Um Longo Regresso a Casa

«Esta é uma velha história: eu tinha uma amiga com quem partilhava tudo, até que ela morreu e também isso nós partilhámos.Um ano depois de ela ter partido, quando eu julgava já ter ultrapassado a loucura daquele sofrimento inicial, caminhava no parque de Cambridge onde durante anos Caroline e eu passeámos os cães. Era uma tarde de inverno e o local estava vazio – a estrada fazia uma curva, não havia ninguém à minha frente nem atrás de mim e eu senti uma desolação tão grande que, por momentos, os meus joelhos ficaram imóveis. “O que estou aqui a fazer?”, perguntei-lhe em voz alta, habituada agora a conversar com uma melhor amiga morta. “Devo seguir em frente?”»



ISBN: 9789722048903 – Livros D’Hoje / 2012

Duas melhores amigas. Duas personalidades distintas que se completam de uma forma inexplicável. Uma amizade rara, onde se sabe que se pode sempre contar com o ombro amigo. Onde se partilha tudo: risos, alegria, tristezas, choro. Comida, momentos, férias, rotina. Uma amizade incondicional.
O que fazer quando se perde uma das pessoas que completa este vínculo? Como prosseguir sozinha, sem o apoio daquela que era o nosso rumo?  

Como já devem saber, este livro é um relato real de a perda de uma melhor amiga. A autora, Gail Caldwell perdeu a sua melhor amiga Caroline, na sequência de lhe ter sido descoberto cancro no pulmão.
À semelhança de outras pessoas, à primeira vista esta parece uma história de ficção. No entanto é um relato bem real. É de facto, as próprias memórias da autora que sofreu e ainda continua a sofrer com a perda de uma pessoa que lhe era muito querida. Este pequeno livro, com 200 páginas, é um desabafo por parte de Gail que se sente um pouco perdida após ter perdido uma pessoa com a qual se importava.

Sinceramente, não sei muito bem o que esperava do livro. Depois de ter lido algumas opiniões assim muito ao de leve, apercebi-me que este livro iria ser um relato pessoal e muito próximo de uma pessoa que perdeu a grande amiga da sua vida e que provavelmente iria ser uma experiência algo dura para mim. Não lido muito bem com livros tão pesados, muito menos com relatos destes, repletos de dor e de drama. Mas os meus ânimos elevaram quando percebi que também teria oportunidade de ler sobre uma amizade incondicional. Porque também eu tenho uma amiga assim e tentei, no decurso da leitura, colocar-me no lugar da autora. 
Contudo, as minhas expectativas foram um bocado defraudadas porque uma parte pequena fala sobre a amizade e sobre a perda da sua amiga. A maior parte do livro é um relato da vida da própria autora, onde descreve de uma forma algo superficial o rumo que a sua vida tomou, como conseguiu vencer a dependência do álcool e embora isso tudo seja importante para perceber como é que a amizade se iniciou e se desabrochou, senti que o foco principal do livro não era a amizade, mas sim a autora. 

Acho que é um livro tocante, desesperador – porque a vida não é fácil e temos de a conquistar diariamente. Mas é um livro que também é inspirador e reconfortante, porque me fez valorizar (ainda mais) a amizade que tenho com a minha melhor amiga e me fez também recordar de vários momentos felizes/tristes. Mas sobretudo, aqueceu-me o coração por saber que duas pessoas de podem complementar de maneira tão simples e recompensadora.  


        

A Cama da Paixão

Londres, 1833. Quando numa noite Lady Viola conheceu o galante visconde John Hammond foi amor à primeira vista. Vendo-se repentinamente envolvida numa relação séria, só se apercebeu da chocante verdade após o casamento: o seu amado John nunca tinha gostado dela verdadeiramente, casando com ela apenas pela sua fortuna… e o pior, é que ele não via nada de errado nisso. Desolada, Viola jurou nunca mais permitir que o canalha que a tinha enganado se voltasse a deitar com ela. John, na verdade, nunca teve a intenção de ferir a bela e determinada mulher que se tornou numa estranha para ele. Agora, depois de anos de um casamento faz de conta, ele precisa de um herdeiro, e vê-se confrontado com um intrigante e atraente desafio: ter de seduzir a sua própria mulher. Ele tem de convencer Viola a regressar ao seu leito matrimonial, mas desta vez pode ser ele o único a perder o coração.

ISBN: 9789722041126 – Livros D’Hoje / 2010



A Cama da Paixão é o terceiro livro da autora Laura Lee Guhrke que leio. Esta obra, que faz parte de uma pequena série de quatro romances de época, é o terceiro volume do conjunto de quatro livros. 
A editora decidiu saltar a publicação do segundo volume por razões desconhecidas e assim a série conta apenas com o primeiro volume, Prazeres Proibidos, e o terceiro publicados. 

Esta obra conta-nos a história de Viola, a irmã de Anthony – protagonista do livro Prazeres Proibidos. Esta personagem sempre suscitou a minha curiosidade por ter um ódio de estimação para com o marido e por passar a vida a evitá-lo como se ele fosse uma praga. Desde o primeiro livro que este mistério me chamou à atenção, portanto foi com grande expectativa que me dei conta que este seria o livro que me contaria a história do casal.
Nove anos de casamento, duas vidas em separado. A paixão entre John e Viola apenas durou seis breves meses e após isso, inexplicavelmente, o matrimónio começou a deteriorar-se. Isto porque Viola tem razões mais que óbvias para acreditar que o marido traiu a sua confiança e recusa-se assim a viver uma farsa com ele, escolhendo então viver a sua própria vida – uma em que John não participa. No entanto, após a morte do seu primo, John vê-se obrigado a gerar um herdeiro para manter as suas propriedades e para isso precisa de reatar a sua vida em conjunto com a mulher. 
Mas Viola está determinada a continuar sozinha e não é com bons olhos que vê este rumo de acção. E assim, John tem de tentar reconquistar a sua mulher, custe o que custar…Será que o casal vai encontrar de novo a paixão e o amor que os juntou há tantos anos atrás?

Como tinha dito anteriormente, foi com grande entusiasmo que comecei esta leitura. Queria muito ler a história destas personagens e isso foi incentivo suficiente para “devorar” o livro que tinha à minha frente. Como já estava à espera, foi um livro muito fácil de ler, muito leve e o enredo desenrolou-se de uma forma muito dinâmica. 
O livro mostrou-me um ambiente diferente do que é normal em romances de época. Em vez de assistirmos a uma corte e de termos oportunidade de ver um amor nascer entre duas pessoas, desta vez a autora mostra-nos como é que duas pessoas que outrora estiveram apaixonadas uma pela outra podem destruir isso e no entanto, voltar a encontrar o mesmo sentimento. 
Conseguiu mostrar de uma forma coerente e bastante real que um casamento pode por vezes não ser fácil e que é preciso limar arestas e fazer concessões. É como uma planta: se não for regada regularmente, seca até morrer. Mas se for regada com regularidade e se formos cortando as pequenas partes que ficam secas, essa planta irá florescer durante todos os anos e crescer de forma saudável e viçosa. 

Foi um livro com muito romance, com cenas bastante divertidas e um livro fora do normal, para o género a que pertence. Claro que haveriam pequenos pormenores que eu talvez mudasse, por não serem completamente do meu agrado, mas considerando tudo, posso dizer com absoluta certeza que foi uma obra que encheu as minhas medidas e que me agradou profundamente. 

A receita de sucesso está mais que comprovada: um enredo dinâmico, leve e divertido, com muito romance à mistura é capaz de fazer milagres se conseguirmos equilibrar todos estes factores. O resto é talento e imaginação.  





Opiniões da mesma autora:



A Paixão

Para evitar casar-se com um homem com o dobro de sua idade, Lady Aurora Demming viaja, com o seu primo, para as colónias. Ali conhece Nicholas Sabine, capitão de um navio acusado de traição e pirataria que foi condenado a morrer na forca no dia seguinte. No primeiro momento que vê os seus olhos, tenta salvá-lo, embora pouco possa fazer na sua posição. Mas Nicholas a deixará assombrada quando a pede um estranho favor: que se case com ele, para ser sua viúva, e cuidar da sua irmã mais nova já que, no momento em que o executarem, ficará sem ninguém que para a cuidar. Aurora aceita, em parte intrigada por este homem e em parte para poder evitar o casamento arrumado. Mas esta união não só é um acordo, precisa se consumar para evitar que possa ser anulado. Assim ambos serão marido e mulher durante um dia… E uma gloriosa noite. Uma vez viúva, Aurora retorna a Londres com a irmã de Nicholas sob seu cuidado, a fortuna que herdou do seu falecido marido e um monte de lembranças da noite que passaram juntos. Mas o que ninguém sabe é que Nicholas não morreu. Com a ajuda do primo de Aurora conseguiu evitar a forca e esconder-se. Agora, regressado, insistirá para que Aurora honre seus votos… Atormentando-a nos seus sonhos com promessas de um desejo proibido.

ISBN: 9789722047999 – Livros D’ Hoje (Tiara) / 2011



Este é o segundo livro da autora Nicole Jordan que leio. O primeiro, A Sedução, foi um livro que apesar de me ter entretido não foi memorável, nem marcou a diferença no género literário. 
Contudo, foi com esperança que comecei a leitura deste livro A Paixão, disposta a conceder à autora uma nova oportunidade para que ela me conquiste com as suas obras. Queria de certa forma, que Nicole Jordan me desse uma razão e uma motivação para eu continuar a ler as obras dela. 

Aurora Demming, instalada temporariamente nas colónias com o seu primo, tenta fugir ao seu destino que foi escrito pelas mãos do seu pai. Após um acontecimento trágico em que o seu noivo desapareceu no mar, Aurora é constantemente pressionada pelo seu progenitor a casar com um lord muito respeitado na sociedade londrina…e que tem também o dobro da sua idade, com a reputação de ser um homem frio e implacavelmente controlador. Durante a sua estadia nas colónias e perante circunstâncias inéditas, Aurora salva Nicholas Sabine, quando o vê ser maltratado por oficiais da Armada Britânica. 
Nicholas, outrora um cavalheiro respeitado e bem-vindo na sociedade londrina, é agora rejeitado devido à guerra que se instalou entre as duas nações: América e Inglaterra. Feito prisioneiro, Sabine tem os seus dias de vida contados, até ao momento em que este tem uma ideia, que apesar de descabida parece ser a solução ideal para todos os envolvidos na situação: um casamento.
A ideia implica que Nicholas e Aurora contraiam matrimónio um dia antes de Nicholas ser enforcado, mas é também a resposta para a tão desejada liberdade de Aurora e Nicholas para cumprir a promessa de proteger a sua meia-irmã

O problema é que meses após este acontecimento trágico, num baile de máscaras, Aurora reconhece Nicholas – que estaria supostamente morto. E Aurora, apanhada desprevenida, não tem a certeza se quer honrar os votos matrimoniais quando Nicholas lhe faz crer que quer ter um casamento a sério. Poderão Aurora e Nicholas encontrar um final feliz para a sua história de amor conturbada?


Devo confessar que depois da experiência anterior que tive com a autora, não tinha verdadeiras expectativas para este livro. E apesar de considerar que ainda existem aspectos que poderiam ser melhorados, este livro acabou por me surpreender positivamente. Desde o enredo, que foi mais original que o anterior, até às personagens, A Paixão foi um livro que me manteve interessada do início ao fim.
De facto, li-o sofregamente, sem sentir qualquer necessidade de largar o livro. Não sei realmente especificar o que fez com que gostasse mais deste livro do que o anterior, porque bem vistas as coisas a técnica de escrita é igual e a abordagem da autora a mesma, mas sei dizer que este livro agarrou o meu interesse e captivou-me de uma maneira diferente.


Os aspectos negativos são semelhantes aos da obra anterior, com pouco desenvolvimento em personagens secundárias e pequenos pormenores que não gostei no que toca a partes sensuais, como é exemplo, o vocabulário usado. E neste caso, fiquei um pouco desiludida com a atitude da protagonista, que foi construída de forma irregular: pouco coerente ao longo de toda a obra. Ora uma mulher com carácter e decidida, ora muito indecisa e algo dependente. 


No entanto, e como faço sempre questão de referir que neste género literário é muito difícil encontrar um livro que me surpreenda realmente. Isto porque é um género pouco “exigente” e é preciso compreender que o objectivo principal destes livros é o entretenimento e a satisfação do público alvo.
Tendo todos estes aspectos em mente, posso dizer sem dúvida que foi uma leitura que me agradou e que me satisfez e é, sem qualquer questão, melhor que o livro anterior – A Sedução.


Irei dar uma oportunidade à autora e continuarei a ler os livros dela. Acho que merece atenção, porque conseguiu cativar o meu interesse de forma eficaz nesta obra. Encontrei em A Paixão a minha motivação para continuar a ler as obras de Nicole Jordan.





Só Te Amo Até Terça-Feira

Mariana nasceu sete minutos depois de Rosa Maria. A sua vida estava destinada a ser pequena e esquecida, com um namorado sem dinheiro que ainda vivia com a mãe. Num finca-pé pouco habitual, Mariana conseguiu tirar um curso administrativo, um de inglês e outro de francês e começou a trabalhar numa grande empresa. Era a Mariana ao fundo da sala, competente mas sem história. Tudo se transforma com a chegada do filho do patrão, Diogo Vargas, um homem estonteante, bem vestido, perfumado, com um sorriso irresistível. Ainda não tinham trocado uma palavra e Mariana já imaginara o casamento, os filhos, o sexo extraordinário. Nada seria possível sem uma autêntica revolução. Esta chega pelas mãos de umas amigas – um par de lésbicas bem dispostas e atrevidas – que obrigam Mariana a mudar o visual. Radicalmente. O patinho feio torna-se um cisne com cabelo assimétrico, roupa de outlet e sapatos com cunha. Depois? Diogo repara na Mariana ao fundo da sala e vão jantar. Nada corre como seria de esperar. Ou será que Mariana conseguirá o seu sonho? Uma coisa é certa: o amor não escolhe nem tempo, nem lugar.

ISBN: 9789722048002 – Livros D’Hoje (Tiara) / 2011


Só te Amo Até Terça-Feira, parte integrante da colecção Tiara – livros que são direccionados para o público feminino – conta-nos a história de amor entre a Mariana e Diogo Vargas. Confesso que este foi o único livro da colecção que não me chamou particularmente à atenção. Mesmo não sendo uma leitura prioritária e tendo encontrando a oportunidade de o ler, não hesitei. Assim sendo, lá me lancei à leitura deste pequeno romance. 

À primeira vista, poderíamos dizer que esta história de amor nunca teria pernas para andar. Isto porque Mariana é uma rapariga que facilmente passa despercebida. Tímida, com sérios problemas de auto-estima e confiança, a vida e as pessoas passam por Mariana sem um segundo olhar.
Já Diogo é o seu completo oposto. Com uma presença determinada e um carácter forte, o filho do patrão não pode de maneira nenhuma passar despercebido a ninguém. 
E claro está, Mariana apaixona-se por Diogo irremediavelmente. O problema é que este nem sabe da sua existência. Até ao momento em que uma funcionária da empresa (que se tornaria amiga de Mariana no entretanto) insiste para que Mariana mude de visual de uma forma radical. 
A Mariana que passa despercebida a toda a gente acabaria ali e ficaria para sempre no passado.
A questão é: será que a nova Mariana conseguirá conquistar o homem dos seus sonhos? Ou será tudo uma singela fantasia?

Confesso que não esperava um grande feito, quando peguei neste livro. As opiniões que já tinha lido mostraram-me, na sua generalidade, que era um livro simples, leve… sem ultrapassar as expectativas de ninguém. 
Após ter acabado a leitura, tenho que concordar com estas palavras. Este é realmente um livro com uma história muito simples, virada para o entretenimento e para o humor. É a típica comédia romântica que apesar de nos entreter durante umas horas, no final, não se mostra memorável de nenhuma forma. 
A autora criou um enredo até bastante interessante, com contornos engraçados. A sua escrita é bastante directa, simples e organizada. Penso que poderia ter existido um maior aprofundamento das personagens, mas de certa forma, reconheço que com um livro tão pequeno quanto este é, não se pode pedir o impossível.

Não apreciei de nenhuma forma a tentativa da autora de “aportuguesar” o livro. Os nomes das personagens, dos locais… não sei até que ponto a autora conhece Lisboa, mas o cenário acabou por soar um pouco inventado. Como alfacinha que sou, não consegui sentir de nenhuma forma a presença da minha cidade neste livro, ou pelo menos, muito conhecimento sobre a mesma. 

Considerando tudo, é um livro que não é muito ambicioso. É um romance leve, sem grande desenvolvimento que permite ao leitor passar umas boas horas na sua companhia. 


Prazeres Proibidos

Toda a mulher tem os seus prazeres proibidos… 

Para a delicada e tímida Daphne Wade, o mais apetecível prazer proibido é observar discretamente o seu patrão, o duque de Tremore, enquanto este trabalha numa escavação na sua herdade. Daphne foi contratada para restaurar os tesouros de valor incalculável que Anthony tem estado a desenterrar, mas não é fácil para uma mulher concentrar-se no seu trabalho quando o seu atraente patrão está sempre em tronco nu. Apesar dele não reparar nela, quem a pode censurar por, mesmo assim, se ter apaixonado desesperadamente por ele? 

Quando a irmã de Anthony, Viola, decide transformar esta jovem e simples mulher de óculos dourados numa provocante beldade, ele declara a tarefa impossível. Daphne fica arrasada quando sabe… mas está determinada a provar que ele está errado. Agora, uma vigorosa e cativante Daphne sai da sua concha e o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Será que Anthony conseguirá perceber que a mulher dos seus sonhos esteve sempre ali? 




ISBN: 9789722038188 – Livros D’Hoje / 2009


Este livro foi-me recomendado por uma companheira “goodreadiana”. Eu adoro a comunidade Goodreads, por vários factores: pelos livros novos que descubro, pelo convívio e pelas ligações que se criam neste espaço virtual. Numa conversa sobre romances de época, esta minha companheira decidiu relembrar-me que eu tinha um livro por ler (que na verdade, faz parte de um quadrologia) que era fantástico e garantiu-me que eu estava a perder uma leitura emocionante. Visto que Laura Lee Guhrke é a sua autora favorita neste género literário, fiquei com muita curiosidade em experimentar.
Após alguma conversa e troca de argumentos, a Mafi acabou por me desafiar a ler este primeiro volume e assim descobrir a escrita da autora Laura Lee Guhrke. 

Este género literário é para mim uma certa novidade. Foi há bem pouco tempo que me comecei a arriscar ler alguns romances de época. Já experimentei várias autoras e não posso dizer que a minha experiência tenha sido desagradável. No entanto, cedo aprendemos a refinar os nossos gostos e portanto é normal que dentro de cada género literário, possamos encontrar autores melhores e outros que, embora possam ser bons para muitas pessoas, acabam por não corresponder às nossas expectativas.
De facto, até ao momento, achava que exemplos como Emma Wildes e Judith McNaught eram as rainhas deste género literário. 
Ambas foram grandes surpresas e recomendo as duas porque a verdade é que são autoras que vão continuar a ficar dentro do meu top, mas Laura Lee Guhrke acabou por me surpreender de uma maneira que não julgava possível. Vai directamente para o meu top de preferências, posso dizer com certeza.
E porquê, perguntam-me vocês?

Bem, posso começar por dizer que a escrita da autora é muito envolvente e bastante fluída – duas características que considero fundamentais para ficar com uma boa impressão. A outra característica que teria de apontar seria sem dúvida a maneira como a autora construiu o enredo – nada de clichés, muita originalidade e ousadia. Laura Lee não tem receio de mostrar que a mulher do século XIX também pode ser independente e pode ter uma palavra a dizer sobre a sua vida. A ideia de que o ser feminino dessa época é o sexo fraco, sem argumentos completamente plausíveis é o que mais se vê por aí em obras deste género literário e embora ela possa ser verdadeira em termos históricos, é também um conceito muito cliché e algumas autoras aproveitam-se desse facto para criar uma história sem grande conteúdo. 
Este livro mudou a minha perspectiva quanto a isso e mostrou-me que um romance de época também pode ser original e refrescante. Gostei imenso do romance entre os protagonistas e as próprias personagens foram construídas de uma forma que me permitiu criar uma ligação com o carácter e a personalidade de cada um.


Concluindo, Laura Lee Guhrke revelou-se uma surpresa sem precedentes e posso dizer que vou continuar a seguir o trabalho dela com muita atenção. Para já, tenciono ler os 3 livros que completam a quadrologia de “Prazeres Proibidos”, que segundo me consta, não foi publicada na totalidade em Portugal. 
No entanto, creio que esta autora é uma óptima aposta neste género literário e para quem tenciona encontrar um livro leve, divertido e romântico, aqui tem a solução para os seus problemas!




A Sedução

Os romances de Nicole Jordan prometem uma sensualidade de tirar o fôlego e uma entrega tempestuosa. Em A Sedução, esta autora aclamada leva o romance erótico a fascinantes horizontes… 


Londres 1810: Lorde Damien Sinclair, o mais reconhecido libertino da alta sociedade londrina, preocupa-se apenas com o seu próprio prazer, até que a sua irmã mais nova, Olivia, num encontro proibido, sofre um acidente e a sua reputação fica arruinada. Damien fará de tudo para destruir o jovem culpado pelo estado de Olivia… E Vanessa Wyndham protegerá o seu insensato irmão a todo o custo, mesmo que isso signifique entrar num pacto ilícito com o perigosamente bonito «Lorde Sin». Quando Vanessa se oferece para o cargo de ama de companhia da irmã incapacitada de Lorde Sin, Damien aceita mas impõe uma condição escandalosa – ele perdoará a «dívida» do seu irmão, se ela concordar tornar-se sua amante. 


E assim começa a sedução. Mas, será que assim que o acordo termina, vão conseguir escapar com os corações intactos?


ISBN: 9789722035408 – Livros D’Hoje / 2010



Nicole Jordan é mais uma autora de romances de época que descobri recentemente. As minhas apostas neste género têm-se revelado bastante satisfatórias e por isso, foi com algum entusiasmo que mergulhei na leitura deste A Sedução.
Confesso que para mim este género de leitura, é uma indulgência; isto porque são livros leves, que me permitem descansar a cabeça e deixar levar-me por um ambiente de romance e sensualidade. É este ambiente que permite uma leitura sem expectativas, sem grandes floreados e melhor que tudo, sem exigências. São livros que me servem o propósito de entretenimento e que me permitem passar umas boas horas, sem ter que analisar ao pormenor aquilo que estou a ler e reflectir em profundidade sobre aquilo que leio. É uma maneira de abrir os meus horizontes literários e poder descansar a mente com leituras menos exigentes. 

Mais uma vez, fiz uma visita à sociedade londrina do século XIX, em que o deboche e a sensualidade parecem ser uma constante em tudo. De tal forma, que o libertino bonito e rico, não poderia faltar nesta história. Desta vez, o dito cujo é Damien Sinclair, mais conhecido como Lorde Sin – de facto, todo o seu estilo de vida poderia ser considerado como um pecado e por isso a sua alcunha é mais que apropriada.
Depois da morte dos seus progenitores, Damien fica encarregue da educação da sua irmã mais nova, Olivia. Este decide instalá-la no campo, com a companhia de criados e assim a consciência fica tranquila. Até ao momento em que recebe a notícia que a irmã, numa tentativa de rebeldia, sofre um acidente que a deixa paralisada do tronco para baixo. 
É que a sua jovem irmã sentia-se presa a uma existência sem significado e deixou-se encantar pelo atraente Aubrey, que acabou por iludir a ingénua Olivia. 
Damien jura vingança e promete levar Aubrey à ruína pessoal, como paga pelo que fez à sua irmã. Até que conhece Vanessa, irmã de Aubrey, que tenta convencer o infame Lord Sin a perdoar as dívidas do seu irmão insensato. Aqui está a vingança perfeita: Lord Sin faz um acordo com Vanessa. Esse acordo consiste no esquecimento das dívidas de Aubrey se Vanessa aceitar tornar-se sua amante. E todos nós sabemos o que isso significa para a reputação de uma senhora viúva na sociedade desses tempos. 

Nicole Jordan conseguiu com este livro construir uma história com pés e cabeça, com divertimento, tragédia e muita sensualidade. Tem uma escrita muito fluída e coerente, pelo que as páginas passam por nós sem termos consciência. A sua ideia começou muito bem, com a tragédia da Olivia e o problema da sua recuperação, mas à medida que fomos avançando no enredo, a autora acabou por dar mais importância à quantidade de cenas sensuais, do que a qualidade – a segunda é sempre, em qualquer circunstância, melhor que a primeira – o que ultimamente foi o responsável por não ter conseguido apreciar de melhor forma a obra. 
Apesar de tudo, a autora criou um enredo interessante e umas personagens igualmente cativantes. Embora tivesse gostar de ver mais desenvolvimento nas mesmas, aquilo que a autora mostrou foi o suficiente para criar empatia e para sentir simpatia pelos protagonistas e pelos personagens secundários. 

Tenho pena que a autora não tenha explorado de forma mais significativa a história de Aubrey e de Olivia: foi tudo muito apressado e embora sendo eles um casal secundário, mereciam uma atenção mais dedicada. Senti que a autora queria apenas cortar pontas soltas e por isso, sobressaiu algum desleixo no tratamento destas personagens.
Quanto aos personagens principais, não posso dizer que esteja desiludida, mas também não estou surpreendida. Foi um bom romance, tirando o pormenor que já referi acima, e deu para me pôr a sorrir.

Em suma, Nicole Jordan não me trouxe nada de novo ao mundo dos romances de época, mas conseguiu manter-me entretida por umas boas horas. Mais importante que tudo, contou uma história com final feliz, que confesso, sabe sempre bem ler. 
Este é o tipo de livro que deve ser lido sem esperar que ele seja uma obra de arte, mas sim como doce entretenimento. Conseguiu alcançar o seu propósito, mas não me conseguiu surpreender. 

   


Aposta Indecente

É sempre com alguma expectativa que leio os chamados romances de época. É um estilo que aprecio muito, para quando a minha disposição assim o pede. Este livro, publicado recentemente, faz parte de uma colecção chamada Tiara da Editora Livros D’Hoje. 
Esta colecção visa a publicação destes romances, virados para o público feminino. Autoras como Laura Lee Ghurke e Nicole Jordan – nomes já conhecidos nestas andanças – são alguns dos que estrearam esta nova colecção. 

Confesso que quando o livro saiu, não fiquei muito entusiasmada com a sua premissa, porque esta me fazia lembrar um livro que já tinha lido (até bastante recentemente). Aliás, não é preciso ir muito longe para que as parecenças saltem à vista: O título, a premissa e o estilo de romance que é. Falo, claro, do livro Uma Aposta Perversa de Emma Wildes, do qual gostei muito.
No entanto e depois de ver algumas opiniões positivas, foi com sentimentos algo ambíguos que iniciei esta leitura. 

E de facto, esta sensação de dejá-vu verificou-se muitas mais vezes durante toda a leitura. O facto de a personagem principal feminina ser viúva e de estar no enredo, envolvida uma aposta, também não ajudou a esta particularidade. De tal modo que logo desde início, este livro se ofereceu como um fraco “sósio” do seu conterrâneo. 
Louis de Villeclaire é um marquês muito falado na sociedade parisiense do século XIX. Sempre foi um libertino despreocupado, com dinheiro para sustentar todos os seus caprichos. No decurso de uma aposta, Louis fica um pouco mais rico e é aí que conhece Catherine Duvernois, uma viúva de 22 anos, por quem toma como uma impostora. No entanto, Louis é o responsável pelo futuro desta viúva, na qual não confia, e vê-se obrigado a mandá-la para a sua casa de campo no Vale do Loire, para ela aí viver. Só que as coisas não se sucedem exactamente como Louis esperava e este vê-se apanhado numa cilada, uma em que Blanche Belfort detêm o papel principal. 

Toda a história base da cilada que apanhou Louis foi interessante e bastante bem estruturada (mas, mais uma vez me fez lembrar o livro da Emma). No entanto, o libertino Louis não me conseguiu convencer e foi uma personagem que a meu ver, deixou muito a desejar. Catherine, igualmente, foi uma protagonista muito mortiça e sem vivalma. 
A autora, que no início começou muito bem (apesar da sensação de reconhecimento anterior), saltou muito rapidamente entre duas situações que mereciam ter tido uma evolução mais ponderada. Louis e Catherine odeiam-se mutuamente no início, mas de repente “tudo está bem quando acaba bem”. Além disso, confesso que este livro me parece uma quase imitação pálida da outra obra referida. (Digo este comentário sem querer incorrer em acusações algumas quanto à autora desta obra e ao seu trabalho, é simplesmente o que sinto).

Tenho que dar a mão à palmatória e referir que esta é a primeira obra publicada da autora, pelo que nem sempre se pode esperar um livro fantástico. Há algumas arestas que precisam desesperadamente de um retoque e acredito que isso virá com experiência futura.
De qualquer forma, esperava mais.