O Executor

Uma mulher aparece misteriosamente morta numa embarcação de recreio ao largo do arquipélago de Estocolmo. O seu corpo está seco, mas a autópsia revela que os pulmões estão cheios de água. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. O corpo parece flutuar ao som de uma enigmática música de violino que ecoa por todo o apartamento.

Chamado ao local, o comissário da polícia Joona Lina sabe que na sua profissão não se pode deixar enganar pelas aparências e que um presumível suicídio não é razão suficiente para fechar o caso. Haverá possibilidade de estes dois casos estarem relacionados? O que poderia unir duas pessoas que aparentemente não se conheciam?


Longe de imaginar o que está por detrás destas mortes, Joona Lina mergulhará numa investigação que o conduzirá, através de uma vertiginosa sucessão de acontecimentos, a uma descoberta diabólica. Existem pactos que nem mesmo a morte pode quebrar…


ISBN: 9789720043313 – Porto Editora / 2011


A dupla Lars Kepler volta com o seu segundo livro de uma série de policiais. Dupla esta que continua a fazer sucesso por aí, O Executor promete ser um livro carregado de adrenalina e tensão. Infelizmente e apesar de todo o burburinho que se gerou à volta deste casal de escritores, não consegui apreciar a obra O Hipnotista. No entanto e porque já tinha também este livro na estante, acabei por lhe dar uma oportunidade, ainda que muito receosa. 

Esta série de policiais, que tem como protagonista o inspector Joona Lina, sempre com um caso diferente em cada obra. Em O Executor, Jonna Lina é chamado a uma embarcação de recreio na costa de Estocolmo, onde uma mulher apareceu morta em circunstâncias misteriosas. À luz dos dados científicos, a autópsia revela que o cadáver demonstra ter sido afogado, embora o corpo no exterior se encontre seco e sem quaisquer vestígios de afogamento. 
Paralelamente a este caso, Carl – um director geral de uma empresa é encontrado morto em sua casa, crime este também envolvido em circunstâncias nada usuais.       
O inspector Jonna, acaba então por se envolver na investigação dos dois casos sem ter ideia daquilo que poderá descobrir…

A obra anterior foi algo difícil para mim. Além de ter estranhado muito a escrita da dupla, a forma como eles apresentaram o crime e o enredo em geral foi um elemento que me fez confusão durante toda a leitura.
A extensão que ambos os livros têm também trabalham contra o bom aproveitamento da leitura, porque considero que existe muito coisa que não era necessário ao enredo e que se tivesse sido de outra forma mais condensado, captaria de melhor forma, a atenção do leitor. Acabei por me aborrecer um pouco com a sua leitura e  foi algo penoso o seu desenvolvimento. Por conseguinte, acabei por perder um pouco o interesse de criar as minhas próprias teorias e os crimes em si, não foram nada que me enchesse de adrenalina. 

O elemento que mais me interessou no livro e na série em geral (que só agora começou) foi mesmo o protagonista. Jonna Lina é um personagem que está bem construído e este seria o talvez o único factor que me pudesse fazer continuar a seguir esta série de livros policiais. Um inspector determinado, com uma personalidade desafiante e igualmente interessante, este é um personagem que promete crescer de livro para livro.

Vou esperar novidades por parte da Porto Editora, mas para já não penso continuar a seguir esta série. Não quer dizer que não venha a mudar de opinião, mas os factores negativos que dei pesam muito e o facto de não me conseguir habituar à escrita dos autores é um elemento crucial ao analisar uma leitura. 
Infelizmente, não fui das tais que aderi ao fenómeno Lars Kepler. No entanto, creio que posso ser praticamente um caso único, porque boas opiniões a estes livros é o que não falta por aí. Por isso, não há nada como experimentar. 

      
Opiniões do mesmo autor:


O Hipnotista

Erik Maria Bark é o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora. 

Estocolmo. Uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre. 

Nessa mesma noite, Erik Maria Bark recebe um telefonema do comissário Joona Linna solicitando os seus serviços urge descobrir a identidade do assassino e para tal Josef deverá ser hipnotizado. Erik aceita a missão com relutância, longe de imaginar que o que vai encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios. 

Dias mais tarde, o seu filho de 15 anos, Benjamin, é sequestrado da própria casa. Haverá uma ligação entre estes dois casos? Para salvar a vida de Benjamin, o hipnotista deverá enfrentar os fantasmas do seu passado e mergulhar nas mentes mais sombrias e perversas que jamais poderia imaginar; o que tinha por difuso revela-se abominável, o que tinha por suspeito surge como demoníaco. Para Erik, a contagem regressiva já começou… 

Uma leitura compulsiva carregada de suspense. Um mistério caracterizado por estranhos e inesperados contornos.


ISBN: 9789720040664 – Porto Editora / 2010


O Hipnotista – um livro muito falado, que fez e continua ainda a fazer sensação. Ultimamente tem havido um boom de autores nórdicos a escrever policiais e thrillers..Depois do fenómeno Stieg Larrson, é normal que a expectativa quanto a estes autores seja elevada e é certo que, os nórdicos vieram para ficar.
Agora é a vez da dupla Lars Kepler fazer a sua estreia em Portugal com este livro que com um título muito apelativo e uma sinopse igualmente interessante, promete fazer a delícia dos seus leitores.

Assim sendo, esta obra começa de uma forma muito característica: uma família foi assassinada, mas como que de uma forma milagrosa um dos membros desta família – Josef – consegue sobreviver, ainda que em estado crítico.
O inspector Joona Linna fica então carregado deste caso e rapidamente chega à conclusão que para que a única solução é que Josef identifique o responsável pelo assassinato pela sua família. Hipnose é a única alternativa possível considerando o estado físico e mental em que Josef se encontra.
Joona contacta então o médico e hipnotista Erik Bark que outrora alcançou muito sucesso nesta prática.
No entanto, após uma sucessão de acontecimentos menos felizes, Erik vê-se ser acusado de falta de ética e aqui ficou uma promessa de que ele não voltaria à hipnose, custasse o que custasse. 
Dez anos depois, Erik vê o seu casamento desfazer-se a cada dia que passa e quando recebe uma chamada de Joona Linna, algo no rumo da sua vida volta a mudar. A chamada traria Erik de volta ao mundo da hipnose.
Mas quando o seu filho hemofílico é raptado, Erik começa a pensar que talvez o que aconteceu há dez anos atrás seja mais do que parece…. Parece que o passado não ficou passado e decidiu repercutir-se no presente.


Muito sinceramente, esperei muito mais deste livro. A culpa nem foi pelas expectativas que criei porque vi poucas opiniões. Deixei-me guiar pelo instinto e pela descoberta e confesso que me arrependi de certa forma. O livro não me encheu as medidas e a fórmula da dupla Lars Kepler não me maravilhou de maneira nenhuma. Aliás, até tenho alguns pontos que não gostei, que me fizeram bastante confusão e daí, que prejudicaram em grande escala a minha leitura.
Um dos factores foi mesmo a escrita da dupla. Embora já tenha lido livros de outras duplas, nunca me fez tanta confusão como agora. Não sei como esta dupla se organiza na escrita, mas a verdade é que não apreciei a escrita, nem os tempos verbais que eles insistiram em utilizar. Não permitiu que a leitura fosse tão fluída e isso é um ponto de partida para que a experiência não corra bem. É um pormenor que agoira maus momentos, para mim. 
Segundo pormenor que me fez confusão é a organização do enredo e da sua história. O livro começou muito bem, com um assassinato brutal a uma família que parecia ser um verdadeiro mistério e toda a temática da hipnose pareceu-me realmente interessante. Até ao momento em que os escritores decidem mudar o foco da história e em vez de estarmos a ler um policial, estamos a ler um thriller psicológico que não é de nenhuma forma, a mesma coisa.

Não apreciei de forma nenhuma esta mudança de rumo e acabou por estragar a minha disposição para a leitura. Isto porque thrillers psicológicos não são nada o meu tipo de leituras; eu gosto de policiais com um verdadeiro mistério, que ponha uma cabeça a pensar e a conjecturar possibilidades infinitas. Que façam que o meu sangue corra com adrenalina. Isso não aconteceu neste livro e senti-me de certa forma enganada, por levarem um leitor a pensar que está a ler um policial e depois encontra uma coisa completamente diferente e que nada tem que ver com o assassinato que deu origem à história.

No entanto, gostei bastante da forma como os autores desenvolveram as personagens. Acho que há muitas coisas a melhorar, mas talvez este seja um ponto que a dupla deve manter sempre. Senti-me próxima das personagens e dos sentimentos que eles viviam, e isso é um bom sinal e nada fácil de fazer com que aconteça.

Por isto tudo, a dupla não irá para a lista de autores obrigatórios a ler. Muito longe disso, de facto. Contudo, irei ler o segundo volume da série que fala sobre o inspector Joona Linna – O Executor – apenas porque já o tenho na prateleira. 
Um livro que não me marcou e que não vai ficar para a memória.