A Cidade de Vidro

Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras – não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol. Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro – custe o que custar? O amor é um pecado mortal e os segredos do passado provam ser letais quando Clary e Jace enfrentam Valentine no último volume da trilogia Os Instrumentos Mortais – obra que figura na lista de sucessos literários do New York Times.Caçadores de Sombras é o título da trilogia que começa com A Cidade dos Ossos, com uma fantasia urbana povoada por vampiros, demónios, lobisomens, fadas, e que é um autêntico romance de acção explosiva.

ISBN: 9789896570903 – Planeta / 2010 – 408 páginas


Depois de ter tido experiências muito positivas com os dois volumes anteriores, reservava muitas expectativas para o terceiro volume da série Caçadores de Sombras de Cassandra Clare. A Cidade das Cinzas foi um livro que me deixou com água na boca para saber mais desenvolvimento sobre o mundo de Jace, Clary e companhia e embora já tenha passado um ano desde que li o segundo volume (o tempo passa sempre incrivelmente depressa e nem damos por ele) ainda tenho muito presente os acontecimentos pendentes que esperava ver resolvidos neste novo volume da série. Recordo-me na altura que esperava que este A Cidade de Vidro ultrapassasse qualquer expectativa e que fosse “tudo o que esperava de um livro”. Talvez esta questão das expectativas seja na verdade algo traiçoeiro, mas a verdade é que acabei esta leitura com um sentimento de desilusão ténue. Quando penso neste livro, penso em acção, penso num bom enredo que não nos deixa adormecer mas esperava MUITO mais. Depois de um segundo livro que nos deixa boquiabertos com várias revelações, este seguimento parece-me um resfriado.
Além das expectativas elevadíssimas que tinha para este livro, também tenho que dizer que o meu entusiasmo tinha desaparecido um pouco devido a um spoiler inadvertido que vi postado na internet (sem qualquer aviso para a existência dele, já agora! I should beat the bastard that posted that! Argh.) E apesar de tentar ter feito com que este conhecimento não estragasse a minha leitura, acabou por diminuir um pouco o prazer que dela retirei e isso é algo que não consigo controlar racionalmente.
Esta é uma leitura agradável, que não nos deixa descansar: está sempre a pedir a atenção do leitor. Mas ainda assim não posso dizer que tenha sido um livro que me tenha deslumbrado. Tem acção, tem romance (tem respostas muito aguardadas que esperávamos obter neste volume e não mais tarde) mas ficou, para mim, a faltar a adrenalina, a paixão desenfreada, a intensidade que senti nos volumes anteriores.
O enredo está bem planeado com diversos twists muito interessantes e isso ajuda a que a leitura nunca se torne aborrecida. A autora conseguiu gerir muito bem o desenvolvimento do fio narrativo e escolheu bem as alturas em que deveria lançar num novo e tentador twist. Quanto às personagens confesso que Clary e Jace continuam a ser de interesse para mim mas não são nem de perto os meus favoritos, o que parece algo estranho sendo que a história se desenvolve em torno deles.  Mas de facto, assim é. Estou muito mais interessada com o desenvolvimento da personagem de Simon que me parece tão promissora e tem momentos tão deliciosos.
Esta é uma série que pretendo continuar a ler mas para a próxima, irei aproximar-me do livro com expectativas bem menos elevadas.

Pássaros Feridos

Marina

Marina, tal como a obra que consagrou Zafón, é um romance mágico de memórias, escrito numa prosa ora poética ora irónica, assente numa mistura de géneros literários (entre o romance de aventuras e os contos góticos) e onde o passado e o presente se fundem de forma inigualável. Classificado pela crítica como «macabro e fantástico e simultaneamente arrebatador», Marina propõe ao leitor uma reflexão continuada sobre os mistérios da condição humana através do relato alternado de três histórias de amor e morte. Ambientada na cidade de Barcelona, a história decorre entre Setembro de 1979 e Maio de 1980 e depois em 1995 quando Óscar, o protagonista, recorda a força arrebatadora do primeiro amor e as aventuras com Marina, recupera as anotações do seu diário pessoal e revisita os locais da sua juventude.

ISBN: 9789896571191 – Planeta / 2010 – 260 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Carlos Ruiz Zafón é um dos grandes nomes da literatura espanhola contemporânea. Este nome começou a ser largamente conhecido devido ao sucesso que o seu romance A Sombra do Vento fez por esse universo literário fora, embora este seja o livro mais querido do autor, segundo ele próprio diz.
Tendo adorado todos os outros livros que já li dele (especialmente o A Sombra do Vento) foi com muitas expectativas que iniciei esta leitura, apesar de não saber o que aqui iria encontrar. O cenário de Barcelona, já usual nos seus livros, continua mágico como sempre, pois as descrições que o autor faz da cidade transportam uma magia que não é facilmente definível. A sua escrita, além dos cenários que o autor cria, são dois factores que tornam as suas obras realmente especiais. As suas personagens e as emoções destas, são outro.
Marina é rico em todos estes factores apesar de ser um livro pequeno. E eu apaixonei-me completamente por ele. Pela história, pelas personagens e por todos os momentos intensos que recheiam esta obra. Diria que o livro é uma mistura de fantasia com romance –  um romance inocente, breve, mas ainda assim um romance. E sem dúvida que foi uma mistura que resultou na perfeição. Adorei o Óscar, desde o início. Senti-me impelida a ler as aventuras dele e da Marina e foi muito difícil dizer adeus a este protagonista. Porque há histórias que nos conquistam e muitas vezes não sabemos explicar porquê.
E esta foi uma delas.
O enredo parece-nos leve, à partida, mas nele se encerra uma certa lição, algo que podemos retirar para a nossa experiência de vida e essa é uma grande qualidade nas obras de Zafón. Adoro a forma como ele transforma uma simples história num mundo infinito cheio de possibilidades. É um mundo encantado, mas muito real. É um mundo muito apaixonante, mas por vezes desesperante.
Enfim, é um mundo que me conquistou logo às primeiras palavras e foi a leitura certa no momento certo. Não há muito mais que possa explicar isso.

A vida concede a cada um de nós raros momentos de felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes, anos. Tudo depende do nosso destino. A recordação desses momentos acompanha-nos para sempre e transforma-se num país de memória a que procuramos regressar durante o resto da nossa vida sem o conseguir.

~ Carlos Ruiz Zafón in Marina

51

A Vidente de Sevenwaters

Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se – ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher – e essa escolha mudará a sua vida para sempre.

ISBN: 9789896571993 – Planeta Editora / 2011 – 413 páginas

O Hobbit

A Vidente de Sevenwaters é o quinto livro desta saga tão conhecida da autora Juliet Marillier. Para quem não conhece, este é uma série que nos relata a vida da família de Sevenwaters, que está cada vez maior a cada livro que passa. Eles são uma família que remonta a tempos muito antigos e são os guardiões do território (por muitos tido como sagrado) que engloba as florestas de Sevenwaters. Os druidas são recorrentes nesta família e o dom da Visão é um dom que se pronuncia em vários membros da família, em intensidades diferentes.
Sibeal sempre foi diferente desde pequena. Não só pela cor única dos seus olhos, mas pela forma como encarava o mundo exterior – com tranquilidade, serenidade e sempre foi uma criança muito silenciosa. O seu caminho foi traçado desde criança, quando a Dama da Floresta lhe ensinou os princípios básicos deste dom muito especial que ela encerra no seu espírito.
Mas chegou a altura em que terá mesmo de pôr a sua vocação à prova. E então acaba por passar um verão em Inis Eala, antes de fazer o seu juramento de druidesa, onde as coisas não correm como esperadas.

Esta autora, na qual me estreei apenas há uns meses, tem sido uma constante surpresa. Os livros dela têm sempre algo que me cativa de forma irremediável e esta saga, a primeira e única que li até agora, têm-me oferecido muitos e bons momentos de leitura. Apesar de a série ter sido estendida (era suposto ser apenas uma trilogia) a verdade é que os livros de Sevenwaters continuam a conquistar os seus fãs. Eu, pela minha parte, estava ansiosa para pôr as mãos em mais um livro da senhora.
Sibeal é a protagonista deste livro e já nos tinha sido apresentada no volume anterior. Confesso que esta personagem me suscitava algum interesse, por se mostrar tão diferente de todos os outros. E por isso mesmo, esperava muito deste livro.

Em termos gerais, é um típico livro de Juliet. Com uma escrita viciante, descritiva e com muitos cenários fantasiosos, não há nada neste prisma que possa desagradar. Li este livro num instante porque na verdade não o conseguia pousar. O mistério que se encontra presente neste enredo também ajuda a que o leitor não consiga desviar os olhos do livro. Considero que este livro nesse aspecto, foi bem mais misterioso que os seus restantes companheiros. Só mesmo na recta final é que se tem uma visão geral completa daquilo que no início parecia ser uma grande confusão de mistérios e coisas mal explicadas.
Gostei do romance entre Sibeal e Felix, mas não foi daqueles que mais me entusiasmou.

Tendo em conta isto tudo, parece-me estranho não ter gostado mais do livro. Na verdade, chegada às últimas páginas, fiquei um pouco desiludida porque não senti a mesma satisfação que senti ao acabar os outros livros dela. As últimas 50 páginas do livro inclusive aborreceram-me um pouco, talvez por achar demais toda aquela construção à volta da Ilha da Serpente. Não fiquei convencida e por mim, teria dado uma explicação diferente à existência da Svala. Quando um livro não consegue deixar-me com um sentimento de felicidade no final, é porque este poderia ter sido bem melhor do que se revelou ser. Existem vários factores para isto ter acontecido, um deles o timing da leitura. Não sei especificar, sei apenas que o final não me entusiasmou e as expectativas não foram superadas.

Contudo, não é por isto que vou deixar de ler a autora. Muito pelo contrário. Esta autora que tem sido uma das relevações deste ano, vai continuar a figurar na minha lista de leituras por muito tempo. Segue-se para já a leitura do último volume da saga de Sevenwaters.

Lições de Sedução

A Cidade das Cinzas

Clary Fray só que­ria que a sua vida vol­tasse ao nor­mal. Mas o que é nor­mal quando se é um Caça­dor de Som­bras? A mãe em estado de coma indu­zido por artes mági­cas, e de repente começa a ver lobi­so­mens, vam­pi­ros, e fadas? A única hipó­tese que Clary tem de aju­dar a mãe é pedir ajuda ao dia­bó­lico Valen­tine que, além de louco, sim­bo­liza o Mal e, para pio­rar o cená­rio, tam­bém é o seu pai. Quando o segundo dos Ins­tru­men­tos Mor­tais é rou­bado o prin­ci­pal sus­peito é Jace, que a jovem des­co­briu recen­te­mente ser seu irmão. Ela não acre­dita que Jace de facto possa estar dis­posto a aban­do­nar tudo o que acre­dita e aliar-​se ao dia­bó­lico pai Valen­tine… mas as apa­rên­cias podem iludir.

ISBN: 9789896570620 – Planeta Editora / 2010 – 360 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este é o segundo livro da série Caçadores de Sombras da autora Cassandra Clare. Quando decidi começar esta série no verão, nunca fiz planos para lhe dar seguimento tão depressa quanto acabou por acontecer mas a verdade é que estes livros convidam a uma leitura compulsiva. E é por isso que três dias depois de ter acabado de ler o primeiro volume desta série, dei por mim a ler o segundo.
Depois de tudo o que Clary descobre sobre si no primeiro livro, era impossível ficar sem saber como é que a história iria desenvolver-se. Quando estava a ler este livro, pensei várias vezes que esta obra/série parece uma série de urban-fantasy (adulta) sem tirar nem pôr. As estratégias narrativas são muito semelhantes, com um “caso” a resolver em cada livro e depois temos o romance em paralelo que têm sempre problemas em avançar. Claro que a diferença é as idades dos personagens, mas tirando o nível de tensão sexual (neste caso os adolescentes andam calminhos) e de linguagem explícita, não há grandes diferenças.

O que não é nada mau, sendo que um dos meus géneros favoritos é precisamente a fantasia urbana. De facto, uma das coisas que mais gostei neste volume foi as descrições tão ricas de Manhattan e arredores. A trama principal da narrativa foi muito bem conseguida pela autora, a meu ver. Todos estes homicídios e todas aquelas perseguições e sobressaltos deram movimento à acção e o livro nunca se tornou aborrecido. O facto de o Valentine estar por trás de tudo ainda mais interessante torna a trama, pois há muito que (ainda) quero saber sobre esta personagem.

Já em termos de personagens e desenvolvimento das mesmas tenho que dizer que me sinto algo dividida (estou já a ver que isto vai virar moda com esta autora). Não posso afirmar que este grupo de adolescentes seja parvo ou chato, por isso fico contente por esta série  young-adult se estar a revelar ser uma em que eu consiga suportar os adolescentes que fazem parte dela. Embora a Clary me tenha testado a paciência uma vez por outra, não me irritou mais que outros personagens adultos que eu conheça. Mas em termos de romance, confesso que não gostei tanto como estava à espera depois da intensidade que foi o primeiro livro. Não vou expor aqui as minhas teorias porque seriam grandes spoilers. Embora eu tenha muitas ideias e especulações e esteja curiosa para saber se estou no frio ou no quente, senti-me várias vezes frustrada por a autora estar a pressionar aquele triângulo amoroso, que é tão usual nestes livros. Eu tenho outras ideias para o Simon. Já o Jace, é uma personagem fabulosa com aquelas tiradas humorísticas e toda aquela aura de arrogância.

Pontos positivos para o Alec e para o Magnus, personagens que estiveram maravilhosamente bem neste volume. O Jace esteve perfeito também. E a Maia, nova adição à série, promete.

Estes twists ao longo do livro foram deveras óbvios, tenho que dizer. Só o twist final foi mais surpreendente e mesmo assim… Espero que o terceiro livro da série me consiga tirar verdadeiramente do sério. Apesar de ter adorado estes dois livros que já li, estou à espera de algo mais. Talvez o próximo seja tudo aquilo que eu espero de um livro.

Voltar a Encontrar-te

A Cidade dos Ossos

No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota…

 

ISBN: 9789896570231 – Planeta Editora / 2009 – 415 páginas

 

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

 

Este é o primeiro livro da série Caçadores de Sombras ou Mortal Instruments, como é intitulada no original. É também a minha estreia com a autora Cassandra Clare, apesar de já ter ouvido falar imenso da autora e de todas as suas obras. Este livro, A Cidade dos Ossos vai também ser alvo de uma adaptação cinematográfica o que ajuda ao reconhecimento que esta obra tem, não só junto do público juvenil mas também do adulto. Sendo que eu gosto muito de ler este tipo de fantasia urbana, estava muitíssimo curiosa para começar esta série. Clary é uma jovem de 15 anos que vive uma vida normal, sem sobressaltos. Ela cresceu sem pai mas a sua mãe compensa por ser tão protectora de Clary. Contudo, numa saída ao clube Pandemonium com o seu melhor-amigo Simon, Clary testemunha um crime contra um rapaz que lhe tinha chamado anteriormente à atenção. O crime foi cometido por três personalidades únicas e igualmente cativantes. Clary acabaria por descobrir que estes três jovens são Caçadores de Sombras e que matam demónios. Clary acaba por entrar neste mundo sem ter sido convidada e acaba por desenterrar muitos segredos sobre si e sobre a sua família. Em jogo está a estabilidade de todo um universo.

Este livro foi uma montanha-russa de emoções. Comecei a leitura sem nenhuma expectativa em especial, mas cedo me apercebi que este é daqueles livros que nos agarra à primeira oportunidade. Rapidamente me vi envolta neste mundo dos Caçadores de Sombras e foi impossível parar de ler até poder tirar todas as minhas dúvidas e resolver todas as minhas suspeitas. Não sei em que ponto fui irremediavelmente conquistada, só sei que aconteceu. E o livro acabaria por abalar o meu coração e o meu espírito. A premissa do livro é interessante e com um mistério por trás que apela a todo e qualquer leitor. A autora vai colocando twists ao longo de toda a história para que o leitor não perca o interesse na história. E de facto, é impossível ficar desinteressado nesta história. Eu que o diga, mal consegui tirar os meus olhos das páginas, tal era a ânsia que tinha de ler mais um capítulo. 

A escrita da autora é viciante. Não sei se há outro objectivo que a descreva. Ela capta o leitor como um pescador capta um peixe com o anzol. É uma escrita igualmente agradável e nem damos pelas páginas a passarem por nós enquanto estamos embrenhados na trama à nossa frente. As personagens são um grupo muito cativante. Além de Clary e Jace que, como protagonistas, são aqueles que mais atenção merecem e mais destaque têm, não podemos descurar todos os outros. Confesso que achei todas as personagens interessantes à sua maneira. Mesmo os vilões. Posso dizer, com toda a certeza, que isto não acontece assim tão usualmente quanto isso. Seja Isabelle, Alec, Simon, Hodge, Valentine ou Luke, todos eles exerceram um fascínio sobre mim. Até mesmo Jocelyn, mais pelo que se soube através de outras personagens do que pela própria. 
Todo o grupo é interessante e confesso que estou curiosa para conhecer cada um deles. 

O world-building é igualmente cativante. Pareceu-me um conceito original e que tem muito que se possa explorar, não só pela diversidade de espécies que habita este universo mas por ser tão rico. As descrições pareceram-me deveras gráficas, no sentido em que facilmente consegui imaginar o mundo que ela criou. Para primeiro livro, creio que a autora conseguiu começar a série com o pé direito de forma a que o leitor chegue ao final do livro e queira ler, de forma algo desesperada, o segundo e restantes livros que constituem esta série. 

Foi um livro que resultou muitíssimo bem para mim, a todos os níveis – seja pelo universo, pelo mistério, pelo romance, pela trama/escrita ou pelas personagens. E tenho que admitir que apesar de, na altura, ter suspeitado que a autora iria  criar aquele twist, isso não impediu que a autora me desse cabo do espírito. As minhas emoções ainda estão um pouco em alvoroço com este livro e isso é para mim, o derradeiro sinal de que esta será uma série que vou seguir com um olho atento. Não podia pedir mais para um primeiro livro de série.

E segue-se o segundo, muito brevemente. 

Voltar a Encontrar-te

 

O Prisioneiro do Céu

Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Ferpmín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas.
Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

ISBN: 9789896573003 – Planeta Editora / 2012 – 393 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Estamos em Barcelona, corre o ano de 1957 e o país ainda vive na sombra de um regime político pouco dado a justiça de qualquer tipo. A Livraria Sempere & Hijos não está nos seus melhores dias. O negócio não tem conseguido muito lucro e Sempere pai anda preocupado a tentar fazer com que o seu negócio não morra. Sem ser isso, a vida parece correr tranquila  sem grandes preocupações. Daniel está feliz com a sua mulher Bea e o seu filho Julían. Mas um dia, um estranho entra na livraria e pede a Daniel que entregue um recado a Fermín, seu empregado e melhor-amigo. O passado nunca está muito longe e por vezes, consegue alcançar-nos e até assombrar-nos com a sua presença. É assim que Daniel e Fermín se vêem transportados para os segredos e para um passado misterioso, que se encontra enterrado nos anos de uma Espanha corrupta e vestida de negro.

Sendo que este volume, O Prisioneiro do Céu é o terceiro (e último até à data, se bem que poderá existir mais alguma coisa dentro deste mundo) da série intitulada O Cemitério dos Livros Esquecidos. Apesar de ser dito que os livros podem ser lidos sem qualquer ordem, eu não concordo. Eu li-os de forma cronológica e para mim, é a ordem que faz mais sentido, mesmo que esta não seja a ordem “oficial”. Ou seja, li primeiro O Jogo do Anjo, depois A Sombra do Vento e finalmente O Prisioneiro do Céu. Porquê? Porque o primeiro livro passa-se na Barcelona dos anos 20, o segundo na dos anos 40 e o terceiro na Barcelona dos anos 50. Para mim, é mais fácil organizar os acontecimentos de uma forma temporal e linear e foi assim que escolhi entrar no universo maravilhoso do escritor espanhol Zafón. Ao começar a leitura, já sabia que iria entrar num mundo mágico que tem a literatura como mote. Além da escrita do autor, aquilo que mais gosto, é a forma como ele conseguiu construir uma história tão rica à volta dos livros. Como apaixonada de livros e de literatura, consigo sentir exactamente o que o autor descreve e transpõe para estas páginas. A cada palavra que lemos conseguimos sentir que o autor é tão apaixonado por livros quanto nós, que estamos deste lado.

E o facto de os livros e a literatura serem parte do que move esta narrativa e toda uma cidade, é maravilhoso e estonteante para dizer o mínimo. Escolheria sem dúvida, viver neste mundo, porque na verdade, quem não escolheria? Qualquer amante de livros consegue perceber a tentação em viver numa cidade que tem um lugar chamado Cemitério dos Livros Esquecidos. A escrita do autor, é como sempre, cativante. Incrivelmente fluída, que nos transporta para um mundo nem sempre agradável, muitas vezes assustador, mas que nos consegue agarrar, sem qualquer dúvida.

Invariavelmente, a narrativa de Zafón acaba por deixar marcas nos seus leitores. Seja porque o seu mundo incrivelmente original nos apela no fundo do nosso coração, seja porque ele é um maravilhoso contador de histórias. Quando leio os livros dele, lembro-me sempre de histórias de encantar (não no sentido romântico do termo), aquelas que se contam quando se deitam as crianças e as preparam para uma noite de sono. Não sei se sou apenas eu, mas sempre fui daquelas crianças que adorava as histórias mais obscuras, que tinham aquele mistério, aquela sombra ao virar da página, aquele suspense. E os livros de Zafón têm sempre uma aura obscura, não identificável, mas que é viciante.

Os seus personagens são igualmente cativantes. David Martín é aquele que mais curiosidade me faz sentir e sempre foi aquele que mais me fascinou. Talvez porque esta personagem é um dos maiores mistérios dos livros. Como leitora, nunca o conheci a 100%, ou pelo menos,  acabei sempre os livros a pensar que havia algo nesta personagem que não estava completamente desvendado. Outra personagem que adoro é o Daniel Sempere. Acho que gosto dele de maneira especial, visto que o vi “crescer” como personagem, ao longo dos livros. Admiro-o por ser um amigo fiel e por aprender com os seus erros. A sua natureza fiel, contudo, é inabalável e essa é uma qualidade que me apela muito. Ser fiel àqueles que se ama é muito importante. Também achei algo doce a insegurança que o assolou durante este livro. Contudo, acabou por aprender com isso. 

Contudo, não posso dizer que este é o meu livro favorito de Zafón até ao momento. Não. Esse prémio vai para o livro A Sombra do Vento. Digo isto porque apesar de ter adorado este O Prisioneiro do Céu, não pude deixar de me sentir vagamente insatisfeita quando cheguei às últimas páginas. Houve algo que não resultou cem por cento comigo e é por essa razão que não posso dizer que este livro fica no meu top pessoal. Sei perfeitamente que a razão pela qual me sinto insatisfeita tem a sua razão de ser e é propositado, mas creio que neste livro em particular, a intenção do autor não resultou. Pelo menos para mim. Contudo, não posso deixar de referir que para mim este autor é dos melhores da actualidade, em termos internacionais. E isso, é algo muito especial.

Voltar a Encontrar-te

Lições de Sedução

Uma verdadeira senhora não deveria aceitar lições de uma cortesã – ou deveria? A recente esposa do duque de Rolthven, Brianna Northfield, é distinta, recatada e educada – tudo o que uma jovem noiva deve ser. E que diria a sociedade se a visse com um exemplar de Os Conselhos de Lady Rothburg – um livro de lições de uma cortesã sobre comportamentos de boudoir? O muito respeitável duque, seu marido, não aprovaria, mas encontra-se demasiado ocupado com as suas obrigações ducais para prestar muita atenção à sua jovem esposa. Embora, se Brianna conseguir o que quer, isso esteja prestes a mudar… Quando a sua jovem, bonita e inocente esposa se torna, de súbito, entendida na arte do amor, Colton Northfield é apanhado de surpresa. Se antes a deixava por conta própria agora quer a sua companhia na ópera, na carruagem, e até durante o chá na sua propriedade da província, mas não pode deixar de ficar alarmado com os poderes sedutores. Onde terá ela aprendido tais expedientes? No entanto, a campanha escandalosa de Brianna está a desenvolver-se de formas que ela nunca poderia ter imaginado… Seguir os conselhos de uma cortesã pode ter graves consequências, mas valerá a pena se conseguir o seu desejo mais secreto: conquistar o amor do marido.



ISBN:  9789896570941 – Planeta Editora / 2010


Este é o segundo livro que leio da autora Emma Wildes. O anterior, Uma Aposta Perversa, foi sem dúvida uma surpresa. Um livro leve, para desenjoar de outras leituras foi o que encontrei. Esperava o mesmo para Lições de Sedução e foi o que acabei por encontrar.
Um livro que pudesse dar-me uma leitura sem muitas exigências, para me divertir, fazer rir e que me pudesse mostrar um ambiente romântico passado em Londres do século XIX. Este género de leitura, os chamados romances de época, acabam por mostrar-se leituras fantásticas para mim, porque me entretêm e me mostram que não é preciso um livro ganhar o prémio Nobel da Literatura para eu os conseguir apreciar por aquilo que são e para os propósitos que se propõe servir. 
Já no livro anterior tinha ficado agradada com a escolha de enredo da autora: original e bastante divertida. 

Esta obra tem as mesmas características, visto que o enredo se baseia num livro que foi proibido na sociedade londrina da altura, por ser considerado demasiado desrespeitador das sensibilidades das madames e dos gentlemen.
Brianna ama o seu marido, Colton Northfield, um Duque, mas sente que o seu casamento precisa de paixão e mais vida. Colton tem muitas responsabilidades e a sua jovem esposa não é uma prioridade na sua vida, mas antes, uma decisão prática. 
Já Rebecca, sofre de amores pelo irmão mais novo de Colton e a sua reputação já não é a mesma: é considerado um libertino com ideias muito extremistas quanto ao casamento e a única coisa a que Robert dá importância é à independência. 

O que é estas duas mulheres têm em comum? A falta de felicidade na sua vida e a esperança de conseguir preencher o vazio que sentem nos seus corações.  Mas é através de Lady Rothburg e o livro que esta cortesã escreveu que elas vão ter oportunidade de conseguir tudo aquilo que desejam.


Este livro foi tão divertido quanto eu esperava e correspondeu às minhas expectativas. Acho que li o livro na altura certa e a minha disposição é a maior motivação para ter gostado tanto deste livro. A particularidade de a autora ter relatado a história de amor de dois casais foi um pormenor que me agradou, porque tive a oportunidade de me deleitar com mais personagens do que é normal. No entanto, esta escolha revelou-se também ser mal pensada, porque enquanto apreciei a oportunidade de acompanhar dois casais a encontrar o amor, a história do segundo casal – Robert e Rebecca – acabou por ficar mal desenvolvida, a meu ver.
No entanto e apesar de todos os ponto menos fortes, acho que esta obra é deliciosa e óptima para momentos de descontracção, em que podemos descansar o intelecto. É uma leitura que nos relaxa e que nos permite passar bons momentos tendo como cenário a sociedade londrina do século XIX. 



    


A Conquistadora

Opinião:

É algo raro para mim ler romances históricos. Não quer dizer que não goste deste género literário, mas não dou oportunidade a mim própria de explorar melhor este campo de literatura. Foi inteiramente ao acaso que dei de caras com este livro da autora Teresa Medeiros. A verdade é que vi opiniões tão positivas que cheguei a um ponto em que só conseguia pensar neste livro. De tal modo que fui à procura dele em vários sítios, porque este livro teimava em não sair dos meus pensamentos. 
Não descansei enquanto não comprei o livro e o comecei a ler. E ainda bem, porque gostei bastante deste livro e foi uma maravilhosa descoberta, fora do que são as minhas escolhas habituais. Nos últimos tempos, tenho dado liberdade aos meus impulsos e tenho saído da minha zona de segurança. Tenho arriscado na compra de livros de géneros literários diferentes e a verdade é que me tenho surpreendido grandemente com as minhas escolhas. Adoro sentir que consigo ler vários géneros, porque para mim, ler é que conta. Quanto mais variedade houver, melhor. O que interessa é que os livros me satisfaçam. Como foi o caso deste.

Teresa Medeiros conta-nos a história da fortaleza de Tara, em Erin (a antiga Irlanda). Conn, o rei desta nação vê-se a braços com um problema que anda a assaltar o seu povo. O assassínio de vários dos seus homens de Fianna, um grupo de guerreiros de elite ao serviço do rei, promete trazer complicações ao seu reino, enquanto o assassino destes homens não for levado à justiça. 
Conn decide então ir em busca do responsável pela morte dos seus melhores homens, mas não sabe que o seu inimigo é de facto, uma mulher chamada Gelina Ó Monaghan. 
Esta sente um ódio incrível por Conn, pois considera-o responsável pela destruição dos seus entes queridos. Mas também irá descobrir que Conn é muito mais do que aparenta ser.
No meio de um reino que está em risco de cair em mãos alheias, em intrigas e traição, Conn e Gelina, vão também conquistando-se um ao outro, sem sequer disso estarem conscientes.

Confesso que não estava à espera de gostar deste livro, e por isso é que foi uma descoberta tão maravilhosa. Teresa Medeiros conseguiu desde início agarrar-me à história e ao enredo, que deu voltas e reviravoltas muitíssimo interessantes e tentadoras. A escrita da autora é muito agradável e bastante fluída. Conseguiu captar muitíssimo bem o ambiente que se vive numa corte feudal, retratando o rei soberano e os respectivos súbditos com uma clareza notável, sem se tornar aborrecida.
Conseguiu também trazer-nos personagens interessantes e divertidas, como Nimbus – o bobo anão da corte – e ainda Sean Ó Finn, um dos guerreiros elite do rei soberano.
Estes são os aspectos mais positivos que encontrei.


Por outro lado e embora tenha gostado do livro, existiu também a parte menos afortunada do livro. 
Um desses factores menos afortunados é a construção das personagens. Não poderei falar com detalhe qual foi a situação que me fez sentir isto, visto que é um spoiler, mas posso dizer que em certa altura, achei que a construção da personagem de Conn merecia melhor, sendo ele um protagonista que deveria passar a mensagem de força de carácter e soberania. A autora leva este personagem por alguns caminhos que não me agradaram e que deram uma luz inconstante ao mesmo. Deu-me a sensação de que esta personagem vivia os acontecimentos ao sabor do vento. Quem já leu a obra, certamente, poderá perceber do que aqui falo. De qualquer forma, ficou esta impressão mais negativa, pois parece-me coisa de um autor amador. Um personagem que não finca bem a sua personalidade, nem tem um lugar certo e decisivo no rol de acontecimentos do enredo, não pode ser um bom protagonista, pelo que este deixou um pouco a desejar. A autora poderia ter aqui limado algumas arestas.


Outro aspecto negativo é o facto de autora escrever certas cenas que a meu ver, eram completamente desnecessárias e não trouxeram nada de novo ao enredo. Deu-me a sensação de que eram apenas cenas “para passar o tempo” e acrescentar mais algumas coisas à história, que no final acabaram por não ter significância nenhuma. Em vez de escrever estas cenas, a autora poderia ter optado por desenvolver melhor o final desta narrativa, que foi um pouco abrupto e saltou rapidamente para um epílogo muito pequeno, que pouco acrescentou. 


Contudo, tenho que referir que este livro é considerado, por uma massa de fãs bastante significativa, como o “pior” da autora, pelo que reservo a esperança de ler outro livro de Teresa Medeiros que me encha melhor as medidas. Creio que para mudar de ambiente, este livro foi muito bom. Embora pudesse ter havido espaço para melhorar, a autora revelou ser uma boa contadora de histórias e conto ler mais obras da sua autoria.