O Remédio

Numa noite inesquecível de 1785, num famoso teatro londrino, a alquimia do amor e da morte funde subitamente as vidas de uma actriz veneziana e de um aristocrata inglês. Mas nenhum deles é quem aparenta ser. Ela é uma espia ao serviço de Veneza, ele, o maior charlatão de Londres. Segredos perigosos e mentiras elaboradas cedo empurram os dois amantes em direcções opostas, desesperados em saber a verdade um sobre o outro, mas também sobre si próprios. É um tempo de remédios fabulosos – excremento de pavão e pó de ouro são considerados tão eficazes quanto serpentes esmagadas – e os amantes procuram um bálsamo para aplacar todas as doenças, todas as feridas do amor. A sua busca leva-os das ruelas mais obscuras de Londres à enigmática Veneza. Uma dança entre teatros e bordéis, boticários e conventos, onde o par pode ser um fidalgo, um espião ou um assassino.

ISBN: 9789898032058 – Saída de Emergência/ 2008 

Mais uma vez, parti à descoberta e decidi ler um livro de um autor que ainda não conhecia. Este Remédio pareceu-me ser interessante por várias razões. Primeiro, a acção decorre em duas cidades que exercem um grande fascínio em mim: Londres e Veneza. Segundo, é um romance histórico e apesar de não ser o meu género de eleição é um género que tem vindo a crescer proporcionalmente nos meus interesses para desanuviar de outras leituras. Terceiro, tem uma sinopse muito apelativa, tal como o título.
O único factor que me fez hesitar brevemente foi a falta de opiniões que existe. É verdade que nunca tinha ouvido falar da autora, nem das suas obras, nem nunca tinha visto os livros à venda, mas isso não seria motivo para haver tão poucas opiniões para esta obra.
No entanto, só quando se experimenta é que se sabe se gosta e portante decidi pegar no livro. 

O Remédio conta-nos uma história de intrigas, mentiras. Um verdadeiro jogo entre o gato e o rato. Valentine Greatakes é o rei do crime londrino e numa noite de 1785, numa ida ao teatro conhece uma actriz veneziana pela qual fica irremediavelmente apaixonado. 
O que Valentine não sabe é que esta mulher não é verdadeiramente uma actriz. O seu passado esconde muita coisa e agora, ela é uma espia ao serviço de Veneza. No entanto, até este trabalho tem uma motivação ulterior que esconde vários segredos do passado desta actriz e do próprio Valentine. 
Com desconfiança entre os amantes, os dois, vão andar entre Veneza e Londres à procura da verdade escondida em cada um deles. 
E farão de tudo para que o seu amor possa ser consagrado. 

Tenho que dizer que esta estreia me deixou deveras dividida. Quando comecei o livro, estranhei muito o vocabulário e a própria escrita – nem conseguia perceber o enredo. No entanto, mal consegui entrar no ritmo, percebi que tudo o que senti no início tinha sido propositado para deixar uma aura de mistério e consegui entrar melhor na história. A partir daí, foi um prazer ler este romance histórico, que é único entre aqueles que eu já li. Tem um tom mais sério, mais pesado. Existem algumas cenas e algum vocabulário que me faz confusão, por não estar habituada, mas que acabou por ser uma mais-valia na leitura. 
Ironicamente, o único personagem que realmente apreciei foi Valentine; rei do crime londrino. Ainda mais, por esta personalidade ter existido realmente. 
De resto, os cenários do livros foram o seu ponto mais forte, sem qualquer dúvida. As suas descrições foram muito motivadoras na leitura, pois conseguiram-me de facto transportar para o cenário da obra.
Também achei interessante todas as receitas que estavam em cada início de capítulo. Numa época em que a alquimia é deveras importante, achei este um pormenor determinante e que torna este livro único e diferente dos outros romances históricos.

Com tudo isto, quero dizer que apesar de ter sido bastante difícil entrar no ritmo do livro, mal isto aconteceu foi com agrado que li a obra na sua totalidade. 
Foi um romance histórico muito completo, cheio de intrigas, mentiras e decepções. 
Para quem gosta do género, acredito que também irá apreciar esta obra de Michelle Lovric.


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