Uma Mulher de Sonho

Uma Mulher de Sonho é um livro que nos conta a história de Rosie Gardener, uma mulher que, já nos trinta e com excesso de peso, se deixa seduzir pelo mulherengo Kent Bliss. Apesar dos avisos bem-intencionados de Vickie, a sua melhor amiga, Rosie acaba mesmo por casar com Kent, e o desastre confirma-se. Humilhada pelo desprezo do marido ao longo de três dolorosos anos de casamento, Rosie reúne finalmente coragem para o mandar embora. Só que, por um capricho do acaso, exatamente no dia em que toma esta difícil decisão ganha 302 milhões de dólares num bilhete de lotaria…




ISBN: 9789722344098 – Editorial Presença / 2011

Rosie Gardener tem tudo o que quer na vida, excepto uma coisa. Tem uma vida abastada, vive numa boa casa, tem um óptimo salário e em termos materiais não lhe falta nada. A única coisa que falta nesta equação é a felicidade. Isto porque Rosie está presa a um casamento sem amor e para ajudar à sua infelicidade, tem excesso de peso, o que significa que o amor-próprio nesta mulher é inexistente. Kent Bliss, o seu marido de dois anos, claramente não se interessa por Rosie e pela sua felicidade, pois este é dos mulherengos mais impossíveis que os leitores já tiveram o desprazer de conhecer.
Na altura deste noivado, a melhor amiga de Rosie – Vickie – bem a tentou avisar e alertar na situação em que se estava a meter, mas esta, cega pela beleza de Kent, não viu senão a possibilidade da sua melhor amiga estar com  ciúmes, por ver a sua amiga “gorda” a conseguir conquistar um homem como Kent.
Isto acaba por criar uma tensão insuportável na amizade das duas mulheres e Rosie segue em frente com o casamento, que acabaria por se revelar uma das piores decisões de sempre na vida de Rosie. 
Após quase 3 anos de casamento, Rosie começa a ver a luz ao fundo do túnel e apercebe-se que não pode continuar a ser manipulada pelo egoísmo e egocentrismo de Kent e decide separar-se do marido. No entanto, seja por destino ou por carma, Rosie tinha jogado na lotaria e qual não é o seu espanto quando realiza que foi a vencedora do sorteio Wonderball, que tem como prémio uma quantidade imensurável de dinheiro. E Kent, agora que já não tem Rosie para sustentar o estilo de vida que estava habituado, não pode deixar que Rosie ganhe esta última batalha de final de casamento.

À primeira vista, este parece ser um romance leve, inspirador, com momentos de humor, que prometem fazer as delícias aos leitores que procuram um livro leve, perfeito para descontrair. A verdade é que este livro tem realmente potencial para fazer isso tudo, mas tanto o enredo como as personagens foram mal aproveitadas e a meu ver, muito mal construídas. Confesso que as expectativas acabaram por se revelar demasiado altas e saí desiludida desta leitura, com muita pena minha. Mas enfim, o mundo dos livros é assim mesmo. Não poderei gostar de todos os livros que leio e nem todos tocarão o meu coração. Este foi um deles. 
Por isso mesmo me pergunto por onde começar? 


Poderia começar por dizer que a escrita da autora, embora agradável e fluída, é desinteressante pelo simples facto de ter construído um enredo que não teve piada nenhuma, a meu ver. Por conseguinte, a sua escrita não conseguiu cativar o meu interesse para a história e a leitura foi algo sofrida. Mas não me interpretem mal, pois o início da obra revelou-se se certa forma, bastante auspicioso. Começamos por ter um vislumbre da amizade de Rosie e Vickie e isso foi uma coisa que me agradou, pois adoro ver relações de amizade retratadas nos livros. No entanto, mal percebi que tipo de chatice tinha grassado entre estas duas melhores amigas, comecei logo a ficar chateada com as circunstâncias. Desprezo mulheres que põem em risco uma amizade por causa de um homem, seja ele qual for. Sempre acreditei que quem fica no fim são os amigos e não os “amores”. Por isso mesmo, comecei logo a ganhar pó à protagonista. 


Isto sem ter percebido que Rosie é daquelas mulheres que engordam e se sentem feias, que querem emagrecer como que por magia e não sabem gostar de si. Estes factores só por si, não têm problema nenhum e são compreensíveis, afinal sou uma mulher e compreendo intimamente estas coisas. No entanto, não consigo gostar de uma pessoa que desiste dos objectivos sem sequer antes começar a tentar e Rosie é esse tipo de mulher. Na vida, temos que aprender a lutar e embora possamos cair muitas vezes, o que conta não são o número de quedas mas sim o número de vezes que nos levantamos e que prosseguimos, a cada vez que passa, mais fortes e resistentes. 
Dito isto, às tantas já nem conseguia pensar em Rosie sem revirar os olhos… não há paciência para protagonistas fracas, que só após baterem com a cabeça na parede mil e uma vezes é que começam a ter um vislumbre da própria burrice e do egoísmo… Enfim, a frustração é tanta, que temo estar a ser crítica demais com o carácter fraco de Rosie, mas esta está no número 1 do Top – personagens a riscar do mundo literário.


Sem conseguir ultrapassar este trauma com a protagonista, o resto da leitura foi um aborrecimento. Não gostei da história, não gostei dos personagens e muito menos acho que a Rosie merecia um homem como o Jack. 
Este para mim não foi uma comédia romântica, foi antes, um drama desastrado. 


Contudo, há que ter em conta que o gostar ou não de uma coisa é relativa e aquilo que eu gosto, poderá não ser o mesmo que vocês gostam, portanto aconselho a lerem esta opinião de forma neutra (embora sabendo que é difícil) e não a tomarem decisões única e exclusivamente por causa do que escrevi. Quem sabe se não poderão gostar do livro?  
  

       





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