Revolutionary Road

O primeiro romance de Richard Yates, Revolutionary Road, tornou-se um clássico logo após a sua publicação em 1961. Nele, Yates oferece um retrato definitivo das promessas por cumprir e do desabar do sonho americano. Continua hoje a ser o retrato da sociedade americana. Um casal jovem e promissor, Frank e April Wheeler, vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos anos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante da incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras. Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para a França onde estarão mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de brigas, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização.
ISBN: 9789722626361 – Civilização Editora / 2009 – 284 páginas

Frank e April Wheeler são o típico casal americano de classe média. Ele trabalha, ela fica em casa a cuidar dos dois filhos. Têm uma bonita e simpática casa em Revolutionary Road, nos subúrbios que é mais para aparência do que propriamente gosto. A vida deles, aos olhos dos seus vizinhos, é perfeita. São um casal sem problemas, com dois filhos bonitos e bem educados e tudo na vida desta família é perfeita. 
Contudo, a realidade é bem mais triste do que se faz crer. Frank sente-se pouco realizado no trabalho que tem, vive perpetuamente na sombra do seu pai que também trabalhou na mesma empresa. A sua mulher, April, às parece que já não o ama e este casamento é um beco sem saída. A relação dos dois tem vindo a ficar mais azeda com o tempo e as discussões acabam por aumentar em número proporcional ao tempo que se encontram juntos. 
April, uma dona de casa que também não se sente realizada com o seu modo de vida, acaba por ter a ideia de que tudo se resolverá com a família desde que eles se mudem para a Europa, mais propriamente para a França. 
No entanto, aquilo que parecia uma ideia excelente e exequível no início, rapidamente se torna mais um problema e mais um obstáculo que separa Frank de April e vice-versa. 

Quem conhece aquela sensação de querer tanto, mas tanto, ler um determinado livro que depois, quando realmente o lê, sabe-lhe a pouco, decerto consegue perceber o que é que se passou com esta minha leitura de Revolutionary Road. Este é daqueles clássicos modernos que tinha uma curiosidade, quase mórbida, em ler. Não só já tinha visto reviews muito elogiosas, como também é um livro sobre uma temática que me interessa de forma particular. 
Toda a gente conhece o mito/realidade do chamado sonho americano. Este livro fala, de certa forma, sobre este conceito que os estrangeiros e os próprios americanos têm do seu território e das oportunidade que ele oferece aos seus cidadãos. Contudo, este livro também trabalha com muitos estereótipos sobre a sociedade norte-americana e é por isso que tinha tanta curiosidade em ler este clássico moderno.
Na verdade, lá no fundo, nem sabia bem o que esperar. Uma coisa é saber mais ou menos sobre o que uma história fala, outra é saber o que esperar de uma história, em concreto. Acho que, na minha cabeça imaginei uma coisa bem diferente do que aquela que se veio a revelar.

A leitura começou logo com o pé esquerdo. Passados dois capítulos, tive a sensação de que a escrita do autor era daquelas um pouco monótonas e que ia ser algo difícil relacionar-me com estes personagens. A descrição da rotina do Frank e da April, em si interessante, foi descrita de uma forma aborrecida e confesso que chegada às primeiras 100 páginas do livro, cheguei a perder a esperança de gostar deste livro. 
Até aqui, estava dividida entre não gostar do Frank e tentar compreender aquilo que ele sentia sobre o seu trabalho, sobre a sua mulher e sobre as suas muitas frustrações. Estava também dividida entre dar um estalo na April e fazê-la acordar e tentar compreender que ela é uma personagem peculiar, que precisa de algum acompanhamento e que por isso, tem alguma desculpa. 
Na verdade, estes são personagens únicos à sua maneira. Mas eu não consigo compreender os princípios de Frank, tal como não consigo sentir empatia pela posição que April tem neste contexto. 
Isto era o que eu sentia até ter começado a terceira e última parte deste Revolutionary Road. 

As últimas 100 páginas desta leitura foram algo muito diferente e conseguiram surpreender-me pela positiva, ao ponto de mudar a minha perspectiva geral deste livro. O livro tomou um novo fôlego e esta obra acabou por se revelar de maneira diferente aos meus olhos. Não posso dizer que acabei esta leitura muito satisfeita, porque as minhas expectativas acabaram por sair um pouco goradas, mas o livro acabou por ser muito melhor do que aquilo que eu esperava ao início. 
Frank e April foram personagens que me testaram a paciência ao longo desta viagem, mas que de alguma forma, também me conseguiram fascinar. Cheguei ao final do livro com um sentimento de tristeza, por ser uma história com um tom algo depressivo, mas também cheguei com um sentimento de quase paz. Não posso exactamente explicar porquê (porque não quero estragar a experiência a outras pessoas) mas foi daqueles finais bastante apropriados. 


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