Os Apanhadores de Conchas

Este livro esteve muito tempo na estante a apanhar pó. Mesmo muito tempo. Um dia teria que o ler e não tendo havido oportunidade antes (leia-se motivação), este livro foi durante estes últimos dias a minha companhia.
Os Apanhadores de Conchas conta-nos a história de uma senhora chamada Penelope Keeling, que na sequência de um ataque cardíaco passou a olhar para a vida com olhos diferentes e a aproveitar da melhor maneira o futuro que a vida lhe reserva.
Penelope é filha de um artista, que recentemente, tem interessado o mercado da área. Um quadro em especial, herança do seu falecido pai – Lawrence –  intitulado “Os Apanhadores de Conchas” vale uma fortuna. É realmente uma quantia exorbitante. O senão de toda esta situação é que Penelope tem 3 filhos e este interesse nos quadros do avô não lhes passa despercebido, até ao ponto de quererem controlar à sua maneira a vida da mãe e do seu dinheiro.
Mas à medida que Penelope vai revivendo o seu passado e as suas vivências, apercebe-se que ela é que é verdadeiramente a senhora da sua vida e que pode tomar as suas próprias decisões.
O que nos deixa com uma questão fundamental: até que ponto consegue esta família permanecer unida, sem existirem motivos ulteriores em cada acção que fazem?

Duas perguntas que fiz a mim mesma, quando peguei neste livro foram:
  •  O que esperas do livro? – Não esperava realmente nada. Apesar de ter visto várias opiniões menos elogiosas a esta obra, não fui muito influenciada pelas mesmas.
  • Será que no fim te irás arrepender do tempo que o livro esteve na estante? – Bem, não posso dizer que foi a descoberta do ano, mas pô-lo-ia na tabela mediana das leituras de 2011, portanto pode dizer-se que tanto me arrependi, como não.
Na verdade, é-me algo díficil falar deste livro objectivamente. Foi uma leitura deveras agradável, se bem que esperava um romance comtemporâneo e estas expectativas acabaram por se tornar ilusões. A verdade é que a autora dá um tempo de antena mais alargado ao passado de Penelope e eu esperava exactamente o contrário. No entanto, essas passagens acabaram por se tornar as mais enternecedoras em toda a obra e consequentemente, as minhas preferidas.
A escrita da autora é agradável, mas excessivamente formal, pelo que o leitor se sente mais deslocado dos acontecimentos que nos são relatados.
Contudo, mal o enredo se começou a desenvolver, esta obra revelou-se uma forma de entreternimento, e por vezes, de frustração. Momentos alegres que se misturam com elementos mais complexos e mais emocionalmente pesados, criando aqui uma saga familiar com bastante qualidade.

Além de tudo isso, este é uma leitura difícil. E falo, especialmente, da edição aqui referida. A qualidade visual é muito pobre, com letras mínimas, gralhas constantes e o trabalho gráfico extenuante.
Sei que com uma edição tão barata quanto esta foi, não se deveria fazer exigências. Mas acho isso errado. Acho que a edição deveria ter sido mais cuidada, e também a revisão. Todos estes factores prejudicaram uma leitura que poderia ter sido melhor aproveitada.

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