As Serviçais

Um romance que vai fazer de si uma pessoa diferente. Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo. Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade. Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza. Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

ISBN: 9789896372545 – Saída de Emergência / 2011


Estados Unidos da América, 1962.

A jovem Eugenia Phelan, mais conhecida como Skeeter, devido à sua aparência invulgar, tem vinte e dois anos e regressou da universidade muito recentemente. A sua cabeça encontra-se cheia de sonhos, objectivos que quer alcançar, ideias que quer mudar e melhorar, mistérios que quer descobrir. No entanto, Skeeter tem um obstáculo que se atravessa no seu caminho para atingir os seus sonhos e objectivos e este é a sua mãe, sempre crítica e preocupada, pois apenas quer ver a sua filha casada e a constituir família.  
Aibileen, criada e ama de uma menina de dois anos na casa da família Leefolt, está cansada das injustiças do mundo, onde os negros são os responsáveis por tudo o que está de mal no mundo e são rejeitados para bairros sociais, com poucas ou nenhumas condições. Apesar de já ter criado  17 crianças brancas, desde que iniciou a trabalhar, é apenas após a morte do seu filho, há três anos atrás, que Aibileen sente que a sua paciência se está a esgotar. No entanto, é da menina Mae Mobley que retira as forças para continuar a enfrentar o mundo tal como ele se apresenta. Esta menina alegre e irreverente de dois anos apenas, é a que continua a fazer sorrir Aibileen e a não deixar que a menina se torne como os seus pais, que julgam as pessoas pela cor da sua pele. 
Minny, que é a melhor amiga de Aibileen, é a melhor cozinheira da cidade de Jackson, no estado de Mississippi. No entanto, por ser uma criada respondona e que não se deixa abater pelos seus patrões, acaba por perder sucessivos empregos e começa a sentir que talvez precise de mudar de cidade, se quer ter a possibilidade de sobreviver e de sustentar todos os seus filhos. No entanto, Aibileen, acaba por lhe conseguir arranjar um trabalho, com uma senhora que é nova na cidade de Jackson. Minny, contente por não ter que se mudar, depressa se apercebe que esta não é uma empregadora normal e desconfia de algumas atitudes da mesma. Minny tenta equilibrar a necessidade de desvendar o mistério que é a sua empregadora e a obrigatoriedade de manter o seu emprego de forma a que se possa sustentar.

A vida destas três personagens está prestes a mudar, quando Skeeter se dirige a Aibileen e lhe faz uma proposta tanto perigosa como atraente. Uma proposta completamente irreverente e que promete mudar a vida de toda a gente nesta cidade. Não só a das criadas, mas também a vida das suas empregadoras. A mentalidade dos habitantes de Jackson encontra-se num equilíbrio precário e o projecto de Skeeter irá trazer o rebuliço à vida de todos eles. Com As Serviçais, entramos num mundo confuso e injusto. Mas um mundo onde a esperança ainda resiste. Estamos prestes a ler um relato que irá mudar a nossa percepção sobre muitas coisas, mas que sobretudo nos irá emocionar em vários aspectos. Um relato tanto imperdível quanto melancólico. Um relato que ninguém irá esquecer tão cedo.

Pode dizer-se que As Serviçais é um fenómeno literário da actualidade. De facto, o percurso deste livro é muito curioso – Kathryn Stockett demorou 5 anos a concluir este projecto e após este ter sido rejeitado inúmeras vezes, o livro foi finalmente publicado em 2009. O sucesso foi estonteante e completamente inesperado – esteve mais de 100 semanas da lista de best sellers do New York Times. A obra granjeou elogios mais que suficientes o fenómeno instalou-se. Após o sucesso literário, veio a adaptação ao grande ecrã e hoje tanto livro, quanto filme continuam a fazer sucesso de vendas e a conquistar novos fãs. 
No que toca ao meu percurso até encontrar este livro, confesso que foi só no ano passado (quando o livro saiu em Portugal) que comecei realmente a prestar atenção ao mesmo. Até agora, havia deixado que este fenómeno me passasse ao lado e para meu espanto, sem que eu tivesse reparado o fenómeno tinha chegado até nós. Assim, depois de começar a ler algumas opiniões muito superficialmente, acabei por comprar o livro contra todos os meus instintos. Sim, este foi daqueles livros que acabei por comprar mais para ver o que é que havia de tão explosivo na obra, do que propriamente por interesse que tenha partido de mim. Nem sequer sabia do que tratava! Ah, como eu adoro estas compras feitas às cegas, em que se adorarmos o livro, congratulamo-nos a nós próprios como se fôssemos o herói do ano. Caso contrário, andamos a suspirar e a bater com a cabeça nas paredes o resto do mês.
Felizmente, para benefício da minha sanidade mental, o resultado final pendeu para a primeira hipótese e não para a segunda. 

Os conflitos raciais após a Guerra Civil entre os estados do norte e os estados sulistas, grassavam por todo o país. Os cidadãos negros não tinham quaisquer direitos civis, nem qualquer espécie de condições de vida e nos estados sulistas a situação era mais grave do que em qualquer outro lado do país. Um dos piores estados, no que toca à não existência de direitos civis para com os cidadãos negros era o Mississippi. Vivendo em bairros separados dos cidadãos brancos, a vida inter-racial não era nada fácil, nem justa. A cidade de Jackson, é o cenário d’ As Serviçais. A autora escolheu fazer o relato recorrendo a três personagens chave e conseguiu fazê-lo de uma forma brilhante, onde o leitor tem a oportunidade de acompanhar o quotidiano destas três protagonistas, acabando também, conforme avança no livro,  por se sentir parte integrante desta família. Vamos conhecer em primeira mão como é que era a vida das criadas negras que trabalhavam para famílias brancos e a forma como eram tratadas. Conhecer o que as fazia sorrir e o que as fazia chorar e vamos fazer o mesmo com elas.

A escrita da autora é viciante, apaixonante e deixou-me cativa ao longo de toda a obra. O seu relato é intenso, mas duramente real, com momentos alegres, com momentos de raiva extrema e com momentos de melancolia, mas ao mesmo tempo esperança por tempos melhores. Nunca existiu nenhum momento em que eu não me senti em sintonia com os sentimentos das personagens e nunca, até agora, consegui realmente perceber na totalidade a injustiça dos tempos passados. 
O relato de vida das criadas negras, Aibileen e Minny, emocionaram-me de tal maneira que dei por mim a ler diversas passagens mais que uma vez, para poder colocar-me no lugar delas e sentir o que elas sentiam. Além delas, o relato de Skeeter é igualmente forte. A maneira como ela não deixou que o preconceito a impedisse de lutar para que a verdade pudesse ser dita livremente, como forma de protesto pela injustiça à qual todos fechavam os olhos. Injustiça esta, cometida nas piores formas, sem qualquer respeito pelo ser-humano que todos somos. A forma como ela perdeu tudo nesta batalha e aquilo que depois veio a encontrar. Li com tanta sofreguidão, que rapidamente em 48 horas devorei o livro de uma ponta à outra. Não esperava encontrar o tesouro que encontrei e a surpresa ainda tornou tudo mais doce.
Este, rapidamente se tornou um livro que vou querer reler no futuro, porque através da sua própria experiência pessoal nesta temática, Kathryn, conseguiu mostrar-me um mundo completamente diferente. Feio e lindo ao mesmo tempo. Desesperante e esperançoso. Injusto e agradável. Triste e alegre. Com encontros e desencontros. Com ódio e amor. Com fins, mas também com novos começos.

Um testemunho feito a muitas vozes e que retrata os medos e as alegrias de uma geração que passou por muitos obstáculos e que são alguns dos heróis que permitiram que a igualdade entre raças pudesse transformar-se de um esperançoso “I Have a Dream” para o que é hoje, a realidade pela qual muitos batalharam. Um livro tocante, que não irei esquecer durante muito tempo.  Embora nunca mais vá sentir o impacto daquele que foi o meu primeiro contacto com este livro fantástico, sei que vou ter que voltar a ver a vida pelos olhos destas personagens, porque fizeram-me acreditar num mundo justo, nem que seja por breves momentos.  
Vai ser difícil superar esta obra, disso tenha a certeza.