O Diário da Madrasta

Uma capa colorida, atraente, um título engraçado com uma cor que promete riso. Uma sinopse apenas metade enganadora. Pouco basta para fazer levar os leitores a pensar que irão ler uma coisa completamente diferente daquilo que se encontra, realmente, nas páginas desta obra. 
Se pensam que irão encontrar uma história feliz, despreocupada, mas com uma mensagem importante que é revelada por entre risos, situações cómicas e muita diversão, este não será o livro de que andam à procura. 

Se no entanto, estiverem à procura de um romance epistolar contado de forma sarcástica e que é capaz de fazer com que abomine todas as personagens, força, irá gostar desta leitura. 

Para melhor saberem o que poderão encontrar: este livro conta-nos em primeira mão o casamento desastroso de uma das personagens, devido ao diários da Sappho e aos cadernos de notas de Emily. Estas duas personagens são filha e mãe, respectivamente. 
Sappho era a ama dos filhos de Gavin e de Isolde, quando andava na faculdade. Depois de Isolde morrer, Sappho separa-se dessa família e tenta seguir um rumo de vida normal, conseguindo até desenvolver uma carreira como escritora de peças de teatro, telenovelas e torna-se então uma jovem mulher muito promissora na área. 
Até que 7 anos depois, volta a reencontrar Gavin e depois de um curto namoro, decidem casar, tal como havia sido profetizado pela enferma Isolde. 
Só que este casamento não corre das melhores das maneiras, porque ao contrário do que é tradicional: as madrastas serem más para as enteadas; neste romance assistimos antes à inversão destes papéis e temos de assistir à malvadez da enteada de Sappho, Isobel.

Tinha já uns tempos, aquando o lançamento, ouvido muito falar sobre o livro. Os factores que referi no primeiro parágrafo sempre foram um atractivo muito grande para a aquisição e curiosidade sobre o livro. No entanto, o tempo foi passando e a escassez das opiniões sobre o mesmo também, pelo que nunca mais me lembrei da obra. 
Não esperava grande coisa. Por um lado, porque não conhecia a autora, logo, não tinha expectativas e segundo, quando comecei a ver alguns conterrâneos bloguistas a publicarem opiniões, vi que o livro era um exemplo perfeito ao ditado popular: “as aparências enganam.” 
Confesso que não fiquei muito impressionada com a história. O livro não é divertido, nem um pouco. É uma história séria, que nos faz avaliar bem o ser humano e tudo o que de mau ele consegue fazer. 
De qualquer forma, isso nem seria mau; seria até educativo se a autora não tivesse escolhido uma protagonista que passa a vida com uma pala nos olhos e que não vê mais nada senão a sua própria mesquinhez e estupidez. 
De todos os personagens, o único que não me irritou ou chateou em todo o enredo foi o Barnaby, que é o único que se aproveita (talvez por ser o mais racional, o mais sensato e o menos ignorante do lote). 

É de facto um livro que nos faz reflectir e pensar em todas as características humanas. Esse é o ponto mais forte do livro. De resto, tudo é ligado ao sexo, ou às intenções sexuais de algum personagem e o livro tornou-se aborrecido por isso mesmo. A autora passou o livro todo, a fazer considerações sobre Freud e o facto de Emily ter 70 anos e ser uma ninfomaníaca. 
Isto não é de todo um enredo que tenha início, desenvolvimento e fim, pelo que foi um desperdício de palavras. 

Uma má experiência. Apenas o número de páginas impediu que eu não pusesse as mãos à cabeça e ficasse desesperada.