A Solidão dos Números Primos


Alice é obrigada pelo pai a frequentar um curso de esqui para ser forte e competitiva, mas um acidente terrível deixará marcas no seu corpo para sempre. Mattia é um menino muito inteligente cuja irmã gémea é deficiente. Quando são convidados para uma festa de anos, ele deixa-a sozinha num banco de jardim e nunca mais torna a vê-la. Estes dois episódios irreversíveis marcarão a vida de ambos para sempre. Quando estes “números primos” se encontram são como gémeos, que partilham uma dor muda que mais ninguém pode compreender.

ISBN: 9789722522342 – Bertrand Editora (11×17) / 2011
 

A Solidão dos Números Primos. Um título curioso e promissor e que pode dizer muita coisa antes mesmo de a leitura se iniciar. A minha estreia com o Paolo Giordano. Esta sua obra já granjeou várias opiniões positivas. Confesso que adquiri esta edição um pouco às cegas, sem saber se este seria o tipo de livro que eu poderia apreciar.
Ainda fiquei mais duvidosa por ter visto algumas opiniões alusivas à forma como esta obra acabava e foi com bastante receio que iniciei a leitura.

Paolo Giordano faz-nos acompanhar o percurso de vida de duas pessoas especiais, no sentido em que são pessoas que nunca se adaptaram ao mundo e à sociedade e passaram a sua vida a vaguear pelos dias, meses e anos, sempre sem conseguir descobrir do que andam à procura.
Alice, é uma rapariga que após uma queda na neve, nunca mais vai ser a mesma pessoa. O leve coxear com que ficou e a anorexia são apenas os primeiros sintomas que se instalam. 
Já Mattia, após ter abandonado a sua irmã gémea, que sofre de uma deficiência mental, num parque infantil nunca mais verá a vida com os seus olhos inocentes de criança e será sempre para o fim da sua vida, assaltado pela culpa; durante o segundo que ele demorou a tomar a sua decisão, Mattia vai passar a ser assombrado por espectros de possibilidades de como seriam as coisas se ele tivesse tomado uma decisão diferente daquela que tomou.
Durante o ensino secundário, estas duas almas solitárias encontram-se e juntam-se no seu sofrimento. Conseguem encontrar um espaço comum, onde só eles podem entrar e refugiar-se.
Mas sabemos bem que os números primos andam infinitamente sozinhos. Será que Alice e Mattia se poderão realmente encontrar a meio do caminho ou estão destinados a procurar uma coisa que nunca poderão realmente atingir?

Contra todas as minhas expectativas, acabei por adorar o livro. No início, achei que iria ser uma obra pesada e que o meu estado de espírito não se iria coadunar com o ambiente do enredo, mas depressa dei por mim a ler um capítulo mais e outro ainda, até ao ponto de não conseguir largar o livro.
Foi uma leitura por vezes frustrante, angustiante e deu-me muitas vezes vontade de agir como a mão omnisciente que guiaria as personagens para o caminho que eu queria. 
Mas apesar de isto tudo, foi uma leitura refrescante e viciante. Toda a obra está maravilhosamente bem escrita e foi um prazer conhecer o trabalho deste autor. 
A Solidão dos Números Primos, acabou por me obrigar a reflectir algo profundamente em como num segundo, a nossa vida pode mudar abruptamente de rumo e direcção. Que as decisões que tomamos, que  demoram o tempo irrisório e insignificante de 1 segundo pode ser fundamental; durante esse segundo, podemos estar a tomar uma atitude que irá mudar a nossa vida, sem volta atrás.

É um livro que fala sobre encontros e desencontros, decisões e atitudes. Escolhas. Destino. 

Uma leitura que não irei esquecer tão cedo, porque conseguiu penetrar as minhas sensibilidades. Uma obra a não perder.