Sonho Febril

Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos… Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.

ISBN: 9789896372750 – Edições Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2010 – 385 páginas


O grande nome de George R.R.Martin é conhecido mundialmente pela sua série Game of Thrones – tanto os livros como a adaptação televisiva – mas antes de começar com esse sucesso mundial, o autor escreveu este livro de vampiros, que já mostra muito do talento narrativo que o senhor tem.

Estamos no século XIX e o negócio dos barcos a vapor está ao rubro. Abner Marsh, que é dono de uma destas empresas que desloca os barcos a vapor rio acima e rio abaixo transportando passageiros e mercadoria, acaba de perder grande parte do seu volume de negócios num dos Invernos mais rigorosos que os estados sulistas dos Estados Unidos da América já viram. Encontra-se na mó de baixo, embora sonhasse um dia que a sua companhia tivesse um dos barcos a vapor mais rápidos do mercado. A oportunidade de realizar os seus maiores sonhos surge quando Joshua York propõe uma sociedade com Abner e lhe oferece a possibilidade de construir o barco dos seus sonhos para navegar o rio Mississípi.
No entanto, esta sociedade tem uns termos algo insólitos. Joshua tem algumas exigências que levantam alguma suspeita, mas Abner, cego pela possibilidade de atingir as suas maiores ambições acaba por aceder a todos os estranhos pedidos do seu mais recente parceiro. Os primeiros tempos da sociedade são ouro sobre azul, com poucos problemas, mas os rumores rapidamente começam a surgir sobre os estranhos hábitos de Joshua e da vida nocturna que este leva. Afinal, Marsh vai-se apercebendo que a sociedade em que se meteu é algo que abrange mais perigos do que apenas algumas extravagâncias de carácter.

Este livro é absolutamente viciante. Não foi perfeito, não foi a melhor leitura do ano até agora, mas esteve lá muito muito perto. Não entrei logo no espírito ao início, as primeiras 50 páginas foram as mais calminhas e por isso comecei a criar a ideia que este livro não seria assim tão bom quanto eu estava à espera. Mas… mal o barco começou a navegar pelo rio, a narrativa tornou-se altamente viciante e dei por mim com aquela sensação de “só mais um capítulo, só mais um…”. Está certo que as expectativas eram elevadas. Afinal estamos a falar de um dos autores mais falados na contemporaneidade e por isso esperava algo maravilhoso dele e foi isso que encontrei.
Não só o enredo é viciante e o leitor vê-se embrenhado na vida das personagens mas também o autor demonstra o seu conhecimento literário ao ir buscar a inspiração em Dracula de Bram Stoker e falar de acontecimentos que tiveram lugar na Europa de Leste no século XVI. Foi preciso alguma pesquisa para encaixar estas influências aqui e estes detalhes tornaram o livro deveras interessante para mim. Foi preciso também imaginação para dar uma nova perspectiva a esta temática.

Já nesta obra se nota que o autor tem um particular dom para a escrita e para aliciar os leitores com a sua narrativa, que viria mais tarde a culminar no sucesso da Guerra dos Tronos. O autor não arrasta demasiado o enredo, vai dando ao leitor a possibilidade de achar que há uma solução em breve e acaba por nos frustrar essa satisfação quando outra dificuldade se apresenta no horizonte para os personagens intervenientes. Toda a temática do vampiro está aqui muito bem trabalhada e acaba por dar uma nova perspectiva àquele que já é um tema muito trabalhado em qualquer literatura nacional. Abner, o narrador, foi uma personagem bastante aprofundada e deveras interessante. Na verdade, foi um dos narradores mais interessantes que tive oportunidade de conhecer. Já Joshua acho que ficou a perder nesta instância. Gostava que o autor tivesse explorado mais as personagens de Joshua e de Julian (este último revelava-se ser o mais rico em distúrbios mentais e penso que teria sido interessante conhecer algumas das suas opiniões em primeira mão).

Gostei imenso deste livro e foi uma autêntica surpresa!

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A Glória dos Traidores

O bafo cruel e impiedoso do Inverno já se sente. Quando Jon Snow consegue regressar à Muralha, perseguido pelos antigos companheiros do Povo Livre, não sabe o que irá encontrar nem como será recebido pelos seus irmãos da Patrulha da Noite. Só tem uma certeza: há coisas bem piores do que a hoste de selvagens a aproximarem-se pela floresta assombrada.

ISBN: 9789896370916 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2008 – 570 páginas

O Hobbit

Esta é a segunda metade do terceiro livro da série de George Martin. O quinto livro (correspondente à primeira metade) já tinha revelado que as surpresas estariam próximas e por isso foi com algumas expectativas que comecei a leitura deste livro. Comecei a leitura de forma algo lenta, visto que o autor tem já este hábito de ir construindo o enredo em forma de crescendo. No início parece estar tudo calmo e em questão de momentos, o caos apresenta-se, glorioso. Confesso que embora esteja a adorar esta série – George revelou-se ser um autor que move massas – acho que algumas partes do livro poderiam ser mais breves. Durante a leitura deste livro, algumas vezes senti que vários pormenores eram desnecessários e que vários elementos descritivos estavam lá apenas para encher o livro e não para fazer alguma diferença. Apesar de isso ser uma estratégia narrativa do autor, nunca antes tinha sentido isso se não neste livro, por isso creio que isso complicou a minha leitura, pelo menos até à primeira metade do livro – que é mais lenta e mais morosa.

No entanto, após ter chegado à segunda metade do livro, muitas coisas mudaram. De facto, até parecia que estava a ler um livro totalmente diferente. Tudo aquilo que foi mais lento, mais descritivo na primeira metade, foi acção e surpresa na segunda. De um momento para o outro, o autor começou a revelar facto surpreendente atrás de facto surpreendente, de forma que o leitor nem sabe para onde se virar. Decerto, até se sente algo perdido pois aquilo que parecia um livro tão calmo e tão sensaborão, revelou-se ser até agora, o livro mais explosivo da série para mim.

É verdadeiramente impossível nos mantermos impassíveis na leitura deste livro. Falo por mim, que nas últimas 200 e poucas páginas estive quase sempre de boca aberta. Alguns acontecimentos esperava, outros nem por isso. Normalmente não costumo gostar muito destas mudanças de ritmo abruptas na narrativa por serem exactamente isso, abruptas. Neste caso, é difícil dizer que não gostei. A verdade é que se o ritmo não tivesse mudado, provavelmente eu iria achar que este tinha sido um dos livros mais aborrecidos da série até agora. Mas foi devido a esta mudança de ritmo completamente alucinante que a leitura acabou por valer a pena. Não estava à espera desta sucessão de golpes e foram todos golpes que prometem ter consequências futuras interessantes.

Mais que isto, foi um final de livro que me deixou completamente ansiosa para explorar o futuro desta série. Este jogo político e social está cada vez mais empolgante e é impossível não conjecturar vários caminhos para as personagens que habitam este mundo. Sem surpresa alguma, George Martin consegue aqui mais um sucesso e deixa os leitores com água na boca.

Não sei quando lerei o(s) próximo(s) livro(s) mas estará certamente para breve.

Outlander - A Libélula Presa no Âmbar

A Tormenta de Espadas

Os Sete Reinos estremecem quando os temíveis selvagens do lado de lá da Muralha se aproximam, numa maré interminável de homens, gigantes e terríveis bestas. Jon Snow, o Bastardo de Winterfell, encontra-se entre eles, debatendo-se com a sua consciência e o papel que é forçado a desempenhar.
Todo o território continua a ferro e fogo. Robb Stark, o Jovem Lobo, vence todas as suas batalhas, mas será ele capaz de vencer as mais subtis, que não se travam pela espada? A sua irmã Arya continua em fuga e procura chegar a Correrrio, mas mesmo alguém tão desembaraçado como ela terá dificuldade em ultrapassar os obstáculos que se aproximam.
Na corte de Joffrey, em Porto Real, Tyrion luta pela vida, depois de ter sido gravemente ferido na Batalha da Água Negra, e Sansa, livre do compromisso com o rapaz cruel que ocupa o Trono de Ferro, tem de lidar com as consequências de ser segunda na linha de sucessão de Winterfell, uma vez que Bran e Rickon se julgam mortos.
No Leste, Daenerys Targaryen navega na direcção das terras da sua infância, mas antes terá de aportar às cidades dos esclavagistas, que despreza. Mas a menina indefesa transformou-se numa mulher poderosa. Quem sabe quanto tempo falta para se transformar numa conquistadora impiedosa?

ISBN: 9789896370718 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2008 – 538 páginas

O Hobbit

Os conflitos continuam a grassar nos Sete Reinos e a luta pela conquista do Trono de Ferro está mais acesa que nunca. Esta primeira metade do terceiro volume das Crónicas de Gelo e de Fogo. Em termos cronológicos, os acontecimentos deste livro estão a par do livro anterior e por isso não se pode dizer que mudou muito neste volume. Pode dizer-se sim que o nível de acção e as emoções começam a aumentar de intensidade.
Esta leitura não foi para mim muito fácil. Não tem que ver com o livro (que acabou por se revelar tão bom quantos os anteriores) mas tem mais que ver comigo. Comecei muito entusiasmada a leitura deste livro, mas depois sem saber muito bem como, meteram-se à frente uns livros da biblioteca que tinha de entregar e este foi posto de lado durante uns tempos. Até aqui, tudo bem.
Mas quando voltei a pegar no livro – apesar de continuar ansiosa para ler – já não foi a mesma, já não estava com a mesma ânsia, com a mesma sofreguidão. Até ao ponto em que cheguei a recear não ter vontade de lhe pegar novamente. O livro que até nos traz desenvolvimentos interessantes (para dizer o mínimo) e que tem um nível de acção estonteante, não podia de maneira nenhuma não gostar desta leitura. A questão é que existe um timing para tudo. Felizmente, o meu entusiasmo acabou por voltar e lá fui aos poucos lendo esta aventura.  Nesta primeira metade do terceiro não há mesmo tempo para parar e pensar no que está a acontecer.

As coisas simplesmente acontecem a uma velocidade verdadeiramente vertiginosa. Por vezes até me senti confusa com as tramas políticas que são cada vez mais intrincadas e complicadas de destrinçar. Confesso que alguns capítulos foram mais cativantes que outros por razões muito pessoais. Os pontos de vista dos meus personagens favoritos – até ao momento – são sempre aqueles que mais aprecio e por isso, leio esses capítulos com mais ânsia.
Todos vocês já estão fartos de o saber, mas a mim ainda me fascina o facto do autor ter criado um universo tão… completo. Rico, complexo. Cheio de tramas e mais pequenas tramas. Tanta variedade, tanta riqueza cultural que os livros de Martin oferecem aos seus leitores.
É impossível não se deixar conquistar pelas descrições do autor, por este universo cruel mas também belo.

O meu objectivo inicial seria ler já de seguida a outra metade que dá por concluído o terceiro volume da saga, mas como tal não irá ser possível de momento, vou ter que esperar mais um pouco para ler o sexto volume, A Glória dos Traidores. Por essa mesma razão, não me queria alongar em julgamentos precipitados sem ler o livro na sua totalidade. Se já tive várias surpresas neste livro, nem quero imaginar o que se segue.
Estou verdadeiramente aos pulos para ler o próximo episódio desta Crónicas de Gelo e Fogo.

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O Despertar da Magia

Quarto volume de As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga de fantasia mais vendida, elogiada e premiada dos últimos 50 anos, e a única obra de fantasia a conseguir o primeiro lugar do Top do New York Times.Esta é uma saga de grande fôlego, que vai buscar à realidade medieval a textura e o pormenor que conferem dimensão e crueza a um universo de fantasia tão bem construído que faz empalidecer a Terra Média de Tolkien. Martin é um especialista na manipulação das expectativas dos leitores e, profundo conhecedor do género, não deixa de estender sucessivas armadilhas com as quais desarma os tropos que o leitor pensa reconhecer a cada página. O épico de fantasia que toda a Fantasia Épica gostava de ser.

ISBN: 9789896370480 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) /2008 – 395 páginas

A Papisa Joana

Quem não leu os livros anteriores, não aconselho a leitura desta opinião.

A luta pela coroa dos Sete Reinos e pelo Trono de Ferro continua. Estratégias e planos de combate são traçados e mais que nunca, os conflitos espalham-se como um vírus pelo território. Alianças desfazem-se todos os dias e algumas Casas têm dificuldade em manter o seu território protegido. Homens amigos viram-se uns contra os outros na busca insaciável de mais e mais poder. A magia, algo que se julgava morto há muito muito tempo, volta de novo a nascer e a florescer em todo o seu esplendor e com este renascimento nasce também insegurança e desconfiança. O reino para além da Muralha também está em mudança e os selvagens preparam-se para investirem contra o Sul e para o território que se encontra a sul da Muralha. Ninguém está verdadeiramente seguro e vivem-se tempos muito perigosos, a todos os níveis.

O Despertar da Magia é a segunda metade do segundo livro da série das Crónicas de Gelo e Fogo e por isso mesmo, encontra-se na mesma linha do livro que tinha lido anteriormente a este, A Fúria dos Reis. Na opinião desse livro, tinha mencionado que tinha sido uma narrativa feita num ritmo mais lento, a calma antes da tempestade. E este livro não foi diferente, nesse aspecto. Começou na mesma linha mais política, vagarosa e foi desenvolvendo ritmo à medida que o final se aproximava. Preparando talvez a vinda de um próximo livro mais explosivo. Na minha perspectiva, apesar de ter sido um livro calmo, foi também um livro que trouxe muito à história e preparou terreno para acontecimentos futuros. A intenção do autor no final foi clara, com a sua habilidade de deixar os leitores a ponderar possíveis cenários. Nada nestes livros é definitivo. Tudo se caracteriza como sendo de carácter temporário e George deixa sempre os seus leitores em suspenso. Se são leitores que precisam de respostas pouco crípticas e muito concretas, vão encontrar nas páginas desta série muita frustração.

Creio que é impossível não entrar instantaneamente neste universo. Para mim, não é a fantasia que o torna único, embora seja de facto um mundo e uma criação fantástica. O que o torna único é ser um universo multi-facetado, com muitas voltas e reviravoltas. Com muitas dimensões e com personagens tão ricas dentro destas diversas facetas. Seja uma dimensão mágica, romântica, outra mais de acção, é impossível não nos envolvermos na vida destes personagens e seguirmos com a máxima atenção as suas diversas jornadas. George Martin consegue de uma forma assustadoramente eficiente fazer-nos criar uma ligação com os seus personagens.
Como tão bem esta sinopse menciona, o autor manipula com uma mão de mestre, as expectativas dos seus leitores. Não diria que as gora, mas mais que destrói aquilo que poderia ser o esperado dentro de uma série de fantasia. É impossível partimos para uma leitura destas a achar que sabemos o que vai acontecer. Isso é meio caminho andado para acabarmos esta leitura com o queixo no chão.

Além disto, a minha parte favorita destes livros é a forma como o autor trabalha com a dimensão humana. Já mencionei isto, mas nunca é demais fazer notar quão brilhante é a forma como ele constrói as suas personagens e como as desenvolve. Nem todos os autores são bem sucedidos quando tentam construir personagens tão complexas e multi-facetadas (como o próprio mundo onde se inserem).

É uma série que merece o sucesso e a fama que tem vindo a angariar ao longo dos anos e sem dúvida alguma que irei continuar a ler os livros deste autor. Conto ler os próximos dois volumes das Crónicas de Gelo e de Fogo já em Julho e mal posso conter a minha ansiedade para saber o que me espera.

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A Fúria dos Reis

Quando um cometa vermelho surge nos céus de Westeros encontra os Sete Reinos em plena guerra civil. Os combates estendem-se pelas terras fluviais e os grandes exércitos dos Stark e dos Lannister preparam-se para o derradeiro embate.
No seu domínio insular, Stannis, irmão do falecido Rei Robert, luta por construir um exército que suporte a sua reivindicação ao trono e alia-se a uma misteriosa religião vinda do oriente. Mas não é o único, pois o seu irmão mais novo também se proclama rei, suportado por uma hoste que reúne quase todas as forças do sul. Para pior as coisas, nas Ilhas de Ferro, os Greyjoy planeiam a vingança contra aqueles que os humilharam dez anos atrás.
O Trono de Ferro é ocupado pelo caprichoso filho de Robert, Joffrey, mas quem de facto governa é a sua cruel e maquiavélica mãe. Com a afluência de refugiados e um fornecimento insuficiente de mantimentos, a cidade transformou-se num lugar perigoso, e a Corte aguarda com medo o momento em que os dois irmãos do falecido rei avancem contra ela. Mas quando finalmente o fazem, não é contra a cidade que investem…
O que os Sete Reinos não sabem é que nada disto se compara ao derradeiro perigo que se avizinha: no distante Leste, os dragões crescem em poder, e não faltará muito para que cheguem com fogo e morte!

ISBN: 9789896370268 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2008 – 429 páginas

O Hobbit

Para quem não leu os dois livros anteriores, aconselho a não lerem esta opinião.

Após a morte de Robert Baratheon, os Sete Reinos encontram-se envolvidos num tremendo conflito pela luta da coroa. As Casa dividem-se em facções e cada um escolhe um lado. O reino está mergulhado em sangue, miséria e horror. Ninguém pode confiar em ninguém. A luta pelo poder está mais intensa que nunca, com Stannis e Renly Baratheon na primeira linha de batalha. Joffrey e a Casa Lannister muito sofre tentando manter o trono e tentando satisfazer a população em Porto Real, que está pronta a rebelar-se contra os seus governantes. A população passa fome e está na miséria abosluta e os Sete Reinos estão mais instáveis que nunca. Cada homem por si mesmo e todos os juramentos se quebram nestes tempos de instabilidade política. A magia está no ar e poderes muito antigos acordam, prometendo lançar ainda mais o caos no território inteiro.

Depois de ter ficado surpreendida (pela positiva) com os primeiros dois volumes – o primeiro livro no original – da série Crónicas de Gelo e de Fogo, foi com muito entusiasmo que me lancei a esta primeira metade do segundo livro da série, intitulado em inglês Clash of Kings – que representa muitíssimo bem a essência do livro, devo dizer. Depois de um início prometedor, este livro A Fúria dos Reis prometia ser uma leitura igualmente cativante. E assim foi. Este senhor está a revelar-se ser um mestre em trocar as voltas aos seus leitores. E a cativá-los de maneira única.
Este livro para mim, revelou-se ser uma narrativa mais calma, de certo modo mais estratégica. Deu mais ênfase à contextualização política do reino, por razões óbvias. Gostei bastante desta mudança de ritmo devo dizer. Os primeiros dois livros para mim uma azáfama, foram lidos de forma bastante rápida, com muitas emoções ao rubro pelo meio. Já na leitura deste livro, senti que esta foi feita a um ritmo mais vagaroso, mais lento, mas nem por isso menos cativante. Obrigou-me a olhar verdadeiramente para os personagens que mais aparecem nesta primeira metade da obra e obrigou-me também a pensar nas suas acções, nas suas verdadeiras motivações. Obrigou-me a pensar como um estratega político. Sendo que é muito difícil conhecer estes personagens na sua totalidade (têm sempre muitas facetas) deu-me especial gozo tentar perceber a natureza de cada um. As suas lealdades. Quais poderiam ser os seus passos.

De facto, creio que um dos grandes talentos de Martin é a maneira como ele manipula esta condição humana. Todos nós fomos equipados com emoções, raciocínio lógico (algo do qual nos orgulhamos muito) e com um certo sistema de regras e valores que nos são incutidos desde crianças, como é exemplo o bem e o mal e, George Martin joga com isso mesmo. Joga com o facto de todas as personagens serem humanas, com o facto de todas terem fraquezas e terem emoções. Por isso mesmo é que o leitor nunca chega a conhecer na verdade os personagens, nem mesmo aqueles que considera bons ou os seus preferidos. A qualquer momento, essas personagens se podem revelar ser aquilo que o leitor não esperava que fossem, porque isso é o que significa ser humano. E os seres humanos são manipuláveis em todas as circunstâncias, essa é a verdade.
O facto de o livro fazer grande ênfase no contexto político foi igualmente interessante, como já referi antes. Principalmente para perceber o que o poder, ou o desejo de ter poder, pode mudar nas personagens e nas personalidades dessas mesmas personagens. A ambição é uma coisa muito perigosa, especialmente se isso significa que se ambiciona controlar um reino inteiro e deter nas mãos o poder de mudar milhões de vidas sem ponderar possíveis consequências. É sempre interessante perceber do que é o ser-humano é capaz quando ambiciona algo que se encontra ao seu alcance.

E tudo isto são questões levantadas dentro de um universo fantástico como é o universo de Game of Thrones. Mais que tudo, adoro a forma como George nos mete a ponderar sobre tudo isto com uma mão cheia de personagens apenas. O enredo no geral foi bastante calmo, por assim dizer. Foi com poucos sobressaltos no caminho que se fez esta leitura agradável e que nas últimas páginas não falha em deixar os seus leitores a chorar por mais. Uma série que me surpreende a cada novo livro que leio.

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A Muralha de Gelo

5739512Eddard Stark só aceitou o prestigiado cargo de Mão do Rei para proteger o rei… ou não suspeitasse que o anterior detentor desse título fora mandado assassinar pela rainha. Mas agora Eddard tem a certeza que foi ela. E também sabe a razão: a rainha tem um segredo escabroso que pode levar à queda da dinastia e mesmo à guerra civil!E como se a conspiração palaciana não bastasse, tudo piora quando o rei Robert Baratheon é ferido mortalmente por um animal numa caçada. Mas a Mão do Rei já desconfia de tudo: terá sido mesmo um animal… ou o trabalho de mais um assassino da rainha? Um homem honrado e justo, Eddard Stark começa a temer ser derrotado pelo ninho de víboras que é a Corte e a Casa Lannister. Mas a ameaça de guerra civil não é a pior sombra que paira no ar. No norte, para lá da muralha de gelo, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E ainda mais longe, a última herdeira dos Targaryen prepara-se para invadir os Sete Reinos com o maior exército alguma vez visto… e com o auxílio de dragões!

ISBN: 9789896370206 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2007 – 397 páginas

Lorde Eddard Stark é agora Mão do Rei e com este cargo vêm mais do que responsabilidades. Ned rapidamente se apercebe de que a vida na corte real não é tão fácil como à primeira vista poderia parecer. Os segredos que vai descobrindo são uma ameaça grande e perigosa. Ned não sabe em quem confiar e o caos e a desconfiança rapidamente se instalam em Porto Real. Quando Robert Baratheon fica ferido com gravidade, Ned percebe que terá de agir com subtileza mas também com rapidez porque o Inverno está mesmo a chegar e a vida nos Sete Reinos nunca mais será igual com as ameaças que se encontram à espreita em todas as esquinas.

Esta A Muralha de Gelo é a segunda metade do primeiro livro da série As Crónicas de Gelo e Fogo. O primeiro volume das crónicas foi uma surpresa estonteante para mim. Um mundo rico com imensas personagens, pormenores e descrições, adorei conhecer esta criação de George Martin. Por isso mesmo achei por bem ler estes dois livros de seguida, visto que na versão original são um livro. À semelhança da primeira metade, é um volume cheio de acção e movimento, onde somos surpreendidos em vários momentos da narrativa.

Não sei bem explicar o que irremediavelmente me conquistou nestes volumes que acabei de ler. A escrita do autor é certamente cativante, muito descritiva, mas muito dinâmica que atrai o leitor a cada instante. O seu mundo é rico, variado e cheio de coisas novas para descobrir e explorar. Os seus personagens são muitos, mas igualmente ricos. Não sabemos em quem confiar e os amigos de hoje podem ser os inimigos do amanhã. Esta viragem e eterno mistério é interessante, já para não dizer que a possibilidade de lermos sob pontos de vista diferentes nos mostra diferentes visões do mesmo acontecimento, tendo assim uma aproximação mais real aos personagens.

Pouco posso acrescentar sem revelar pontos fundamentais do enredo, por isso, fico-me por dizer que para já, este mundo está a ser uma surpresa e com certeza que tenciono ler, pelo menos, os próximos dois volumes em português que correspondem ao segundo livro no original. George Martin promete novos e excitantes desenvolvimentos neste mundo fantástico e eu estou pronta para descobrir mais. Vou também aproveitar para começar a ver a primeira temporada da série televisiva. Confesso que já me encontro inquieta para ler os próximos livros.

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Opiniões do mesmo autor:

A Guerra dos Tronos

5739442 Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo. Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga. Entre eles estão o anão Tyrion, a ovelha negra do clã Lannister; John Snow, um bastardo de Eddard Stark que, ao ser rejeitado pela madrasta, decide juntar-se à Patrulha da Noite, uma legião encarregue de guardar uma imensa muralha de gelo a norte, para lá da qual cresce uma assustadora ameaça sobrenatural ao reino. E ainda a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert Baratheon, que pretende ressuscitar os dragões do passado e, com eles, recuperar o trono, custe o que custar.

ISBN: 9789896370107 – Saída de Emergência (Colecção Bang!) / 2007 – 379 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Eddard Stark é Lorde Stark, senhor de Winterfell. Winterfell situa-se no norte e esta é uma das casas mais antigas dos Sete Reinos. Eddard sente-se feliz e confortável com a vida que aqui leva, junto da sua senhora e dos seus filhos. Contudo, a chegada do Rei e seu amigo, Robert, acaba por alertar Ed de que a sua vida está prestes a mudar. Os seus receios acabam por se provar serem verdadeiros quando Robert pede a Ed que este seja a Mão do Rei, o seu braço direito. Isto é uma grande honra, pois é um lugar que muitos ambicionam e que traz a quem tem esta posição, bastante poder. Contudo, a Mão anterior que pereceu de uma forma algo suspeita, não descansa Ed e a sua mudança para Sul significa que Ed irá aterrar no meio de conspirações políticas, sem saber em quem pode totalmente confiar. “O Inverno está a chegar” e os tempos difíceis estão apenas a começar.

Este A Guerra dos Tronos marca a minha entrada na série As Crónicas de Gelo e Fogo e marca também a minha estreia com o autor George Martin. Como é óbvio, não fiquei cega ao sucesso que tantos os livros como a série televisiva fizeram por esse mundo fora e portanto não foi com muito espanto que me apercebi que este primeiro volume foi o livro mais votado na minha iniciativa Desafio aos Leitores. Confesso que me encontrava um pouco receosa, no entanto. Nunca fui a maior fã de fantasia, como vocês já estão fartos de saber, mas nos últimos anos, tenho lentamente mudado a minha opinião. Portanto, foi sim com algum espanto que acabei esta leitura a desejar mais. Na verdade, eu só li a primeira metade do primeiro livro (a editora divide os livros desta série), pelo que foi por essa razão que mal acabei A Guerra dos Tronos, comecei a ler A Muralha de Gelo.

E estou positivamente admirada. A escrita de George Martin é incrivelmente fluída, algo que não esperava. Esperava que este fosse o tipo de narrativa vagarosa, lenta a desenvolver e muitíssimo descritiva. Contudo, contrariamente às minhas expectativas, encontrei uma narrativa bastante dinâmica, com bastante ritmo e um enredo que nos deixa com vontade de descobrir mais e mais a cada paragem que façamos. Dificilmente larguei o primeiro volume, pois como digo, o autor tem uma escrita muito fácil e que faz com que o leitor mergulhe no livro sem alguma hesitação.

Ao início, senti-me um pouco confundida com tanto nome, tanta casa e tanto pormenor e característica sobre este mundo único. Cada capítulo é-nos apresentado num ponto de vista diferente e para mim isso é uma vantagem, visto que num mundo rico em personagens é importante ter mais que uma visão dos acontecimentos. Faz-me sentir, como leitora, mais próxima de cada um dos intervenientes da história e do livro. É-me difícil dizer que parte do livro, gostei mais. Se do enredo principal, se da construção dos personagens. Creio que ainda é cedo para começar a fazer este tipo de julgamento.

Posso contudo dizer que foi uma descoberta que me deixou surpreendida e que me deixa com água na boca para saber e descobrir mais. Sei, com toda a certeza, que as surpresas não acabam aqui. Aliás, ainda nem vi nada, de facto. Mas sei que o autor ganhou outra nova leitora. Espero que os próximos “episódios” se revelem tão bons quanto este primeiro volume.

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