Persuasão

É em Persuasão, o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável – Anne Elliot. Naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia, é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo reflectido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surgem como seres moralmente análogos.

ISBN: 9789722321136 – Editorial Presença /2007 – 256 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Jane Austen conquistou-me com a sua obra Orgulho e Preconceito. Já faz alguns anos que me apaixonei por essa obra e nunca mais a esqueci. Depois dessa primeira experiência inigualável com a autora, decidi ir lendo aos poucos os outros livros que ela escreveu. Contudo, não posso dizer que me tenham conquistado tão irremediavelmente quanto o Orgulho e Preconceito (e Mr. Darcy, claro). Persuasão era um livro que já estava na minha estante há algum tempo e vinha com elevadas recomendações. Com recomendações tão boas quanto as que dou hoje em dia de Orgulho e Preconceito, pelo que posso dizer que as minhas expectativas eram elevadas.
É óbvio que Jane nos traz uma história de amor, mas é uma história sofrida onde o leitor investe as suas emoções no enredo, nas personagens e em todas os eventos a que assistimos. Esta história apresenta-nos Anne Elliot e Frederick Wentworth, mais conhecido como Capitão Wentworth. Naquele que foi um romance frustrado há sete anos atrás, Anne é persuadida pela família a desistir desta ligação porque Wentworth não tem nome, posses e herança. Anne, na altura, acaba por se deixar ir nos argumentos apresentados, mas nunca conseguiu esquecer esta ligação, este amor. Sete anos depois, Wentworth regressa com as regalias e o nome de Capitão e tem ideias de assentar e criar uma família, só precisa da mulher que ele visiona como sendo a perfeita para a sua personalidade.

Apesar de ter começado a leitura a achar que não poderia encontrar obra melhor que Orgulho e Preconceito dei por mim completamente encantada com esta história de amor. Os livros de Jane Austen começam todos com um ritmo muito lento e descritivo, como que preparando o palco para as cenas que serão realmente mais importantes para um futuro próximo. Quando leio um livro de Jane Austen, o que a leitura destes livros me fazem sentir é um percurso emocional muito idêntico: primeiro as emoções estão latentes, como que adormecidas. Sente-se alguma coisa, mas ainda não se percebe o efeito total das emoções. Ao longo da leitura, as emoções começam a vibrar, de maneira que não podem ser ignoradas e a frustração ajuda a reavivar essas mesmas emoções que começaram por estar latentes. E quando se chega aos últimos capítulos da obra essas emoções explodem todas num repente esplendoroso, perfeito. Esta obra não foi excepção nenhuma e adorei todo o percurso que vivi com Persuasão.

Não tirando crédito ao estilo narrativa de Jane Austen, com as suas tiradas sarcásticas, com a sua crítica subtil à sociedade educada londrina da altura, os comentários à literatura da época, o que mais me conquistou foi mesmo o romance. E Anne Elliot e Captain Wentworth, não tendo levado o prémio de melhor casal (esse vai para Darcy e Izzie) levam um segundo lugar muito renhido no meu coração. Adoro a forma como a autora explora e desenvolve os seus personagens e adoro a forma como manipula os acontecimentos para frustrar o romance entre os protagonistas até ao momento final.

E esse momento final compensa sempre qualquer desespero, tristeza ou frustração, pois são momentos de uma beleza indescritível, onde as palavras fazem realmente jus ao romance. Organizadas e construídas de uma forma tão… intensa. Essas palavras são a força demonstradora de tudo o que une os casais de Austen. Alguém que consegue moldar as palavras para lhe dar toda essa beleza merece a minha estima e a minha apreciação.

Mais um livro que irei guardar no meu coração e com ele criar expectativas irrealistas quanto ao romance em geral. 😛

4,5

Sensibilidade e Bom Senso

Sensibilidade e Bom Senso, o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.

Sensibilidade e Bom Senso — um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

ISBN: 9789721040755 – Publicações Europa-América / 1996 (292 páginas)

A Papisa Joana

Jane Austen é um nome incontornável da literatura inglesa. Os seus livros são considerados clássicos da literatura internacional, pelas mais variadas razões. O papel da mulher da sociedade inglesa desta época está sempre muito bem exposto e as críticas que a autora faz à sociedade da época mostram uma inteligência e uma sensibilidade social muito grande por parte da escritora. Já para não falar do facto de Jane ser uma escritora numa época em que o acto da escrita como profissão não era muito bem visto, quanto mais por uma mulher.
O sucesso que os livros dela tiveram em todo o mundo mostram só por si, quanto peso tem o nome de Jane Austen e quão importantes são as suas obras.

Já tive oportunidade de ler vários livros da autora. Uns mudaram completamente a minha vida, outros foram leituras um pouco mais difíceis. Sensibilidade e Bom Senso é dos poucos livros da autora que não li e por isso mesmo já sabia muito bem o que poderia encontrar nestas páginas. É certo que não tinha grandes expectativas. Afinal não esperava deste livro nenhum Orgulho e Preconceito, sejamos honestos. Mas esperava encontrar um livro que me proporcionasse bons momentos. E foi isso que encontrei, um livro que marca aquela que viria mais tarde a tornar-se a marca Austen (sim, porque esta foi a sua primeira obra).

De qualquer forma, o enredo à partida não parece ser nada de extraordinário. Conta-nos a história da família Dashwood que, por causa de problemas económicos vê a sua vida mudar de prisma. As irmãs Marianne e Elinor, em idade de casar, vêem-se sem qualquer caminho se não o casamento. A etiqueta social da época não previa muitos casamentos por amor, mas aconteciam. E a esperança das duas irmãs é que venham a casar com os homens que amam, mesmo que elas não sejam possuidoras de uma fortuna vantajosa.
A vida nesta sociedade não é fácil. É exactamente o contrário, o ambiente de competitividade é muito grande. Os casamentos por interesses económicos sobrepõe-se muitas das vezes aos interesses do coração e é sabido que era uma sociedade que colocava a mulher num lugar baixo da hierarquia social.

A autora faz um retrato da sociedade de forma crua e com poucos artíficios. De facto, a primeira metade do livro seja a ser um pouco exasperante visto que é a descrição do quotidiano das personagens, sem nada que faça avançar a acção. Parece que o leitor pára no tempo. A escrita torna-se um pouco maçante, tendo em conta que se passam páginas e mais páginas de descrições de tarefas quotidianas que não parecem acrescentar nada de relevante para a história das personagens. Reconheço que para leitura de lazer, este ponto não entusiasma muito. Mas esta parte também é importante para a sociedade contemporânea se aperceber do ritmo da sociedade de outrora. Por esse prisma, é importante termos em conta as diferenças que havia naquele tempo, como é que as relações sociais se processavam, quais os valores importantes da época e é interessante compararmos o que mudou para nós hoje em dia.

No entanto, a segunda metade do livro acaba por ter um ritmo muito diferente. De um momento para o outro, parece que estamos a ler um livro completamente diferente. Tudo acontece ao mesmo tempo e finalmente, as expectativas do leitor conseguem encontram um lugar para se realizarem. Tudo aquilo que esperava que tivesse acontecido antes, aconteceu na última parte do livro e foi em grande parte por causa da segunda metade do livro que esta leitura me agradou tanto.

O livro é realmente uma obra a ter em conta para quem gostava de conhecer mais a sociedade e valores da época. São livros que se dispõem a transportar-nos no tempo e a mostrar-nos que no fundo, muitos valores continuam iguais. Por ser uma voz feminina que se insurge contra a pouca importância da mulher neste quadro social, temos hoje um legado de alguém que quis deixar algo de si e das suas crenças no mundo, a que hoje damos tanta importância.

Outlander - A Libélula Presa no Âmbar

Estados de Espírito #21 – Leituras de Verão

As opiniões sobre os livros que leio são feitas logo a seguir ao momento em que acabo os livros. Desta maneira, consigo criar uma opinião mais fidedigna, onde aquilo que senti com a obra se nota de uma forma mais óbvia. As opiniões feitas no calor do momento permitem mostrar com mais intensidade tudo aquilo que eu senti durante a leitura do livro. 

As minhas opiniões nunca são feitas após ter passado um longo período de tempo depois da leitura do livro porque sinto que não ficam tão bem desenvolvidas ou com as ideias tão bem organizadas e fundamentadas.
Há certamente quem discorde desta noção, mas é assim que eu organizo as minhas ideias e por isso mesmo, os livros que li durante o tempo que fui de férias, não terão opiniões como as que estão habituados a ver n’O Labirinto.

Decidi então, fazer um conjunto de pequenos comentários gerais às minhas leituras, conjuntamente com a classificação que lhes dei. Além de ser uma maneira diferente de vos mostrar o que achei sobre estas obras, é uma maneira de fazer também a soma total das minhas leituras de verão.
      

Segue-se uma lista dos livros que li no meu verão e respectivas classificações.


Eu e TuEste é um pequeno livro que fala sobre um adolescente e a sua família, mais propriamente a sua meia-irmã e a relação entre os dois que vai florescer de uma maneira curiosa durante o livro. É um livro que nos faz reflectir sobre as relações humanas e acaba também por nos fazer reflectir sobre o valor que a família tem para cada de um nós, mesmo que por vezes possa parecer que a nossa família não tem valor. Eu gostei bastante do livro, mas ao chegar ao final da obra achei que poderia ter falado noutros aspectos, bem como poderia ter sido melhor desenvolvido.


Bel-Ami São muitas as boas opiniões para este livro. Eu adoro clássicos e acho que um leitor deve ser tentar conhecer a literatura que vem dos nossos antecessores para que possa entender como é que a literatura tem vindo a evoluir. Mais do que isso, é importante conhecer e reconhecer os grandes livros que se escreveram e que são por vezes esquecidos pelo passar do tempo. Bel-Ami de Guy de Maupassant é um destes clássicos da literatura e ao contrário de muitos leitores por aí fora que adoraram o livro, eu não consegui apreciar esta leitura como estava à espera que acontecesse. Foi uma leitura muito dura para mim, altamente aborrecida e que várias vezes me enervou, devido essencialmente ao protagonista, que simplesmente me colocou os nervos em franja. É um livro que não me deixa nenhuma memória particularmente feliz. 



O Fiel Jardineiro Outro livro que me aborreceu sobremaneira, especialmente devido à escrita do autor. Uma leitura exaustiva, muito cansativa e que me levou a pensar muitas vezes que um tema tão interessante deveria ter sido desenvolvido de uma forma mais apelativa para o leitor. 
A construção dos personagens também não foi muito feliz e não criei nenhuma empatia com nenhum deles. Aliado às altas expectativas que tinha, acabei por não aproveitar esta leitura da melhor maneira, pelo que acabei por ficar muito desiludida e sem vontade alguma de ler outras obras do autor. 



Balada da Praia dos Cães Esta foi uma leitura diferente. Apesar de não se ter revelado uma leitura extraordinária, posso dizer que gostei bastante da forma como o autor desenvolveu o seu enredo. Todo ele é muito envolvente, embora por vezes a escrita do autor me tivesse aborrecido. No entanto, esta foi uma descoberta que valeu muitíssimo a pena e ainda mais por ser uma obra portuguesa, por um autor que é considerado um dos mais importantes a nível nacional. Estou em crer que foi das melhores leituras deste verão. 



Mansfield Park É dito por aí que este é o livro da autoria de Jane Austen menos apreciado pelo público. Falando por mim, não posso afirmar que é dos meus preferidos, mas também não posso alegar ser aquele que menos aprecio. Gostei bastante da obra, leu-se de uma forma bastante agradável embora por vezes a protagonista, Fanny, me tenha posto a paciência à prova. No entanto, a história está muito bem desenvolvida e permitiu matar as saudades que tinha desta belíssima autora que marcou um século e continua hoje em dia a marcar milhões de leitores com o verdadeiro dom que esta tinha para a escrita. 



Emma A minha última leitura de verão, novamente Jane Austen. Este sim, revelou-se ser uma leitura mais infeliz que a anterior e chego à conclusão que este é o livro que menos gostei desta autora, até agora. Não consegui criar nenhuma ligação especial com a história, nem com os personagens e por isso mesmo, este livro soube-me a pouco. No entanto, Jane Austen continua a ser uma das escritoras do meu top pessoal e isso não se altera por uma obra. Espero que o próximo livro dela que leia me conquiste de forma diferente.   



Concluindo as minhas leituras de verão, não foi um período muito forte. Não existiu nenhum livro que me tivesse tirado do sério, mas acabei por sair da minha zona de conforto e encontrei novas realidades. Foi um verão de descobertas, afinal.