A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata

Opinião:

Confesso que a minha experiência com romances epistolares é nenhuma ou quase nenhuma. Poucos foram os livros que li que possam ser caracterizados dessa forma. Conheci este livro por acaso. Dei de caras com esta capa (que é linda , a meu ver) e ao ler a sinopse, fiquei irremediavelmente interessada nesta obra. Ainda mais quando vi algumas opiniões bastante entusiásticas. 



Foi com entusiasmo que comecei a leitura deste livro e se é verdade que me senti algo receosa, porque as minhas experiências com livros epistolares é quase inexistente, nem pensei nisso quando fui agarrada pela história, logo nas primeiras páginas.
Devo começar por explicar que eu gosto imenso de livros que retratem a época durante e após Segunda Guerra Mundial. É uma época histórica que exerce, sem dúvida alguma, um grande fascínio sobre a minha pessoa, pelo que é com imensa curiosidade que leio livros que falem sobre esta altura histórica e que é alvo dos mais variados estudos e abordagens.
Juliet Ashton é uma escritora londrina. Durante a guerra, ela trabalhava para um jornal, em que escrevia crónicas sob um pseudónimo. Estas crónicas tinham como objectivo serem objectos de humor, para contrastar com o espírito que se vivia durante o período conturbado da 2ª Guerra Mundial. Agora, viu recentemente estas crónicas serem aglomeradas e publicadas num livro. E é exactamente durante esta fase de sucesso da sua vida que recebe uma carta de um senhor Adam Dawsey, que lhe diz que é o orgulhoso proprietário de um livro que outrora pertenceu a Juliet. Adam reside em Guernsey, nas ilhas do Canal que foram ocupadas pelos Alemães durante os 5 anos da Guerra Mundial. Durante o período de ocupação, todas as formas de comunicação eram proibidas, pelo que estas ilhas estiveram – literalmente – isoladas do mundo. E é em Guernsey que devido à Ocupação Alemã, vai surgir entre os habitantes da ilha a Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata.
Juliet começa então a corresponder-se com os membros desta Sociedade e revela um interesse crescente tanto pela Sociedade como pelos membros que a constituem. E é quando decide ir conhecer os membros, que a sua vida irá dar uma volta inesperada.
Este livro foi uma maravilhosa surpresa. Ainda mais, porque como o título indica, os livros são uma peça chave no enredo. É um livro delicioso, emocionante e intenso. A ideia da autora Mary Ann foi fantástica e conquistou-me logo às primeiras páginas. A sobrinha, Annie, conseguiu terminar esta ideia tão brilhantemente como a sua tia, que por motivos de saúde, nunca conseguiu terminar de escrever esta obra. Após ter acabado a leitura, agradeci ao mundo em geral, que esta obra tenha tido a possibilidade de sair cá para fora.
Adorei o livro, inundou-me das mais variadas sensações possíveis e quando cheguei à última página, quis voltar à primeira e redescobrir tudo de novo, mais uma vez.
Para quem é amante da literatura, ou simplesmente, quem quer ler um livro maravilhoso, um relato intemporal e uma história linda e intensa, este é o livro que têm de ler.
É um livro que não irei tão cedo esquecer e vou reler mais vezes. Um livro para os momentos alegres, para os momentos tristes, ou melancólicos.
Este foi o meu melhor amigo, durante os dias que passei com ele. Deu-me conforto, fez-me rir e esteve sempre comigo, na minha mente, recusando-se a deixar-me. Hoje agradeço por isso mesmo, porque é uma leitura que recomendo a toda a gente.