2666

A obra-prima de Roberto Bolaño, numa edição especial, em exclusivo na Fnac.
Uma edição especial, em que nenhum exemplar é igual a outro. Impressa em diferentes tipos de papel, com diferentes tons e diferentes gramagens, dispostos depois de forma sortida, fazendo de cada volume, um exemplar único e ímpar. Uma edição única para uma obra memorável!
O que liga os quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno vo Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio-louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterioso escritor alemão do pós guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666. Para se ler sem rede – como num sonho em que percorremos o caminho que nos poderá levar a todos os sítios possíveis.

ISBN: 9789725648346 – Quetzal / 2009 – 1031 páginas

O Hobbit

Digo já à partida que me é muito difícil escrever uma opinião a este livro, mas de qualquer forma, gosto de registar os meus sentimentos sobre a leitura que faço. Qualquer livro que lemos representa sempre uma nova jornada e uma nova viagem, mas há uns livros que se revelam ser diferentes logo à partida, seja pela sua extensão ou pela forma como as primeiras páginas nos impactam. Este foi o último livro que o autor Roberto Bolaño escreveu antes de falecer e talvez seja por isso que vejo muitas vezes intitulada como sendo a obra-prima do autor – não obstante a qualidade do livro, claro.
Mas, adjectivos nobres à parte, a minha experiência com este livro começou quando ele foi um dos eleitos para as minhas leituras desafiantes do Desafio aos Leitores que costumo fazer aqui no meu blogue. E apesar das opiniões divergirem não podia deixar de me sentir curiosa em ler este senhor calhamaço que tantas dores de braços me prometia dar. Acabei por preferir não andar carregada com ele e lê-lo apenas em casa e a verdade é que as primeiras páginas do livro, ou a primeira parte direi, foram as mais confusas que já li até hoje.
Sou sincera, estranhei muitíssimo a escrita do autor logo à partida. Roberto escrevia uma ideia dentro de uma ideia dentro de outra ideia, ao ponto de eu ter comentado na altura para mim que isto parecia o Inception da literatura. Este tipo de escrita não é fácil de acompanhar e absorver e talvez seja por isso que fiquei um pouco desmotivada no início do livro. Contudo, nada como pensar que ainda temos nove décimos do livro para ler e que esta era apenas uma pequena amostra que não espelhava o todo.
E continuei, aos pouquinhos, de forma que me deixei embalar pela forma única do autor de descrever histórias em histórias e ir acrescentando pontos aos contos, sem esforço algum.

O livro está dividido em cinco partes muito diferentes, mas que tal como a escrita única do autor, conseguem ir fazendo sentido. Este é daqueles livros que só chegando mesmo ao último ponto final é que temos uma ideia geral do puzzle que o autor construiu ao longo destas 1000 páginas. É impossível ler 500 páginas e achar que conhecemos o rumo que o livro irá tomar. Porque o rumo só esse o autor sabe e ele vai tirando a ponta do véu muito, muito devagarinho.
A experiência que tive com este livro não foi das mais fáceis. Existiram momentos em que o livro não me entusiasmou. Na verdade, existiram altos e baixos na leitura deste livro. Partes que me entusiasmaram e que li de um fôlego, outras que se arrastaram desesperadamente.

Mas de alguma forma e sem realmente me aperceber, fiquei tão envolta na teia narrativa que já foi difícil de sair e fiquei enredada nas verdades políticas que o autor aqui tão cruamente tenta expor. Quando lia o livro, pensava, está cá o mundo dentro, porque de facto parecia que o autor conseguia falar de tudo e mais alguma coisa e não deixar nada de fora. Política, relações humanas, desenvolvimento pessoal, crime – aqui está tudo. E de alguma forma, não deixa de ser um retrato muito único, muito singular.

Não posso dizer que este seja um livro para todos os leitores. Volto a reiterar que, para mim, não foi uma leitura de trato fácil, mas não é preciso que as leituras sejam fáceis para serem proveitosas. Contudo, sei perfeitamente que estas não são páginas de fácil digestão, mas creio que com perseverança podemos começar a olhar esta obra com um olhar diferente, com um olhar apreciador. Estas 1000 e tal páginas foram um autêntica jornada para mim, uma roleta russa, uma rol de emoções diferentes. E talvez seja por isso que chegada ao final da viagem tenho gostado tanto de ler o livro, porque para mim aquilo que acabei por tirar da leitura poderia ser a descrição da vida.

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Rapariga com Brinco de Pérola

No século XVII, em Delft, uma próspera cidade holandesa, tudo tinha uma ordem pré-estabelecida. Ricos e pobres, católicos e protestantes, patrões e criados, todos sabiam o seu lugar. Quando Griet foi trabalhar na casa do pintor Johannes Vermeer, pensou, por isso, que conhecia o seu papel: fazer a lida doméstica e tomar conta dos seis filhos do pintor. Ninguém esperava, porém, que as suas maneiras delicadas, a sua perspicácia e o fascínio demonstrado pelas pinturas do mestre a arrastariam inexoravelmente para o mundo dele. Mas, à medida que a rapariga se tornava parte integrante da sua obra, a intimidade crescente entre ambos ia espalhando tensão e decepção na casa e adquiria a proporção de um escândalo em toda a cidade.




ISBN: 9789725647257 – Quetzal Editores / 2008 – 224 páginas

No decurso de um acidente de trabalho, o pai de Giet fica cego. A família é pobre e por isso, Giet vê-se obrigada a aceitar um trabalho de criada na casa da família Vermeer, onde o pinto Johannes Vermeer tem o seu estúdio. Catharina, a sua mulher e os seus cinco filhos (e o sexto quase à porta) prometem muito trabalho para a nova criada da família. 
Griet, que está responsável por limpar o estúdio do artista, acaba por mergulhar no mundo do pintor, quase inadvertidamente. 
Primeiro limpava apenas o estúdio, sem sequer se cruzar com o seu amo, mas rapidamente se torna, em segredo, a sua ajudante, onde mistura cores e compra ao artista os materiais que ele necessita.
Pieter, filho de um acougueiro, está interessado em casar com Giet e quer tirá-la da casa dos Vermeer.
Quando o pintor mostra vontade e interesse em pintar Griet, o caos e o escândalo na pequena vila de Delft instala-se…
Há anos que tinha o DVD na minha prateleira para ser visto. Contudo, quando o comecei a ver uma vez, reparei que era baseado numa obra literária. Como tal, pus o DVD de lado, até ao dia em que pudesse ler o livro primeiro. Só depois é que veria o filme. Quando fui pesquisar sobre a obra escrita por Tracy Chevalier fiquei muito curiosa pois a capa do livro era-me vagamente familiar. Quando descobri que a autora se tinha inspirado na pintura do pintor Johannes Vermeer, mais fascinada fiquei pois não sabia que a obra teria factos verdadeiros associados a ela.
A escrita da autora acabou por não me conquistar, até a achei algo aborrecida em várias passagens, mas confesso que pintou a realidade do século XVII de uma forma muito interessante, especialmente no que toca à divisão entre católicos/ protestantes e a hierarquização de classes na sociedade holandesa.
Gostei muito da personagem do pintor e tive pena que a autora não tenha escrito a história do ponto de vista dele, alternado com o relato da Giet. Acho que a obra teria ficado bem mais dinâmica e mais interessante.

No final de tudo, este é um pequeno livro que originalmente através de uma pintura, cria uma realidade algo remota e que nos convida a imaginar como seriam os tempos e o quotidiano na cidade holandesa de Delft no século XVII. 
Infelizmente, não achei o livro nada de especial e não fiquei com muita vontade de ver o filme. Fica para futura ponderação.