Mil Sóis Resplandecentes

No contexto das convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas, Mariam e Laila, duas mulheres que embora à partida pouco tenham em comum, vão ter os seus destinos irremediavelmente entrelaçados quando a guerra e a morte as obrigam a partilhar um marido. A partir desse momento, apenas a amizade e a coragem lhes permitirem lutar pela felicidade, num cenário que ameaça constantemente a própria sobrevivência. Em Mil Sóis Resplandecentes, Khaled Hosseini disseca as complexidades da sociedade afegã numa época devastadora, criando uma obra de grande sensibilidade e profundamente humana.

ISBN:  9789722339087 – Editorial Presença / 2008 (1ª edição) – 328 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este é o segundo romance que leio do autor Khaled Hosseini. A estreia fez-se com o livro The Kite Runner (O Menino de Cabul), publicado no dia 17 de Setembro pela Editorial Presença. O primeiro livro do autor que li surpreendeu-me por diversos factores, mas aquele que mais me marcou foi a escrita emocional do autor.
Esperava o mesmo deste livro, Mil Sóis Resplandecentes. Já percebi que o autor tem uma temática favorita, creio que ele encare os seus livros como forma de fazer chegar uma mensagem. Especialmente à cultura ocidental. A verdade é que ele escolheu relatar a vida de duas mulheres – Mariam e Laila – que vivem no Afeganistão e estão exactamente no centro das mudanças sociais e políticas que este país sofre.
Este livro é um relato muito pessoal das vidas destas duas mulheres, que promete emocionar o leitor.

Creio que não são todos os autores que conseguem escrever de uma forma tão emocional. É incrível como o leitor sente compaixão pelos personagens de Khaled. Foi-me completamente impossível não ler este livro sem sentir pena e compaixão por estas duas mulheres que tudo enfrentaram. Mas, acima de tudo, foi-me completamente impossível não sentir admiração e não desejar que elas conseguissem superar todo o sofrimento por que passaram. A escrita do autor é muito transparente no que toca a sentimentos. Ele consegue fazer passar a mensagem que pretende com muita clareza e sem muitos artifícios.
O enredo é muito linear, tem um início meio e fim e aquilo que o autor pretende é que nos deixemos emocionar com os seus relatos.

Não posso deixar de fazer comparações com o livro anterior que li do autor, que apesar de ter semelhanças óbvias (a questão da temática, da mensagem que o autor quer passar, do sofrimento, obstáculos, etc.) também têm as suas diferenças. É verdade que ambos os livros falam da nação afegã e dos períodos conturbados por que esta passou, especialmente com o regime talibã no poder. Mas onde o livro anterior foi relatado pela voz de um homem, este foi pela voz de duas mulheres que viveram em primeira mão, as consequências de ter um regime talibã a governar os seus quotidianos. E esta é uma grande diferença.
Como mulher ocidental, não posso deixar de me emocionar com os relatos que este livro faz, em particular da vida matrimonial e da importância (ou não importância) da mulher no regime talibã. Foi um livro muito educativo e ao mesmo tempo assustador. Foi um livro que me deu esperança mas que me deixou deprimida ao mesmo tempo.
Se há coisa que o autor consegue fazer na perfeição é dar-nos uma história de sofrimento com gostinho a vitória. Sabe dar-nos um vislumbre de esperança no meio do desespero, um feixe de luz no meio da escuridão.

Até agora, a cada nova obra que leio deste autor, tenho visto que é possível sofrermos toda a nossa vida, mas que também é possível não desesperarmos e que é possível alcançarmos o que mais desejamos na vida – ainda que nos custe tudo o resto. Esta foi uma obra que me ensinou a pôr em perspectiva a cultura ocidental e a dar mais importância à liberdade que a mulher tem nesta parte do mundo. Também me deu a oportunidade de reflectir sobre a cultura islâmica e aprender mais sobre costumes e tradições desta.

Creio que há muito que se pode tirar com esta leitura. Uma lição de vida, sobrevivência e força. Um relato que me deu muito gosto ler e que me mostrou que o no fundo, todos somos iguais e todos queremos o mesmo. Agora quero, sem qualquer dúvida, ler o mais recente livro do autor, que promete iguais doses de aprendizagem.

4

Advertisements

The Kite Runner

Amir is the son of a wealthy Kabul merchant, a member of the ruling caste of Pashums. Hassan, his servant and constant companion, is a Hazara, a despised and impoverished caste. Their uncommon bond is torn by Amir’s choice to abandon his friend amidst the increasing ethnic, religious, and political tensions of the dying years of the Afghan monarchy, and apparently dissolved when Amir and his father flee to California to escape the Soviet invasion, leaving Hassan and his own gentle father to a terrible fate.

But years later, an old family friend calls Amir from Pakistan and reminds him: “There is a way to be good again.” And Amir journeys back to a distant world, to try to right past wrongs against the only true friend he ever had.

ISBN: 9781408824863 – Bloomsbury / 2011 – 344 páginas

O Hobbit

Amir tem doze anos e a única preocupação dele são os concursos de papagaios aos quais concorre com todas as outras crianças de Kabul. O seu parceiro de brincadeiras é desde sempre, Hassan, um criado Hazara que cresceu com Amir, como sendo família. O Afeganistão vive ainda numa monarquia e vivem-se tempos de calma, onde as crianças podem correr pelas ruas sem qualquer preocupação. Podem viver, rir e correr, na medida do que seria normal noutro país qualquer. Mas um acontecimento vai mudar tudo isto. Não só o regime político do país irá sofrer uma reviravolta estonteante, como a vida de Amir se vira de pernas para o ar, na questão de alguns minutos. Esses minutos irão assombrar a existência pacífica que leva nos Estados Unidos da América até ao momento em que se dá a possibilidade de voltar a Kabul, à terra da sua infância. É a oportunidade de enterrar os fantasmas do passado e de começar de novo.

Este autor tem feito um sucesso incrível no mundo literário não só com esta obra, mas também com as outras duas que se encontram já publicadas em Portugal com os títulos – Mil Sóis Resplandecentes e E As Montanhas Ecoaram. Este seu primeiro livro, The Kite Runner (creio que foi publicado há uns anos pela editora Relógio D’Água mas eu nunca o vi nas livrarias) já conta com uma adaptação cinematográfica e as reviews que tinha lido antes de ler o livro eram, na sua maioria, muito entusiastas. Por isso, o meu interesse em ler este livro já existia antes de ele ter sido o terceiro livro mais votado aqui nesta minha iniciativa.

A escrita do autor Khaled Hosseini é muito bonita. Foi logo das primeiras coisas que notei ao começar esta leitura, foi a sua narrativa não só fluída com uma beleza descritiva muito presente. É daqueles livros que temos que parar e rabiscar num papel várias frases, porque tocam qualquer coisa cá dentro e as palavras encaixam na perfeição. Mas não é só a escrita que deixa uma impressão positiva. O enredo, embora não bonito no sentido mais limitado da palavra, é bonito em significado. Não sei se esta frase faz algum sentido, mas esta é uma história triste. É-o e não há maneira de contornar esse facto. Ainda nem tinha chegado a metade do livro e já tinha aberto a torneira das lágrimas. Mas não é por ser triste que deixa de ser uma história bonita, os sentimentos que estão por trás de todo o desespero do regime talibã no Afeganistão. Foi isso que mais me impressionou nesta história. Apesar das personagens terem um destino miserável, a esperança e os sentimentos mais nobres não deixam de existir.
Nem tudo é sombras, o leitor consegue vislumbrar o feixe de luz que traz a esperança de dias melhores para estes personagens. Tendo esta história como muleta, o autor consegue também lembrar-nos da realidade assustadora que se vive neste país, fácil de ignorar por vivermos num país tranquilo e seguro.

Emocionei-me com as descrições do orfanato e aquilo que acontece aos órfãos, o quão vulneráveis estão estas crianças, sem ninguém que as proteja de forma eficiente. Por vezes é fácil esquecermo-nos que enquanto vivemos um dia sem preocupações, no outro lado do mundo, a mesma noção pode representar a mais distante das realidades e o mais ardente dos desejos.

Por fim, acho que é um livro muito interessante para quem gostaria de saber mais sobre a cultura islâmica e sobre o país que já fez várias vezes capa de notícia. Para mim, foi uma leitura enriquecedora em muitos aspectos e valeu muito a pena. Estou muito curiosa para ver o respectivo filme, espero que consiga passar para o ecrã (com a mesma eficiência) o leque de emoções intensas que o livro nos convida a experienciar.

4