Fahrenheit 451

Fahrenheit 451, a temperatura a que o papel do livro se incendeia e arde…
Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos e não apagar fogos, ao contrário do que a sua profissão possa sugerir.
O sistema era simples. Os livros deviam ser queimados, juntamente com as casas onde estavam escondidos, os seus proprietários presos e executados.
O sucesso deste estado de obediência e paz social devia-se sobretudo ao cuidado com a educação. As crianças iam à escola mas não aprendiam a ler.
Tudo corria bem a Montag, que nunca questionara fosse o que fosse, até conhecer uma jovem de 17 anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam ler e pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer…
Ray Bradbury é um aclamado escritor norte-americano de contos de ficção científica. Ao longo dos anos, este prolífico autor tem visto muitas das suas histórias adaptadas ao cinema, rádio e televisão. A sua própria ligação ao mundo da sétima arte já lhe valeu a atribuição de um Emmy, um dos inúmeros prémios com que já foi agraciado.
Em 1966, François Truffaut adaptou ao cinema esta obra-prima de Bradbury e aguarda-se um remake há muito anunciado.

ISBN: 9789721050860 – Publicações Europa-América / 2011 – 196 páginas

O Hobbit

Fahrenheit 451 é uma obra sobre a qual já muito ouvi falar e Ray Bradbury é uma referência da literatura norte-americana, pelo que me foi completamente impossível contornar a leitura desta obra. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que ler este tão conhecido trabalho da literatura e sobre o qual já ouvi maravilhas. Confesso que a ideia me fascina. Apesar de ser uma amante de livros, fascinava-me ler este livro, ler sobre este conceito de queimar livros, de fazer arder conhecimento para este desaparecer e deixar de representar uma ameaça. De facto os livros podem realmente ser perigosos. Como o autor refere durante o decorrer desta obra, os livros fazem com que os seus leitores se questionem sobre o porquê das coisas e não o como. E a partir do momento em que desenvolvemos a capacidade de questionamento, começamos a duvidar ou a ponderar maneiras alternativas de fazer as coisas. Começamos a procurar uma saída alternativa – uma luz ao fundo do túnel -, uma melhor maneira de desenvolver ideias e projectos. Não é apenas e só o conhecimento que os livros nos oferecem que pode ser perigoso, são os processos de pensamento crítico que o nosso cérebro começa a construir que representam uma maior ameaça para um sistema político. Porque aqueles que não se questionam, vivem ignorantes do que a mudança pode significar e são portanto felizes no seu próprio desconhecimento. Mas aqueles que procuram saber o porquê das coisas, aqueles que procuram desconstruir as ideologias, adaptá-las, modificá-las, representam a possibilidade de destruir o que é conhecido e isso é o princípio do fim.
A ideologia deste sistema descrito na obra é portanto a limitação de acessos aos livros e à educação para que a população nunca sinta a necessidade de se questionar sobre os princípios base deste sistema. Os livros representam o fruto proibido do conhecimento e é por essa razão que deve ser exterminado, função que é realizada pelos bombeiros que outrora apagavam fogo e agora são quem os inicia.
Como já tinha referido antes, esta definição de sociedade fascinou-me (na verdade praticamente todas as distopias me fascinam por apresentarem hipóteses tão incrivelmente assustadoras mas originais e convenhamos, geniais) e a sociedade que Ray Bradbury aqui imagina não foge à regra. Sendo que este livro foi publicado pela primeira vez em 1953, parece-me muitíssimo original o conceito que o autor aqui criou e desenvolveu partindo do pressuposto que os livros são a fonte do que se encontra mal na sociedade. Mas o autor podia ter escolhido mil e uma maneiras de erradicar os livros da face da terra, tendo escolhido colocar os bombeiros no epicentro do sistema, que são figuras que normalmente associamos com paz, segurança e protecção.
Não posso, no entanto, dizer que esta leitura foi perfeita. Apesar de ter gostado do conceito onde o livro se baseia e a partir do qual toda a história se desenvolve, não gostei por aí além do Guy Montag nem me consegui identificar com ele. O que para mim significa que todo o percurso que o Guy Montag fez, foi para mim, a parte que menos impacto teve nesta leitura. Isto não quer de maneira nenhuma dizer que outros leitores sintam o mesmo, simplesmente quer dizer que o que achei verdadeiramente genial nesta obra foi todo o mundo que o autor construiu e as ideias que ele passou tendo como recurso o livro, aquilo que estes podem significar para quem os lê e como as ideias que colocamos num livro podem ter impacto num futuro longínquo. Os livros podem de facto mudar o mundo, mudar aquilo em que acreditamos e todas as nossas ideologias.
Os livros são uma das forças motrizes da nossa sociedade. Por isso é que é tão assustador que estes possam ser exterminados.

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Sensibilidade e Bom Senso

Sensibilidade e Bom Senso, o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.

Sensibilidade e Bom Senso — um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

ISBN: 9789721040755 – Publicações Europa-América / 1996 (292 páginas)

A Papisa Joana

Jane Austen é um nome incontornável da literatura inglesa. Os seus livros são considerados clássicos da literatura internacional, pelas mais variadas razões. O papel da mulher da sociedade inglesa desta época está sempre muito bem exposto e as críticas que a autora faz à sociedade da época mostram uma inteligência e uma sensibilidade social muito grande por parte da escritora. Já para não falar do facto de Jane ser uma escritora numa época em que o acto da escrita como profissão não era muito bem visto, quanto mais por uma mulher.
O sucesso que os livros dela tiveram em todo o mundo mostram só por si, quanto peso tem o nome de Jane Austen e quão importantes são as suas obras.

Já tive oportunidade de ler vários livros da autora. Uns mudaram completamente a minha vida, outros foram leituras um pouco mais difíceis. Sensibilidade e Bom Senso é dos poucos livros da autora que não li e por isso mesmo já sabia muito bem o que poderia encontrar nestas páginas. É certo que não tinha grandes expectativas. Afinal não esperava deste livro nenhum Orgulho e Preconceito, sejamos honestos. Mas esperava encontrar um livro que me proporcionasse bons momentos. E foi isso que encontrei, um livro que marca aquela que viria mais tarde a tornar-se a marca Austen (sim, porque esta foi a sua primeira obra).

De qualquer forma, o enredo à partida não parece ser nada de extraordinário. Conta-nos a história da família Dashwood que, por causa de problemas económicos vê a sua vida mudar de prisma. As irmãs Marianne e Elinor, em idade de casar, vêem-se sem qualquer caminho se não o casamento. A etiqueta social da época não previa muitos casamentos por amor, mas aconteciam. E a esperança das duas irmãs é que venham a casar com os homens que amam, mesmo que elas não sejam possuidoras de uma fortuna vantajosa.
A vida nesta sociedade não é fácil. É exactamente o contrário, o ambiente de competitividade é muito grande. Os casamentos por interesses económicos sobrepõe-se muitas das vezes aos interesses do coração e é sabido que era uma sociedade que colocava a mulher num lugar baixo da hierarquia social.

A autora faz um retrato da sociedade de forma crua e com poucos artíficios. De facto, a primeira metade do livro seja a ser um pouco exasperante visto que é a descrição do quotidiano das personagens, sem nada que faça avançar a acção. Parece que o leitor pára no tempo. A escrita torna-se um pouco maçante, tendo em conta que se passam páginas e mais páginas de descrições de tarefas quotidianas que não parecem acrescentar nada de relevante para a história das personagens. Reconheço que para leitura de lazer, este ponto não entusiasma muito. Mas esta parte também é importante para a sociedade contemporânea se aperceber do ritmo da sociedade de outrora. Por esse prisma, é importante termos em conta as diferenças que havia naquele tempo, como é que as relações sociais se processavam, quais os valores importantes da época e é interessante compararmos o que mudou para nós hoje em dia.

No entanto, a segunda metade do livro acaba por ter um ritmo muito diferente. De um momento para o outro, parece que estamos a ler um livro completamente diferente. Tudo acontece ao mesmo tempo e finalmente, as expectativas do leitor conseguem encontram um lugar para se realizarem. Tudo aquilo que esperava que tivesse acontecido antes, aconteceu na última parte do livro e foi em grande parte por causa da segunda metade do livro que esta leitura me agradou tanto.

O livro é realmente uma obra a ter em conta para quem gostava de conhecer mais a sociedade e valores da época. São livros que se dispõem a transportar-nos no tempo e a mostrar-nos que no fundo, muitos valores continuam iguais. Por ser uma voz feminina que se insurge contra a pouca importância da mulher neste quadro social, temos hoje um legado de alguém que quis deixar algo de si e das suas crenças no mundo, a que hoje damos tanta importância.

Outlander - A Libélula Presa no Âmbar

Um Conto de Natal

Um Conto de Natal ou O Natal do Sr. Scrooge é talvez um dos mais conhecidos contos da literatura universal e, sem dúvida, o mais conhecido conto de Natal. Nele, todo o sortilégio do Natal é tratado na prosa de um dos melhores caricaturistas sociais de todos os tempos, que foi talvez aquele que melhor soube apreender e transmitir o espírito do Natal!
Inúmeras vezes adaptado ao teatro, cinema e televisão, poucos serão aqueles que ainda não ouviram falar do fantasma do Natal Passado, do fantasma do Natal Presente e do Fantasma do Natal Futuro e do velho avarento que é visitado por estes espíritos que lhe transmitirão o verdadeiro sentido do Natal.
Escrito por Charles Dickens em 1843, Um Conto de Natal merece agora uma grande produção cinematográfica da Disney, recorrendo às mais modernas tecnologias.
Salienta-se que esta edição inclui as ilustrações originais, concebidas por John Leech, ilustrador preferido de Dickens.
ISBN: 9789721060548 – Publicações Europa-América / 2009 – 184 páginas

Este pequeno conto de Natal é um dos mais famosos em todo o Mundo. Já foi adaptado ao teatro, ao cinema e à televisão. 
Charles Dickens, um dos autores mais importantes da história da Literatura Inglesa, escreveu esta pequena história no século XIX que nos conta o invulgar ódio de Mr. Scrooge pela época natalícia. 
Ebenezer Scrooge é um empresário que simplesmente repugna o conceito de Natal, em todas as suas vertentes. Ebenezer é um homem amargurado, egoísta e nem na época natalícia disfarça qualquer espírito de bondade. 
Sete anos depois do seu parceiro de negócios Marley morrer, Scrooge recebe a visita do fantasma do mesmo em sua casa. O fantasma do seu antigo amigo adverte-o que durante as próximas noites este irá receber a visita de três fantasmas diferentes, que lhe vão de uma forma ou outra, mostrar em que consiste o espírito do Natal e com isto, vão tentar com que Scrooge seja consciencializado para a importância desta época e porque é que nós, seres-humanos, damos tanta importância aos sentimentos mais altruístas e bondosos nesta altura do ano.
Os fantasmas que o visitam são o Fantasma do Passado, o do Presente e o Futuro. 
O fantasma do Passado mostra-lhe um episódio particular da sua infância. O do Presente mostra-lhe o que ele poderia apreciar e aproveitar se não mantivesse aquela atitude solitária e de ódio. E, finalmente, o do o fantasma do Futuro mostra-lhe o que é os próximos tempos revelam se ele não mudar a sua atitude.

Já tenho este pequeno conto para ler há mais de um ano. Contudo, como sempre achei que teria mais piada lê-lo mesmo na época natalícia, guardei-o para o mês de Dezembro. Este pequeno conto, apesar de breve, consegue dar-nos uma lição. De uma forma fantasiosa e que nos relembra os contos de fadas, Charles Dickens dá-nos a conhecer uma personagem que vive amargurada com a vida. Vive solitária e simplesmente, não vê nada de positivo. Contudo, tal e qual como nos contos de fadas, às personagens principais, é-lhes sempre dada a possibilidade de mudar o seu destino. Por isso mesmo, se no final das visitas dos fantasmas, Scrooge não conseguir perceber onde é que está a errar, poderá considerar-se uma causa perdida. 
A moral do conto prende-se exactamente com o facto de no Natal, os sentimentos humanos mais bondosos, se encontrarem em maior evidência. Se não podemos ver esse tipo de sentimentos durante todo o ano, que pelo menos, exista um período todos os anos, que na nossa vida possamos abrir os corações para o mundo lá fora e unirmo-nos com aquilo que a Humanidade tem de melhor na sua natureza: amor.  



    

O Hobbit


O mundo de Tolkien ganha vida neste livro cheio de surpresas a serem descobertas em cada página. As aventuras de Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto, e de um grupo de anões têm encantado os leitores ao longo de 60 anos contadas através das mágicas imagens a cores de John Howe. 

Didáctica, divertida é um grande incentivo à leitura para os mais pequenos e uma homenagem única e inesquecível à clássica história de Tolkien. 

Prelúdio para a trilogia O Senhor dos Anéis.
ISBN: 9789721043053 – Publicações Europa-América / 2001



Cá estou para vos falar de mais uma obra da autoria de J.R.R.Tolkien. Desta feita, trago O Hobbit, prequela da trilogia O Senhor dos Anéis. Já falei desta trilogia aqui no blogue, da qual destaco o primeiro volume.
A ordem lógica para ler este livro seria antes da trilogia, mas por questões de disponibilidade tive de ler a trilogia em primeiro lugar e só depois este pequeno livro, que nos conta a história e as aventuras de Bilbo Baggins. Nesta aventura e viagem, em particular, Bilbo irá descobrir e tomar possa do Anel Um, aquele que iria um dia mudar o destino da Terra Média. 
Assim, foi com grande interesse e curiosidade que peguei nesta pequena introdução do mundo criado por Tolkien e li-a num ápice. 

Na verdade, pouco tenho a dizer sobre a obra. Em 200 e poucas páginas, Tolkien conta-nos como é que um acto que à primeira vista parece tão inocente, irá perturbar nações inteiras e agitar os reinos da Terra Média e pôr em perigo a sobrevivência das espécies que fizeram deste território, a sua casa e o seu lar.
Já sabia ao que ia, visto que durante a trilogia existem várias menções a esta história e à forma como Bilbo veio a tomar posse do precioso. Assim sendo, não fiquei particularmente surpreendida, pois já conhecia a escrita do autor e a forma como ele constrói a sua narrativa. 

No entanto, nem por isso deixei de gostar da obra. Sempre quis ler em maior pormenor como é que Bilbo tinha encontrado o anel e o porquê. Aliás, a promessa de poder conhecer mais sobre hobbits e os seus costumes, foi também um grande atractivo.

Assim, creio que posso dizer que as minhas expectativas foram alcançadas, senão mesmo, superadas. Tive a oportunidade de rever Gandalf, que foi uma personagem que me marcou muito desde o início e tive também a oportunidade de conhecer de forma um pouco mais profunda o cerne do mundo que Tolkien criou e ao qual dedicou a sua vida e a sua energia.
Uma prequela bastante engraçada e que aguça a curiosidade para quem ainda não leu a trilogia do Senhor dos Anéis.

Aqui encontrarão as opiniões dos livros que constituem a trilogia:




O Regresso do Rei – Senhor dos Anéis, Vol.3

Eis que chegamos à terceira parte de O Senhor dos Anéis. 

Assistimos, na primeira parte, à descoberta do poder do anel detido por Frodo, o hobbit, como Um Anel que domina todos os Anéis do Poder. Perseguidos pelo Cavaleiro Negro de Mordor, Frodo e os companheiros passam inumeráveis peripécias na tentativa de salvarem, a todo o custo, o anel e até decidirem separar-se. 

Na segunda parte, As Duas Torres, são-nos descritas as aventuras de cada um dos membros do grupo depois de se terem separado. Surgem os Cavaleiros de Rohan, comandados por Éomer, que cercam os orcs e os destroem. Frodo, que desaparecera, regressa entretanto, mas, depois de grandes aventuras, é picado por Shelob, monstruosa guardiã de um desfiladeiro por onde ele pretendia passar, acompanhado de Samwise. 

Frodo jaz adormecido e o seu corpo é levado pelos orcs. 

Esta terceira parte, O Regresso do Rei, trata das tragédias opostas de Gandalf e Sauron, até ao fim da grande escuridão, que concluirá esta fantástica viagem pelo estranho mundo criado pela vivíssima imaginação de Tolkien.


ISBN: 9789721041547 – Publicações Europa-América / 2002


CONTÉM SPOILERS

A trilogia do Senhor dos Anéis chega ao final com este livro, O Regresso do Rei. Representa, o clímax e o auge de toda esta aventura que começa com um hobbit e um anel. 
Muito já aconteceu, mas ainda mais coisas estarão para vir no início deste Regresso. 
Após todos os acontecimentos que o leitor acompanha ao longo de dois livros com todos os ingredientes necessários para fazer da obra, uma leitura inesquecível, é com agrado e algum sentimento de tristeza que pegamos no livro que irá finalizar esta brilhante trilogia. 
Neste ponto, das duas uma: ou o leitor já se encontra irremediavelmente conquistado por esta trilogia, ou então dificilmente irá vibrar da mesma maneira. 

O livro começa imediatamente a seguir aos acontecimentos finais do livro “As Duas Torres”. 
Sam vê o corpo inconsciente de Frodo a ser levado pelos Orcs e é este singelo mestre Samwise que se tornou agora o portador do anel. 
Além disso, Ganfald e companhia têm de ir ao auxílio do reino de Gondor, que se encontra a defender o seu território das forças malévolas de Sauron. 

Assim, neste livro temos a derradeira oportunidade de ver as forças de Gandalf e as forças opostas de Sauron a batalharem entre si, e vivemos na expectativa para saber como irá ser o desfecho e o destino da Terra Média.
Será que o futuro ficará para sempre obscurecido pela escuridão? Ou irá a luz triunfar?

Não basta dizer que gostei tanto deste livro, como gostei dos seus predecessores. No entanto, o meu preferido da trilogia é e será sempre o primeiro volume. As obras que Tolkien nos deixa são uma herança cultural riquíssima que deve ser lida e apreciada, sempre. É um pequeno grande tesouro e felizmente, decidi-me a ler esta trilogia. Mais vale tarde do que nunca, diriam vocês. E é verdade.
Como leitora inveterada que sou, a fantasia nunca foi o meu género literário de eleição. No entanto, há poucos meses atrás dei por mim a pensar que deveria pelo menos tentar, ler uma das obras mais conhecidas do mundo criadas por uma das personalidades mais influentes no mundo literário. E ainda bem que assim fiz, porque esta trilogia é rica em todos os aspectos e é imperdível.

A narrativa do autor, as descrições que ele faz, a sua imaginação é um tesouro. E estas são obras para qualquer idade. Estimulam a nossa imaginação e fazem-na voar até ao ponto de podermos afirmar que a cabeça que criou isto, pertenceria a um génio.
E assim o é. Mais do que fazer uma opinião ao Regresso do Rei, aproveito para fazer uma reflexão da trilogia no seu todo, que sem dúvida alguma, não posso indicar nenhum aspecto negativo. No entanto, como já disse anteriormente, o primeiro volume foi o meu preferido, pois os hobbits tiveram muito mais tempo de antena e adorei conhecer todos os pormenores destas pequenas criaturas que vivem sem preocupações mas são mais tenazes do que aquilo que fazem parecer.

Uma nota para esta edição de 2002 que tem vários apêndices repletos de informação e cronologias, tal como árvores genealógicas que são uma ajuda preciosa para quem quer saber tudo e mais alguma coisa sobre o universo de Tolkien.

É preciso dizer que recomendo altamente esta trilogia?
Descubram por vós mesmos!     


Brevemente, seguir-se-à a leitura da prequela “O Hobbit”. 



  

As Duas Torres – Senhor dos Anéis, Vol. 2

No anterior volume desta trilogia, A Irmandade do Anel, o leitor travou conhecimento com alguns estranhos e simpáticos personagens que povoam o mundo que Tolkien construiu: Frodo, Gandalf, Pippin, Aragorn, Boromir, para citar apenas alguns. 
Através deles ficou também a conhecer algumas espécies bizarras a viver em terras imaginárias: os hobitts, os orcs, os elfos, os anões. E acompanhou certamente todas as peripécias que se passaram à volta do misterioso anel de que Frodo era possuidor. Os perigos por que passaram para subtrair o anel às mãos cobiçosas dos inimigos, os trabalhos em que se viram envolvidos para conseguir o seu intento culminaram com a fuga e o desaparecimento de Frodo e a dispersão dos seus companheiros. 

Esta segunda parte, As Duas Torres, conta o que aconteceu a cada um dos membros da Irmandade do Anel, depois de o grupo se ter desfeito e até ao advento da Grande Escuridão e à eclosão da Guerra do Anel, que será contada na terceira e última parte. 

As Duas Torres é o segundo volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também A Irmandade do Anel e O Regresso do Rei.

ISBN:  9789721041448 – Europa-América/ 2002


CONTÉM SPOILERS

As Duas Torres é o segundo livro da trilogia do Senhor dos Anéis.  Para quem não teve oportunidade de ler ainda o primeiro volume, aconselho lerem primeiro este post . Já há muito se sabe que Tolkien e as suas obras sobre a Terra Média, foram, são e continuarão a ser motivo para muito falatório, seja ele bom ou mau. Este escritor é um génio para muitos e a herança que ele deixa é rica em muitos aspectos.

Para quem leu A Irmandade do Anel, sabe que o grupo de nove elementos que tinha como missão levar o anel para o sítio onde foi forjado, se desmantelou depois de ter sido encurralado por um grupo de orcs que viajava a mando de Saruman. As consequências que advieram desta batalha, foi a divisão de todos os elementos da Irmandade e também a captura de Merry e Pippin pelos orcs.
Sabe-se que os dois pequenos hobbits serão levados para Mordor, onde reside a grande potência maléfica desta Terra Média.


Assim, Frodo e Sam, partem sozinhos na sua demanda, porque Frodo foi nomeado o Portador do Anel e assim, é o seu destino levar o anel para a sua viagem final. Sam, como fiel amigo, segue Frodo para qualquer sítio que ele vá. 
Os restantes elementos: Gimli, Aragorn e Legolas – em representação dos Anões, dos Homens e dos Elfos [respectivamente] decidem ir em perseguição dos orcs que capturaram Merry e Pippin.
Sem Gandalf e Boromir, para completar este círculo, a Irmandade está assim mais fraca. Ou assim parece.
Este livro relata-nos o que se passou após a batalha no final do primeiro volume. 
Detalhadamente, acompanhamos Aragorn, Gimli e Legolas na sua tentativa de salvamento de Merry e Pippin. Presenciamos novos desenvolvimentos, incluindo o reaparecimento de Gandalf, o Cinzento. 


E na segunda parte do livro, somos agraciados com a descrição da demanda de Frodo e de Sam (descrições estas que fizeram falta no início do livro),  acompanhados pelo misterioso Gollum que não quer perder o seu precioso de vista. 


Gostei bastante deste segundo volume, embora o primeiro livro tenha exercido em mim um impacto maior e mais eficaz. 
No entanto, As Duas Torres, não deixou de me deslumbrar pelos mais diversos factores: a genialidade das descrições que o autor faz, o universo que ele criou, as personagens inesquecíveis que ele apresenta ao leitor e sobretudo o enredo intrincado que vem desde o início desta bela história.
A imaginação, a fantasia – tudo, neste livro se encontra equilibrado de forma a construir uma história sem precedentes. 


E assim espero que continue no último capítulo da trilogia, que tem o título “O Regresso do Rei”.   




  


A Irmandade do Anel – Senhor dos Anéis, Vol.1

Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler. 

Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis carrol com a sua Alice no País das Maravilhas), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raíz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe. 

A Irmandade do Anel é o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também As Duas Torres e O Regresso do rei.

ISBN: 9789721041028 – Europa América /2002




John Ronald Reuel Tolkien foi um escritor britânico. Não apenas escritor, era também professor universitário e um estudioso de línguas e literatura. 
É também considerado por muitos o pai da literatura fantástica, ou pelo menos, a personalidade que veio revolucionar não só a literatura britânica, mas sim a mundial. 
As obras de Tolkien que falam sobre a Terra Média são as mais conhecidas de todo o mundo e são também um marco na cultura universal. 
Não sendo fã entusiasta de fantasia, como um género literário, nunca dei um segundo olhar a estes livros, apesar da fama que as precede. Mesmo depois de ter visto todos os filmes, mais que uma vez, ainda estava adormecida para estas obras que nada me diziam.
No entanto, desenganem-se aqueles que acham que a opinião é unânime quando se fala em Tolkien. Como em todas as outras coisas da vida, houve a quem estas obras não agradaram. Assim o refere também o autor, nas notas introdutórias.
Com tudo isto, quero dizer que embora esta trilogia seja amada por muitos, não conquista toda a gente e receava acontecer-me o mesmo, pelas razões que enunciei. No entanto, o ano de 2011 foi complementado com leituras a virar para este campo. Desde más experiências que jurei para nunca mais, a leituras que conseguiram retirar-me alguma emoção, foi com um misto de indiferença e curiosidade que peguei n’ A Irmandade do Anel

De facto, Tolkien haveria de me confirmar que as grandes mentes literárias estiveram no seu auge no século XX. O livro começa como uma história de encantar e o leitor rapidamente sente os tentáculos “tolkianos” a abraçarem-no e a envolverem-no nestas palavras e na narrativa rica em pormenores. Este, prepara-nos para nos contar uma história que irá perseguir os nossos sonhos, onde queremos saber o que futuro traz, antes do tempo da sua descoberta chegar. Deixamo-nos ficar confortáveis, enquanto a nossa mente imagina as belas casinhas debaixo do chão que os simpáticos Hobbits constroem.
Tememos pelo destino dos personagens com quem criámos uma empatia como até agora nunca tínhamos criado e queremos saltar para as páginas, para ajudarmos Aragorn, Frodo, Sam e Co., a ultrapassarem os seus obstáculos. 
Rimo-nos com Merry e Pippin. Admiramo-nos com a sensatez e a inteligência de Gandalf e ficamos boquiabertos nos damos conta de que o pior ainda está para vir.

Lendo este livro e comparando-o com a fantasia actual que li até agora, de facto, todos os outros me parecem pálidos. 
A paixão com que o autor escreveu a sua narrativa e as aventuras de Frodo Baggins é exímia e incansável e perdura em cada página do livro. 
E é fantástico notar a importância que o autor dá à amizade. Se não fosse pela amizade, este livro e esta aventura não teria sido possível ser escrita da maneira como foi. Admiro Sam, Merry e Pippin, por isso mesmo. Admiro ainda mais o autor e a sua personalidade, porque deixou a sua marca indelével e poderá continuar a fazer novos leitores sonhar e inspirar muitas mais mentes.

O universo que Tolkien criou serviu de inspiração para jovens escritores de várias gerações que quiseram apostar no fantástico. Alguns conseguiram atingir o sucesso, outros para lá tentam caminhar. Tolkien tornou-se um patamar de estatuto quase divinal que as almas criativas tentam alcançar.  De facto, pergunto-me como é que uma narrativa e ideias tão ricas poderão alguma vez ter saído para a luz. Nas minhas reflexões, creio que o tempo negro e de dificuldades que se viveu no século XX é mais que motivo para que estas personalidades tentem encontrar um escape. O trabalho do autor foi recompensado largamente e para nós leitores, é um motivo de regozijo.

Nem tudo o que luz é ouro,
Nem todos os caminhantes estão perdidos;
O velho que é forte não mirra
E a geada não chega às raízes fundas.
Das cinzas pode reacender-se o lume,
Das sombras pode irromper uma luz;
Renovada será a lâmina quebrada:
O destronado será de novo o rei.
– J.R.R. Tolkien