A Vidente de Sevenwaters

Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se – ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher – e essa escolha mudará a sua vida para sempre.

ISBN: 9789896571993 – Planeta Editora / 2011 – 413 páginas

O Hobbit

A Vidente de Sevenwaters é o quinto livro desta saga tão conhecida da autora Juliet Marillier. Para quem não conhece, este é uma série que nos relata a vida da família de Sevenwaters, que está cada vez maior a cada livro que passa. Eles são uma família que remonta a tempos muito antigos e são os guardiões do território (por muitos tido como sagrado) que engloba as florestas de Sevenwaters. Os druidas são recorrentes nesta família e o dom da Visão é um dom que se pronuncia em vários membros da família, em intensidades diferentes.
Sibeal sempre foi diferente desde pequena. Não só pela cor única dos seus olhos, mas pela forma como encarava o mundo exterior – com tranquilidade, serenidade e sempre foi uma criança muito silenciosa. O seu caminho foi traçado desde criança, quando a Dama da Floresta lhe ensinou os princípios básicos deste dom muito especial que ela encerra no seu espírito.
Mas chegou a altura em que terá mesmo de pôr a sua vocação à prova. E então acaba por passar um verão em Inis Eala, antes de fazer o seu juramento de druidesa, onde as coisas não correm como esperadas.

Esta autora, na qual me estreei apenas há uns meses, tem sido uma constante surpresa. Os livros dela têm sempre algo que me cativa de forma irremediável e esta saga, a primeira e única que li até agora, têm-me oferecido muitos e bons momentos de leitura. Apesar de a série ter sido estendida (era suposto ser apenas uma trilogia) a verdade é que os livros de Sevenwaters continuam a conquistar os seus fãs. Eu, pela minha parte, estava ansiosa para pôr as mãos em mais um livro da senhora.
Sibeal é a protagonista deste livro e já nos tinha sido apresentada no volume anterior. Confesso que esta personagem me suscitava algum interesse, por se mostrar tão diferente de todos os outros. E por isso mesmo, esperava muito deste livro.

Em termos gerais, é um típico livro de Juliet. Com uma escrita viciante, descritiva e com muitos cenários fantasiosos, não há nada neste prisma que possa desagradar. Li este livro num instante porque na verdade não o conseguia pousar. O mistério que se encontra presente neste enredo também ajuda a que o leitor não consiga desviar os olhos do livro. Considero que este livro nesse aspecto, foi bem mais misterioso que os seus restantes companheiros. Só mesmo na recta final é que se tem uma visão geral completa daquilo que no início parecia ser uma grande confusão de mistérios e coisas mal explicadas.
Gostei do romance entre Sibeal e Felix, mas não foi daqueles que mais me entusiasmou.

Tendo em conta isto tudo, parece-me estranho não ter gostado mais do livro. Na verdade, chegada às últimas páginas, fiquei um pouco desiludida porque não senti a mesma satisfação que senti ao acabar os outros livros dela. As últimas 50 páginas do livro inclusive aborreceram-me um pouco, talvez por achar demais toda aquela construção à volta da Ilha da Serpente. Não fiquei convencida e por mim, teria dado uma explicação diferente à existência da Svala. Quando um livro não consegue deixar-me com um sentimento de felicidade no final, é porque este poderia ter sido bem melhor do que se revelou ser. Existem vários factores para isto ter acontecido, um deles o timing da leitura. Não sei especificar, sei apenas que o final não me entusiasmou e as expectativas não foram superadas.

Contudo, não é por isto que vou deixar de ler a autora. Muito pelo contrário. Esta autora que tem sido uma das relevações deste ano, vai continuar a figurar na minha lista de leituras por muito tempo. Segue-se para já a leitura do último volume da saga de Sevenwaters.

Lições de Sedução

O Herdeiro de Sevenwaters

Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes…

ISBN: 9789722518970 – Bertrand Editora / 2009 – 477 páginas

O Hobbit

Aisling, mulher de Lorde Sean, senhor de Sevenwaters, sempre desejou dar um filho ao seu marido. Contudo, sempre deu à luz meninas. Apesar de o casal estar orgulhoso de todas as suas belas filhas, para Aisling sempre foi um peso no seu coração saber que Sevenwaters iria ser herdada pelo seu sobrinho Jonhy, filho de Liadan e do temível Homem Pintado. Assim, quando recebe a notícia de que está grávida, Aisling tem a certeza que desta vez irá presentear Lorde Sean de Sevenwaters com o seu herdeiro. O seu primeiro filho. A gravidez é uma de risco e por isso, as oferendas às Criaturas Encantadas e aos deuses são muitas para que estes mantenham o futuro herdeiro em segurança. Mas sendo que as mudanças em Sevenwaters nos últimos tempos têm sido muitas, seria de imaginar que isso se reflectisse no universo das Criaturas Encantadas, pois muito também mudou no reino destas criaturas. O equilíbrio entre o Bem e o Mal já não é tão claro e as Criaturas Encantadas sempre gostaram de interferir com as vidas humanas. Assim, depois do herdeiro de Sevenwaters nascer, Clodagh que estava a cuidar do seu irmão, repara que o pequeno foi trocado por um duplo. Um duplo estranho, feito de troncos, folhas e retalhos da floresta. As suspeitas recaem sobre a própria Clodagh e sobre um guerreiro de Johny, Cathal, que desde que chegou a Sevenwaters mostrou ser uma pessoa única e muito fechada. Clodagh, decide então viajar para o reino das Criaturas Encantadas para ir buscar o seu irmãozinho e com ela tem Cathal para a ajudar, que parece ter um conhecimento instintivo sobre este reino encantado. Embora Clodagh rapidamente se aperceba que Cathal é mais para ela do que um simples guia, os segredos separam-nos irremediavelmente…

Sevenwaters foi primeiro uma trilogia, que contava com os títulos A Filha da Floresta, O Filho das Sombras e por fim, A Filha da Profecia. Contudo, a autora decidiu alargar o número de livros que falam sobre este universo e para esse efeito escreveu mais três livros, respectivamente intitulados: O Herdeiro de Sevenwaters, A Vidente de Sevenwaters e A Chama de Sevenwaters (estes dois últimos, publicados pela editora Planeta). Ainda que o último só saia a 26 de Junho, é bom saber que as editoras não desistiram de publicar esta autora.
Desde que tive o prazer de conhecer esta autora que não quero mais nada. Tenho seguido a saga de Sevenwaters com sofreguidão e com muitas emoções à mistura. O primeiro livro não me mostrou de maneira nenhuma todo o potencial desta saga. De facto, foi pelo segundo livro que me apaixonei, pois considero que tem, na medida certa, todos os ingredientes que fazem de um livro, um bom livro: acção, romance, mistério e fantasia. Por essa razão, as minhas expectativas, sempre que pego num novo livro da autora, são muito elevadas. Até agora, não me posso queixar. A autora ainda não me desiludiu e assim espero que continue.

A começar pela sua escrita, que é uma narrativa belíssima, construída de maneira a que os leitores se consigam envolver na totalidade. Adoro a forma como a autora conta histórias. A maneira como introduz o fantástico dentro dos seus universos. Os seus personagens também são contadores de histórias e é fantástico todas aquelas pequenas narrativas que, fazendo parte do enredo principal, acabam por embelezar ainda mais o retrato geral. Sempre que leio um livro de Juliet sinto-me parte integrante daquele universo, envolvo-me sempre na totalidade na vida das personagens e na narração da autora. Sinto que é uma leitura que me transporta completamente para a floresta, para aquele mundo encantado que está à distância de uma página.
Ao começar esta leitura encontrava-me um pouco receosa que a autora estivesse a esgotar o tempo útil deste universo, por assim dizer. Sendo que os planos originais eram que este universo fosse explorado numa trilogia, tive receio que estes livros seguintes poderiam ser piores que aqueles que constituíram a trilogia original.
Não posso dizer que este livro me tocou tanto como o fez o segundo, O Filho das Sombras, mas também não posso dizer que este livro é pior que a trilogia. De facto, é exactamente o contrário. Fico contente que a autora tenha conseguido continuar a explorar o universo de Sevenwaters sem arruinar a magia da primeira trilogia.

Clodagh, que no livro anterior não foi muito mencionada, mostrou ser uma protagonista à altura. Uma heroína que se revelou à altura da sua missão e que tornou a história muito mais interessante. Cathal, não foge à regra no que toca aos personagens masculinos de Juliet. A autora cria sempre heróis fabulosos. O romance dos dois foi, como sempre, uma belíssima história de amor como a autora também já nos habituou.  Por outro lado, o Sean, que sempre foi um personagem que apreciava pela sua força e integridade, desiludiu-me um pouco. Ainda que possa perceber o que está por detrás das suas acções, não esperava que a sua força de carácter e a confiança que tem nos filhos fosse abalada com tanta facilidade.

Como sempre, foi um livro que misturou na perfeição vários elementos chave – o romance, a acção/fantasia, o mistério e intriga. Juliet Marillier continua a dar cartas no universo fantástico e eu, continuo a ficar maravilhada com os seus livros e com o universo de Sevenwaters. Como não podia deixar de ser, fico muito contente por ainda ter dois livros para ler e confesso que me sinto muito curiosa com o que as duas próximas obras podem trazer. A Vidente de Sevenwaters já se encontra em lista de espera e será um dos próximos livros que lerei. Até lá, esperarei com ansiedade entrar novamente nos livros de Juliet.

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A Filha da Profecia

Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia.

ISBN: 9789722512718 – Bertrand Editora/ 2002 – 476 páginas

O Hobbit

Depois dos acontecimentos do livro O Filho das Sombras, várias perguntas são deixadas sem resposta. Uma profecia é deixada em aberto, com muitas possibilidades para a sua realização. Este terceiro volume da saga Sevenwaters vem precisamente responder a isso tudo e é de certa forma, um fechar de um ciclo neste universo. Fainne foi criada nas enseadas de Kerry, com apenas o seu pai e os nómadas que passam por ali, como companhia. A sua educação nas artes da magia foi exigente, pois a sua herança é pesada. A sua avó, a temida e muito conhecida Lady Oonagh, tem planos para Fainne. De facto, Lady Oonagh pretende que Fainne impeça que a profecia se realize, na batalha pela conquista das Ilhas, o último lugar sagrado e um espaço essencial para a fé dos que chamam Sevenwaters, casa. Para que isto aconteça, Fainne é enviada para Sevenwaters para conhecer a sua família e assim insinuar-se naqueles círculos. Uma tarefa essencial para a sua missão ser bem-sucedida. Contudo, o que Fainne não estava era que os habitantes de Sevenwaters se insinuassem, eles próprios, no seu coração.  E mais cedo do que esperava, será obrigada a fazer uma escolha que irá determinar o resto da sua vida.

Foi a partir da minha rubrica Desafio aos Leitores que comecei a ler esta autora, mais cedo do que mais tarde (obrigada leitores, são fantásticos). Como é perceptível, fiquei rendida a esta saga e a este mundo de Sevenwaters, pelo que não tenho feito mais nada se não ler os livros que constituem esta saga. Este é o terceiro volume e o quarto já se encontra em lista de espera, para ser lido muito brevemente. Fiquei especialmente rendida ao segundo volume, Filho das Sombras. O livro tocou-me de maneira especial. Já dizia o povo, no meio é que está a virtude e de facto, consigo perceber porquê. Certo é que depois daquele volume perfeito, as minhas expectativas estavam quase impossivelmente altas e sabia que seria muito difícil este livro suplantar o livro de Liadan e Bran.
Conforme esperava, a leitura não se revelou tão boa quanto esperava, mas ainda assim, posso dizer que o mundo de Sevenwaters não me deixa ter descanso. Estou completamente viciada nas tramas deste universo. E fã da autora, que promete fazer-me sentir muito mais coisas com as suas restantes obras.

Em termos narrativos, não há nada de novo a acrescentar ao que já tenha dito antes. Juliet Marillier é uma exímia contadora de histórias e a sua narrativa é incrivelmente cativante. Tem momentos de ternura, de aflição, de tensão e de muita acção. Mas sem dúvida, é uma escrita muito emocional que não deixa nenhum leitor indiferente. Isso é notável para mim, pois como leitora, dou muita importância ao facto de conseguir relacionar-me com a história e com os personagens que a constituem. Sentir o que eles sentem, sofrer com eles e amar com eles. É o que, invariavelmente, tem acontecido nesta experiência com a autora. Este A Filha da Profecia não foi nenhuma excepção nesse prisma. A escrita está ao mesmo nível que os anteriores e confesso que estava ansiosa para saber o que este livro viria trazer para Sevenwaters e para a família que guarda este domínio. Estava igualmente ansiosa para rever os meus queridos personagens Liadan e Bran. Este livro tinha particular interesse para mim porque se foca mais na herança de magia que Lady Oonagh deixa aos seus descendentes. Sendo que não foi um prisma explorado noutros livros, estava particularmente interessada em conhecer o mundo da feitiçaria.

Este foi um livro que se destacou dos outros por várias razões, uma das quais, exactamente a que mencionei acima. A outra é a heroína, Fainne, que se destaca das outras heroínas que já conhecemos. E confesso que me sinto dividida quanto a Fainne. Por um lado gostei do facto de ela ser diferente. Trouxe várias coisas novas e para mim representou um desafio, pois durante a leitura nunca tive a garantia – a não ser a alguns capítulos do final – de que ela ia fazer as escolhas correctas (embora lá no fundo saiba que a autora não faria tal coisa, por outro lado, a minha leitura emocional revelou ser muito mais irracional no que concerne a esse aspecto). Por essa perspectiva, foi uma heroína que trouxe vivacidade ao enredo e fez com que a leitura fosse feita de uma forma mais intensa, sempre na expectativa. Contudo, apesar de tudo isso, não posso dizer que me senti tão ligada a esta personagem como aconteceu com Liadan ou até com Sorcha. Talvez porque a própria personagem se mantivesse à parte do restante núcleo de personagens. Talvez porque as minhas expectativas eram incrivelmente altas. Poderia apresentar uma lista grande de “talvezes“, mas não foi uma heroína que me dissesse tanto e isso acabou por se revelar no final da leitura.

Esta leitura também se revelou menos frutífera que a anterior pela falta de interacção entre os protagonistas românticos deste volume. Embora não conteste isto, porque a história acabou por encaixar na perfeição, creio que esperava uma atitude diferente da parte da autora. E no final, soube-me a pouco. Esperava mais da história entre Darragh e Fainne. E confesso que, chegando ao final, por tanto sacrifício que Darragh fez, Fainne teve a sua vida facilitada apesar das tantas recusas que ela proferiu. Por todos esses factores, não posso dizer que este terceiro volume tenha ganha um lugar cimeiro nas minhas escolhas favoritas. Por outro lado, também não posso dizer que tenha ficado indiferente a este livro. E decerto não posso dizer que não quero mais deste mundo, muito pelo contrário. O Herdeiro de Sevenwaters já está na lista de espera, pelo que será dos próximos que lerei.

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O Filho das Sombras

As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.
A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.
Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

ISBN: 9789722520362 – Bertrand Editora / 2009 – 462 páginas

A Papisa Joana

Depois de quebrar o feitiço que foi lançado a si e aos seus irmãos, Sorcha pensou que a tempestade tinha passado de vez e que a sua família e as florestas do domínio de Sevenwaters estariam para sempre seguras. Mas algo está para vir, como muito bem sabem os espíritos que residem nas florestas que rodeiam Sevenwaters. Liadan sente o mesmo e mesmo à frente dos seus olhos, vê a sua família desintegrar-se, afundados em segredos, meias-verdades e histórias mal explicadas. Novas alianças são criadas e novos planos para reconquistas as Ilhas são estudados. Vivem-se tempos complicados e instáveis. É na sua jornada de regresso a casa, após ter acompanhado a sua irmã Niamh ao seu novo rumo,  que Liadan é raptada por vários homens que lhe exigem que cure um dos seus companheiros que ficou ferido com bastante gravidade. É nestas circunstâncias que Liadan (que promete fazer o possível pelo ferido) conhece o temido Homem Pintado, conhecido em toda a Irlanda e arredores por ser um mercenário, sem qualquer tipo de bom-senso ou julgamento. Todos o temem. Liadan contudo, rapidamente se apercebe que talvez este homem é injustamente julgado. E quando realmente começa a conhecer o homem que se encontra por detrás das suas tatuagens, apercebe-se que algo a liga a este homem. Algo mais profundo do que amor. É uma ligação antiga, de tal modo, que Liadan sabe nas profundezas do seu coração que pertence a este homem. Mas, a vida que o Homem Pintado leva, não permite afectos duradouros e assim Liadan acaba por ter em mãos uma escolha impossível – ficar com o homem que ama mas sofrer com isso, ou voltar a casa, onde sabe que pode levar uma vida feliz mas incompleta?

Este é o segundo volume da trilogia/série Sevenwaters (ou aquilo que originalmente era uma trilogia, mas que entretanto se transformou numa série). A minha primeira experiência com esta autora fez-se com o livro A Filha da Floresta, precisamente o primeiro volume da saga que gira toda ela, à volta do domínio de Sevenwaters. A protagonista do primeiro é a Sorcha e a protagonista deste segundo é a sua filha, Liadan. Tendo adorado a primeira experiência em Sevenwaters, encontrava-me ansiosa para voltar a este mundo de fantasia rico e detalhado.
Comecei a leitura com altas expectativas e com receio que este volume pudesse revelar-se não ser tão bom quanto o primeiro. E acabei por apaixonar-me por este livro. De tal modo que se tornou um dos meus novos favoritos, uma lista que este ano tem crescido com alguma rapidez. Este livro tem tudo o que eu procuro numa leitura perfeita. Um enredo cativante, um imaginário muito bem estruturado, descrições lindíssimas, ricas e detalhadas, contexto cultural, misticismo e ouro sobre azul – uma belíssima história de amor com personagens fortes e vulneráveis ao mesmo tempo.
A escrita de Juliet Marillier já me tinha surpreendido no livro anterior, por ser uma narrativa complexa, que desenvolve com vagar. Mas é uma escrita que nos envolve sem igual. Entrar num livro de Juliet faz-me lembrar a hesitação em entrar na água do mar, quando esta está fria. Começamos por molhar os pés e aos poucos entramos na água, tentando fazer com que o corpo se habitue à temperatura. Quando damos por nós, já mergulhámos e a água estão tão boa que não queremos sair mais.
É assim que me sinto quando abro um livro da autora. Envolvida, sem vontade de sair deste mundo.

Em termos narrativos, não podia estar mais satisfeita. A autora mostra dedicação a criar um universo tão rico e creio que poderia viver em Sevenwaters, para sempre felicíssima da vida (mesmo que isso implique algumas confrontações com as criaturas encantadas). Contudo, este segundo volume foi mais especial para mim do que o anterior. Achei que a história foi mais intensa, mais emocional e todo o livro demonstra uma tensão, um equilíbrio muito delicado entre aquilo que é e o que de um momento para o outro, pode vir a ser. É impossível não começar a roer as unhas ao pensar nas várias possibilidades. E a autora lida muito bem com isso. Vai, durante todo o livro criando expectativa e deixa o leitor num estado de ansiedade tal, à procura de respostas, quase até ao final do livro.
O casal que protagoniza este livro, Liadan e Bran, é algo indescritível. Vivi as emoções deles a cada capítulo, a cada palavra.
Angustiei com Liadan e sofri com ela. Quando um livro nos faz sentir tanto em tão poucas páginas, é porque é realmente algo especial.

Fiquei deliciosamente viciada nos livros desta autora e ao acabar este segundo volume, só conseguia pensar que tinha de ler o terceiro, porque é impossível aguentar sem saber o que virá a seguir. Sinceramente, nunca esperei vir a gostar tanto dos livros desta autora, mas creio que provavelmente fiquei a conhecer as suas obras na altura certa. Além da escrita e do ambiente em que estas obras nos envolvem, gosto particularmente da possibilidade de acompanhar a família de Sevenwaters por diversas gerações.  Como leitora, não resisto a sentir que estou a crescer com esta família, a acompanhar cada nova geração a cada novo desafio. É um bom sentimento e apenas um dos factores que mais me faz adorar estes livros. Um livro para reler, sem qualquer dúvida. Muitas e muitas e muitas vezes.

Adorei cada página deste livro. E claro, já passei para o terceiro, como é óbvio.

51

A Filha da Floresta

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.
 
O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.
ISBN: 9789722511971 – Bertrand Editora / 2001 – 448 páginas
 
Sevenwaters é uma região que faz parte de Erin, antiga Irlanda. É uma região algo misteriosa, com os seus costumes encantadores, tradições seculares e lendas maravilhosas. Quem governa este domínio é Lord Colum, que vive aqui com os seus sete filhos. Seis rapazes e uma menina, Sorcha. A sua mulher morreu já há alguns anos, deixando a Lord Colum e aos filhos o trabalho de proteger a única filha dos males deste mundo. Lord Colum, sempre ocupado em campanhas militares, na guerra contra os Bretões, pouca atenção dá à filha, visto que esta lhe faz lembrar a sua amada mulher. E os filhos representam uma ajuda preciosa nas suas batalhas. 
Os sete irmãos estão assim destinados a tomar conta de si mesmos, sem direcção do seu pai a não ser as visitas ocasionais, como senhor da casa. Contudo, algo de mau está para acontecer e estes sete irmãos vão ter que passar por uma jornada muito difícil. Sevenwaters corre o risco de desaparecer e com ele o legado da família de Sorcha. 
Os piores receios desta família tornam-se realidade quando Lord Colum anuncia que irá desposar Lady Oonagh, uma mulher aparentemente encantadora, mas com um interior completamente vazio e maldoso. Esta acaba por lançar um feitiço aos habitantes de Sevenwaters, mas os seis irmãos acabam por ser transformados em cisnes, animais selvagens sem qualquer consciência humana e assim o domínio de Sevenwaters cai em mãos alheias. Sorcha é a única que poderá desfazer este feitiço e libertar os seus irmãos. Mas a jornada que se prepara para a pequena Sorcha é uma que se revela longa e complicada e as Criaturas Encantadas, que povoam as florestas de Sevenwaters, nem sempre são um aliado na sua demanda. 
 
Juliet Marillier é uma autora conhecida e reconhecida em todo o mundo. É tida como uma das melhores de fantasia de todos os tempos. A sua capacidade mais prezada é a de conseguir pegar em contos e lendas e trabalhar com este material mantendo o núcleo praticamente inalterado, mas trabalhando os outros elementos a seu favor, moldando os seus personagens e os seus enredos, até criar lendas vivas com a sua marca única. A sua habilidade narrativa, responsável pela criação de tantos e tão belos mundos e realidades, continua a tocar várias gerações. Adolescentes, adultos – toda a gente lê esta autora e poucos são os que dizem que os seus livros não os marcaram de alguma forma especial. 
Eu aparentemente, era a excepção até este livro ter sido um dos mais votados no meu Desafio aos Leitores
A minha ignorância sobre esta autora não era total. De facto, já muitas vezes tinha ouvido falar bem das suas obras, mas sendo que fantasia nunca fez parte dos meus géneros literários favoritos, nunca tive oportunidade de dar atenção a esta autora. Contudo, nos últimos 2/3 anos tenho tentado explorar outros géneros e abrir o meu leque de leituras. Como anteriormente outros livros já me provaram, posso estar a perder muita coisa boa. 
E a verdade é que hoje em dia, leio um pouco de tudo e as surpresas nunca acabam. Este A Filha da Floresta, naquele que marca o início de uma trilogia sobre o domínio de Sevenwaters, foi outra desta surpresas não só dentro do mundo da fantasia, mas dentro do mundo da literatura. 
 
Entrei para esta aventura sem qualquer tipo de expectativa. Sem saber muito bem o que podia encontrar, foi com algum vagar que entrei deste mundo maravilhoso de Sevenwaters. A escrita da autora é daquelas únicas. Não posso dizer que seja uma escrita leve, de absorção rápida e indolor. Não. Na verdade, achei a escrita e a narrativa desta autora muito densas, mas igualmente ricas. É uma leitura que se faz com vagar, de modo a absorver todo e qualquer pormenor. Não achei uma leitura fácil, mas achei uma leitura mais proveitosa que outras por causa disso mesmo. As descrições e a construção do enredo foi algo muito trabalhado e isso nota-se conforme se avança na leitura. A imaginação é o melhor companheiro para esta leitura. Com as descrições das paisagens, este livro tem uma componente visual muito grande, como qualquer outro dentro do mundo da fantasia, na verdade. 
Ajuda a que esta construção seja feita de modo algo gradual, no entanto. Conforme o leitor se embrenha neste mundo, a autora vai enriquecendo o enredo com mais descrições e mais pormenores. A dimensão fantástica deste livro foi aquilo que mais me entusiasmou, paradoxalmente àquilo que achava/acho sobre este género literário. Adorei a forma como ela manipulou as lendas antigas e a forma como trabalhou este universo do imaginário. 
 
No que toca às personagens, os elogios também são muitos. Há uma dimensão muito real em todos os intervenientes desta história e deste mundo. É impossível não nos sentirmos ligados a estas personalidades, nem que seja empatia ou pena pelo sofrimento de Sorcha ou ódio pelos vilões. Contudo, a verdade é que sentimos algo por estes personagens. Os protagonistas são aqueles a que provavelmente nos sentimos mais ligados, por razões óbvias. Contudo, o potencial e o talento que Juliet tem para criar personagens complexas e completas encontra-se neste primeiro volume em grande ênfase. A minha personagem favorita neste volume foi Red. Adorei a consistência dele, a boa natureza deste homem, o exemplo que ele dá à sua comunidade. A sua persistência e a sua paixão em tudo o que faz foi estonteante. O seu irmão, Simon, deixou-me igualmente curiosa e é uma personagem que espero ver num futuro próximo. 
 
Dito isto, o balanço que faço deste livro é um muito positivo. Na verdade, a única coisa com a qual fiquei insatisfeita foi com os vilões e o fim destes intervenientes, por assim dizer. O leitor passa grande parte do livro a sofrer com os infortúnios dos personagens mais ‘virtuosos’, mas de certa forma, os vilões acabaram por não ser explorados da mesma forma que outras personagens foram. Não me pareceu que existisse um verdadeiro equilíbrio entre a construção das personagens e a construção dos vilões. Não fosse isso, provavelmente diria que este livro era material 5 estrelas, pois tem de tudo: acção, mistério, muita riqueza narrativa e uma belíssima história de amor.
Apesar de tudo – uma estreia em grande, diria eu.