Irmã



Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se, com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess – e de que não está preparada para a terrível verdade que terá de enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.



ISBN: 9789722633833 – Civilização Editora / 2012

Rosamund Lupton estreia-se no mundo literário com este thiller/policial – Irmã. Já muito ouvi falar sobre o livro e as críticas positivas são mais do que as que posso contar. São muitos aqueles que recomendam esta leitura e que dizem que este livro é um policial fantástico, como há muito que não se via. Bem, com tanto aparato à volta deste livro tive de espreitar, como é óbvio. 
E mal comecei a ler opiniões e ver as críticas maravilhosas a choverem, tornou-se impossível não formar certas expectativas quanto a esta obra. Esta coisa de criar expectativas quanto a uma leitura é uma coisa muito traiçoeira. Tanto pode sair bem, como mal. Tanto podemos chegar ao fim e ver que a obra superou as ditas expectativas, como também podemos chegar ao final da leitura e ver que se calhar, o burburinho à volta de certo livro, parece-nos de certa forma injustificável. 
Mais uma vez, foi devido à Tinkerbell do blogue My Imaginarium, que tive a oportunidade de ler esta novidade editorial, e por isso um muito obrigada gigante. Já perco a conta às boas leituras e bons momentos que me proporcionaste, mesmo quando vejo um livro chegar ao fim e me dou conta que não gostei assim tanto. Como se diz e muito bem, o que conta é a intenção e eu estou-te eternamente agradecida pelas oportunidades que me dás.

A obra Irmã traz-nos um mistério, à primeira vista como muito outros que andam por aí. Beatrice, que vive com o seu marido em Nova Iorque, recebe inesperadamente uma chamada de telefone da sua mãe a comunicar que a sua irmã mais nova, Tess, se encontra desaparecida há já alguns dias. Temendo o pior, Bee decide largar toda a sua vida e obrigações para ir à procura da sua irmã. 
No entanto, é quando chega a Londres que, ao deparar-se com as verdadeiras circunstâncias do desaparecimento da sua irmã que Beatrice se apercebe que a irmã que julgava conhecer tão intimamente também tem alguns segredos e talvez não a conheça tão bem quanto ao início julgava. E esta recusa-se a deixar-se levar pelas pessoas que acreditam que Tess, uma rapariga determinada, lutadora e ambiciosa, tenha desaparecido sem deixar rasto e sem qualquer justificação. 
Mas, quando Tess é encontrada morta indicando que suicídio terá sido a causa desta tragédia, Beatrice nem consegue acreditar e mais determinada se torna de forma a que consiga deslindar este mistério. Bee, desgostosa e contudo, mais determinada que nunca, com o amor e afecto que sente pela irmã a motivar a sua causa recusa-se a desistir de tentar provar que a irmã não se suicidou. Beatrice acredita piamente que a sua pequena irmã terá sido assassinada por algum motivo obscuro e ela irá fazer de tudo para trazer a verdade à luz do dia…

A primeira vez que peguei no livro até esfreguei as mãos, a pensar como seria óptimo voltar ao meu género literário favorito. Foi com entusiasmo que comecei o livro que parecia ter todos os ingredientes para me agradar. No entanto, parece que as milhentas críticas positivas que li não fizeram jus ao livro, na minha opinião. Acho que esta estreia está muito sobrevalorizada e não consegui apreciar a obra da forma como muitos outros o fizeram. 
Apesar da autora ter uma escrita agradável, sem grandes artifícios, a leitura foi algo penosa devido à organização do livro. Os constantes saltos temporais entre passado e presente mal clarificados deixaram-me confusa e com a cabeça à roda, já para não dizer altamente frustrada. Este factor fez com que por variadas vezes perdesse o fio à meada e me perdesse na história.
Além deste pormenor, confesso que não consegui criar nenhuma ligação com os personagens deste livro. Beatrice, personagem principal deste thriller por diversas vezes me deu vontade de puxar os cabelos e a sua personalidade foi algo que me irritou sobremaneira. 
No entanto, gostei do retrato que a autora fez da relação fraternal e consegui sentir-me próxima dessa ligação. Achei bonito os sentimentos e o apoio incondicional entre irmãs e esse foi sem dúvida, o melhor ponto da história.

Por fim, o meu grande problema com esta leitura foi mesmo o próprio enredo da história e a forma como a autora escolheu apresentar e relatar este mistério aos seus leitores. Não tenho nada contra livros que são escritos em formato epistolar, como podem confirmar em outras opiniões que escrevi aqui no blogue. De facto, um dos meus livros preferidos de sempre é um romance epistolar. Contudo, não posso deixar de referir que não concordo que este formato tenha sido o mais feliz para apresentar neste tipo de thriller e não ajudou em nada à fluidez da leitura. 
Já o mistério não me impressionou de maneira nenhuma, talvez por se debruçar de uma forma muito intensa na genética e na temática da Fibrose Quística. Eu, embora interessada em conhecer sempre novas realidades e absorver conhecimento, não deixo de ser uma leiga no que toca a estas temáticas e a maneira como a autora explorou o assunto, deixou-me aborrecida e não foi de forma nenhuma, esclarecedora. Quando leio um livro gosto de sair mais esclarecida e não a sentir-me de alguma forma mais ignorante. 
Talvez não tenha ido com espírito aberto para esta leitura, mas o resultado final acabou por ser um pelo qual eu não esperava. 

De qualquer forma, o pequeníssimo excerto que constava no final do livro pareceu-me interessante e quem sabe se o seu próximo livro muda o rumo da maré?
Estou disposta a deixar que esta autora me impressione. 


  





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