Sonhos Proibidos

Londres, 1910. Belle tem quinze anos e uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, ela nunca se apercebeu de que a casa onde vive é um bordel, regido com mão de ferro pela sua mãe. Porém, a verdade encontra sempre maneira de se revelar… Para Belle, será no trágico dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Ingénua e indefesa, ela fica à mercê do criminoso, que a rapta e leva para Paris, onde se inicia como cortesã. Afastada do único lar que conheceu, a jovem refugia-se nas memórias de infância e acalenta o sonho de voltar aos braços do seu primeiro amor, Jimmy. Mas Belle já não é senhora do seu destino. Prisioneira da sua própria beleza, é alvo do desejo dos homens e da inveja das mulheres. Longe vão os anos da inocência e, quando é levada para a exótica e decadente cidade de Nova Orleães, ela acaba por apreciar o estilo de vida que o Novo Mundo tem para lhe oferecer. Mas o luxo e a voluptuosidade que a rodeiam não mitigam as saudades que sente de casa, e Belle está decidida a tomar as rédeas da sua vida. Um sonho que pode ser-lhe fatal pois há quem esteja disposto a tudo para não a perder. No seu caminho, como barreiras fatais, erguem-se um continente selvagem e um oceano impiedoso. Conseguirá o poder da memória dar-lhe forças para sobreviver a uma viagem impossível?

ISBN: 9789892321493 – Edições ASA / 2012 – 599 páginas

O Hobbit

Annie’s Place é um bordel situado num dos bairros mais pobres de Londes, Seven Dials. Nesta vizinhança, ninguém se preocupa com ninguém, embora exista um certo sentido de lealdade dentro da própria comunidade contra forasteiros indesejados. As pessoas que aqui vivem não tem muitas posses e não vivem desafogadamente. Foi nesta realidade em que Belle foi criada. Esta nasceu no Annie’s Place e a sua mãe, Annie, deixou-a aos cuidados da governanta e amiga, Mog. Mog sempre foi a mãe de Belle, em todos os sentidos que interessam e Belle cedo se revela ser uma criança inteligente, embora ingénua contrariando a ideia de que por ter nascido e ter sido criada num bordel, conheceria melhor que ninguém, o mundo da prostituição e a devassidão que geralmente descreve esta realidade.
De facto, é exactamente o contrário. A mãe de Belle sempre teve regras bem definidas e Belle passou pela sua infância sem nunca perceber que tipo de negócio a sua mãe geria ou o que se passava nos andares superiores do Annie’s Place. Até ao dia em que, por um mero acaso, assiste ao assassínio de uma das raparigas que trabalhava para Annie. O perpetrador do crime viu-a quando Belle fez a sua fuga desesperada e esta mais tarde acaba por ser raptada pelo mesmo homem, que a vende para um bordel francês. Belle vê a sua vida simples e ingénua virar-se de pernas para o ar e vê-se iniciada – contra a sua vontade –  no mundo da prostituição que a leva inclusive para outro continente, a América. Belle sabe que não tem nenhum verdadeiro amigo, a não ser Etiénne que foi o homem que a levou para a América. Mas mesmo este, não pode fazer muito para retornar Belle à sua família. Assim, sonhando com a vida que deixou para trás, recordando o seu amigo especial Jimmy e Mog, Belle fez de tudo para se libertar das amarras que o mundo da prostituição representa para ela, tentando sobreviver o melhor que pode.

A autora Lesley Pearse conta com 6 livros publicados em Portugal, até ao momento (incluindo este Sonhos Proibidos). Destas 6 obras, li 5, sendo que a única que me falta ler é Nunca Digas Adeus. Tenho para mim que já conheço bem o estilo desta autora e sei, dentro de alguns parâmetros, aquilo que posso esperar dos livros dela. Apesar de ela também escrever romances contemporâneos, como é exemplo a obra Procuro-te e o Nunca Digas Adeus, nota-se os romances históricos são o seu forte. As suas obras focam-se particularmente em Inglaterra e Estados Unidos da América. Uma das características que mais admiro nesta autora prende-se exactamente com o conhecimento que ela tem da história dos Estados Unidos. Nos seus livros, é sempre notável o quanto ela conhece da história desta nação, seja esse conhecimento sobre o período colonial, a Depressão, ou as grandes imigrações para a América. A sua pesquisa histórica é um elemento muitíssimo importante nos seus romances históricos e por essa prisma, posso dizer que os livros dela sempre me fascinaram, por serem tão ricos em informação que é inserida no enredo do livro de uma forma tão natural.

Apesar da maior parte dos livros da autora serem grandes e com um número de páginas superior à média, a sua escrita fluída ajuda a que a leitura seja feita de uma forma rápida. Digo-o com a maior convicção, já que cada vez que pegava neste livro quando dava por mim já tinha lido mais de 150 páginas sem sequer me aperceber. Em obras com esta dimensão, ajuda a que a escrita seja dinâmica e agradável, de modo a que o leitor consiga aproveitar a viagem sem dar pelas páginas a passarem.
Em termos de história, este livro não sai da norma. Conta a jornada de uma personagem feminina que passa por muito drama na sua vida e que tenta encontrar um espaço onde possa ser si mesma. Como é óbvio, a autora foca-se no domínio da prostituição e confesso que foi uma temática que por vezes me incomodou. Mas acredito que parte das palavras da autora traduzam muito bem a realidade. É um tema especialmente forte quando se tem em conta que Belle é apenas uma criança quando se vê apanhada nesta rede.
Esta é uma obra muito completa recheada de descrições, reviravoltas e aprendizagem. Gostei da Belle, mas tenho que admitir que me irritou constantemente aquela ingenuidade. Mesmo depois de ter confiado nas pessoas erradas mil e uma vezes, voltava a fazer a mesma à primeira oportunidade. Uh, que seca. Contudo, gostei bastante dos relatos da investigação de Noah e Jimmy, estavam muito bem narrados e foram todos muito interessantes.
Em opiniões anteriores era normal referir-me ao nível exagerado de drama nos romances da autora. A verdade é que o drama é a imagem de marca desta autora, com justificação no seu passado difícil. Tenho a sensação que ela gosta de fazer passar para as suas obras a luta que ela própria teve de travar para subir na vida. O drama está presente neste livro como seria de esperar mas ao contrário do que aconteceu nos restantes livros da autora, creio que aqui o drama é legítimo. Ou melhor, o nível de drama é mais que justificado e uma história deste foro, pede esta dose de sofrimento.

Em suma, é uma obra desafiadora e que convida a uma leitura dedicada. Gostei muito do leque de personagens e da forma como o enredo se desenvolveu. Algumas reviravoltas são inesperadas, outras não, mas todas elas dão movimento e vida à história. Gostei bastante do leque de personagens e tenho que admitir que este livro acabou por se revelar um dos meus preferidos da autora, dentro de todos os que já li. Além disso, estou muito curiosa para ler a sequela, que se irá intitular A Promessa e vai continuar a jornada de Belle na primeira Guerra Mundial.

Voltar a Encontrar-te

Para mais opiniões da autora, ver aqui.

Procuro-te

Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raízes e confrontar-se com o passado. 
Na ânsia por saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica, e à medida que vai desvendando a história da família, Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos. 
Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.
ISBN: 9789892306469 – Edições ASA / 2009 – 400 páginas
 
Daisy sempre soube que era adoptada. Contudo, nunca sentiu vontade ou necessidade de saber quem era a sua verdadeira mãe, nem de conhecer a sua família biológica. No entanto, quando a sua mãe adoptiva morre, esta deixa-lhe uma caixa de recordações onde Daisy encontra os seus dados de nascimento. Esta acaba por se sentir curiosa em conhecer as suas origens, num momento em que a sua vida se encontra num ponto de viragem. 
A única coisa que tem para continuar é o nome da sua mãe biológica, visto que o pai não consta dos seus dados de nascimento. 
E é assim que Daisy vai à procura da sua mãe biológica para conhecer as suas origens. O que não esperava é que a história da sua família biológica fosse uma tão trágica e com tantos segredos. 
 
Procuro-te é o quarto livro que leio desta autora. Embora não possa dizer que esta autora me tenha alguma vez surpreendido, por alguma razão, continuo a apostar nas obras dela. Não sei muito bem se isto tem alguma explicação lógica, mas a verdade é que, volta e meia, acabo sempre a ler um livro dela. 
A escrita de Lesley Pearse apesar de ser fluída e agradável q.b., tem uma característica que me impede de gostar mais das suas obras. É a capacidade extrema que ela tem para o drama. Não que isso seja mau, muito pelo contrário. Só que, por vezes, é demais. E por isso mesmo é que ainda não existiu nenhum livro dela que me tocasse de maneira especial. 
Apesar de ela construir enredos e personagens interessantes, há sempre algo que falta. Estava com esperanças de gostar deste livro porque é algo diferente do que é costumeiro na autora. Normalmente, ela escreve romances históricos ou ficção histórica e este livro é um romance contemporâneo. 
Não se deixem enganar, o drama continua cá. Mas é um drama numa época diferente. E eu simplesmente tinha algumas expectativas que este livro se revelasse diferente dos outros. 
 
E de certa maneira, até acabou por ser diferente. Só não foi assim tão entusiasmante quanto aquilo que eu estava à espera. O livro lê-se muito bem, é uma leitura que se desenvolve de uma forma muito natural e sem grandes complicações. O enredo é interessante e a aura de mistério impele o leitor a continuar a sua leitura para poder descobrir o futuro dos personagens que aqui nos são apresentados.
Contudo, isto não foi o suficiente para mim. Ou melhor dizendo, não foi o suficiente para me admirar. No final, acabei por sair desta leitura com um sentimento de neutralidade. 
Não havia nada de absolutamente errado na forma como a autora construiu a sua  história e como criou os personagens, mas não foi uma leitura que me emocionasse. Ou que me tocasse de alguma forma em especial.
 
No que toca ao mistério, acabei por desvendar, com alguma facilidade, a verdade. E talvez esse seja outro factor que me impediu de gostar mais deste livro. Estava, secretamente, à espera que a autora escolhesse algo que fosse menos óbvio, para que a leitura se tornasse diferente aos meus olhos. 
Contudo, não posso dizer que não gostei de conhecer a história da mãe de Daisy. Na verdade, como já disse antes e volto a repetir, esta é daquelas leituras que se lê com uma desenvoltura grande. Mas se estão à espera de algo estonteante, não creio que o vão encontrar por aqui.
 
Dito isto, o balanço que faço da autora até agora é um que se caracteriza pela neutralidade, quase. De todos os livros que já li, posso dizer que há uns bons e outros menos bons. Mas ainda não existiu nenhum que me deixasse fora de mim. 
O que me faz pensar que, se calhar, esta autora não me irá surpreender muito mais com outras obras dela. 
 
Opiniões da mesma autora:
 
 Nunca Me Esqueças 
 
 
 
 

A Melodia do Amor

Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva. 
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis. 
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar? 
Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.
ISBN: 9789892315973 – Edições ASA / 2011 – 520 páginas


Beth era uma criança que apenas se preocupava com tocar violino e piano e sonhar com tudo aquilo que queria alcançar quando crescesse. Contudo, tudo mudou quando encontrou o seu pai na cave onde este trabalhava, acabado de se suicidar. Após este acontecimento, a vida de Beth e de Sam, o irmão mais velho torna-se dura. São obrigados a trabalhar por salários muito baixos e acabam por ter de vender parte da mobília e inclusive o piano de Beth. Tudo se complica quando estes descobrem que a mãe está grávida. Depois da pequena Molly nascer, a mãe acaba por falecer e Beth tem de se tornar na mãe substituta da pequena criança. 
A vida dos irmãos está cada vez mais complicada. As dificuldades financeiras apertam e ambos tem de se governar com muito pouco. A vida que levavam de crianças de classe média já se encontra completamente no passado. Até que a sorte parece bafejar para Beth. Esta consegue arranjar um emprego numa casa de uma família próspera, onde é amada e onde pode viver com um irmão num pequeno quarto. 
Contudo, Sam tem um sonho, que é o de ser rico e ter sucesso material. E para isso, tem de emigrar para a América, terra da oportunidades. Este acredita que será lá que encontrará a sorte grande. Depois de tanto tempo a poupar, Sam e Beth decidem, com algum peso no coração, embarcar nesta aventura sem retorno. Molly acaba por ficar em casa dos empregadores de Beth, pois é amada por todos os membros da família. E assim começa a aventura de Beth e de Sam que vão à procura de uma vida melhor no outro lado do Atlântico. Durante a viagem Beth conhece Jack e Theo, homens muito diferentes a começar pela condição social. Jack é um homem trabalhador, que só conheceu miséria na sua vida, enquanto Theo é um rapaz de classe média-elevada a quem a vida só lhe deu bons momentos. 
Os quatro vão tornar-se um grupo inabalável e vão andar por América à procura de conseguir alcançar os seus sonhos.
Será que Beth também vai conseguir alcançar os seus, que é amar um homem tanto quanto ama o seu violino?

Este é o terceiro livro de Lesley Pearse que leio. Os outros dois foram o Segue o Teu Coração e o Nunca Me Esqueças.   O primeiro até gostei, o segundo nem por isso, até que nem tive paciência para fazer uma opinião para ele aqui no cantinho. 
Olhando para este cenário, foi com uma mistura de medo e de ansiedade que peguei neste A Melodia do Amor. A verdade é que não sabia o que esperar, mas a estreia com esta autora deixou-me com impressões positivas e portanto queria perceber para que lado da balança é que este livro pendia. 
A escrita da autora é bastante fácil de seguir e não é cansativa, embora por vezes tenha a sensação de que ela “engonha” um pouco as coisas e que podia ser mais directa e expedita. 
Contudo, não é a sua escrita que me mexe com os nervos. É a sua tendência para dramatizar exageradamente as coisas. Toda a gente gosta, de vez em quando, de um bom drama que nos mexa a sério com as emoções, mas esta senhora é 8 ou 80. Os coitados dos personagens dela nunca podem sentir-se muito confortáveis que ela arranja logo uma data de tragédias para os mandar abaixo e embora ela nos apresente sempre personagens corajosos, resilientes e fortes, às vezes cansa-me tanto dramatismo e pouco sucesso. A verdade é que para os personagens de Lesley Pearse por cada sorriso que existe na história, existem 15 desgraças. E não desgraças pequenas. É logo coisas monumentais. 
E contudo, choramingas como sou, era de esperar que eu até simpatizasse com isto e que sentisse pena dos desgraçados dos personagens. E não consigo. Pronto, algo comigo encontra-se muito de errado, mas nem lágrimas de crocodilo eu consigo produzir para este pobres personagens. 

Não é que não goste de ler os livros dela, porque até gosto e por isso é que continuo à espera que ela me mostre algo mais extraordinário. É porque fica sempre algo a faltar. Ou é um final melhor, ou é um relato melhor, não sei. Este A Melodia do Amor já esteve mais perto daquilo que eu procuro num drama, mas também ainda não está no ponto. 
Embora não tenha simpatizado com a Beth, gostei bastante do relato dela e da sua aventura por toda a América e também pelo Canadá. Mas confesso que a personagem que me conquistou logo desde o início foi o Jack. Logo à partida gostei da sua personalidade e do pouco que a autora nos mostrou sobre este rapaz modesto, mas que se viria a revelar um belo homem. 

Acho que a autora escolheu retratar uma época histórica que vale a pena pesquisar mais sobre, pois confesso que não sabia nada de nada sobre a corrida de ouro de Klondike/Yukon e gostei muito da perspectiva que a autora nos mostrou com este livro. 
Este é realmente o ponto que me continua a agradar na autora, é a sua pesquisa histórica e a forma como insere esses cenários na sua narrativa. Ela dá-me sempre a sensação de que estou lá a viver no século XIX, XX, o que for. E isso é uma mais valia nos seus relatos.

Aquilo que me continua a incentivar na leitura destes livros, é a lição de história que tiro deles. Eu adoro História, sempre adorei e por isso, esta é uma oportunidade para ganhar um pouco mais de cultura geral e conhecer realidade de outros tempos, outras sociedades e outras culturas e costumes. 
Aprendo sempre alguma coisa nestas leituras e o que aprendo é feito de uma maneira divertida e em forma de lazer. Acho que isso é o mais importante. 

Aqui fica uma imagem da corrida de ouro de Klondike, que data de 1898. Talvez vos abra o apetite. 


(daqui)
Opiniões da mesma autora:
 Nunca Me Esqueças

Opinião – Segue o Coração

 
Editora: Edições Asa / 2010
ISBN: 9789892310589
Formato: Capa mole
Dimensões: 155 x 235 mm
Núm. páginas: 784
PVP: 16,00€
 
Sinopse:
 
Londres, 1842. Bastará uma boa acção para levar Matilda Jennings das ruelas lamacentas de Londres rumo às cintilantes luzes da América…
Aquele podia ter sido um dia como tantos outros na vida de Matilda, uma pobre vendedora de flores. Mas aquele é o dia em que Matilda salva a vida de uma criança e recebe a mais preciosa das dádivas: a oportunidade de fugir da miséria e construir uma nova vida. Em breve trocará os bairros degradados de Londres pelos recantos misteriosos de Nova Iorque, as planícies do Oeste Selvagem e a febre do ouro em São Francisco. Munida apenas da sua coragem, beleza e inteligência, a jovem está apostada em ditar o seu destino, nem que para tal tenha de lutar contra tudo e todos.
A sua rebeldia condena-a à solidão. Mas um dia também ela viverá as emoções de um verdadeiro amor. Um amor que terá de suportar a separação, a guerra e os tormentos do nascimento de uma nova nação. Será no Novo Mundo que Matilda vai aprender o que a sua infância não lhe ensinou: que todos nascem iguais, que a coragem e a generosidade são o que de mais nobre pulsa no coração humano, e que, por mais doloroso que seja, a vida tem de continuar e nunca se deve olhar para trás…
Opinião:
Matilda Jennings, personagem principal do livro e sobre quem a autora nos fala, não tem uma vida fácil. Nascida num dos bairros mais pobres de Londres, vê o rumo da sua vida mudar  quando salva uma pequena criança de um atropelamento de uma carruagem. Assim, os pais da criança oferecem-lhe a oportunidade de ser ama da pequena Tabitha e também a hipótese de melhorar a sua condição de vida. Deixando então as suas memórias de miséria e vida de comerciante de flores para trás, Matilda vê a sua vida mudar drasticamente quando a família para quem ela trabalha se muda para a América. Mas nem assim a sua vida é coroada de sucessos e é diariamente que ela arregaça as mangas e luta por uma vida melhor, sem deixar que as adversidades a desmotivem. 
No entanto, apenas quando agarra a oportunidade de lançar um negócio em São Francisco é que Matilda vê a sua vida e a sua condição melhorar substancialmente e é a partir daqui que conhece os confortos de ter dinheiro. Mas vai aprender que o dinheiro não é tudo, nem o suficiente para fazer dela uma mulher feliz…
 
Segue o Coração – Não Olhes Para Trás é o primeiro livro da autora Lesley Pearse que leio. Devo dizer, primeiro que tudo, que esta é uma autora que nunca me chamou à atenção. A oportunidade de experimentar a autora deu-se quando em 2010 me ofereceram este livro por altura do meu aniversário.
Hoje, quase um ano depois, li finalmente este livro. E gostei. 
Creio poder dizer com certeza que este livro é o mais extenso que já li em 2011, senão mesmo nos últimos anos. É sempre com algum receio que mergulho nestas leituras extensas, porque em algumas obras vemos o autor divagar demasiado e desviar-se do tema que tem origem ao livro, ou então, simplesmente temos passagens grandes da obra em que nos aborrecemos. Não posso dizer que tenha ficado desiludida com este livro, mas certamente não o tornaria tão extenso. Houve certas passagens que apesar de serem apropriadas para o enredo, para explicar ao leitor como é que se chegou àquele ponto na história, poderiam ter sido mais condensadas e não tão extensivas. Tanta descrição num livro que já por si só, tem um assunto com vários elementos passíveis de ser explorados, acaba por cansar quem está deste lado.
Apesar de a acção do livro se iniciar em Londres no ano de 1842, são os Estados Unidos da América que acabam por, na maior parte do livro, deter a importância na história. Foi também o detalhe que mais me cativou ao longo de todo o enredo. 
A vertente histórica, característica que não tem grande apelo para mim em livros ficcionais, foi neste livro, o foco de maior interesse. 
Sinto sempre muita curiosidade sobre a História desta grande nação no período de 1800 – 1900 e foi então com muito agrado que vi  que não só esta obra se focava neste período temporal, mas também que a América tinha o papel principal. 
Durante a leitura deste livro, baseei-me num mapa que é de fácil compreensão e muito legível para imaginar por onde andavam as personagens, que neste livro aparecem. (Carreguem na imagem para ver em maior detalhe). 
 
 
Este elemento foi valioso para mim, porque melhorou a minha experiência de leitura. Com ele, quando a autora descreveu as grandes viagens que os personagens faziam e as jornadas que se realizavam, consegui ter um estímulo visual que é real e não apenas sobrecarreguei a minha imaginação. 
Este é também um período muito conturbado, em que o crescimento exponencial e a que assistimos, aliado a outros problemas e controvérsias, tal como a escravatura e o “eterno” desentendimento entre os Sulistas e os Ianques se faz notar. 
A autora conseguiu maravilhosamente falar sobre todos estes assuntos e pegou principalmente na descoberta de ouro em São Francisco, na abolição de escravatura e nas condições de vida das pessoas que nesta altura se dirigiam todos os dias para América, em números completamente impressionantes. 
O livro acaba por ser o relato da vida de Matilda e tudo aquilo que influenciou o seu caminho até ao final dos seus dias. Tudo o que é explicado, é explicado por um motivo e essa é a grande vantagem do relato da autora. 

O único elemento que me desagradou foi o excessivo número de tragédias, ou melhor dizendo, infortúnios que Matilda tem de enfrentar. Considero demasiado excessivo porque apesar de saber que a vida é difícil e há pessoas que nunca deixam de batalhar até ao último instante, não gosto de tanto dramatismo. Senti-me diversas vezes cansada de ver tragédia atrás de tragédia, sem poder vislumbrar um ponto de felicidade. Consigo compreender o porquê de a autora ter decidido fazer um relato realista, mas preferia um livro mais leve. 
No entanto, não deixa de ser comovente algumas situações porque os personagens passam e acabamos por assistir a uma história de coragem, de amor, de família e amizade, e de preserverança onde o leitor acaba por se sentir inspirado para também, na sua vida, não olhar para trás e não duvidar do caminho que a sua vida leva. 
 
É um manifesto.

Classificação: 3-5