Não Abras os Olhos

David Gurney sentia-se quase invencível… até que esbarrou com o assassino mais inteligente que alguma vez teve de enfrentar.
Duas semanas é o prazo que Dave Gurney – inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e protagonista do primeiro romance de John Verdon, Pensa Num Número – se impõe para resolver um caso intrigante que lhe chega às mãos: uma jovem noiva é decapitada durante o copo-d’água, rodeada por centenas de convidados. Não há testemunhas, arma do crime ou qualquer pista do assassino. Um desafio ao qual é impossível resistir. Mas a que custo?
Todos os indícios apontam para o novo jardineiro, um homem misterioso e conturbado, mas nada se encaixa – nem o motivo, nem a ausência da arma do crime e, acima de tudo, o cruel modus operandi. Deixando de lado o óbvio, Gurney começa a ligar os pontos longe de imaginar que está prestes a travar uma batalha épica com o pior dos inimigos, um sádico implacável, que não hesitará em arrastá-lo para a beira do precipício e, pior… à sua mulher, Madeleine.

ISBN: 9789720044167 – Porto Editora / 2012 – 554 páginas

 


Este é o segundo volume da série de policiais Dave Gurney. O primeiro volume (Pensa num Número) foi um verdadeiro abre-olhos, no sentido em que me abriu os olhos para um novo talento no universo de literatura policial. Foi um livro intrigante, com uma escrita verdadeiramente viciante e que me deixou com imensa vontade de conhecer melhor os trabalhos deste escritor que tanta sensação tem feito. 
Não Abras os Olhos começa com uma premissa tão ou mais intrigante que a do livro anterior. O autor tem uma imaginação incrível e explora muito essa vertente na construção do seu enredo e dos crimes. Também explora com grande dedicação a vertente psicológica dos seus assassinos e igualmente do homem que tanto sofre para resolver estes puzzles perigosos. 
Apesar de existir um consenso que este segundo volume é ainda melhor que o primeiro, eu reservo o meu julgamento quanto a esse ponto em particular. Acho que estão ao mesmo nível, este segundo volume melhor no desenvolvimento do caso, mas pior no que toca à vertente pessoal. Na verdade, embora tenha gostado muito de ler este volume e acompanhado mais aventuras do Dave, não posso dizer que este livro me tenha conquistado de forma irremediável. Mas uma coisa é certa, este escritor sabe muitíssimo bem como escrever um bom policial e no fundo é isso que me interessa. 
As coisas boas que se podem encontrar neste livro podem ser reunidas em poucas palavras: boa escrita – o que faz com que esta seja uma leitura compulsiva -, um enredo muito bem construído, personagens bem exploradas e a possibilidade de poder conhecer mais sobre a vida pessoal deste investigador tão misterioso e com uma personalidade tão complexa que chega a ser frustrante. Não há muito mais que se possa pedir deste policial.
Para mim, esta leitura não resultou a cem por cento por dois factores: o facto de ter suspeitado logo desde início de uma pessoa e ter sido essa exactamente que cometeu o crime (o factor surpresa não foi por aí além) e segundo porque acredito que o autor tenha exagerado um bocadinho na complexificação da personagem de Dave. Percebo que ele seja um investigador com os seus problemas e que circunstâncias passadas o tenham deixado  com várias situações para resolver, pendentes de uma paz interior que este não consegue encontrar em lado nenhum, nem na resolução dos mistérios com que se depara. Prova disso, o autor passou este livro sempre a bater na mesma tecla e nessa vertente pessoal, este segundo livro não mostrou nenhuma evolução quanto ao anterior. Como diz o povo, o que é demais enjoa e creio que este livro teria ganho muito se o autor não estivesse sempre a insistir no quão complicada a relação com o Dave e a mulher é e no quão complicado é o Dave sentir-se como um indivíduo normal e no pouco esforço que ele faz para realmente encontrar o equilíbrio interior de que precisa para poder viver. 
De qualquer forma, não coloco de parte a leitura do terceiro livro que já foi publicada pela Porto Editora (e que com muita pena minha modificaram o estilo das capas do qual eu tanto gostava). Espero deliciar-me em breve com o próximo volume desta série que ainda tem tanto para nos oferecer. 

41

Pensa Num Núm3ro

Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça… Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série.

Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?

ISBN: 9789720043337 – Porto Editora / 2011 – 448 páginas


Este é um policial que começa com uma premissa inquietante. A ideia que alguém nos pode conhecer ao ponto de conseguir saber o número em que vamos pensar é realmente perturbante. Alguns diriam impossível até. Contudo, é isto mesmo que acontece a Mark Mellery, que recebe comunicações pelo correio que o deixam num estado de perturbação elevado. Elevado o suficiente para este ir ter com o seu colega de faculdade, com o qual não fala há já 25 anos e que é um polícia recentemente reformado, muito conhecido pelo número de detenções de assassinos em série que teve durante a sua brilhante carreira – Dave Gurney. O inspector acaba por se ver arrastado para mais um caso e embrenha-se neste mistério que parece impossível de resolver. Até que depois da primeira peça cair, rapidamente as outras lhe seguem.

Eu adoro policiais, não há como contornar a questão. Cresci a ler livros de mistério e mais tarde estes transformaram-se nos policiais. Já perdi a conta ao número de policiais que li e ao número dos que hei-de ler, porque este é um género que continua a agradar-me, mesmo que já conheça a sua fórmula. No entanto, nunca antes tinha lido algo de John Verdon, pelo que não sabia o que havia de esperar com este policial. Apesar de o título e a capa me terem cativado sobremaneira, o que decidiu se iria ou não ler este livro foi a crítica de Tess Gerritsen, que é uma das minhas autoras de policiais favoritas. E revelou-se ser uma boa aposta.

Esta foi uma leitura que se fez muito bem. A escrita do autor é fluída, quase rítmica, que introduz o leitor no seu mundo com uma imensa facilidade. Os capítulos breves ajudam a dar um ritmo rápido à história e faz com que se consiga acompanhar bem o enredo (nunca fui muito fã de capítulos com uma extensão muito longa). A premissa com que este livro arranca é muitíssimo curiosa e às primeiras 20 páginas, o leitor sente-se já impelido para descobrir o que está por detrás deste mistério. E o mistério é realmente a parte mais bem conseguida do livro para mim: um enredo muito bem estruturado, com uma evolução gradual e constante – sem voltas desnecessárias.  Dei por mim naquela cantiga típica de uma livrólica “só mais um capítulo e depois páro.” E quando dava por mim, já tinha lido mais de 50 páginas num piscar de olhos. Essa necessidade de ler mais e mais e estar dentro deste universo é para mim, um dos factores mais importantes no que caracteriza não apenas um bom polícia, mas também as boas leituras.

Além do mistério, tenho que reconhecer também o bom desenvolvimento e exploração da personagem principal, Dave Gurney. O autor desenvolveu o suficiente neste livro e deixou o suficiente em aberto para explorar em livros vindouros e creio que isso foi uma decisão inteligente. Se existia dúvidas que não iria ler os livros seguintes, essa dissipou-se, pois neste momento quero mesmo saber o que o futuro reservará a este ex-polícia inteligente e perspicaz que por fora é incrivelmente racional, mas por dentro tem um universo emocional inteiro por explorar e conhecer.

Foi realmente uma boa aposta!

4

Até que o Rio nos Separe




Doss Michaels nasceu e cresceu num parque de caravanas junto ao rio St. Mary e tenta sobreviver como pintor. Abigail Coleman é a única e lindíssima filha do mais poderoso senador da Carolina do Sul. Um único encontro foi suficiente para perceberem que ficariam juntos para sempre.
Após dez anos de casamento, Abbie debate-se com uma doença terminal. Sempre a seu lado, Doss trava com ela uma terrível batalha pela vida.
Quando Abbie elabora uma lista de dez coisas que gostava de fazer antes de morrer, Doss tudo faz para a ajudar a concretizar os seus desejos.
E, antes que seja tarde de mais, partem juntos para a viagem das suas vidas.

ISBN: 9789720041777 – Porto Editora / 2009 – 392 páginas

Abigail Galeman, Abbie para todos menos para o seu pai, é filha de um senador. Rica e protegida, sempre viveu a vida de uma maneira apaixonada. É determinada e nunca deixou que o seu pai conservador ditasse a maneira como ela deveria viver a sua vida. Quando se apaixonou por Doss Michaels, um estudante de arte com poucas posses, casou com ele sem a bênção do seu muito poderoso pai.
Quando o cancro lhe foi diagnosticado, Doss manteve-se sempre ao seu lado e acompanhou a mulher nesta luta contínua, até ao final.
Já Doss, nem queria acreditar que uma mulher como Abbie se apaixonasse por ele, quanto mais que quisesse passar a vida com ele. Sempre foi um homem de parcas posses e a pintura é a única coisa que faz para tentar ganhar a vida. Viu o seu mundo virar-se de pernas para o ar quando o cancro da sua mulher a destruiu aos poucos. Não queria acreditar que estava a ver o amor da sua vida morrer-lhe à frente dos olhos.
E por isso, quando Abbie anuncia o desejo de concretizar dez coisas antes de morrer, Doss parte com ela para o rio onde nasceu, cresceu e viveu. Uma viagem que lhe vai ensinar algumas coisas, relembrar outras, mas mais importante: vai estar com a mulher que detém o seu coração incondicionalmente e vai acompanhá-la nesta aventura. 

Esta é outra das minhas estreias deste ano. Esta era uma obra que já há vários anos me suscitava curiosidade. Só agora é que me dispus a lê-la, resultado de um impulso. Creio que foi na contracapa do livro que li que Charles Martin se assemelhava a Nicholas Sparks e tenho de admitir que revirei logo os olhos muito dolorosamente. Não é que eu tenha algo contra este último autor. De facto, houve tempos em que li quase todos os livros dele e gostava daquele tipo de histórias românticas com umas mortes trágicas e emocionantes à mistura. Mas esse tempo e essa fase já passaram há muito. Agora procuro um tipo de leitura diferente e por isso confesso que apesar de estar entusiasmada para conhecer a obra de Charles Martin, também me encontrava um pouco receosa. 

Agora que acabei de ler o livro, posso dizer que a afirmação não está metade incorrecta, embora eu não goste muito de fazer este tipo de comparações entre autores. Cada um tem a sua marca pessoal e ao fazer estas comparações, podemos estar a colocar coisas diferentes no mesmo saco. Mas de facto, Charles Martin escreve aquele tipo de histórias de amor incondicionais com muito carga emocional. Até aqui temos uma semelhança com o outro autor. 
Mas Charles consegue distinguir-se ao mesmo tempo. E isto deve-se à sua escrita. É ligeiramente diferente, é mais vagarosa, mais pausada. Tem um ritmo diferente e o estilo discursivo acaba por se tornar diferente do seu companheiro de profissão. 

Sobre Até que o Rio nos Separe posso dizer que gostei quanto baste. Sinceramente, posso afirmar com toda a certeza que esperava uma coisa diferente. Tinham-me avisado sobre a obra, que era uma daquelas obras que inevitavelmente iria fazer com que algumas lágrimas se escapassem e por isso cá para mim, pensava que era daquelas histórias que são bonitas mas também são emocionalmente devastadoras. 
Aquilo que eu encontrei foi de facto uma história de amor incondicional, muito bonita e com a sua quota-parte de obstáculos. Mas ao mesmo tempo, achei uma história cheia de clichés. Isto é a típica história de menina rica que se apaixona por um rapaz pobre, casam mesmo quando o pai da menina rica não lhes dá autorização e são o amor da vida um do outro, por 14 longos anos, até que o cancro vem assombrar a relação perfeita. Apesar da Abbie ser uma personagem muitíssimo interessante, que inspira admiração, não deixei de sentir que isto me soube a pouco.

Isto é daquelas histórias que devia ter-me arrasado emocionalmente por razões óbvias, mas cheguei ao final a pensar – “uau, isto nem foi comovente o suficiente para me pôr a chorar”. E acreditem que eu sou daquelas pessoas que se emociona por coisas pequenas. Apesar de ter gostado, queria mais. Mais sentimento, mais…algo.

Tenho outra obra deste senhor para ler que se intitula A Montanha Entre Nós e espero gostar mais desse livro do que gostei deste. 


Alma Rebelde

No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto… Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?


ISBN: 9789720043375 – Porto Editora / 2012 – 280 páginas

Estamos em Lisboa do século XIX, onde casamentos arranjados é algo bastante costumeiro. Joana, uma jovem que pertence à burguesia, acaba por ver a sua vida a ser negociada como se não fosse mais que uma mercadoria. O seu destino será casar com um tal nobre, que vem de boas famílias, lá para o Norte do país. Joana apenas sabe que se chama Santiago e que terá que percorrer uma grande distância para que possa chegar até às propriedades da família  D’Oriaga.
Joana teme o seu futuro, pois os relatos das suas amigas mais chegadas sobre o casamento e sobre os respectivos maridos não são muito promissores. Embora lhe custe manter o seu espírito rebelde escondido, terá que ser uma jovem obediente e tornar-se o mais invisível possível. Talvez assim o seu futuro marido não a importune muito com a sua presença. 
Mal chega a Pêro da Moça, é com espanto que Joana se apercebe que Santiago é tudo aquilo que não esperava de seu noivo. 
Não só Santiago é um homem muito bonito, como tem uma energia intensa e uma personalidade irresistível. Talvez este casamento não seja um suplício tão grande, pois Joana dá por si a derreter-se com os encantos do seu noivo. Ela bem tenta resistir, mas Santiago é persistente…

Carla Soares estreia-se no mercado literário português com Alma Rebelde, um relato do século XIX sob a perspectiva de uma jovem algo vulnerável e de um homem com uma visão perspicaz para o futuro. Ambos são fortes e visionários à sua maneira e nenhum deles queria um casamento forçado, até que descobrem que aquilo que foi arranjado e negociado, acaba por desabrochar e se transformar numa bela história de amor.

Não sabia muito bem o que esperar deste livro, embora soubesse que se encaixava dentro dos meus gostos literários, sendo um romance de época/histórico. E de facto, não podia negar a crescente curiosidade que me assaltava de dia para dia. Da escrita da autora, Carla, ainda só conhecia as palavras do seu blogue monster blues e portanto acabei por criar algumas expectativas, porque gosto realmente do que ela escreve no seu espaço pessoal. 

As primeiras páginas da leitura foram aquilo que chamo o período de adaptação de um novo autor. Cada vez que leio experimento um novo autor, sinto-me sempre como se tivesse a mergulhar em águas desconhecidas e por isso, devo avançar com coragem mas com níveis iguais de precaução.
Mas passado esse período, das duas uma: Ou o livro me conquista, ou não. E Carla Soares, acabou por mostrar e demonstrar  de facto, que a sua escrita é envolvente e que a pouco e pouco conquista o leitor que se atreve a mergulhar nesta história. 

Carla, como já dei a entender, tem uma escrita bastante envolvente, recheada de detalhes descritivos que até dão uma beleza poética à narrativa e o facto de não existirem capítulos numerados, neste caso, é favorável ao discurso, que ganha pontos por ser contínuo. 
Como temos um narrador omnisciente, o leitor acaba por ser presenteado com as diferentes sensações e pensamentos dos protagonistas.
Mais ainda por este discurso ser pontilhado com correspondência entre os vários personagens que fazem parte do enredo, o que por si, também permite que o leitor conheça mais sobre os pensamentos e sentimentos de cada personagem.

Mas sem dúvida que o foco está em Joana e Santiago. Todo o livro é uma grande aventura. Primeiro a viagem da Joana, de encontro ao seu destino. Depois, o amor que Joana e Santiago encontram aos poucos. E por fim, a viagem da vida matrimonial. Gostei bastante dos dois personagens, embora ache que a Joana tinha alguns acessos de inconstância. Ou seja, tanto era forte como rapidamente, assustadoramente vulnerável e até frágil. Embora compreenda o tipo de mulher e de educação que estamos a falar, achei que esta poderia ter sido uma personagem mais… cativante. 
Contudo, creio que isto é uma questão pessoal, porque Joana é é a personagem adequada, até  perfeita para o tipo de história e de época que estamos a falar. Está dentro do contexto e os seus assomos de rebeldia trazem um folgo de vida ao enredo e à história de amor.

É um retrato ternurento, apaixonante e intenso do Portugal de há 155 anos atrás.    


          

O Outro Amor da Vida Dele


Está a viver o amor com que sempre sonhou?

Libby tem uma vida perfeita com um marido maravilhoso e uma casa enorme em frente à praia. Mas, aos poucos, começa a duvidar do amor de Jack e não acredita que ele tenha realmente superado a morte da primeira mulher, Eve.
Quando o destino interfere na relação de ambos, Libby sente necessidade de conhecer melhor o homem com quem se casou e a aparentemente perfeita Eve.
A jovem esposa descobre algumas verdades assustadoras sobre aquela família. Com receio das consequências, Libby começa a desconfiar que também ela terá o destino da primeira mulher que Jack amou.
Pode um novo amor apagar uma grande paixão?

ISBN: 9789720043443 – Porto Editora / 2012 – 448 páginas

Libby e Jack são um casal que tem tudo para ser feliz. Mas este casamento tem uma sombra, que impede que haja um verdadeiro compromisso pela parte de Jack.  A sua primeira mulher, Eve, morreu de uma forma algo suspeita e Jack ainda não conseguiu superar a perda do seu primeiro amor, apesar de estar convencido disso.
Libby sabe disso e até certo ponto compreende, mas começa a ficar cansada da sombra e da tensão que Eve traz à relação que tem com Jack. Até que esta começa a duvidar dos sentimentos do seu marido. Será que ele alguma vez a amou, de verdade? Ou só casou com ela para não estar sozinho, para poder de alguma forma, tentar encontrar uma substituta de Eve?
O casamento de Libby e Jack não está nos seus melhores dias quando os dois se vêm envolvidos num acidente rodoviário. Libby acaba por sofrer imensos ferimentos graves e as cicatrizes ficarão lá para o resto da sua vida para a recordar deste episódio. Mas este acidente também a fez perceber que o seu marido Jack está, mais que nunca, a reviver e a relembrar os seus tempos com Eve. Libby vai, conforme tenta ultrapassar o trauma psicológico e físico, perceber porque é que o seu marido ainda não conseguiu superar a perda da sua primeira mulher. E vai descobrir alguns segredos que não irão ser fáceis de suportar…

E com este livro, ponho as minhas leituras de Dorothy Koomson em dia. Já li todos os livros que foram publicados em Portugal e espero com ansiedade a publicação do último livro que ela lançou. A esta altura do campeonato, já está bem claro na minha mente que Dorothy se tornou uma autora obrigatória. Hei-de ler todos os livros que ela lançar. Pelo menos, assim será até ao dia em que ela me desiludir. (Espero sinceramente que isso nunca aconteça). 
De alguma forma, já olho para os livros dela como viagens emocionais a vários níveis. Serão sempre livros que me manterão indecisa quanto ao que sentir, até à última linha que ler. Ficarei sempre entre o ansiar por mais e o receio de ler mais, sob pena de ficar desiludida com o que as futuras linhas me poderão trazer. 

Contudo, acabo sempre por sobreviver a estas viagens. E chego sempre ao final como uma pessoa diferente, que ganhou alguma coisa com estes livros, com estas leituras. São leituras que apesar de me darem prazer, me mostram como poderemos ser melhores seres-humanos. Basta tentarmos. Eu sei que provavelmente não tentamos o suficiente. Ou a maior parte das vezes nem achamos haver motivos suficientes por aí que nos façam querer ser melhores, mais humanos, mais algo. Mas quando chego ao final destes livros, tenho sempre a vontade de tentar, pelo menos. 
Dorothy mostra-nos sempre o melhor e o pior lado da natureza humana. E adoro isso nela. A forma como nos repugna com a crueldade que pode existir no ser-humano, mas como ainda nos deixa com fé, como nos faz acreditar que também temos algo bom e que podemos cultivar esse lado. 

Todos os seus livros são intensos. Todos eles me tocam, embora de maneiras diferentes. E talvez seja por isso que é tão difícil escolher, dentro de todos, um que se destaque como sendo o meu preferido. Porque Dorothy é uma escritora de mão cheia, com um talento incrível para criar personagens humanas, reais. Que, nós como leitores, somos capazes de odiar, mas também de amar. 

Todos os livros têm neste momento, um pouco do meu coração. Pegando numa história simples, que têm tudo de quotidiano e de normal, somos capazes de retirar muita riqueza. E os enredos da Dorothy têm sempre essa qualidade. São coisas que poderiam acontecer a qualquer de nós, embora gostemos de pensar que não e, de alguma forma, a autora dá-lhe sempre uma aura de intensidade como ainda não encontrei em outro autor, dentro deste género literário. 

Podem não ser os romances mais perfeitos, mas são os mais reais e talvez aqueles que mais merecem um final (ou não) feliz. Porque são verdadeiros. E são relatos com os quais podemos aprender qualquer coisa.

Adorei. Acho que o Jack e a Libby tornaram-se personagens que quero manter em mente durante algo tempo. Gostei muito da história deles e acho que ambos me mostraram o que é o amor e como lutar por esse sentimento, quando estamos na mó de baixo.  


Opiniões da mesma autora:

          


Amor e Chocolate

Amber Salpone não queria sentir-se atraída pelo amigo Greg Walterson, mas não consegue evitar. E, de cada vez que a atracção se concretiza em algo mais, a aventura secreta fica mais perto de se tornar numa relação séria, o que, sendo ele um mulherengo e tendo ela fobia ao compromisso, constitui um grande problema.

Enquanto Amber luta para aceitar o que passou a sentir por Greg, apercebe-se também de que ela e Jen, a sua melhor amiga, estão cada vez mais afastadas. Pouco a pouco, à medida que as duras verdades das vidas de todos vão sendo reveladas, Amber tem de enfrentar o facto de o chocolate não curar tudo e, por vezes, fugir não é opção…




ISBN: 9789720041128 – Porto Editora / 2011 – 410 páginas

Amber Salpone não anda necessariamente à procura do amor. Mas este tem sempre a mania de aparecer quando menos é esperado e a verdade é que esta é uma altura inoportuna, para dizer o menos. Amber já conhece Greg Walterson há três anos, pois ele é o melhor amigo do namorado da sua própria melhor-amiga. Confusos? Bem, este é um quarteto muito especial, cheio de segredos e de coisas por resolver.
Mas Greg é o epíteto da imperfeição masculina, pelo menos no que toca a personalidade. Em termos físicos, este homem é um pecado ambulante. Alto, de cabelos negros, atraente até mais não, nenhuma mulher lhe consegue resistir. Nem a própria Amber. 
Mas o facto de ele dormir com todas as mulheres que lhe dirijam mais de 3 palavras é um facto que a continua a exasperar e a deprimir ao mesmo tempo.
E quando Amber acaba por dormir com Greg, a sua vida vira-se do avesso. Não só acabou por dormir com uma pessoa que considerava seu amigo, terá de esconder este facto dos seus  outros dois amigos. 
Não só Amber tem medo de estragar uma amizade que considerava das mais importantes, bem como esta relação vai mudar a dinâmica da sua relação com a sua melhor-amiga, chegando a correr o risco de perder esta amizade. 
Contudo, a vida é feita de escolhas e todos nós temos, por vezes, de tomar decisões difíceis…

Estou aqui farta de vos mostrar o amor que sinto pelas obras desta autora. Sendo este o sexto livro que leio da autora, é certo que já conheço a sua escrita e o seu estilo de narrativa. De igual forma, já tenho alguma familiaridade com a forma como ela desenvolve os seus enredos e como constrói os seus personagens. 
Mas se há coisa que ainda não consigo prever nesta autora, são os seus finais. A senhora ainda me consegue surpreender em alguns finais.
De qualquer forma, já vou sentindo que sei o que esperar destas leituras. E é por isso mesmo, que normalmente adoro começar e percorrer estas leituras. Mas quando começo as chegar às últimas 50/60 páginas, começo a sentir uns arrepios de medo a lamberem a minha espinha. Receio do que a autora possa fazer assombra-me até que chego à última página e das duas uma: ou suspiro de alívio e abraço o livro com a felicidade a romper-me o peito, ou luto contra a vontade de atirar o livro à parede e de chamar todos os nomes à autora.

Como ainda não me rebentou um vaso sanguíneo, posso aferir que a autora até se tem saído bem com os seus finais. Mas com Amor e Chocolate, a autora testou o meu auto-controlo. Esticou os meus nervos de tal maneira que achei que até ao fim desta leitura me diagnosticavam neurose ou que teria um esgotamento nervoso e caía para o lado. E nem foi por causa da ansiedade de saber como é que o livro acabava. Foi mesmo logo de início. 
Este livro suscitou na minha pessoa  logo desde a primeira página, sensações contraditórias. Ora ficava contente, ora ficava extremamente irritada.
Tudo isto porque Greg é tudo aquilo que não gosto num personagem. Ele é um vadio, sem tirar nem pôr. Arranje-se as justificações possíveis e impossíveis, ele é um vadio. E não há paciência para lidar com pessoas deste género. Está bem que ele até se porta bem e ainda consegue surpreender o leitor, mostrando algumas facetas da sua personalidade que não se sabia existirem. Mas esta personagem representa tudo aquilo que desprezo nas relações humanas. 
Já a Amber, ou era uma chanfrada por um lado porque tem problemas crónicos de ciúmes, ou por outro lado queria espaço. Onde é que está a coerência? Pois, não está. Parece-me que estes dois extremos estão exagerados e não mostram sustentação ao longo da narrativa.

Mas contra todos estes aspectos negativos, eu adorei ler o livro. Apesar de não morrer de amor pela trama, as páginas iam passando com todo o gosto, como a autora já me habituou nos livros anteriores.
Eu própria acabei por me revelar uma leitora de extremos e isso é um pouco irónico.

A leitura acabou por se revelar fantástica, quando versou sobre amizade e tudo o que essa relação acarreta. Aí, este livro falou realmente comigo.

Este acabou por se revelar, até agora, a leitura mais fraca da autora, mas nem por isso, má.

Opiniões da mesma autora:

Um Erro Inocente

Durante a adolescência, Poppy Carlisle e Serena Gorringe foram as únicas testemunhas de um trágico acontecimento. Entre aceso debate público, as duas glamorosas adolescentes viram-se a braços com os tribunais e foram apelidadas pela imprensa de “As Meninas do Gelado”.
Anos mais tarde, tendo seguido percursos de vida muito diferentes, Poppy está decidida a trazer ao de cima a verdade sobre o que realmente sucedeu, enquanto Serena, esposa e mãe de dois filhos, não pretende que ninguém do presente desvende o seu passado. Mas é impossível enterrar alguns segredos – e se o seu for revelado, a vida de ambas voltará a transformar-se num inferno…
Emocionante e enternecedora, esta história fará com que nos perguntemos se alguma vez poderemos conhecer verdadeiramente aqueles que amamos.




ISBN: 9789720041005 – Porto Editora / 2010 – 448 páginas

Serena Gorringe e Poppy Carlisle são conhecidas como As Meninas do Gelado. Há 20 anos, ainda adolescentes foram as únicas testemunhas de um homicídio que nunca mais as deixaria de perseguir. 
Marcus foi a vítima. Veio a saber-se que era namorado destas duas adolescentes, bem mais velho que as menores de 16 anos. Chegou até a ser professor de Serena. Foi o primeiro amor destas jovens, que inocentemente, amavam um homem que escondia muitos segredos. 
A relação de Marcus com Serena durou 2 anos, enquanto a relação com Poppy durou menos 6 meses que isso. Ambas estavam presentes quando Marcus morreu e esse é um peso na consciência das duas. E que nunca as deixou de assombrar.
Serena que tem um segredo, vive aterrorizada que o seu marido e os seus dois filhos descubram e que com isso, a família se desmantele. Poppy, após ter passado 20 anos na prisão só tem um desejo: limpar o seu nome. Por isso, quer fazer Serena confessar o segredo que guarda.
Como a verdade tem o dom de vir ao de cima, há segredos que não podemos manter escondidos por muito tempo. Mas quando estes são revelados, podemos descobrir exactamente o contrário do que estávamos à espera.
Isto porque as aparências enganam…

E Dorothy Koomson consegue novamente. Desde que descobri esta autora que os livros dela se têm tornado um vício, uma obsessão, quase. Ainda não existiu nenhum deles que me tivesse desiludido. Este já é o quinto livro que leio e até hoje, é muito difícil escolher um que seja o meu preferido ou que se destaque de forma especial.
Gosto sempre imenso dos seus enredos, como é possível verificar, nas minhas opiniões sobre esta autora.
São sempre tramas emocionantes, fortes e muito, muito cativantes. Algumas são mais tristes que outras, mais injustas ou mais difíceis de “aguentar” que outras. Este enredo foi um dos que mais me emocionou até agora. 
Custou-me ler algumas cenas tal foi a raiva que senti. Ainda mais porque sei que estas coisas acontecem de facto no mundo real. 
Mas de uma forma geral, os livros dela fazem-me sempre reflectir as escolhas e as decisões que tomamos na nossa vida e de que forma é que isso se reflecte no nosso futuro. 
Faz-me olhar para trás e questionar-me se há algo que eu poderia ter feito de diferente, se podia ser melhor em algumas coisas, se devia ter dado uma resposta diferente às questões que me fizeram pela vida fora. 

Fez-me também reflectir sobre a inocência que representa a nossa criancice e como esta deve ser respeitada e até prezada.

Este livro também teve uma componente misteriosa mais evidente que nos livros anteriores. Confesso que consegui com alguma facilidade seguir o raciocínio e as teorias da autora, mas o final conseguiu na mesma, fazer-me ficar surpreendida. Ainda acabei por ficar boquiaberta no final, mesmo que lá no fundo da minha mente já esperasse este desfecho. 
Este livro contudo, foi lindo noutra vertente. Apesar de toda a injustiça que grassa este livro, de toda a maldade e apesar de mostrar uma realidade difícil de digerir, foi lindo ver que é possível um ser-humano seguir em frente e não deixar que o passado o consuma cegamente e que defina a sua personalidade.
Foi esperançoso ver a atitude das protagonistas, a forma como lidaram com o passado, com a dor, com a mágoa e foi brilhante vê-las levantarem-se do chão e continuarem com a sua vida. 

Já não sendo inocentes, tornaram-se das personagens mais fortes que já tive oportunidade de conhecer. 

Foi um livro muito bonito. E já tenho saudades da autora. 

Ao escrever esta opinião, ouvi uma música em repeat que acho que descreve de uma forma perfeita este livro. Ora dêem uma espreitadela, aqui

Opiniões da mesma autora:

   








O Amor Está no Ar

Deixe-se levar pela magia do amor…

Depois de sair de Londres para seguir o seu desejo de mudar de vida, Ceri D’Altroy jura abandonar definitivamente as suas manias de casamenteira. Isto porque parece que a sua simples presença acaba por incentivar as pessoas que encontra pelo caminho a mudar de vida.

No seu novo emprego, conhece Ed que decidiu declarar o seu amor por uma mulher que o enlouquece; Mel e Claudine, dois amigos de longa data que resolvem iniciar um romance ilícito; e Gwen, a chefe de departamento que é uma fumadora compulsiva e esconde um segredo profundo e sombrio que só quer partilhar com a sua nova funcionária.

Quem entra em contacto com Ceri, nunca mais volta a ser o mesmo.

Será ela o Cupido dos tempos modernos?


ISBN: 9789720041715 – Porto Editora / 2010 – 336 páginas



Ceri D’Altroy é uma pessoa invulgar. Parece que com apenas algumas palavras, consegue influenciar o rumo de vida de uma pessoa. Ela é conselheira, psicóloga e consegue agitar a vida de qualquer pessoa que se cruze com ela. Isto tudo porque Ceri é uma pessoa que respira energias positivas. Ela não consegue evitar. Simplesmente, emana um tipo de energia muito especial que afecta a vida de toda a gente e isso deve-se ao facto de ela ter cortado as amarras que a prendiam a uma vida sem felicidade. Pois é. Saiu de Londres, mudou-se para Leeds, rumo ao desconhecido e finalmente, foi seguir os seus sonhos. Aluga um quarto, numa moradia que partilha com dois estudantes universitários – Jake e Ed – e conhece vários professores que irão ser os seus colegas de profissão: Gwen, Mel e Claudine.
Todas estas pessoas vão ver a sua vida mudar irremediavelmente e a única coisa que têm em comum, além dos óbvios problemas que atravessam na sua vida, é a presença de Ceri nas suas vidas. 
Tal como se fosse uma Cupido dos tempos contemporâneos, Ceri acaba por se sentir frustrada com a sua vida, que é passada a consolar os outros e a dar conselhos – gratuitamente! 
Bem vistas as coisas, é injusto. Porque é que tem que ser ela a envolver-se na vida dos outros e a resolver-lhes os problemas. Ela só quer ser feliz, deliciar-se com os seus programas de televisão favoritos e encontrar o amor da sua vida… 
Porque é que ela não pode simplesmente ser normal?

Não é segredo nenhum que Dorothy Koomson se tornou rapidamente uma das minhas autoras preferidas. Conquistou-me com a sua escrita, com os seus romances, com o seu humor e sobretudo, com a sua sensibilidade. A autora consegue sempre captar a atenção do leitor, por estas serem tão reais. Várias me relaciono com os protagonistas, porque penso que a mesma coisa poderia facilmente acontecer na vida real de cada um de nós. Todos nós sabemos que as relações humanas nem sempre são fáceis e ninguém tem um manual de instruções para tornar estas relações mais simples. E a autora descreve todos os sentimentos humanos com muita perspicácia, clareza e de forma muito acertada. 
Os seus protagonistas são simples mortais, mas acabam por se tornar especiais à mesma, por causa da sua personalidade e da sua condição humana. Sentem, erram, magoam, sofrem, riem. E andam todos à procura do mesmo: da felicidade e do amor.

Apesar de ter lido variadas opiniões sobre este livro, que era mais fraco do que outros, mais uma vez não me relacionei com as críticas. Está a começar tornar-se difícil arranjar um livro dela que eu possa dizer que gostei claramente menos, porque todos me conseguem conquistar de alguma forma e apesar de existir alguns pormenores que no momento da leitura, mudaria, depois de os ler, já o faria. Porque seria mudar a essência dos livros, tal como eles se apresentam aos leitores e isso faria com o que o livro perdesse a capacidade de encantar.
Por isso mesmo é que a autora se insinuou de forma tão premente nas minhas preferências. Existe sempre algo que irremediavelmente me chama à atenção nos livros dela, me toca fundo e que não deixa indiferente. Este O Amor Está no Ar não foi nenhuma excepção.
É um livro num registo diferente daquele que a autora nos tem habituado, contudo. Foca várias personagens com muita atenção, em vez de dar atenção (quase) exclusiva ao protagonista. Acabamos por conhecer intimamente a vida de vários personagens, além da da protagonista. 

Achei um livro muito divertido, as personagens bem construídas e exploradas, com excepção da Gwen, que a meu ver foi a personagem que menos explorada foi e durante todo o livro foi descrita de uma forma injusta. Adorei este registo diferente, porque em vez de a autora se focar apenas na resolução de problemas da vida de Ceri, mostrou-nos também a vida dos outros personagens e mostrou-nos igualmente que eles próprios também conseguiram resolver os problemas das suas vidas. 
Temos vários romances a decorrer e uma experiência muito divertida acompanhá-los a todos em paralelo. 
Contudo, o que me deixou completamente fascinada por este livro, foi o final. Foi perfeito. Perfeito e que deixa a nossa imaginação a voar e a sonhar com as possibilidades felizes que este final nos traz.
A autora deu um golpe final de mestre. 

Deixou-vos curiosos? Se não, devia. Porque este livro é uma mistura de risos, amizade, mas mais importante, sobre o amor e sobre seguir os desejos do coração.   


Opiniões da mesma autora:

    


Bons Sonhos, Meu Amor

Nova Kumalisi faria qualquer coisa pelo seu melhor amigo. Ela deve-lhe a vida. Por isso, quando ele lhe pede que seja barriga de aluguer e dê à luz o filho dele com a sua mulher estéril, e apesar de saber que corre o risco de perder a amizade, Nova aceita.
Oito anos mais tarde, Nova está a criar o filho de Mal sozinha, porque a mulher dele mudou de ideias, escassos meses antes de a criança nascer, assim destruindo a relação entre os dois amigos.
Agora, Leo, o filho de ambos está gravemente doente. Nova quer que Mal conheça o filho antes que seja demasiado tarde. Foi preciso uma tragédia para que ambos se lembrassem do quanto significam um para o outro.





ISBN: 9789720041111 – Porto Editora / 2009 – 448 páginas

Nova Kumalisi e Malvolio – Mal para simplificar – foram criados juntos. O seu pai morreu quando ele ainda era jovem e a sua mãe sofre de um problema mental, pelo que desde cedo Nova e Mal se tornaram o apoio um do outro. Criavam uma unidade e sempre se amaram incondicionalmente, como só as crianças podem amar. No entanto, conforme foram crescendo, Mal e Nova apercebem-se que a grande amizade que mantêm é especial. Mais do que amizade, ambos se apaixonaram pelo outro, mas devido às circunstâncias em que vivem e às escolhas que fizeram na sua vida, a amizade incondicional que sempre mantiveram não poderá agora também passar disso mesmo. Uma grande amizade. 
Quando Mal e a sua mulher, Steph decidem ter um filho, pedem à sua melhor amiga Nova que seja barriga de aluguer, visto que Steph não poderá nunca ter filhos. Nova, que sempre fez tudo pelo amigo e sempre fará, após muita ponderação decide conceder este desejo ao casal e engravida de Mal. 
Contudo, o casal, inesperadamente, muda de ideias e Mal chega até a desaparecer da sua vida, deixando-a sozinha e desamparada, grávida de um filho seu. 
Nova mal quer acreditar que Mal, o seu amigo de todo o sempre, é capaz de lhe fazer tal coisa, mas a verdade é que o filho que carrega no ventre é o último pedaço de Mal que poderá guardar consigo e por isso, cria o filho de ambos sozinha. 
Nada a viria a preparar para o acidente que Leo, o seu filho de 7 anos apenas, viria a ter, obrigando o rapaz a ser submetido a uma cirurgia e um consequente coma profundo. Agora, Nova quer que Mal conheça o filho que nunca teve oportunidade de ver. Se ao menos as coisas fossem tão simples assim, tudo seria mais fácil…
Este é apenas o terceiro livro desta autora que leio. Contudo, desde o primeiro que me confessei fascinada pela sua escrita, pela sua envolvência, pelos seus enredos viciantes e por todo o leque de emoções que a sua narrativa me faz sentir. Dorothy Koomson é uma autora que gosta de mexer com os corações dos seus leitores, fazendo por isso, com as suas histórias românticas que têm sempre uma pitada de dramatismo. Nem sempre são histórias fáceis e os protagonistas passam sempre por momentos muitos difíceis que me trazem lágrimas aos olhos, mas é uma leitura que compensa a todos os níveis. Dos três livros dela que já li, posso dizer que cada um me toucou de forma diferente, mas todos – sem excepção – puxaram muito pelas minhas emoções e é por isso que continuo tão ansiosa, a ler os seus livros. 

Ainda fico impressionada quando penso com que rapidez costumo ler estes livros de Dorothy. Isto tudo porque mal começo a ler o prólogo, simplesmente não consigo parar mais. Se pouso o livro, ando sempre a pensar nele. Se não o leio, estou a pensar quando é que o poderei ler, à procura sempre de uns minutos extra para lhe deitar a mão. 
Existe uma força que me impele sempre para a leitura destes livros. As personagens, o enredo cravam as suas garras em mim e não me deixam sossegada até ao terminar esta viagem na sua companhia.
Quando me preparei para ler este livro (e o anterior a este igualmente, por sinal) não foram poucos os avisos de que estes livros não eram os melhores da autora, para que eu não tivesse muitas esperanças e isso colocou-me algo de pé atrás, sem saber o que esperar e a achar que estas seriam daquelas autoras que mudam de estilo conforme a direcção do vento. Hoje, ao olhar para trás para estas leituras, vejo que não estou particularmente de acordo quando se diz que não são os melhores livros. Embora não tendo muito para com que comparar, posso no entanto com alguma segurança, dizer que estas três obras estão todas praticamente ao mesmo nível, com pequenas diferenças que se devem ao facto de a autora fazer uma escolha: aposta mais no romance, ou não.
Sendo eu uma romântica incurável, será de esperar que goste de livros com ênfase no romance. E normalmente, assim o é.

Mas com Dorothy Koomson, não me sinto particularmente assim. E vou tentar explicar porquê. Porque os livros dela são românticos o suficiente sem ser preciso existir um final diferente àquele que efectivamente houve (não esquecendo que me estou a referir apenas a este livro e ao anterior que li). De certa forma, acabo sempre por desejar que a autora acabe o livro como eu quero e andamos ali numa força de vontades até à última página para ver quem é que tem razão, mas os livros dela preenchem-me a tantos outros níveis que é impossível ficar insatisfeita com aquilo que ela escreve e da maneira como o faz. Realmente, os últimos dois livros tiveram finais com os quais não esperava, mas isso não diminui a magia que esta autora tem em mim, nem um pouco. Embora continue a dizer que o primeiro livro é o meu favorito (até agora) os outros pouco lhe ficam atrás.

Por palavras mais simples, estou completa e totalmente fã desta autora e das suas histórias. Levam-me sempre a outro mundo: a um mundo de esperança, com um misto de emoções muito intensas que tiram um pouco de mim e dão-me um pouco mais a mim mesma também. 

Opiniões da mesma autora:

  
  

Divergente

Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família… e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama… ou acabar por destruí-la.


ISBN: 9789720043818 – Porto Editora / 2012

Num futuro pós apocalíptico, a sociedade encontra-se organizada em cinco facções. Esta divisão pretende que só e apenas as melhores características dos seres humanos sobressaiam e assim a sociedade se torne perfeita, sem qualquer falha. Assim, nascem: Abnegados, onde sobressai o altruísmo e por isso tornam-se perfeitos para governar a sociedade onde vivem pois o egoísmo é eliminado; Intrépidos, onde a coragem é o grito de ordem e acabam por se tornar o exército que defende os limites da cidade, pois vêem a cobardia como uma das maiores falhas do ser-humano; os Cândidos que primam pela honestidade e sinceridade, pois é impossível que uma sociedade prospere baseada nas mentiras de outrem ; os Cordiais que valorizam acima de tudo a amizade e vêem o contacto social como uma das coisas mais importantes na vida em comunidade; e finalmente os Eruditos, que são mentes sedentas de conhecimento, pois é igualmente impossível que uma sociedade evoluída, cresça se estiver rodeada de ignorância. 
Cada uma destas facções contribui com as suas melhores características para que a vida em comunidade seja perfeita e consiga prosperar sem nenhum percalço. 

Outro dos princípios desta sociedade é de que os jovens devem poder escolher livremente o seu futuro e por isso mesmo, a todos os jovens de 16 anos é dada a possibilidade de escolher uma das cinco facções (pode mesmo escolher aquela onde nasceu), mas no entanto, terá que viver com essa escolha para o resto da sua vida, pois caso contrário só tem duas escolhas: a morte ou uma vida de sem-facção, que é uma vida miserável sem ter onde pertencer, nem onde viver, andando para sempre à deriva. 
Breatice Prior vê-se numa escolha, para ela, impossível – ter de escolher entre a família ou a sua secreta identidade, quem ela acredita ser. Contudo, após a escolha, esta compromete-se a ser a melhor concorrente das provas de iniciação (as provas permitem saber se os iniciados estão aptos para seguirem com aquela escolha para o resto da vida deles), mesmo que isso seja mais perigoso do que ao início se parece revelar. E na verdade, Tris – que decidiu mudar de nome para marcar este novo ciclo na vida dela – corre perigo de vida, pois a competição é feroz e ela é vigiada não só pelos seus colegas iniciados, mas também pelos líderes da facção que escolheu. 
Isto tudo porque Tris não é uma jovem normal como os outros podem pensar. Ela tem algo dentro de si que a marca como diferente, como divergente. Como única. E quando descobre que uma das facções está sob ameaça de guerra (por caprichos de outra), pondo toda uma sociedade perfeita em rota de colisão, apenas esta sua característica única poderá significar uma esperança para evitar a ruptura da sociedade como ela a conhece… Isto é, se ela conseguir no entretanto sobreviver aos testes de iniciação e ao seu treinador, Quatro, que mexe com ela a níveis que ela nem consegue começar a compreender.

Divergente marca a estreia de Veronica Roth no mundo literário e é o primeiro volume de uma nova série young-adult (a série é também intitulada Divergente) que promete ser um sucesso tão grande quanto foi o seu antecessor, a trilogia Jogos da Fome. De facto, este livro cedo começou a conquistar as massas, em especial depois da febre de Hunger Games ter acalmado minimamente. Os fãs da trilogia, que procuravam livros que acentuassem o sentimento de nostalgia, cedo encontraram em Divergente um novo motivo para se entusiasmarem tanto quanto nos livros de Suzanne Collins. 
Por mim mesma, falo. Depois de ter lido a trilogia, nunca esperei encontrar um livro do mesmo género que me conquistasse tão profundamente quanto fiquei com o Hunger Games. Mas enganei-me redondamente e Veronica Roth mostrou-me o quanto. A verdade é que desde que o livro saiu em inglês, que andava de olho nele e quando o livro saiu cá, fiquei em pulgas para o ler. Sendo eu membro indissociável do blogring, não pude perder a magnífica oportunidade de ler este livro. As expectativas eram muitas e elevadas e acabei por esperar uma repetição de Hunger Games e oh! como caí que nem um patinho nesta teoria…

A escrita da autora é fantástica, viciante. É como comprar uma barra de chocolate e tentarmo-nos convencer a comer apenas um quadradinho e quando damos por ela, já comemos metade da tablete. Verdade – mal comecei o livro, simplesmente não o consegui parar de ler e a verdade é que comecei a ler o livro na sexta-feira à noitinha e acabei-o há momentos. As emoções ainda estão à flor da pele, especialmente no que toca àquele final, que me deixou com água na boca a querer ir ler o segundo volume já e agora. 
As personagens foram igualmente estimulantes – não só senti uma empatia imediata com Tris e com o Quatro, como adorei todas as restantes personagens, até mesmo um dos mauzões. Acho que a autora conseguiu criar personagens cativantes, tendo em conta que a maioria dos autores deste género costuma exagerar nas crises existenciais dos adolescentes, que parecem um coitados nas mãos de alguns escritores. Por vezes até dá pena.
Por outro lado, este livro não é só “dá cá um beijinho para lá, outro para cá”. Este livro é sobretudo acção e o enredo está todo ele, de uma forma geral, direccionado para o movimento dos personagens e para a evolução da trama e não para os romances muito problemáticos dos jovens. Claro que Beatrice acaba por sentir algo mais por Quatro e a relação que se desenvolve entre estes dois tem características óbvias de um romance young-adult, mas foram cenas bem escritas, bem planeadas e fizeram sentido ao longo do desenvolvimento do livro e não foram apenas para preencher lacunas. 

Por tudo isso e pela forma como o livro está organizado, pela originalidade da autora (sim, porque eu adorei esta sociedade – até mais do que havia gostado da sociedade de Hunger Games) e acho que a autora escolheu uma forma muito inteligente de organizar este mundo. Fiquei, de facto, muito admirada e muito contente por ela ter ido buscar esta organização de características, que são exactamente aquelas que mais falta fazem na sociedade em que vivemos. E esta escolha fez-me pensar no quanto um livro destes (que irá decerto parecer desinteressante a muitas pessoas) nos mostra o que por vezes, pensamos já ter esquecido.

A-do-rei.