A Paixão

Para evitar casar-se com um homem com o dobro de sua idade, Lady Aurora Demming viaja, com o seu primo, para as colónias. Ali conhece Nicholas Sabine, capitão de um navio acusado de traição e pirataria que foi condenado a morrer na forca no dia seguinte. No primeiro momento que vê os seus olhos, tenta salvá-lo, embora pouco possa fazer na sua posição. Mas Nicholas a deixará assombrada quando a pede um estranho favor: que se case com ele, para ser sua viúva, e cuidar da sua irmã mais nova já que, no momento em que o executarem, ficará sem ninguém que para a cuidar. Aurora aceita, em parte intrigada por este homem e em parte para poder evitar o casamento arrumado. Mas esta união não só é um acordo, precisa se consumar para evitar que possa ser anulado. Assim ambos serão marido e mulher durante um dia… E uma gloriosa noite. Uma vez viúva, Aurora retorna a Londres com a irmã de Nicholas sob seu cuidado, a fortuna que herdou do seu falecido marido e um monte de lembranças da noite que passaram juntos. Mas o que ninguém sabe é que Nicholas não morreu. Com a ajuda do primo de Aurora conseguiu evitar a forca e esconder-se. Agora, regressado, insistirá para que Aurora honre seus votos… Atormentando-a nos seus sonhos com promessas de um desejo proibido.

ISBN: 9789722047999 – Livros D’ Hoje (Tiara) / 2011



Este é o segundo livro da autora Nicole Jordan que leio. O primeiro, A Sedução, foi um livro que apesar de me ter entretido não foi memorável, nem marcou a diferença no género literário. 
Contudo, foi com esperança que comecei a leitura deste livro A Paixão, disposta a conceder à autora uma nova oportunidade para que ela me conquiste com as suas obras. Queria de certa forma, que Nicole Jordan me desse uma razão e uma motivação para eu continuar a ler as obras dela. 

Aurora Demming, instalada temporariamente nas colónias com o seu primo, tenta fugir ao seu destino que foi escrito pelas mãos do seu pai. Após um acontecimento trágico em que o seu noivo desapareceu no mar, Aurora é constantemente pressionada pelo seu progenitor a casar com um lord muito respeitado na sociedade londrina…e que tem também o dobro da sua idade, com a reputação de ser um homem frio e implacavelmente controlador. Durante a sua estadia nas colónias e perante circunstâncias inéditas, Aurora salva Nicholas Sabine, quando o vê ser maltratado por oficiais da Armada Britânica. 
Nicholas, outrora um cavalheiro respeitado e bem-vindo na sociedade londrina, é agora rejeitado devido à guerra que se instalou entre as duas nações: América e Inglaterra. Feito prisioneiro, Sabine tem os seus dias de vida contados, até ao momento em que este tem uma ideia, que apesar de descabida parece ser a solução ideal para todos os envolvidos na situação: um casamento.
A ideia implica que Nicholas e Aurora contraiam matrimónio um dia antes de Nicholas ser enforcado, mas é também a resposta para a tão desejada liberdade de Aurora e Nicholas para cumprir a promessa de proteger a sua meia-irmã

O problema é que meses após este acontecimento trágico, num baile de máscaras, Aurora reconhece Nicholas – que estaria supostamente morto. E Aurora, apanhada desprevenida, não tem a certeza se quer honrar os votos matrimoniais quando Nicholas lhe faz crer que quer ter um casamento a sério. Poderão Aurora e Nicholas encontrar um final feliz para a sua história de amor conturbada?


Devo confessar que depois da experiência anterior que tive com a autora, não tinha verdadeiras expectativas para este livro. E apesar de considerar que ainda existem aspectos que poderiam ser melhorados, este livro acabou por me surpreender positivamente. Desde o enredo, que foi mais original que o anterior, até às personagens, A Paixão foi um livro que me manteve interessada do início ao fim.
De facto, li-o sofregamente, sem sentir qualquer necessidade de largar o livro. Não sei realmente especificar o que fez com que gostasse mais deste livro do que o anterior, porque bem vistas as coisas a técnica de escrita é igual e a abordagem da autora a mesma, mas sei dizer que este livro agarrou o meu interesse e captivou-me de uma maneira diferente.


Os aspectos negativos são semelhantes aos da obra anterior, com pouco desenvolvimento em personagens secundárias e pequenos pormenores que não gostei no que toca a partes sensuais, como é exemplo, o vocabulário usado. E neste caso, fiquei um pouco desiludida com a atitude da protagonista, que foi construída de forma irregular: pouco coerente ao longo de toda a obra. Ora uma mulher com carácter e decidida, ora muito indecisa e algo dependente. 


No entanto, e como faço sempre questão de referir que neste género literário é muito difícil encontrar um livro que me surpreenda realmente. Isto porque é um género pouco “exigente” e é preciso compreender que o objectivo principal destes livros é o entretenimento e a satisfação do público alvo.
Tendo todos estes aspectos em mente, posso dizer sem dúvida que foi uma leitura que me agradou e que me satisfez e é, sem qualquer questão, melhor que o livro anterior – A Sedução.


Irei dar uma oportunidade à autora e continuarei a ler os livros dela. Acho que merece atenção, porque conseguiu cativar o meu interesse de forma eficaz nesta obra. Encontrei em A Paixão a minha motivação para continuar a ler as obras de Nicole Jordan.





A Sedução

Os romances de Nicole Jordan prometem uma sensualidade de tirar o fôlego e uma entrega tempestuosa. Em A Sedução, esta autora aclamada leva o romance erótico a fascinantes horizontes… 


Londres 1810: Lorde Damien Sinclair, o mais reconhecido libertino da alta sociedade londrina, preocupa-se apenas com o seu próprio prazer, até que a sua irmã mais nova, Olivia, num encontro proibido, sofre um acidente e a sua reputação fica arruinada. Damien fará de tudo para destruir o jovem culpado pelo estado de Olivia… E Vanessa Wyndham protegerá o seu insensato irmão a todo o custo, mesmo que isso signifique entrar num pacto ilícito com o perigosamente bonito «Lorde Sin». Quando Vanessa se oferece para o cargo de ama de companhia da irmã incapacitada de Lorde Sin, Damien aceita mas impõe uma condição escandalosa – ele perdoará a «dívida» do seu irmão, se ela concordar tornar-se sua amante. 


E assim começa a sedução. Mas, será que assim que o acordo termina, vão conseguir escapar com os corações intactos?


ISBN: 9789722035408 – Livros D’Hoje / 2010



Nicole Jordan é mais uma autora de romances de época que descobri recentemente. As minhas apostas neste género têm-se revelado bastante satisfatórias e por isso, foi com algum entusiasmo que mergulhei na leitura deste A Sedução.
Confesso que para mim este género de leitura, é uma indulgência; isto porque são livros leves, que me permitem descansar a cabeça e deixar levar-me por um ambiente de romance e sensualidade. É este ambiente que permite uma leitura sem expectativas, sem grandes floreados e melhor que tudo, sem exigências. São livros que me servem o propósito de entretenimento e que me permitem passar umas boas horas, sem ter que analisar ao pormenor aquilo que estou a ler e reflectir em profundidade sobre aquilo que leio. É uma maneira de abrir os meus horizontes literários e poder descansar a mente com leituras menos exigentes. 

Mais uma vez, fiz uma visita à sociedade londrina do século XIX, em que o deboche e a sensualidade parecem ser uma constante em tudo. De tal forma, que o libertino bonito e rico, não poderia faltar nesta história. Desta vez, o dito cujo é Damien Sinclair, mais conhecido como Lorde Sin – de facto, todo o seu estilo de vida poderia ser considerado como um pecado e por isso a sua alcunha é mais que apropriada.
Depois da morte dos seus progenitores, Damien fica encarregue da educação da sua irmã mais nova, Olivia. Este decide instalá-la no campo, com a companhia de criados e assim a consciência fica tranquila. Até ao momento em que recebe a notícia que a irmã, numa tentativa de rebeldia, sofre um acidente que a deixa paralisada do tronco para baixo. 
É que a sua jovem irmã sentia-se presa a uma existência sem significado e deixou-se encantar pelo atraente Aubrey, que acabou por iludir a ingénua Olivia. 
Damien jura vingança e promete levar Aubrey à ruína pessoal, como paga pelo que fez à sua irmã. Até que conhece Vanessa, irmã de Aubrey, que tenta convencer o infame Lord Sin a perdoar as dívidas do seu irmão insensato. Aqui está a vingança perfeita: Lord Sin faz um acordo com Vanessa. Esse acordo consiste no esquecimento das dívidas de Aubrey se Vanessa aceitar tornar-se sua amante. E todos nós sabemos o que isso significa para a reputação de uma senhora viúva na sociedade desses tempos. 

Nicole Jordan conseguiu com este livro construir uma história com pés e cabeça, com divertimento, tragédia e muita sensualidade. Tem uma escrita muito fluída e coerente, pelo que as páginas passam por nós sem termos consciência. A sua ideia começou muito bem, com a tragédia da Olivia e o problema da sua recuperação, mas à medida que fomos avançando no enredo, a autora acabou por dar mais importância à quantidade de cenas sensuais, do que a qualidade – a segunda é sempre, em qualquer circunstância, melhor que a primeira – o que ultimamente foi o responsável por não ter conseguido apreciar de melhor forma a obra. 
Apesar de tudo, a autora criou um enredo interessante e umas personagens igualmente cativantes. Embora tivesse gostar de ver mais desenvolvimento nas mesmas, aquilo que a autora mostrou foi o suficiente para criar empatia e para sentir simpatia pelos protagonistas e pelos personagens secundários. 

Tenho pena que a autora não tenha explorado de forma mais significativa a história de Aubrey e de Olivia: foi tudo muito apressado e embora sendo eles um casal secundário, mereciam uma atenção mais dedicada. Senti que a autora queria apenas cortar pontas soltas e por isso, sobressaiu algum desleixo no tratamento destas personagens.
Quanto aos personagens principais, não posso dizer que esteja desiludida, mas também não estou surpreendida. Foi um bom romance, tirando o pormenor que já referi acima, e deu para me pôr a sorrir.

Em suma, Nicole Jordan não me trouxe nada de novo ao mundo dos romances de época, mas conseguiu manter-me entretida por umas boas horas. Mais importante que tudo, contou uma história com final feliz, que confesso, sabe sempre bem ler. 
Este é o tipo de livro que deve ser lido sem esperar que ele seja uma obra de arte, mas sim como doce entretenimento. Conseguiu alcançar o seu propósito, mas não me conseguiu surpreender.