmo acabei por ficar desiludida com o pouco aprofundamento que houve na obra em geral, como aconteceu com os personagens e especialmente, o Baltazar. 
Foi tudo muito falado na superfície, embora não sei se isto é de certa forma, propositado. 
A personagem principal é também pouco explorada e desenvolvida e como leitora, gostaria de ter visto este personagem a ser melhor trabalhado. Não criei uma ligação com ele, porque sinto que após ter acabado o livro, não o conhecia mais do que no início do livro. E não é isso que gosto de sentir no final de uma leitura. 
No entanto, adorei as ideias para os outros personagens, no que toca principalmente, a personagens com grande relevância para a história de Portugal. 

Gostei da escrita do autor, exceptuando aqueles momentos de humor sarcástico e a falta de uma vertente mais pessoal no livro. Na minha mente, imagino o Baltazar como sendo um bom retrato do autor, pelo menos no que toca aos acessos de humor, que para mim não consistem em verdadeiramente humor, porque não me fizeram rir (nem sorrir) – público díficil este, hã? – e vendo o espaço virtual do autor, vê-se perfeitamente onde é que o Baltazar foi buscar o carácter dele. O final do livro foi um pouco previsível, mas foi para mim o adequado devido às circunstâncias.  
Na minha opinião, o livro peca por estar pouco desenvolvido e explorado, porque esta seria uma ideia muito interessante para o autor continuar uma série de aventuras com Baltazar. 


As Serviçais

Um romance que vai fazer de si uma pessoa diferente. Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo. Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade. Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza. Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

ISBN: 9789896372545 – Saída de Emergência / 2011


Estados Unidos da América, 1962.

A jovem Eugenia Phelan, mais conhecida como Skeeter, devido à sua aparência invulgar, tem vinte e dois anos e regressou da universidade muito recentemente. A sua cabeça encontra-se cheia de sonhos, objectivos que quer alcançar, ideias que quer mudar e melhorar, mistérios que quer descobrir. No entanto, Skeeter tem um obstáculo que se atravessa no seu caminho para atingir os seus sonhos e objectivos e este é a sua mãe, sempre crítica e preocupada, pois apenas quer ver a sua filha casada e a constituir família.  
Aibileen, criada e ama de uma menina de dois anos na casa da família Leefolt, está cansada das injustiças do mundo, onde os negros são os responsáveis por tudo o que está de mal no mundo e são rejeitados para bairros sociais, com poucas ou nenhumas condições. Apesar de já ter criado  17 crianças brancas, desde que iniciou a trabalhar, é apenas após a morte do seu filho, há três anos atrás, que Aibileen sente que a sua paciência se está a esgotar. No entanto, é da menina Mae Mobley que retira as forças para continuar a enfrentar o mundo tal como ele se apresenta. Esta menina alegre e irreverente de dois anos apenas, é a que continua a fazer sorrir Aibileen e a não deixar que a menina se torne como os seus pais, que julgam as pessoas pela cor da sua pele. 
Minny, que é a melhor amiga de Aibileen, é a melhor cozinheira da cidade de Jackson, no estado de Mississippi. No entanto, por ser uma criada respondona e que não se deixa abater pelos seus patrões, acaba por perder sucessivos empregos e começa a sentir que talvez precise de mudar de cidade, se quer ter a possibilidade de sobreviver e de sustentar todos os seus filhos. No entanto, Aibileen, acaba por lhe conseguir arranjar um trabalho, com uma senhora que é nova na cidade de Jackson. Minny, contente por não ter que se mudar, depressa se apercebe que esta não é uma empregadora normal e desconfia de algumas atitudes da mesma. Minny tenta equilibrar a necessidade de desvendar o mistério que é a sua empregadora e a obrigatoriedade de manter o seu emprego de forma a que se possa sustentar.

A vida destas três personagens está prestes a mudar, quando Skeeter se dirige a Aibileen e lhe faz uma proposta tanto perigosa como atraente. Uma proposta completamente irreverente e que promete mudar a vida de toda a gente nesta cidade. Não só a das criadas, mas também a vida das suas empregadoras. A mentalidade dos habitantes de Jackson encontra-se num equilíbrio precário e o projecto de Skeeter irá trazer o rebuliço à vida de todos eles. Com As Serviçais, entramos num mundo confuso e injusto. Mas um mundo onde a esperança ainda resiste. Estamos prestes a ler um relato que irá mudar a nossa percepção sobre muitas coisas, mas que sobretudo nos irá emocionar em vários aspectos. Um relato tanto imperdível quanto melancólico. Um relato que ninguém irá esquecer tão cedo.

Pode dizer-se que As Serviçais é um fenómeno literário da actualidade. De facto, o percurso deste livro é muito curioso – Kathryn Stockett demorou 5 anos a concluir este projecto e após este ter sido rejeitado inúmeras vezes, o livro foi finalmente publicado em 2009. O sucesso foi estonteante e completamente inesperado – esteve mais de 100 semanas da lista de best sellers do New York Times. A obra granjeou elogios mais que suficientes o fenómeno instalou-se. Após o sucesso literário, veio a adaptação ao grande ecrã e hoje tanto livro, quanto filme continuam a fazer sucesso de vendas e a conquistar novos fãs. 
No que toca ao meu percurso até encontrar este livro, confesso que foi só no ano passado (quando o livro saiu em Portugal) que comecei realmente a prestar atenção ao mesmo. Até agora, havia deixado que este fenómeno me passasse ao lado e para meu espanto, sem que eu tivesse reparado o fenómeno tinha chegado até nós. Assim, depois de começar a ler algumas opiniões muito superficialmente, acabei por comprar o livro contra todos os meus instintos. Sim, este foi daqueles livros que acabei por comprar mais para ver o que é que havia de tão explosivo na obra, do que propriamente por interesse que tenha partido de mim. Nem sequer sabia do que tratava! Ah, como eu adoro estas compras feitas às cegas, em que se adorarmos o livro, congratulamo-nos a nós próprios como se fôssemos o herói do ano. Caso contrário, andamos a suspirar e a bater com a cabeça nas paredes o resto do mês.
Felizmente, para benefício da minha sanidade mental, o resultado final pendeu para a primeira hipótese e não para a segunda. 

Os conflitos raciais após a Guerra Civil entre os estados do norte e os estados sulistas, grassavam por todo o país. Os cidadãos negros não tinham quaisquer direitos civis, nem qualquer espécie de condições de vida e nos estados sulistas a situação era mais grave do que em qualquer outro lado do país. Um dos piores estados, no que toca à não existência de direitos civis para com os cidadãos negros era o Mississippi. Vivendo em bairros separados dos cidadãos brancos, a vida inter-racial não era nada fácil, nem justa. A cidade de Jackson, é o cenário d’ As Serviçais. A autora escolheu fazer o relato recorrendo a três personagens chave e conseguiu fazê-lo de uma forma brilhante, onde o leitor tem a oportunidade de acompanhar o quotidiano destas três protagonistas, acabando também, conforme avança no livro,  por se sentir parte integrante desta família. Vamos conhecer em primeira mão como é que era a vida das criadas negras que trabalhavam para famílias brancos e a forma como eram tratadas. Conhecer o que as fazia sorrir e o que as fazia chorar e vamos fazer o mesmo com elas.

A escrita da autora é viciante, apaixonante e deixou-me cativa ao longo de toda a obra. O seu relato é intenso, mas duramente real, com momentos alegres, com momentos de raiva extrema e com momentos de melancolia, mas ao mesmo tempo esperança por tempos melhores. Nunca existiu nenhum momento em que eu não me senti em sintonia com os sentimentos das personagens e nunca, até agora, consegui realmente perceber na totalidade a injustiça dos tempos passados. 
O relato de vida das criadas negras, Aibileen e Minny, emocionaram-me de tal maneira que dei por mim a ler diversas passagens mais que uma vez, para poder colocar-me no lugar delas e sentir o que elas sentiam. Além delas, o relato de Skeeter é igualmente forte. A maneira como ela não deixou que o preconceito a impedisse de lutar para que a verdade pudesse ser dita livremente, como forma de protesto pela injustiça à qual todos fechavam os olhos. Injustiça esta, cometida nas piores formas, sem qualquer respeito pelo ser-humano que todos somos. A forma como ela perdeu tudo nesta batalha e aquilo que depois veio a encontrar. Li com tanta sofreguidão, que rapidamente em 48 horas devorei o livro de uma ponta à outra. Não esperava encontrar o tesouro que encontrei e a surpresa ainda tornou tudo mais doce.
Este, rapidamente se tornou um livro que vou querer reler no futuro, porque através da sua própria experiência pessoal nesta temática, Kathryn, conseguiu mostrar-me um mundo completamente diferente. Feio e lindo ao mesmo tempo. Desesperante e esperançoso. Injusto e agradável. Triste e alegre. Com encontros e desencontros. Com ódio e amor. Com fins, mas também com novos começos.

Um testemunho feito a muitas vozes e que retrata os medos e as alegrias de uma geração que passou por muitos obstáculos e que são alguns dos heróis que permitiram que a igualdade entre raças pudesse transformar-se de um esperançoso “I Have a Dream” para o que é hoje, a realidade pela qual muitos batalharam. Um livro tocante, que não irei esquecer durante muito tempo.  Embora nunca mais vá sentir o impacto daquele que foi o meu primeiro contacto com este livro fantástico, sei que vou ter que voltar a ver a vida pelos olhos destas personagens, porque fizeram-me acreditar num mundo justo, nem que seja por breves momentos.  
Vai ser difícil superar esta obra, disso tenha a certeza.