O Viajante Assassino

O Viajante Assassino é um primeiro romance admirável, que de imediato se tornou um bestseller internacional. Quando Charlie Parker bateu com a porta após mais uma discussão conjugal, não podia suspeitar que algumas horas mais tarde, ao regressar a casa, iria deparar com um cenário do mais absoluto terror. Diante de si jaziam os cadáveres da mulher e da filha de três anos selvaticamente dissecados, vítimas da brutalidade demoníaca de um louco. Atormentado pela dor e por um insaciável desejo de vingança, este ex-agente da polícia de Nova Iorque envereda por caminhos que atravessam as fronteiras da lei e da própria sanidade mental, numa cadeia de investigações tortuosas que acabará por conduzi-lo ao rasto de sangue do serial killer que lhe destruiu a família – o viajante assassino. A sua imparável demanda leva-o de Nova Iorque até à Virgínia e a Nova Orleães, num vórtice descendente que o atira para níveis cada vez mais sinistros de violência. O Viajante Assassino é uma obra que contribui para elevar o género literário a que pertence.

ISBN: 9789722334501 – Editorial Presença / 2005 – 448 páginas

John Connolly estreia-se num primeiro volume de uma série que conta já com 11 volumes até hoje. Conta com o protagonismo de Charlie Parker, um ex-detective que não leva uma vida fácil, mas que tem um tacto especial para se colocar no meio dos problemas. O seu passado é um misto de sombras e mistérios e o presente não se parece revelar muito melhor do que isso, condenado à procura de respostas a perguntas que o assolam desde que a sua mulher e a sua filha foram vítimas de um crime brutal, que não lhes roubou a vida como a dignidade. A polícia não consegue encontrar nenhuma pista que lhe indique o caminho até ao assassino e Charlie, desamparado, deixa a força policial, tentando com isso resolver aquilo que está mal na sua vida. 
contudo, não se consegue manter afastado desta vida por muito tempo e envolve-se num caso de desaparecimento de uma jovem. Charlie acaba por desvendar este mistério com aparente facilidade, mas não se apercebeu que este caso estaria ligado ao seu passado e ao assassínio da sua mulher e filha e que, ultimamente, o levaria a chegar à identidade daquele que foi apelidado como Viajante Assassino, fascinado pela mortalidade e pela religião e que anda por Virgínia, Nova Iorque e Nova Orleães a semear o medo.

Esta foi a minha estreia com o autor. Nunca antes tinha ouvido falar do seu nome, mas devido a um empréstimo tive oportunidade de ler este livro, cuja sinopse me tinha interessado. Não sabia muito bem o que esperar, pelo que não tinha nenhuma expectativa para este livro, a não ser o desejo de que este se revelasse um policial que me agradasse. Foi exactamente isso que aconteceu, embora não possa dizer que o livro me tenha deslumbrado completamente. Foi uma boa leitura, bastante fluída, que me surpreendeu em alguns aspectos, mas no final acabei por ter a sensação que faltava aqui qualquer coisa para fazer com que o livro passasse ao nível seguinte. 
Até certo ponto no enredo, o livro era constituído por duas tramas paralelas. A do caso do Viajante Assassino e a do desaparecimento da jovem que Charlie está a investigar. A primeira é a central, que atravessa todo o livro e apenas no fim é que chega a um desfecho. A última, secundária, encontra uma solução ainda a meio do livro. Gostei da estrutura do livro, do facto de ter dois mistério entrelaçados num e dos capítulos serem pequenos, de forma a que leitores (como eu) que só gostam de interromper a leitura no final dos capítulos, o possam fazer sem qualquer problema. 
Os mistérios em si eram muito interessantes e bem construídos, integrados numa trama inteligente, que vai deixando algumas pistas de forma a que o leitor siga o caminho deixado pelos guloseimas até à solução.  
Claro que o mistério principal foi aquele que mais me cativou e o mais complexo também. Visto que implicava a vida de Charlie, não havia nenhuma outra possibilidade. A resposta para este mistério é que me deixou boquiaberta e as minhas suspeitas estavam todas completamente erradas. Não esperava que o assassino fosse quem acabou por ser e isso foi dos melhores pontos neste livro. A pesquisa que o autor fez e os argumentos que apresentou para a solução dos crimes foi igualmente fabulosa, pois tudo se encaixou com sentido.
Em relação aos personagens, gostei praticamente de todos, mas a meu ver, existem sérios problemas de construção e estruturação de personagens aqui. Não só me parecem um pouco fantasiados, como este livro tem um nível incrível de crimes, atrocidades, violência que passa incólume. Não me parece correcto isto acontecer. O protagonista mata mais que uma pessoa e embora, legalmente não tenha culpa, não me parece uma atitude muito própria do tipo de protagonista que Charlie pretende ser.
De facto, Charlie Parker não ficará na lista de personagens favoritos, mas por outro lado, fiquei com a sensação que ele ainda agora começou a mostrar a sua personalidade. É uma personagem conflituosa, com bom coração, mas que deixa o intelecto intervir muito nas acções. Fiquei com a sensação que era uma personagem muito ambígua e gostaria que tivesse existido um trabalho mais cuidado na construção do protagonista. Contudo, sendo que este é o primeiro livro de uma série, pode ser que esta condição nos livros seguintes já não esteja presente. 

Como já não é novidade no nosso mercado editorial, a série não foi continuada e apenas o primeiro volume se encontra publicado. Contudo, vou querer ler o segundo livro da série, desta vez em inglês. Fiquei curiosa com o final aberto que se apresenta neste O Viajante Assassino e por isso mesmo terei que tirar as minhas dúvidas com o segundo volume. Embora não sendo o melhor policial que já li, parece-me que esta série tem algum potencial. Uma leitura agradável.   


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