O Regresso do Assassino – Vol.1





Ele é um bastardo com sangue real. Ele é um assassino com poderes malditos. Ele é a única esperança para um reino caído em desgraça. Atreva-se a entrar num mundo de perfídia e traição que George R. R. Martin apelidou de “genial”. Atreva-se a acompanhar um herói que a crítica considerou “único”. O Regresso do Assassino é o regresso da grande fantasia épica. Se está à espera de mais do mesmo, este livro não é para si. Caso contrário… bem-vindo a uma aventura que nunca irá esquecer!






ISBN: 9789896373306 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2011 – 565 páginas


15 anos após os acontecimentos d’ A Saga do Assassino, Fitz e companhia voltam a relatar-nos as aventuras no reino dos Seis Ducados. 
Depois do conturbado final do livro A Demanda do Visionário, Fitz Cavalaria decide viver em reclusão. Poucos são os que não o dão como morto e portanto, o bastardo da linhagem dos Visionário, vive uma vida recatada na sua cabana com o seu lobo Olhos-de-Noite e o seu aprendiz Zar. Se por vezes, Fitz sente vontade de voltar a Torre de Cervo para a sua vida antiga, rapidamente destrói o sentimento de melancolia e convence-se de que a sua vida está exactamente da maneira que ele deseja. Pela primeira vez na sua vida, pode tomar decisões por si  e é apenas a si próprio que tem de dar justificações das suas acções. 
Apesar de tudo, as saudades dos tempos em que vivia em Torre de Cervo não podem ser negadas e quando Fitz recebe a visita de Breu na sua humilde casa, a vontade de voltar para Torre de Cervo torna-se um pensamento constante no seu espírito quando este recusa o pedido que Breu lhe faz para ensinar a magia do Talento ao herdeiro da coroa Visionário, sob pretensa de não desejar ver-se envolvido na política dos Seis Ducados novamente.
Contudo, a escolha é-lhe retirada das mãos quando o herdeiro desaparece inesperadamente a escassas semanas da cerimónia do seu noivado que irá firmar uma importante aliança entre os Seis Ducados e as Ilhas Externas. 
Fitz vê-se então arrastado para os cenários da sua infância, onde memórias com 15 anos de idade o assaltam e antigos instintos voltam à superfície. A sua missão é encontrar o príncipe Repeitador e trazê-lo de volta a Torre de Cervo antes da cerimónia de noivado, mas nem tudo é tão fácil como parece, pois este desaparecimento do príncipe esconde alguns mistérios…    

Depois de ter ficado insatisfeita com o final d’ A Saga do Assassino, reservava algumas esperanças e expectativas para esta nova série O Regresso do Assassino, protagonizada mais uma vez, pelo Fitz, desta feita 15 anos mais maturo. Sendo este um livro com proporções consideráveis, devo dizer que fiz a transição para o novo ano a ler este livro. Comecei a lê-lo em 2012 e acabei em 2013. 
Confesso que me foi algo difícil entrar na narrativa. Há praticamente um ano que não lia nada desta autora e ela tem um estilo de escrita muito próprio, algo pesado para quem não está habituado a este tipo de discurso e portanto as primeiras 100 páginas foram, para mim, um período de adaptação. Até cheguei a ficar com receio de mudar a minha opinião quanto aos livros desta autora, mas após estas primeiras 100 páginas, a leitura começou a revelar-se mais agradável e mais fluída.
O que constituiu um enorme alívio para mim, pois esta autora foi a primeira a mostrar-me o lado bom do género fantástico. 

Quanto à escrita, não há nenhuma surpresa, portanto. A narrativa continua lenta, com um desenrolar lento, bastante descritiva e um discurso muito introspectivo. O narrador é o Fitz e apesar de estar 15 anos mais envelhecido, ainda continua com os mesmo problemas existenciais de sempre e com os mesmos assomos de criancice. Este pormenor não me deixou satisfeita de maneira nenhuma. Parece-me algo irreal que esta personagem tenha crescido e amadurecido, mas que ao mesmo tempo, ainda é o bastardo imberbe que conhecemos na primeira série. Esperava que a autora tivesse desenvolvido esta personagem de uma forma mais aceitável e mais realista. 
Contudo, gostei bastante de voltar a este universo. Ultrapassando estas crises do Fitz e o período inicial em que tive de me re-habituar à escrita de Robin Hobb, esta foi uma viagem que apreciei e muito. 
Os leitores têm oportunidade de relembrar vários acontecimentos da série anterior e tem igualmente a oportunidade de ver os personagens que tanto marcaram os livros anteriores, tal como o Breu, o Bobo e o Olhos-de-Noite. É notável a forma como o reino dos Seis Ducados se expandiu e prosperou após o conflito da Guerra dos Navios Vermelhos. O reino prosperou, mas em certos aspectos, tornou-se mais rude e mais ignorante. Os Manhosos são, cada vez mais, mal tratados na via pública e são alvo de torturas e de injustiças que ninguém se dá ao trabalho de chamar à atenção. São perseguidos como os animais a que se vinculam e esta sombra de injustiça ameaça dividir o reino inteiro dos Seis Ducados. 
Gostei imenso do enredo do livro. Sempre demonstrei interesse em saber mais sobre as magias do Talento e da Manha e creio que este livro se focou primariamente nestes dois assuntos para meu júbilo, pois é uma das coisas que mais gosto nesta série. 

Paralelamente ao enredo principal, temos a relação entre o Bobo e o Fitz, que está muito evidente neste primeiro volume. O Bobo sempre foi uma personagem muito misteriosa e nunca se soube muito sobre ele. Falando por enigmas, esta é uma das personagens mais importantes deste universo, ainda que à partida possa não o parecer. Um dos maiores mistérios para mim na primeira série sempre foi aquela relação algo disfuncional entre o bastardo Fitz e o bobo do Rei Sagaz, Bobo. Neste livro pude saciar um pouco a minha curiosidade e perceber melhor o sentimento que os liga, embora não possa dizer que me encontro plenamente satisfeita. Creio que a autora terá obrigatoriamente que voltar a estes dois. 

De forma geral posso dizer que agora que retornei a este universo, percebo o que me atraiu à partida. É um universo com tantas facetas, com tantos pormenores, com tantos detalhes descritivos e com tantos personagens interessantes, que vale a pena seguir de perto a jornada de cada um deles. A autora volta a deixar-me com inúmeras perguntas às quais desejo respostas, urgentemente. 
Desejo saber mais sobre o príncipe Respeitador e sobre o futuro deste reino, nesta que é uma nova era na história dos Seis Ducados.

Aproveito para agradecer ao Pedro por me ter incentivado a ler este livro mais cedo do que mais tarde, no meu desafio aos leitores

Opiniões da mesma autora:

    
  
  

A Demanda do Visionário

PODE CONTER SPOILERS PARA QUEM SÓ LEU ATÉ AO LIVRO “A CORTE DOS TRAIDORES”
E assim acaba A Saga do Assassino. Com o livro “A Demanda do Visionário”, os leitores dizem um adeus temporário a Fitz e companhia. Temporário, porque Fitz promete voltar em força com a série “O Regresso do Assassino”,  que já conta com 3 volumes publicados pela Editora Saída de Emergência e o 4º estando previsto para 2012.
As expectativas para este livro (que é no original a segunda metade do último livro da trilogia) eram altas. O final aproximava-se e em apenas 400 e muitas páginas tudo teria que ficar resolvido.
A Demanda do Visionário continua a acção que se tinha iniciado já no volume anterior, intitulado A Vingança do Assassino. Fitz que tinha iniciado a sua viagem para ir de encontro ao seu rei, Veracidade, continua a sua demanda, que até agora havia sido recheada de imprevistos.
Majestoso, que se auto-proclamou Rei dos Seis Ducados continua a espalhar a desgraça e a miséria em todos os Ducados e pouco se importa com a ameaça que os Navios Vermelhos representam para o seu reino, deixando o seu povo na pobreza extrema e sem recursos para combater os Salteadores.
E continua empenhado em fazer com que Fitz fique morra – desta feita, de forma permanente.
A única solução e a última esperança é que Veracidade tenha sido bem sucedido no seu empreendimento para contactar os Antigos e solicitar a ajuda destes seres que poucos conhecem e raros ouviram falar.
Confesso que me sinto algo dividida quanto a este livro. Poucas foram as coisas que me surpreenderam e no geral, creio que ficou a faltar sentimento e intensidade a este final. Esperava um livro mais intenso e se tivesse que escolher apenas um adjectivo para esta obra, o escolhido seria: frouxo.
A minha escolha de adjectivo tem por bases alguns factores que se revelaram fundamentais durante esta leitura.
Num livro com quase 500 páginas, era de esperar que o final da saga fluísse de forma natural, dados em passos racionais. No entanto, foi completamente o contrário que se sucedeu. Achei um livro muito parado (mais do que é normal). Não que isto seja uma característica má em circunstâncias normais, mas torna-se menos positiva quando se passam mais de 400 páginas a descrever exageradamente situações que pouca influência tiveram na trama e como consequência, o final e a explicação de tudo, foram resolvidos em apenas 1 capítulo e pouco mais. O livro acabou por se revelar desequilibrado e o final ficou atabalhoado com coisas por resolver.
Por outro lado, a narrativa foi rica em detalhes sobre o território das Montanhas e os leitores tiveram assim uma oportunidade para se deleitarem com descrições que alimentam a imaginação e deixam os leitores nas nuvens. Além disso a autora, deu oportunidade a que os leitores pudessem conhecer mais aprofundadamente a Manha e o Talento bem como as personagens Panela e Esporana, que nos foram apresentadas no volume anterior. Temos ainda oportunidade de rever Breu, Kettricken e o Bobo, personagens que haviam feito falta no livro anterior. 
Como disse no início, poucas coisas me surpreenderam. Fiquei insatisfeita com algumas explicações que a autora deu. Por outro lado, fiquei realmente exultante com algumas revelações sobre Moli. Atrever-me-ia a dizer que o livro realmente valeu a pena apenas e só por este pormenor, o qual já esperava há demasiado tempo que acontecesse. 
Pode-se realmente dizer que o final é agridoce, mas embora nos deixe com sentimentos contraditórios, achei-o o mais adequado e o mais realista. 
Assim sendo, a série no geral recebe o meu aval e voltarei a este universo em 2012.
Até já!
   

A Vingança do Assassino





Opinião:

Cá estamos, retornados ao universo dos Seis Ducados. Depois da forma como o terceiro volume – A Corte dos Traidores – acabou, foi com grande entusiasmo que iniciei a leitura do penúltimo volume desta saga do Assassino. As expectativas têm  vindo a crescer de livro para livro, conforme me vou entranhando neste universo. A cada livro e a cada capítulo que passa, os livros têm-me satisfeito de formas diferentes, mas regra geral, têm-se tornado aos meus olhos, melhores, pelo que tendo a tornar-me cada vez mais exigente e também as minhas expectativas. De qualquer forma, sempre que pego num livro de Robin Hobb tento abafar ao máximo estas ditas expectativas, porque é uma autora muito característica e não posso dizer de qualquer maneira, que sei o que posso esperar das suas narrativas.
A cada livro que passa, nós leitores, testemunhamos mais uma aventura de Fitz e companhia e é com muito agrado que vejo este livro a debruçar-se mais sobre a personagem principal que desde o início, sempre demonstrou uma complexidade nada vulgar e tratos de personalidade interessantes e que até agora nunca tinham sido aprofundados de uma forma mais abrangente.

Não há dúvida alguma de que Robin Hobb é uma autora muitíssimo competente, tanto nas suas narrativas que compelem e atraem o leitor chegando de certa forma como que a enfeitiçá-lo; mas também pela construção de personagens exímia que faz. Posso dizer com toda a certeza que até hoje ainda não havia encontrado nenhum outro autor que construísse personagens que valem a pena conhecer de forma aprofundada, sem com isso se tornar entediante. Estes dois factores que refiro são o que continua, vezes e vezes sem conta a atrair nos livros da autora. 


Este livro, A Vingança do Assassino, representa para mim uma certa mudança na série. Até agora, a autora havia-se debruçado principalmente na ameaça que os Seis Ducados enfrentava todos os Verões, que são os Salteadores dos Navios Vermelhos e os reféns que este fazem durante as suas invasões ao território do reino. Neste quarto livro, a trajectória que a autora tomou levou a que esta ameaça passasse para um lugar com menos destaque na sua narrativa. Embora já se tenham visto algumas mudanças no livro anterior, este, claramente mudou o rumo da história. Com uma narrativa mais introspectiva, mais vagarosa (mais ainda do que é a sua imagem de marca), Hobb dá-nos a oportunidade de conhecer FitzCavalaria de uma forma que até agora não havia sido possível. É neste quarto volume que também temos a hipótese de conhecer um pouco mais sobre o Talento e a Manha, duas temáticas que embora sempre tenham estado presentes, nunca tinham sido exploradas como eu gostaria que tivessem sido. Por isso, embora não existam acontecimentos que deixem o leitor boquiaberto, ou mesmo ansioso, podemos entranhar-mo-nos neste universo e podemos ser embalados com a narrativa que chega até nos na voz de Fitz. 


Este é certamente um livro para preparar o final da saga. É um prelúdio do que virá. Quando penso neste livro penso na calma que se instala antes e depois de uma tempestade. Decerto que haverá acontecimentos menos tranquilos no livro que irá concluir a Saga do Assassino. Espero que o final seja tudo aquilo que eu estou à espera. O encontro está para breve e estou muito curiosa com este final. 


   

A Corte dos Traidores

Opinião:
Depois de uma pausa algo prolongada, eis que me vejo impelida de volta para o universo de Hobb e dos Seis Ducados e aos personagens que conseguiram conquistar-me nos primeiros dois volumes desta saga d’O Assassino. A Corte dos Traidores corresponde, na verdade, à segunda metade do segundo livro da trilogia original. Por isso, tenho alguma pena de não ter lido O Punhal do Soberano e este, seguidos. Os dois próximos volumes, e últimos nesta saga, irei tentar lê-los de seguida, de modo a não perder tantos pormenores, que com o tempo acabam por cair no esquecimento.
Devo confessar que foi com algumas expectativas que iniciei esta leitura. É certo que esta saga é muito comentada por este mundo fora, como sendo uma das melhores do género literário de Fantasia. Não obstante, este volume parece arrecadar, a maior quantidade de opiniões positivas. Alguns dizem que este volume marca o início do clímax da saga, outros, que é o próprio clímax das aventuras de Fitz. Com opiniões a marcarem este volume como sendo espantoso, é difícil manter-me impassível e imperturbada durante a leitura do livro. Ao pegar pela primeira vez no livro, ponderei quase exaustivamente se também eu me iria sentir especialmente tocada por este livro, que além de se parecer revelar bastante promissor, também parecia prometer todo um leque de emoções intensas ao leitor.

Com este conjunto de expectativas, iniciei a leitura deste terceiro volume. Não sei bem o que deveria esperar deste “A Corte dos Traidores”, mas a verdade é que acabei por, mais uma vez, ficar admirada. Este não é um género literário em que eu me debruce com regularidade, por já ter sido desiludida várias vezes. Por isso mesmo, mantenho as minhas leituras ao mínimo e só cedo quando a curiosidade se encontra a um nível que não consigo ignorar. Foi o que aconteceu com esta série de Hobb e hoje agradeço ter tido a presença de espírito para arriscar. É um universo que me intriga e que me suscita curiosidade. Os volumes anteriores, foram leituras que me satisfizeram até certo ponto, embora não me tenham conquistado irremediavelmente. A escrita vagarosa e por vezes descrições extensivas foram factores que nem sempre me agradaram, visto que não estou habituada a livros com pouca acção e com um ritmo tão lento. 
A Corte dos Traidores veio contrariar um pouco essa tendência e veio também dar um novo rumo à série d’O Assassino, principalmente por dois factores:

  • O primeiro, porque é um livro com um ritmo muito mais acelerado, revestido de acção, intrigas e revestido também de um jogo intrincado de política. Este último “sub-factor” que referi é um dos pormenores que mais me faz admirar e apreciar a escrita de Hobb. O reino dos Seis Ducados é complexo exactamente pela sua estrutura política. Assim, é um tema que me interessa constantemente nestes livros e que me faz ponderar as diversas possibilidades que podem existir no enredo, só e apenas devido ao organismo, quase independente, que é a política deste universo. A autora é realmente muito forte neste aspecto e é uma das suas grandes vantagens.
  • O enredo paralelo dos Salteadores e os Navios Vermelhos, é neste volume, deixado em segundo plano. Confesso que ainda não me decidi se este rumo será o melhor, ou o mais sensato para a série, mas terei que esperar e ler os restantes volumes que fazem parte da mesma. No entanto, este assunto era um dos que mais me estava a agarrar ao enredo e é com pena que vejo a autora a relegar isto para um patamar menos relevante. As perguntas que foram originadas nos primeiros dois livros, não são respondidas neste volume, o que me traz alguma ansiedade. Por outro lado, a autora teve sucesso em trazer outros assuntos à superfície que também suscitaram de igual forma a minha curiosidade.


Face a estes desenvolvimentos, é-me impossível saber o que esperar dos restantes livros que irão terminar esta série. Contudo, espero com ansiedade novos desenvolvimentos e revelações que certamente me irão deixar satisfeita e grudada aos livros. 

As personagens que já se encontram nos meus afectos, vão deixar saudades enquanto não tiver disponibilidade de ler o quarto volume, “A Vingança do Assassino”. No entanto, esta pausa, será por iniciativa minha. Confesso que não gosto de ler volumes de séries de seguida, gosto de dar oportunidade a mim mesma de absorver tudo o que já li até agora e também gosto de dar tempo para sentir saudades do enredo, da própria história e de todas as personagens que preenchem a minha vida. Esta série será uma excepção, pelo que referi acima no primeiro parágrafo.  
Assim, o próximo livro será lido brevemente, mas sem me apressar. 

Não posso de qualquer maneira, aferir que este foi o melhor volume da saga. Só o poderei fazer no final, mas de qualquer maneira, creio que foi um livro que trouxe muito mais entusiasmo à série e mais movimento. Espero que os próximos volumes sejam igualmente entusiasmantes. 



         
 

Opinião – O Punhal do Soberano

Opinião:
Este livro corresponde à primeira metade daquele que originalmente é o segundo livro de uma trilogia. Como tal, aquele que pode ser considerado um final abrupto, não é na verdade, nenhum final. É apenas um interregno e também uma forma de manter o leitor cativo deste enredo. Embora não goste particularmente da decisão da divisão em dois volumes, foi assim que a Editora se posicionou e portanto, cabe a nós, leitores, aceitar a estratégia. 
Enquanto espero ansiosamente para que o terceiro volume me chegue a casa, aproveito para vos contar o que achei deste “O Punhal do Soberano”. Quem leu o primeiro livro, sabe que este é relatado pelo personagem principal, Fitz, o filho bastardo de Cavalaria, em que o próprio nos conta as suas aventuras e desventuras no reino dos Seis Ducados. Na primeira aventura (O Aprendiz de Assassino), podemos assistir, basicamente, ao treino do Fitz e apenas no final do livro, somos testemunhas de alguma acção que agita a tranquilidade que tínhamos visto ao longo de todo o livro.
Este segundo volume, ainda que mantenha a escrita vagarosa de Hobb, teve um tom completamente diferente do primeiro. Conseguiu surpreender-me pela positiva. Estava à espera que o ritmo se mantivesse e que a acção enredasse pelos mesmos caminhos do que no volume anterior. Contudo, esta metade é revestida de mais acção, de mais intriga e de mais traições. Os desenvolvimentos a que assistimos nesta primeira metade são de alguma forma confusos e frustrantes porque o leitor não vislumbra tempos futuros e dá por si a querer descobrir que consequências futuras advirão de acções presentes. A sensação com que estou neste momento, é que a saga do Assassino tem realmente tendência para melhorar a cada volume que passa. 
O território dos Seis Ducados continua a ver-se a braços com os ataques dos Navios Vermelhos, ataques estes que não parecem ser providos de qualquer objectivo ou estratégia particular. 
Mais do que nunca, vive-se uma época de instabilidade e onde o jogo de política é o único que interessa. Interesses particulares sobrepõem-se aos objectivos comuns do reino e posso –  quase – dizer que é cada um por si.
Novas personagens foram introduzidas neste volume, outras deram por terminada a sua presença na saga, mas ainda são recordadas. 
Breu e o Bobo são duas delas que mantêm o mistério e sobre os quais quero continuar a acompanhar a sua evolução. 
O Bobo neste volume mostrou-se ainda mais divertido que no primeiro livro e é um fantástico complemento à panóplia de personagens que neste saga conhecemos.
O que mais gostei no livro: as descrições viciantes de Hobb, que nos mantêm cativos da beleza do mundo que criou. As já habituais notas introdutórias de cada capítulo, que nos vai falando sobre a história, costumes e tradições do território do Reino. Toda a política que a autora construiu, tal como as intrigas. Uma corte intriguista muitíssimo bem construída que permite ao leitor acompanhar com facilidade o formalismo e a estrutura hierárquica da mesma. 
Não existiu nada que me desagradasse particularmente. Talvez a palavra adequada será frustração, como já referi anteriormente. Por vezes, os acontecimentos são quase dolorosamente lentos, pelo que o leitor menos paciente, como é o meu caso, pode ficar alarmantemente frustrado por não saber mais desenvolvimentos. Não que seja uma característica má; de facto pode trabalhar em ambos os sentidos. É boa porque mantém algum mistério e permite ao leitor fazer as suas próprias observações e tirar as suas próprias conclusões, mas é menos bom porque certos acontecimentos estendem-se de forma exagerada. 
Contudo, tenho de confessar que fiquei com uma opinião bastante positiva e vou com certeza ler a saga até ao final, com prazer. Mal espero para saber desenvolvimentos. 
A Corte dos Traidores seguir-se-á e veremos o que ela nos traz.
 
     

Opinião – Aprendiz de Assassino


Opinião:

Este é o primeiro livro de Robin Hobb que leio. Como já alguns seguidores devem ter notado, a fantasia não é propriamente o meu género literário favorito. A culpa é das más experiências que já tive, especialmente com livros que são supostamente bastante aclamados pelos fãs deste género literário. Acontece que de há uns tempos para cá, deixei simplesmente de experimentar qualquer tipo de livro que pudesse aludir a fantasia. No entanto, em 2010 deparei-me com este livro de Robin Hobb, que me conseguiu suscitar a curiosidade apenas pela sua sinopse apelativa. Como certamente também devem saber, este livro que dá início à Saga do Assassino, publicada pela Saída de Emergência em 5 volumes, é uma das mais bem-faladas por aí. Especialmente devido às críticas que foram feitas pelo mestre da fantasia- considerado por muitos – George Martin.
Por tudo isto, deixei andar sem adquirir este livro, com receio que fosse outro fracasso, como as anteriores experiências já haviam sido. 
E posso dizer que me sinto feliz por ter gostado da experiência. 


Apesar do ritmo bastante lento de escrita, o livro acabou por ser uma surpresa para mim. As minhas expectativas encontravam-se tão no fundo, que sinceramente, também não seria muito difícil ultrapassá-las. 
A classificação que dou a este livro poderá de alguma forma revelar-se injusta, porque devo confessar que até hoje, nenhum primeiro livro de uma série me conseguiu revelar a sua potencialidade. Assim sendo, estando descansada relativamente ao facto de ter gostado deste primeiro volume, espero que os restantes me consigam surpreender ainda mais.


No entanto deixem-me dizer-vos o que mais apreciei neste volume: este livro foi uma boa introdução ao novo mundo que aqui a autora nos apresenta. Ao contrário de Anne Bishop, Robin consegue de facto explicar aos seus leitores o mundo que relata de maneira sucinta sem com isso se tornar aborrecida. Consegue manter os leitores interessados, enquanto junta ao enredo, fios de mistério que permitem a quem lê o livro, desfazer-se em teorias e desejar por ler mais até descobrir o que se encontra por trás das aparências. 
A forma como, inteligentemente, nos relata toda a política dos Seis Ducados e como funciona este território, é convincente e aliciante. 
De facto, nem dei por mim a pensar que este era um livro de fantasia, embora se possam encontrar essas mesmas características. 
O Talento é um exemplo e foi também uma das descrições que mais gostei ao longo deste livro. A caracterização desta capacidade e a compreensão do mesmo conquistou-me irremediavelmente.

Debruçando-me sobre as personagens, acho que a autora criou aqui várias personalidades que vou gostar de acompanhar. Uma delas é o par Fitz/ Moli. O Fitz, personagem principal intriga-me bastante. É inseguro e confiante ao mesmo tempo. Parece que está sempre neste equilíbrio precário, mas quando é necessário sabe ser astuto. A Moli foi uma personagem que me desiludiu. No início do livro gostei imenso do seu carácter e boa-disposição. No final, acabou por se revelar outra pessoa da qual não estava à espera. 

Outras personagens que merecem destaque são: Breu, pela sua aura misteriosa e ensinamentos curiosos – foram as minhas cenas preferidas ao longo do livro; Veracidade, príncipe herdeiro que não se preocupa apenas com política, mas preocupa-se genuinamente com as pessoas que serve e com o seu sobrinho Fitz, para quem tem sempre uma palavra bondosa. 
O bobo que me suscita curiosidade, por ser uma pessoa fechada, mas claramente amiga de quem realmente interessa. Espero saber mais sobre ele, conforme for avançando na série.

Devo dizer que nestas circunstâncias, estou bastante curiosa com o segundo volume, embora não tenha achado este livro nada de espectacular. Não me arrebatou, por assim dizer. 
Acho, contudo, que é o livro indicado para quem quer ler fantasia, mas sente-se algo receosa a experimentar este género. Permiti-me finalmente fazer as pazes com este género, embora continue bem longe de ser o meu eleito. 
Espero que o segundo volume acabe por me conquistar ainda mais, porque penso que esta série tem de tudo para ser uma leitura, literalmente, fantástica.