O Último Segredo

Uma paleógrafa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver.
A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajuda-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia.
Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento. A verdadeira identidade de Cristo.
Baseando-se em informações históricas genuínas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra excepcional como o grande mestre do mistério. Mais do que um notável romance, O Último Segredo desvenda-nos a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras.

ISBN: 9789896164461 – Gradiva Publicações/ 2011 – 564 páginas

A Papisa Joana

Já há muito que não lia um livro do José Rodrigues dos Santos, ainda que goste dos livros dele. Os livros são sempre tantos que uns acabam por ficar, inevitavelmente, para trás. Ainda assim, decidi que deveria voltar a ler um livro do autor, porque aqueles que tenho dele aqui em casa para ler começam a acumular-se com bastante rapidez. Já sabia de antemão a polémica que este livro causou aquando o seu lançamento, por se focar em questões religiosas mas mais particularmente por desconstruir algumas das bases do Cristianismo. Como o autor diz nas suas notas finais o Cristianismo, mesmo para as pessoas que se dizem não religiosas, é responsável por grande parte dos valores fundadores da nossa sociedade. O nosso país, como bem se sabe, tem bases Católicas e religiosas muito fortes pelo que esta constitui uma herança inegável e que não pode, de nenhum modo, ser ignorada. Ainda hoje em dia, esta religião tem peso nas nossas vidas, mesmo que não seja a nível pessoal, de crença individual. A maior parte de nós provavelmente cresceu sob a alçada dos valores cristãos, do fazer bem e amar o próximo.
Por todas estas razões e mais algumas, este livro seria sempre um que iria dar muito que falar. Mas confesso que achei na altura toda a polémica um circo. Acho incrível como a Igreja Católica se sente ameaçada por livros que pretendem entreter e que falam sobre temáticas que já foram estudados por outros, quando o objectivo expresso do autor é dar matéria de entretenimento intelectual aos seus leitores.

Polémicas à parte contudo, foi com vontade que voltei a ler uma obra do autor. Um enredo bem escolhido, com pontos muito fortes e uma pesquisa tratada mas que foi encaixada de forma algo pobre na narrativa. Não havia nada de novo a esperar deste autor, já sabia o que iria encontrar. Uma nova aventura com o protagonista Tomás Noronha que decerto me iria dar bons momentos de leitura. E foi exactamente isso que aconteceu, sem alguma surpresa associada. Os problemas que tive com este livro foram: a tese defendida pelos personagens não me convenceu, mesmo que muitos dos factos estejam já comprovados e já tenham sido estudados até à exaustão. Creio que isto tenha que ver com a forma como o autor escolheu apresentar estas informações. Dois terços do livro são passados com Tomás a despejar factos e mais factos sobre a vida de Jesus da Nazaré, o Novo Testamento e os textos escritos pelos seus apóstolos. As personagens secundárias no livro servem para ir interpelando Tomás, interpelações estas que apenas servem para dar azo a mais monólogos do muy inteligente Tomás. Entretanto tínhamos os capítulos a intercalar estes monólogos que nos iam dando conhecimento do vilão e das missões que este ia tendo para cumprir. Este cenário mudou quando as personagens chegam a Jerusalém, momento de viragem na narrativa. A partir daqui sim, podemos falar realmente de interacção verdadeira entre as personagens. Creio que o autor pecou por ter escolhido esta forma de narrar os factos, o que implica que só o Tomás é que tenha um papel a desenrolar na maior parte do livro.

A narrativa teria ficado imensamente mais interessante se o autor tivesse dado oportunidade a outros personagens de participar mais no enredo, de forma a avivar o mesmo. Assim, só chegado ao último terço do livro é que vimos realmente acção e aventura propriamente dita. Os pontos positivos contudo estão lá, a pesquisa e o elevado factor de entretenimento ajudam a fazer com que este livro seja agradável, se leia num instante e que nos proporcione momentos de descontracção. Durante cerca de três dias este livro foi a minha companhia para o comboio e tornou as minhas viagens bem mais interessantes.  Apesar de já ter lido melhores livros deste autor, este livro também me deixou satisfeita. O próximo que lerei (não sei bem quando) será O Anjo Branco e espero que seja um romance histórico à minha medida.

Pássaros Feridos

Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey acredita que vencer ou fracassar é resultado de sete hábitos. São eles que distinguem as pessoas felizes, saudáveis e bem-sucedidas das fracassadas e daquelas que sacrificam o equilíbrio interior e a felicidade para alcançar o êxito. Em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes estão contidos os princípios fundamentais da eficácia – sete hábitos básicos e primordiais que representam a interiorização dos princípios correctos, nos quais se baseiam o sucesso e a felicidade duradoura. Em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes o autor apresenta uma abordagem global, integrada e centrada em princípios simples para a resolução de problemas pessoais e profissionais. Através de casos ilustrativos e ideias perspicazes, Stephen R. Covey mostra como acabar com o comportamento autodestrutivo em casa e no trabalho e desvenda um caminho contínuo rumo a uma vida pautada por princípios de justiça, integridade, solicitude e dignidade humana. O autor acredita que o verdadeiro sucesso assenta num equilíbrio das eficácias pessoal e profissional, e por isso este livro pretende ser um guia para obter melhor desempenho nessas duas áreas, recorrendo a exemplos tanto da vida familiar e da vida profissional.

ISBN: 9789896165550 – Gradiva Publicações / 2013 – 385 páginas

A Papisa Joana

Quando eu digo às outras pessoas que sou uma papa-livros é porque tenho razões para o fazer. É que eu leio mesmo de tudo, não sou nada esquisita. Tenho preferências, mas se um livro me aparecer à frente completamente por acaso e este me chamar minimamente à atenção, eu já o vou querer ler. Eu sou tão apaixonada por ficção como por não-ficção e por isso, além dos romances, policiais e outras histórias para descontrair também gosto muito de me debruçar sobre os livros interessantíssimos que andam por aí sobre os mais variados temas e que trazem um olhar diferente  a este mundo doido. Confesso que antes não gostava particularmente da ideia de livros de desenvolvimento pessoal, mas agora adoro! Isto porque trazem sempre alguma nova perspectiva de análise, um novo prisma sob o qual me posso analisar como pessoa para compreender as mais diversas acções e atitudes que tenho. Para me conhecer ainda melhor e também para desenvolver, evoluir. Cá em casa os livros de gestão pessoal, gestão, economia, fábulas sobre o mundo empresarial são um must e creio que afinal quem sai aos seus não degenera, pelo que estes livros que antes não dava muita atenção, agora são ingredientes obrigatórios na minha fome literária.
Nas minhas estantes já mora um livro deste senhor pelo que o seu nome não me era desconhecido, tendo conhecimento que os livros dele tratavam sobretudo sobre questões de liderança, sobre motivação e gestão pessoal. Não sabia era que este livro em particular tinha sido construído assente num novo paradigma, como o autor é muito fã de dizer.
É verdade que pensava que este livro fosse mais um sobre gestão pessoal. E é realmente mais um, mas é mais um bastante diferente e inovador que é capaz de nos chamar à atenção logo à partida. O discurso do autor é tão próximo de nós que é impossível não criarmos uma ligação empática. Ainda mais, o autor dá exemplos do seu própria dia-a-dia, erros que cometeu por não saber melhor, por ser tão falível quanto eu ou qualquer outro ser-humano. O que Stephen nos apresenta é uma nova maneira de olhar para a vida, fazendo-nos reflectir sobre as acções automáticas que tendemos a ter com outras pessoas e que podem ser modificadas com um simples gesto. O autor levanta algumas questões que acho muito úteis, principalmente no que toca à comunicação.
Hoje em dia é muito raro comunicarmos uns com os outros. Nós ouvimos e falamos, mas não comunicamos. E isso é alarmante. A sociedade de hoje em dia é tão individualista, tão virada para as conquistas do eu que esquece muitas vezes que nós seres vivos somos animais sociais, que precisamos do calor humano, da sociabilidade, do carinho, da união. Da compreensão. E é isso que por vezes falta quando falamos com outros, falta a compreensão. Dizemos compreender os outros às vezes por uma questão de educação e não criamos realmente uma ligação empática com a pessoa, não estamos realmente a comunicar.
Como disse, o autor levanta várias questões muitíssimo interessantes, que me fizeram reflectir e que quero sem dúvida pensar sobre elas e colocar em prática. É um livro que não pretende ser o novo dogma mas que pode ajudar a organizar a nossa vida de uma forma muito mais frutífera.
Gostei bastante e quero ler o outro livro do autor que tenho cá em casa.

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Nunca Me Deixes

Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?
Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado.
Nunca Me Deixes é um romance profundamente comovedor, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana.




ISBN: 9789896160517 – Gradiva / 2005 – 332 páginas

Hailsham é um colégio interno que se situa no interior de Inglaterra. Fora dos seus limites só se vêm os Bosques e tudo o resto que é o mundo, mas que para os alunos que vivem no colégio, representa o desconhecido. 
E não existe nada de vulgar neste colégio. Nem as instalações, nem os alunos que vivem aqui. De facto, a realidade de Hailsham não só é invulgar, como é perturbadora a vários níveis. Kath, Ruth e Tommy são três desses alunos que vivem em Hailsham e que foram educados com propósitos bem definidos. 
Desde pequenos, os alunos são educados com certos princípios, para se comportarem de certa forma e para cumprirem objectivos muito particulares. 
Sendo ferozmente protegidos do mundo exterior, as crianças e jovens adultos passam grande parte da sua vida a seguir um conjunto de regras que nunca chegam a perceber na sua totalidade. Apenas sabem que têm um objectivo a cumprir e que para isso, são zelosos consigo mesmo, protegendo o seu corpo como fosse um tesouro. O que de facto, são.
Através das memórias, Kath, vai contar-nos tudo aquilo que precisamos de saber sobre Hailsham e tudo o que este colégio interno representa.

Nunca me Deixes de Kazuo Ishiguro é uma obra conhecida mundialmente, não apenas por o autor já ter sido premiado, mas porque foi um dos nomeados para o prémio Man  Booker Prize de 2005. Faz também parte da conhecida lista 1001 books you must read before you die. Por tudo isto e somando os milhões de críticas positivas a esta obra, é óbvio que estava com as expectativas muito altas. 
Nunca cheguei a perceber muito bem em que género literário este livro se insere. Há quem jure ficção-científica, há quem jure distopia, há quem jure que nem uma coisa nem outra. Eu cá, vou abster-me de colocar este livro numa categoria, escolho apenas dizer que quem gosta destes dois géneros literários poderá, eventualmente, gostar desta leitura.
Contudo, o que eu quero aqui enfatizar é o facto de o público ter colocado este livro num pedestal e de o ter apelidado de cânone literário. Consequentemente, a imagem que comecei a formar desta obra, afectou a disposição com que fui para esta leitura. 
E reconheço que foi um dos factores para que a leitura não tenha superado as minhas expectativas, pois estava à espera de algo que me obrigasse a ter uma experiência extra-corpórea. 
Isso não aconteceu.

Muito pelo contrário. Começando pela escrita. Sim, é bonita, tem frases que merecem ser recordadas. Mas aquela metodologia de descrever um flashback seguido de outro flashback e seguido de mais outro flashback como se as outros não tivessem já sido mais que suficientes  é simplesmente cansativo. E o uso contínuo de uma expressão que pretende fazer com que o leitor regresse ao ponto inicial, não só é redundante, mas como é chato. Inútil. E um pouco enervante, convenhamos. 
As personagens desiludiram-me igualmente. A Kath que supostamente é independente, até certo ponto, revelou-se ser uma desilusão de mulher. 
O Tommy, desiludiu-me igualmente, porque nunca lutou por quem realmente quis.
O que fez valer esta leitura, foi a reflexão que o autor me obrigou a fazer sobre a natureza humana. De como pode ser cruel, calculista e como em cada acção, pode existir um interesse egoísta como motivação. Enjoou-me toda esta realidade, pois via isto a acontecer no nosso mundo, apesar de todas as coisas boas que também temos. 
Esta visão de Ishiguro da humanidade acabou por me deprimir um pouco, pois eu tento, muito intensamente, ver as coisas positivas da vida. E este livro é tudo menos positivo. Tem um carga emocional muito grande, mostra-nos um lado humano muito negro. 

Contudo, sei perfeitamente que não li este livro na altura certa e porventura, foi por isso que não consegui achar esta leitura motivante. Dei por mim muitas vezes aborrecida e após duas leituras seguidas dentro do género literário da distopia, é provável que já estivesse a precisar de entrar noutro ambiente. 
Sei também que na altura em que o li, precisava de coisas alegres e não isto. Espero que daqui a uns anos, possa voltar a ler o livro e talvez o veja os outros olhos.  

Mas, neste momento, não consigo encontrar nada que o torne tão admirável assim. 


Expiação

No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, de 13 anos, vê a irmã Cecilia despir-se e mergulhar na fonte que existe no jardim da sua casa. 

É também observada por Robbie Turner, um amigo de infância que, à semelhança de Cecilia, voltou há pouco tempo de Cambridge. Depois desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira que, à partida, nem sequer imaginavam e tornar-se-ão vítimas da imaginação da irmã mais nova. Briony terá presenciado mistérios e cometido um crime que procurará expiar ao longo de toda a sua vida. 

Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição.


ISBN: 9789726628224 – Gradiva / 2002

Expiaçãoacto ou efeito de expiar. Cumprimento de pena ou castigo. Sacrifício expiatório. Penitência
Um simples desentendimento pode provocar uma catástrofe, que seguido de  uma reacção de efeito dominó, pode acabar por mudar o destino. O mínimo distúrbio, a mínima acção dúbia pode perturbar o caminho que achamos que foi escrito para nós. Tudo aquilo que conhecemos, deixa de o ser. Caímos num abismo desconhecido, sem conhecer o que o futuro nos reserva. A terra fugiu-nos de debaixo dos pés.

Estamos em 1935, poucos anos antes da Segunda Guerra Mundial dar início a uma das épocas mais conturbadas e complicadas da história do nosso planeta. 
Cecilia Tallis, acabou de retornar licenciada da faculdade e decide ir passar o verão a casa, junto da família que adora. Sem perspectivas para o futuro (na altura, as licenciaturas das mulheres não eram reconhecidas), Cecilia sente-se irrequieta e aborrecida na sua casa de infância. No entanto, também não sente vontade de partir. E portanto, acaba por se ir arrastando, conforme os dias quentes vão passando. Na tarde em que iria receber a visita do seu irmão mais velho – Leon – Cecilia dirige-se à fonte do jardim de sua casa, para encher uma jarra de água para lá colocar flores. Acaba por se cruzar com Robbie Turner nessa mesma fonte, amigo de família que conhece desde rapaz. Com personalidades que se contrastam, estes acabam por ter uma discussão que é tanto insignificante quanto sem sentido e a jarra valiosa acaba por se partir, sendo que alguns pedaços da mesma acabam por se afundar na fonte. Cecilia, por motivos egoístas, decide mergulhar na fonte, somente em roupas interiores, para recuperar os pedaços da jarra. Este momento, que poucos minutos durou, seria para sempre uma recordação tanto doce quanto amarga no espírito de cada um deles.
Isto porque, na janela do quarto de brincar no segundo andar da casa encontra-se a irmã mais nova de Cecilia, Briony que assistiu a toda esta cena e, recorrendo à sua mente ágil e fértil de criança acaba por criar uma história fictícia com base no acontecimento junto à fonte. E ao fazer isto, acaba por cometer um erro de julgamento que traria muitas mudanças não só à vida de Cecilia e de Robbie, mas também à sua própria. 

Mas o que levou a que Briony a cometer tal falha de julgamento? Foi uma acção completamente inocente, fruto de ignorância infantil? Ou haveria por trás motivos egoístas, premeditados? Mesmo sem existir uma resposta absoluta que possa responder a estas perguntas, a mesma nunca mais terá descanso nem paz interior, pois após ter passado a fase de infância, começa lentamente a perceber qual foi o seu papel no futuro de Cecilia e igualmente de Robbie. E no erro enorme que cometeu. 

Agora que acabei esta leitura, nem acredito que tive tanto tempo a adiar a mesma. Apesar de sempre ter tido alguma curiosidade quanto a esta obra, a indecisão acabou por levar a melhor e acabei por passar muito tempo sem tirar um tempo para ler e ver o que este livro me poderia oferecer. Recentemente, decidi que seria este ano que daria, finalmente, hipótese a este livro e cheguei à conclusão que tenho muita pena de não o ter descoberto há bem mais tempo. 
Apesar de conhecer o nome do autor, nunca antes tinha lido nada dele e por isso, achei que Expiação seria um bom livro para começar. Assim sendo, embora este obra seja bastante aclamada por esse mundo fora, as minhas expectativas não eram as mais altas e acabei por sair muito surpreendida desta leitura. Não sei realmente o que esperava deste livro, mas o livro preencheu e superou qualquer expectativa que eu pudesse ter tido em qualquer momento da minha leitura e revelou-se uma estreia sem igual.
A escrita do autor, nas primeiras 50 páginas mostrou ser diferente daquilo que tenho vindo a encontrar noutros autores e por isso mesmo, após o período inicial de adaptação que tive, fiquei cativa da sua narrativa fluída e apaixonante. Não só o autor trabalha muito bem o enredo, como também mostra intensidade em cada linha, em cada descrição, em cada momento, em cada gesto que nos faz imaginar nas nossas próprias mentes. Esta intensidade, permitiu que entrasse da melhor forma na história – andei pelas ruas de Londres lado a lado com Briony, percorri França com Robbie, sofri com ele e com a injustiça de que foi alvo e angustiei com Cecilia. Senti cada palavra de amor roçar-me a pele, como se a mim me fosse dirigida, senti cada pensamento infeliz que Briony teve ao longo do seu percurso, tal como se fossem os meus. Vivi a Segunda Guerra Mundial pela perspectiva de cada um destes personagens. 

As três personagens principais são tão brilhantemente exploradas que dei por mim a esquecer-me convenientemente que estes são personagens puramente ficcionais. Robbie, homem sonhador, cheio de paixão e amor para oferecer a Cecilia. Humilde, com mil ambições e um homem com um carácter forte, incansável sempre. Cecilia, também uma mulher forte e a qual acabou por me arrancar várias vezes um sentimento de admiração, pelas atitudes que tomou. Um carácter igualmente forte e uma mente esperançosa que encheu o meu coração com uma melancolia imensa. 
E finalmente, Briony, que no início se mostra não ser mais do que uma criança egoísta, envolta em fantasias e criações da sua mente, que não distinguindo a ficção da realidade, acaba por cometer um crime que não tem volta atrás. No entanto, Briony adulta, acaba por se revelar uma personagem diferente e mais interessante. Inspirou o sentimento de pena, de revolta… mas no fundo, também acabou por inspirar sentimento de justiça. O ponto de vista dela foi aquele que mais me fez reflectir nas acções que tomamos precipitadamente e que se podem revelar os maiores erros da nossa vida. 
Fez-me pensar nos inúmeros actos que em criança fizemos, na total ignorância em que nos mantemos, referente ao porquê de tal acto. E quanto totalmente ignorantes somos do facto, das consequências que tal atitude pode ter, não só na nossa vida, como na vida das pessoas que nos são mais próximas.

Um romance que descreve maravilhosamente o sentimento, por vezes egoísta, que reflecte partes da infância. Que descreve de forma brutal e real, o ambiente e as consequências da guerra. Que descreve de uma forma belíssima o amor, a paixão, a relação entre dois apaixonados. 
Que inspira o leitor a pensar no perdão, nos arrependimentos de uma vida, na família e sobretudo… na expiação.
O livro acabou também por me mostrar o poder que uma imaginação pode ter. 

É uma obra intensa, do princípio ao fim e à qual é impossível ficar indiferente. Seja ao enredo, seja aos personagens, seja às circunstâncias em que a história se apresenta. De qualquer forma, Ian McEwan conseguiu emocionar-me em todos os níveis possíveis e dificilmente poderei descartar todas as mensagens que ele me passou, tudo o que ele me fez sentir através dos seus personagens e tudo aquilo em que ele me fez reflectir. 
Uma história tanto bela quanto triste. Uma história que me tocou o coração e que aqui vai ficar por muito, muito tempo.