O Jardim dos Segredos

Uma criança perdida: em 1913 uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto.


Um terrível segredo: no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.


Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam – segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.


ISBN: 9789720041722 – Porto Editora / 2010

O navio que viaja dos Estados Unidos da América e atravessa o oceano em direcção à Austrália leva uma enorme variedade de passageiros, que desejam criar uma nova vida, mais confortável e mais abastada. As oportunidades que se encontram nesta terra são como que promessas de felicidade que se encontram apenas a um oceano de distância. No meio destes sonhos e passageiros, encontra-se uma menina com cerca de 4 anos, que passa despercebida à maioria dos viajantes. A menina não sabe onde está, nem sabe para onde vai. Na sua cabeça, apenas um objectivo está claro: a Autora disse-lhe peremptoriamente que se devia esconder e espera que a própria viesse até ao seu encontro. Até lá, devia manter-se quieta e em silêncio, tal como se estivesse num jogo de escondidas.
No entanto, quando o navio chega ao seu destino, a menina acaba por se encontrar plenamente sozinha e a misteriosa Autora que lhe disse para esperar, nunca mais apareceu, até que um trabalhador do porto a acolhe em sua casa, temporiamente, até que algum aviso sobre o desaparecimento e da identidade da criança apareça.

17 anos depois, esta criança é já uma jovem adulta prestes a completar os seus 21 anos e no dia do seu aniversário, Nell acaba por receber uma notícia chocante. O seu pai decide por fim contar-lhe como é que Nell acabou por se tornar a jovem que é hoje e conta-lhe também a forma como é que Nell chegou à Austrália. A jovem, completamente destroçada e sentindo-se perdida, decidi deixar a vida que havia conhecido até agora para trás e torna-se determinada em descobrir a sua verdadeira identidade e personalidade. 

Agora, em 2005, a neta de Nell, Cassandra recebeu de herança uma mansão, outrora conhecida como a Mansão Blackhurst. Cassandra, que já sabe de maneira superficial a história da avó e algumas coisas sobre o passado desta, sente que esta é a derradeira oportunidade de compreender a sua avó, intimamente. Um segredo que foi guardado tão ferozmente está prestes a ser revelado, após estes anos todos…   

Finalmente posso dizer que já li todos os livros que esta autora publicou. É verdade. Esta grande autora apenas publicou 3 livros, ainda, sendo que está a escrever o quarto. Desde o primeiro contacto, que fiquei rendida às suas obras e este O Jardim dos Segredos não se revelou nenhuma excepção à regra. Kate Morton é uma contadora de histórias exímia e as suas narrativas são das mais belas que já tive o prazer de encontrar. Sinto sempre um prazer enorme em embrenhar-me nas suas histórias e nas suas descrições, pois os enredos que constrói são interessantes, bem construídos, explorados com confiança e prazer, sem deixarem nenhuma ponta solta. 
Mais uma vez a autora pega num segredo e consegue embrenhar o segredo na vida de inúmeras pessoas e vidas. É fascinante ver o quanto uma informação tão pequena pode modificar em tão grande escala a nossa percepção da realidade. 
Fico sempre boquiaberta com esta realização. E mais ainda quando sinto que a autora planeou as suas histórias ao pormenor e nada falha. Nos livros dela não escapa nenhum pormenor, na medida em que fico sempre demasiado envolvida na vida das personagens e no mistério, até ao momento em que me apercebo que já cheguei à última página e é tempo de fazer uma despedida. Além disso, aprendo sempre qualquer coisa com os livros, seja sobre história mundial, seja sobre comportamento humano, seja sobre geografia.

Nesta obra em particular, tive oportunidade de conhecer a Australia de perto, país de onde a autora é oriunda e fiquei contente por saber que a Cornualha é também uma localidade fundamental para este livro. Isto porque sempre adorei a Cornualha e adorei ter a oportunidade de ver como é que esta terra era há várias décadas atrás. 

Não posso deixar de referir que este livro se revelou especial devido aos três contos de fadas que a autora também criou. Estes contos inserem-se na perfeição dentro do enredo e da própria história e personagens e fiquei deveras entusiasmada por saber que a autora consegue sair fora da sua zona de conforto e sair-se tão bem, mesmo assim. Este foi um pormenor que revelou ser uma mais valia na narrativa da autora.

Gostei imenso de conhecer a família Mountrachet, mas tenho que confessar que este segredo não me admirou. Apesar da história ter tido uma evolução brilhante e bem executada, o mistério não se revelou tão denso e descobri por mim o derradeiro segredo que ficou escondido após tantos anos. No entanto, isso não é um factor negativo. Aprendi a conformar-me… bem, posso dizer que fiquei um pouco triste porque esperava ser surpreendida, mas no esquema geral das coisas, não é esse pormenor que determina a qualidade da leitura. 
E esta leitura foi muitíssimo bem aproveitada. Estou fã da escrita de Kate Morton, nunca mais quero deixar de ler os seus livros. Espero ansiosamente novidades da parte desta escritora maravilhosa, porque estes são três livros que ninguém pode perder.

Os ingredientes fundamentais estão todos lá: escrita maravilhosa, narrativa envolvente, personagens misteriosas e bem desenvolvidas, mistério, romance, mas importante que tudo, temos segredos. Quem não gosta de revelar um bom segredo familiar?
Para quem gosta, basta embrenhar-se num destes três livros. Estou absolutamente maravilhada com esta descoberta.  Kate Morton já se tornou, para mim, uma autora obrigatória. 

Arrisquem-se, pois não sabem o que estão a perder!


Opiniões da mesma autora: 
    

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O Segredo da Casa de Riverton

Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924 

Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar. 


Inverno de 1999 

Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta. 

Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente. 

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.


ISBN: 9789720041609 – Porto Editora / 2008



O Segredo da Casa de Riverton foi a primeira obra que Kate Morton apresentou ao público. Foi com este livro que o sucesso da autora se fez sentir pela primeira vez e até hoje, todas as suas obras têm tido muito sucesso por esse mundo fora. Apesar de não ter sido o primeiro livro da autora que li, não podia deixar de ler as restantes obras que a autora tem no mercado e por isso dentro dos dois livros que me faltavam ler, escolhi este para primeiro, por razões muito simples: foi o primeiro a ser publicado.
Confesso que tinha algum receio que as minhas expectativas estivessem demasiado elevadas, depois da leitura da obra As Horas Distantes, porque a verdade é que nem todos os autores mostram o seu potencial na primeira obra que escrevem. Por muita qualidade que os seus livros possam ter, existem por aí primeiras obras que são algo desafortunadas. E receei que O Segredo da Casa de Riverton pudesse ser um desses exemplos. Apesar dos mais variados comentários positivos que vi serem feitos ao livro, a possibilidade de chegar ao fim da leitura com um sentimento de desilusão era provável. No entanto, lá mergulhei nesta leitura e acabei por não me arrepender de maneira nenhuma.

Esta história começa quando Grace Bradley recebe uma carta de uma realizadora de cinema, que pretende desenterrar e trazer a público a história da casa e da família que morava em tempos na mansão de Riverton. Grace, única sobrevivente e testemunha dos segredos desta casa e respectiva família decide aceitar a viagem até tempos idos, certa de que o verdadeiro segredo Riverton que se encontra adormecido há muitos anos, continua escondido. Mas estamos em 1999 e Grace, com 98 anos sente cada vez mais o peso que este segredo transporta e assim, aquilo que Grace achava que seria apenas uma viagem inocente às memórias da família Hatford, acaba por se revelar muito mais…. e o segredo que ela guardou durante tantos anos está em risco de finalmente vir a ser descoberto.
O mistério assenta nas duas irmãs Hatford: Hannah e Emmeline e num terceiro elemento que é comum às duas: o poeta e amigo de família, Robert Hunter. Estamos nos anos 20 e o mundo ainda está a recuperar do choque a Grande Guerra causou. Inglaterra, destroçada e sem forças, tenta manter-se em pé. 
Decorre o ano 1924 e na mansão Riverton, Robbie acaba por perder a sua vida, junto do lago da propriedade, durante um evento social que aí decorre. As únicas testemunhas desta ocorrência são as duas irmãs, Emmeline e Hannah, que após este acontecimento nunca mais haverão de dirigir uma palavra que seja à outra. 
Este acontecimento, que pelas suas circunstâncias mal explicadas, incertas e todo o mistério que o envolve, acaba por se tornar algo afamado e acaba por se tornar uma espécie de lenda da povoação, uma história que até nos dias de hoje prospera e que é motivo para fascinação e interesse de terceiros. 
Grace, outrora uma empregada doméstica que viu as irmãs crescerem de perto, é a única que sabe o que realmente aconteceu e o que as irmãs esconderam nesse dia fatídico… 


Depois de uma estreia completamente alucinante, estava ansiosa para poder começar a ler este livro. 
Mais uma vez, Kate Morton transporta o leitor para um cenário de guerra, amor, traição e segredos – camadas e camadas de segredos que no início parecem inofensivos, mas que depois se revelam ser um ponto central em todo o enredo e pontos de viragem cruciais na história. 
Desta vez, acompanhamos de perto o período conturbado da primeira Guerra Mundial, altura em que os soldados britânicos eram mandados para solo francês e não voltavam iguais, de nenhuma forma. Foram períodos de difícil adaptação para o mundo em geral e aquele que ficaria conhecido como o primeiro marco histórico de grande violência mundial.   


Confesso que adorei esta obra do início ao fim. Gostei do enredo, adorei o contexto histórico bem explorado, as personagens foram todas bem construídas e estruturadas. Como um todo, no conjunto significa que este é um romance histórico fantástico. 
Esta obra, à semelhança da outra que li, foca-se em dois períodos temporais diferentes: 1914-1924 (acção passada) e o presente, no ano de 1999. Esta opção estrutural do livro, já é para mim uma imagem de marca de Kate Morton. A maneira como ela conjuga ambos os tempos de acção é exímia e é de tal forma organizada que não há maneira de o leitor se sentir de alguma forma confundido ou perdido no tempo da história. 
A narrativa da autora e a forma como ela envolve essa narrativa com descrições deliciosas é maravilhosa, de tal forma, que foi muito difícil largar o livro até o acabar. Li-o sofregamente, como se não existisse um amanhã.
Por vezes, sinto que não tenho palavras para descrever o que este livro me fez sentir. Mas foi uma leitura que me fez reflectir sobre o tempo: sobre o passado, presente e futuro. Sobre o que as nossas acções (mesmo que bem intencionadas e mesmo que não tenhamos consciências delas) podem mudar o rumo da vida das pessoas que nos são próximas. 


Em suma, é um livro que recomendaria a pessoas que gostam de romances históricos, dramas familiares, mistérios e acima de tudo, que gostem de segredos. Pois é, o ingrediente preferido da autora são os segredos. Sejam eles pequenos ou grandes, inofensivos ou nocivos. O que interessa é que as suas obras venham recheadas dos mesmos. 
Finalmente, espero com ansiedade a leitura do último livro publicado: O Jardim dos Segredos.  

Opiniões da mesma autora:






As Horas Distantes

Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino…

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.

No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada…


ISBN: 9789720043559 – Porto Editora / 2012


Todos os leitores têm as suas pequenas manias, por muito estranhas que sejam. Eu, tenho várias, sendo que uma delas consiste em ler, por ordem de publicação, as obras de um autor/a – nos casos, em que as mesmas são individuais, claro. Por isso mesmo, parece estranho e altamente contraditório eu dizer que a minha estreia com esta autora se fez de uma maneira completamente oposta. Infelizmente, não tive mesmo opção (por este livro me ter sido emprestado pelo blogue My Imaginarium) e tive de lhe dar prioridade especial. Assim, vejo-me a fazer a minha estreia com Kate Morton com o livro que mais recentemente foi publicado em terras lusas. 
Já muito ouvi falar sobre a autora e o entusiasmo para a conhecer era elevado. Agarrei-me sofregamente à obra, que com 500 e poucas páginas, me deixava com água na boca. E assim, parti à descoberta.

Milderhurst é uma povoação muito curiosa, especialmente porque o castelo residente da terra tem uma história familiar complexa e envolta em mistério. As suas paredes respiram segredos e não permitem que estes sejam libertados para o mundo exterior. A propriedade, herança e lar de inúmeras gerações da família Blythe tem-se mantido vivo, alimentado por todos estes mistérios, apesar da sua aparência exterior já denotar cansaço. 
Mas, este reinado secretivo está prestes a chegar a um fim, na sequência de uma carta que suscita uma cadeia de acontecimentos que irão acabar por pôr em acção uma queda sucessiva em padrão dominó. 
O mistério prende-se com as três irmãs Blythe e uma jovem que albergaram na sua casa, no início da Segunda Guerra Mundial. Meredith Burchill, descobre em Milderhurst um mundo completamente à parte da guerra: descobre o mundo admirável e repleto de possibilidades da literatura e a convivência com as irmãs Blythe é uma experiência única na sua vida, até agora. Meredith acaba até por criar uma amizade muito íntima com a mais nova das irmãs Blythe: Juniper. No entanto, algo acontece e as duas acabam por viver vidas completamente à parte uma da outra e a amizade acaba por se deteriorar de uma maneira sem igual. Os destinos destas quatro pessoas poderiam ter sido muito diferentes, apenas se….

Até que, 50 anos depois, Edie – filha de Meredith – decide desenterrar este mistério e descobrir como foi a vida da mãe nos anos em que viveu com as irmãs Blythe. No entanto, aquilo que acaba por ser uma viagem ao passado para saciar a curiosidade de uma filha acaba por se revelar no desenterrar de muitos outros segredos que o Castelo de Milderhurst há muito escondia…e que finalmente, virão à superfície.

Não é segredo nenhum que costumo interessar-me em livros que tenham como foco a Segunda Guerra Mundial. No entanto, raros foram os livros que encontrei que explorassem uma perspectiva diferente daquela que é normalmente explorada: o relato de acontecimentos pelo lado dos alemães. Portanto, foi com entusiasmo que vi a perspectiva britânica a ser aprofundada. Contudo, esta é uma temática que irá interessar-me sempre, seja de que perspectiva for. 
O livro foca-se em dois períodos temporais: 1939-1941 (passado) e os acontecimentos presentes que tomam lugar no ano de 1992.
A autora construiu aqui um mistério muito interessante e a sua estrutura está muito bem pensada e executada. A sua escrita é agradável e igualmente bem estruturada. Não é uma escrita simplória, mas também não é pesada. Apesar de o livro se focar em períodos temporais distintos, a autora organizou o enredo de uma forma muito simples, em que o leitor facilmente consegue acompanhar o fio condutor dos acontecimentos sem ficar perdido no tempo. 
No entanto, é preciso referir que a autora se perde um pouco nas descrições, o que acabou por me cansar algumas vezes. Existe especialmente uma parte da obra onde a falta de acção é notória e que me desalentou um pouco, embora no final tenha percebido que as descrições foram importantes para o contexto histórico das personagens e do próprio enredo e mal essa parte passou, a leitura fez-se de uma forma voraz. 

Com tudo isto, confesso que a obra no geral está muito bem pensada e senti um prazer imenso em chegar ao final e poder deslindar o grande mistério que circundava o castelo de Milderhurst. Por isso mesmo, acabei por gostar mais deste livro do que estava à espera. A autora acabou por se revelar uma contadora de histórias viciante e que conseguiu captar o meu interesse. 

Se recomendo a leitura? Recomendo, se bem que com algumas reservas, mas quem gosta de uma narrativa vagarosa, que misture segredos do passado com os problemas do presente, tem aqui uma leitura prazenteira. 
Se pretendo ler os outros livros da autora? Pretendo, sem dúvida. É uma autora que merece toda a atenção, porque acredito no seu potencial. Com isto, a minha próxima leitura será “O Segredo da Casa de Riverton” e no próximo mês, conto ler a restante obra publicada: “O Jardim dos Segredos“.