Os Olhos Amarelos dos Crocodilos

Este é um romance sobre uma mentira, mas também sobre a amizade e o amor, o dinheiro e a traição, o medo e a ambição. 

A acção desenrola-se em Paris. Duas irmãs. Iris é uma mulher muito bonita, rica, elegante e sofisticada, mas vive desencantada com a vida e com o seu casamento. Joséphine é uma intelectual, historiadora, muito menos bonita do que a irmã e com uma vida bem mais difícil. Casada, tem duas filhas, vive nos subúrbios e trabalha para pagar as contas. 

Certo dia, num jantar, Iris faz-se passar por escritora. Presa na sua mentira, convence a irmã a escrever o livro que ela própria assinará. Abandonada pelo marido, cheia de dívidas, Joséphine submete-se, como sempre, aos caprichos da irmã. Mas esta é uma decisão que vai mudar o destino destas duas mulheres. 

A escritora francesa Katherine Pancol traça com mestria um retrato real e vivo de mulheres que tentam triunfar na carreira profissional, na vida familiar e alcançar o reconhecimento social. Mas que, por baixo desta aparente vida de sucesso, escondem uma profunda infelicidade, falta de confiança e frustração. 

Os Olhos Amarelos dos Crocodilos é uma verdadeira lição de vida. Este romance, um verdadeiro best-seller em Espanha e França, dá-nos a conhecer as mulheres que somos, as que queremos ser, as que nunca seremos e as que talvez sejamos um dia. Mulheres à procura de um caminho na vida, em busca de si próprias e à descoberta de novos amores.




ISBN: 9789896262204 – A Esfera dos Livros / 2010


Quando olhei pela primeira vez para este livro, várias coisas me saltaram à vista e nenhuma delas foi particularmente positiva. O título do livro não é dos mais apelativos e quando se junta a ele, uma capa como esta… Bem, digamos que uma pessoa não vai a correr adquirir o livro, nem se sente revestida de uma vontade incontrolável de o ler. Por isso mesmo, nunca dei atenção nenhuma ao livro. Ele entretanto, foi reeditado com outra capa (alguém finalmente notou que algo estava mal) e voilá, dei-me conta que nem todas as pessoas pareceriam considerar este livro o maior fracasso do ano. 
Por isso mesmo, fiquei com vontade de o ler e decidi pegar nesta obra. Nem li a sinopse, simplesmente, atirei-me de cabeça e fui à descoberta.

O livro conta-nos a história de duas irmãs, que não têm praticamente nada em comum: Joséphine é uma mulher recatada, que vive a sua vida perpetuadamente a sonhar acordada com o século XII, a sua área de profissão. Já Iris, é uma sensação. Toda a gente lhe cai aos pés e sendo atraente, consegue ter a vida de sonho que sempre sonhou.
Iris vive uma vida sem preocupações, nomeadamente monetárias e não tem nenhum emprego. Joséphine vê-se enterrada em dívidas após a separação com o seu marido e é obrigada a trabalhar muitas horas por dia para se manter à tona da água. 
A única coisa que as junta são as desilusões da vida e o desconforto que cada uma começou a sentir na sua vida. O que as junta são as mentiras e as traições. 
Iris, estava num jantar a sentir-se aborrecida e decidiu deixar escapar que estava a escrever um romance histórico no século XII. No entanto, ela nada sabe sobre esta época e implora a Joséphine que escreva o livro por ela, em troca da compensação monetária que dará a Jo uma vida sem preocupações e dívidas. Joséphine, sem vontade própria, não consegue dizer que não à irmã e aqui começa a história dos Olhos Amarelos dos Crocodilos.

Sinceramente, aquilo que eu esperava deste livro, era tudo menos aquilo que vim a encontrar. Desde início que vi vários sintomas que me diziam que esta leitura é muita aparência e pouco conteúdo mas continuei a insistir para ver se no fundo, o livro era tão mau quanto fazia parecer. Infelizmente, a autora Katherine Pancol não conseguiu seduzir-me. Se alguma coisa conseguiu, foi afastar-me para sempre das suas obras. Não sei qual de nós era capaz de agradecer, se eu, se ela. 
A questão é que nada neste livro me agradou, ou quase nada. A estrutura do livro fez-me confusão, logo de início. Um livro constituído com 5 partes, sem capítulos. Apenas quebras de páginas, com mudança de narrador, é uma característica que cansa muito o leitor, que às tantas sente-se como uma bola de ping-pong, sempre de um lado para o outro, sem conseguir perceber onde de facto, está.

A segunda coisa que não me agradou neste livro, foram o conjunto de personagens. São todos uns patinhos feios, mimados, sem vontade própria. Parecem marionetas, completa e irremediavelmente controlados por outrem. Completamente disfuncionais e sem uma pinga de realidade naqueles corpos de bonecos. Sem respeito nenhum por ninguém, mentem com quantos dentes têm, sem receio das consequências. Não têm valores, não têm princípios. Enfim, as personagens vão evoluindo conforme o livro avança, mas o pior de tudo é que esta evolução não é necessariamente positiva. Eles evoluem, mas não crescem. Talvez aqui possa fazer uma excepção: Phillipe Dupin. 
De resto, não se aproveita nenhum marioneta, nem para entreter crianças.

O enredo, este, começou bem e pareceu-me promissor. No entanto, chegada à segunda parte do livro, caiu completamente, que nem um meteorito. Comecei a ficar aborrecida, a perder constantemente o interesse, até que me obriguei a pôr o livro de parte para poder respirar. 
Até ao fim, o livro teve alguns altos e baixos, mas regra geral foi muito baixo em qualidade. Não me conseguiu agarrar, nem interessar, pelo que simplesmente fiquei com uma muito má impressão. 
A escrita da autora, não é desagradável, mas as suas técnicas não envolvem o leitor, deixam-no à deriva à espera que as suas palavras façam de algum modo, sentido.

A autora escreveu uma sequela para este livro, com o título “A Valsa Lenta das Tartarugas” e encontra-se de momento, a escrever um terceiro livro, em que constarão os mesmo personagens.
Com esta experiência, posso dizer com certeza que não irei ler os próximos 2 livros. E acho que não faria mal, se a autora se tivesse deixado ficar por este volume. Não obstante, espero que o livro vos agrade a vós.