O Estranho Caso de Benjamin Button

Opinião:

Life would be infinitely happier if we could only be born at the age of eighty and gradually approach eighteen. – Mark Twain

Este pequeno conto da autoria de F.Scott Fitzgerald foi de certa forma inspirado nesta frase de Mark Twain, em que o mesmo dizia que a vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer sendo octagenários e pudéssemos gradualmente, irmo-nos aproximando dos dezoito. Esta curiosa frase, foi indirectamente – ou mesmo directamente – o factor que impulsionou o autor a escrever esta história sobre a vida de Benjamin Button. 
Esta história começa aquando o senhor Button se dirige à maternidade para ver pela primeira vez o seu filho primogénito. 
Quando chega ao hospital e menciona a vontade de ver o seu filho, depara-se com estranhas atitudes tanto por parte do médico responsável pelo parto, tal como por parte de todas as enfermeiras da secção de maternidade. 
A razão para tal estranheza é que em vez de encontrar no berço um menino com poucas horas de vida, encontra um senhor que aparenta ter 70 anos de idade e que insiste que é o filho de Sr. Button. 
Este, depois de alguma persuasão por parte dos funcionários do hospital, tem de encarar a verdade e a estranheza deste acontecimento: o seu filho, que era tão desejado, nasceu com a aparência de um senhor de já avançada idade.
E eis que o autor nos dá a oportunidade de seguir de perto a vida algo infortunada do Benjamin Button, que à medida que os anos passam, vai rejuvenescendo, directamente em sentido contrário ao do relógio que anda para a frente e não para trás. Este é um romance que nos mostra o inverso desta realidade e é esse o seu maior trunfo. 
Confesso que não tinha nos meus planos a leitura deste pequeno conto. Eu já tinha visto o filme e raramente leio os livros já depois de ter visto a adaptação cinematográfica do mesmo. Mas, depois de ter lido outra obra deste autor, da qual também gostei muito –  O Grande Gatsby – fiquei com bastante curiosidade quanto aos outros livros que o autor tem, especialmente este conto que é muito conhecido devido à adaptação de que foi alvo. Felizmente, vi uma opinião bastante entusiástica a este livro, no blogue “Ler y criticar“, pelo que decidi romper o meu ritual e dar oportunidade a esta obra literária. 
Apesar de achar este conto exageradamente pequeno e ter ficado algo desiludida pela “rapidez” da história, este foi um livro que me satisfez sobremaneira. É um livro que me permitiu abrir os horizontes e ir mais além, transportando o relato fictício do autor para um cenário em que este poderia ser real. As possibilidades de tal feito seriam infinitas e diverti-me imensamente ao ponderar o que poderia ser uma vida em que o relógio biológico andasse ao contrário. 
Tive realmente pena que o autor não tivesse desenvolvido com mais extensão todo o enredo e as personagens que nele entram, porque estou convicta que mereciam mais atenção e mais escrutínio. Gostaria de ter presenciado de forma mais intensa o percurso de Benjamin Button. 
No entanto, a minha imaginação colmatou estas pequenas falhas que encontrei. Devo dizer que neste caso (é raro, certo) prefiro o filme ao conto. Isto porque o conto é tão pequeno que não dá oportunidade ao leitor de se ambientar confortavelmente à história. Neste caso, o filme abordou mais pormonorizadamente a vida do Benjamin. 
É um livro interessante, contudo. É um livro que pensa “fora da caixa” e que abre portas cheias de possibilidades à nossa imaginação. Uma ideia original. 
  

Opinião – O Grande Gatsby

Opinião:
Este é o primeiro livro que leio do autor. Apesar de ser uma personalidade francamente conhecida por este mundo fora, devido às suas obras literárias, nunca tinha tido a oportunidade de ler um livro dele. Assim, oportunamente decidi pegar neste livro, O Grande Gatsby, que é considerada uma das obras de ficção mais influentes do século XX. Confesso que fui para esta leitura completamente desprovida de expectativas, visto que não pesquisei nada sobre as obras do autor, nem li críticas. Provavelmente a leitura revelou-se melhor do que eu esperava por isso mesmo.
Aproveitei uma iniciativa conjunta para pegar neste livro que se encontrava escondido nas estantes da minha família, esquecido entre outros livros já mais antigos. Apesar de eu apresentar a ficha técnica de uma edição recente, eu tenho a edição que já saiu há vários anos com a Revista Visão. Os motivos porque apresento esta edição em cima, são simples. Eu gosto de apresentar aos meus leitores/seguidores, as fichas técnicas das edições que eu tenho, ou quando isto não acontece, edições que são acessíveis/recentes. 
Neste caso em particular apresento a edição de bolso, por considerar uma boa aposta. Tanto em termos de comodidade (embora possa haver quem não goste de edições de bolso) e também devido ao factor preço, que na altura em que vivemos, é de extrema importância. 
 
Eu fui para a leitura desde livro em branco, por assim dizer. Embora estando familiarizada com algumas obras do autor (apenas de nome), nunca dei especial atenção às mesmas. 
 É um livro muito pequeno, que se lê num instante. No entanto, acabei por contrariar a tendência que parece acontecer de todas as vezes que leio um livro considerado pequeno. Costumo sempre ter a sensação que estes livros “sabem a pouco”, o que não aconteceu com este. O autor conseguiu explorar os acontecimentos do enredo de forma objectiva, não perdendo o rumo da história. 
É uma história simples, com personagens bem construídas. A escrita do autor não é aborrecida nem confusa. O leitor entra com facilidade no enredo e quando dá por si, chegou ao final. 
Poderíamos dizer que a personagem principal deste livro é o Sr. Jay Gatsby, mas na verdade quem detêm maior importância é o narrador – Nick Carraway. 
Ambos são personagens interessantes e, embora o livro faça um relato da vida algo misteriosa de Gatsby, é Nick que nos transporta para os acontecimentos, o que faz com o que o leitor se sinta mais próximo dele. 
Por essa mesma razão, gostaria de ter visto um maior desenvolvimento da personagem de Nick. 
 
O autor dá neste livro, uma grande importância à honestidade versus mentira e é uma temática que se encontra presente em todo o livro, embora o faça de forma, por vezes subtil, e por outras de forma mais óbvia. 
Com um leque de personagens invulgarmente reduzido, dá-nos a oportunidade de dar uma maior atenção àqueles que existem. 
Aproveito também para dar destaque à personagem de Tom Buchannan, que me fez avaliar com maior atenção várias atitudes que ainda hoje acontecem. 
De certa forma, Nick é a personagem modelo desta obra e que deveria, na minha opinião, ser um modelo para os restantes.
 
Gostei da experiência e vou querer ler mais do autor.