A Evolução de Calpurnia Tate

O meu nome é Calpurnia Virginia Tate, mas, nesses tempos idos, toda a gente me tratava por Callie Vee. Nesse verão, tinha onze anos e era a única rapariga de um total de sete irmãos. Conseguem imaginar pior do que isto? 


O verão de 1899 é quente na adormecida cidade do Texas onde vive Calpurnia, e não há muitas maneiras eficazes de combater o calor. A mãe tem uma nova ventoinha comprada na cidade, mas a única alternativa que Callie encontra é cortar discretamente o cabelo, uns furtivos dois centímetros de cada vez. Também passa muito tempo no rio na companhia do seu irascível avô, um ávido naturalista, e descobre assim que cada gota de água está cheia de vida – nada como olhar através de um microscópio! 

Ao mesmo tempo que Callie vai explorando o mundo natural à sua volta, consegue desenvolver uma forte relação com o avô, contornar o perigo que é viver com seis irmãos e aprender o que significa ser-se rapariga na viragem do século. 

A autora estreante Jacqueline Kelly dá vida a Callie e à sua família, capturando um ano verdadeiramente invulgar com uma sensibilidade e sabedoria únicas.


ISBN: 9789896660994 – Contraponto / 2011




A Evolução de Calpurnia Tate, da autora estreante Jacqueline Kelly foi uma aposta do ano passado, por parte da editora Contaponto. Aquando o lançamento, fiquei muito curiosa com esta obra, não só pelo título que é curioso, mas também pela capa e a própria edição trabalhada e invulgar a que este livro teve direito. Todos esses elementos trabalharam a favor do meu interessante por este livro e apesar de eu ter intuído logo de início, pela sinopse, que poderia não ser um livro totalmente do meu agrado, decidi arriscar a sua leitura e experimentar.
Mais uma vez, a contar com o empréstimo da Tinkerbell, esta leitura foi patrocinada pela iniciativa blogring do blogue My Imaginarium. Por isso, um muito obrigada, visto que já são muitas as leituras que apenas acontecem devido a esta iniciativa. 

Esta obra relata-nos um ano (1899/90) de vida de Calpurnia Tate, uma rapariga texana com quase doze anos. Na cidade de Texas, em 1899 o calor que se faz sentir naquele verão é completamente insuportável. A família de Callie faz os possíveis e os impossíveis para arranjar maneiras de refrescarem o seu lar, chegando até a comprar uma engenhoca muito moderna: uma ventoinha para afugentar as temperaturas elevadas que se fazem sentir. Esta família, com um tamanho modesto, é constituída pelos pais de Calpurnia, pelos seus 7 irmãos e ainda pelo seu avô, um naturalista fiel seguidor de Charles Darwin, cientista amador e ávido por conhecimento que passa a vida no rio da cidade de Fentress, à procura de novas espécies de insectos para a sua colecção crescente que habita na sua biblioteca.
O verão de Callie está a ser completamente entediante e aborrecido, até ao momento em que conhece e abraça a Ciência. Com a ajuda do seu avô, a crescente proximidade entre os dois vai permitir que Callie descubra na Ciência um companheiro para a vida e acalenta assim o sonho de se tornar uma cientista, numa posição em que possa mostrar ao mundo os seus saberes e as suas descobertas. A sua ânsia em aprender e a sua ambição são características nunca antes vista nesta cidade do Texas, mas o virar do século está aí e com ela muitas mudanças vão tomar rumo… 


Não sei muito bem o que esperava deste livro, quando pela primeira vez peguei nele. Foi uma leitura que acabou por me deixar dividida em vários aspectos. Por um lado, gostei do livro e considero que foi uma leitura com resultados positivos pois não só é educativo (com todas as menções a Darwin, Marie Curie e Newton) como também é um livro com algum humor, que permite descontracção. A escrita da autora é bastante fácil de seguir e  a mesma construiu um enredo com uma lógica simples e interessante. A personagem principal, Calpurnia, é deveras engraçada com as suas tiradas sarcásticas e a sua perspectiva de vida. As artimanhas que ela arranja para se desviar do caminho que a mãe traçou para ela são igualmente hilariantes e foi uma personagem que me deu verdadeiro prazer em conhecer. Foi uma heroína devidamente explorada e cheguei ao final com sentimento de tristeza por não saber mais sobre a personagem. 

Já por outro lado, a autora faz notar no final do livro que tomou liberdades quanto ao contexto histórico da altura e embora não condene a decisão da autora – afinal foi a forma como ela preferiu apresentar o livro – preferia que o registo histórico tivesse sido o mais próximo do original possível. Ficção já eu leio muita e devido à minha fascinação pelo tema de história mundial é-me impossível preferir um relato ficcional neste aspecto. Gostaria de ter visto tanto empenho para o contexto histórico, como a autora teve para a temática da ciência e da física. Contudo, não posso deixar de referir que a autora escolheu mostrar-nos 3 exemplos de invenções que tiveram um impacto enorme na sociedade mundial, de uma forma interessante e que ficou bem encaixada no enredo: a Coca-Cola, que viria logo desde início a fazer furor, o automóvel e finalmente, mas não menos importante, a invenção do telefone.  

Embora não possa dizer que a ciência como disciplina teórica seja um tema que suscite grande interesse, não posso dizer que a leitura não tenha sido proveitosa. 
No entanto, se tivesse lido mais opiniões sobre o livro provavelmente não lhe teria dado uma oportunidade, o que é pena porque apesar de não ter sido um livro que me tenha enchido as medidas, nem que me tenha arrebatado (de facto, esperava algo mais, embora não consiga especificar o quê) foi um livro que me educou um pouco mais sobre uma temática diferente e que acima de tudo, me entreteu. 

A pergunta final sobre se recomendaria este livro a alguém terá de ser respondida por vós mesmos. Aos entusiastas do conhecimento, acredito que possa ser uma leitura proveitosa, mas não há como ler e ter a certeza. Quem sabe, esta obra poderá surpreender-vos…



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