Estados de Espírito #44

Esta TAG pareceu-me muito divertida e quero agradecer à Jojo do blogue Devaneios da Jojo, antes de mais, por me ter taggado. Esta TAG foi criada  Catarina do blogue e canal Little House of Books. Deixo desde já o desafio de responderem, a todos os que o quiserem fazer.

As perguntas são:

1- Preferias só poderes ler um livro por ano e saberes que ias adorá-lo imenso ou leres vários e não gostares muito deles?

É sempre bom encontrarmos um livro que tenha um impacto especial, mas eu preferia ler vários e manter a esperança que aparecesse algum que fosse “o tal”. Mesmo que não acontecesse, teria a expectativa.

2- Preferias nunca poderes conhecer o teu autor(a) favorito/a ou nunca mais poderes ler mais livros do/a mesmo/a a partir deste momento?

Eu preferia nunca poder conhecer o autor, sem dúvida. Se eu adoro os livros dele/a, quero continuar a lê-los mesmo que nunca venha a conhecer a personalidade por detrás das criações.

3- Preferias ser obrigado a ver sempre os filmes antes de leres os livros ou nunca veres os filmes?

Preferia ser obrigado a nunca ver os filmes, seria a minha primeira reacção. Gosto tanto de ler primeiro os livros e depois ver a adaptação cinematográfica que acho que a primeira seria uma maior tortura que a segunda. 😛

4- Preferias matar uma das tuas personagens favoritas de sempre ou deixar um dos piores vilões escapar impune?

Esta pergunta já é mais difícil. Será que podia deixar o vilão escapar impune e apanhá-lo noutra oportunidade ou isso é batota? Dependendo do vilão e dos seus actos, deixaria que este escapasse impune. Mas há alguns sacrifícios que também têm que se fazer por isso teria que analisar isto em mais pormenor e com maior conhecimento de causa.

5- Preferias ser um tributo nos Jogos da Fome ou que a pessoa mais importante para ti no mundo o fosse?

Preferia ser um tributo, não há escolha possível nesta pergunta.

6- Preferias que a tua série favorita de sempre nunca tivesse existido ou que o/a autor(a) nunca a conseguisse acabar?

É um dilema, esta. Creio que viveria mais feliz se nunca tivesse sabido da existência da minha futura série favorita do que viver sem que esta tivesse tido a oportunidade de chegar a um fim.

7- Preferias nunca ter conhecido esta comunidade literária na internet ou teres de deixar de fazer parte dela para sempre obrigatoriamente?

O racícionio da resposta anterior também serve para esta. Aquilo que não sabemos não nos pode magoar. Mas ser obrigada a deixar de fazer parte de algo que aprecio muito seria crueldade.

8- Preferias que um livro que encomendaste chegasse a tua casa numa edição super feia, mas em ótimas condições ou que chegasse a tua cada na edição que querias, mas toda estragada, sem puderes reclamar?

Já me aconteceram situações semelhantes. Eu prefiro sempre que o livro venha em boas condições mesmo que a capa não seja a que eu queira. De qualquer modo, também fico sempre um pouco frustrada quando me aparece uma edição que não escolhi. ARGH.

9- Preferias que os teus livros, por conta de uma tragédia, ardessem ou se afogassem?

Até dói só de pensar. Talvez a primeira, sempre podia pensar na beleza trágica do Fahrenheit 451.

10- Preferias rasgar a capa de um livro ou sujá-la com algo que não saia?

Acho que preferia rasgar, se fosse um rasgão pequenino e que mal se notasse!

Estados de Espírito #43

Os sonhos são forças motivadoras que nos impelem para o sucesso e para a realização mesmo quando achamos que não é possível chegarmos tão longe. É a mão invisível que nos motiva a dar o passo mais além, é aquilo que nos mantém vivos quando nada na realidade parece satisfazer-nos. Fui criada para acreditar no poder dos sonhos e fui criada com a força e resiliência necessárias para atingir os desejos mais profundos do meu coração. Nunca na vida perdi a fé nos sonhos, mas algures nesse caminho desnivelado que é a vida, cheguei a perder a fé em mim e deixei de acreditar ter essa força e essa resiliência que é preciso para alcançarmos o sítio onde queremos estar.
Nem sempre é fácil manter-mo-nos fiéis ao nosso caminho e aos nossos sonhos. Os elementos que podem desviar-te do teu curso são mais que muitos. A motivação, a fé que tens naquilo que queres alcançar e todas as condicionantes sociais e económicas que estão presas a esses mesmos sonhos são por vezes, quase impossíveis de ultrapassar. E claro, temos as forças que desacreditam todos os teus sonhos. Os que dizem que não consegues, os que dizem que é inútil, que não tem futuro, que isto, que aquilo.
As curvas na estrada são mais que muitas e por vezes podemos olhar para trás e pensar: para que é que afinal, estou a fazer isto? para que é que estou a perseguir os meus sonhos, se são inúteis, se são improdutivos?
Andamos todos à procura do mesmo, e esse mesmo é a felicidade. E nunca percebi porque é que se desacredita os sonhos dos outros, a felicidade daquele que está próximo de nós.
Ao longo dos tempos tenho vindo a provar aos outros, mas mais importante – a mim mesma – que é preciso sonhar e ainda mais fundamental, que é preciso perseguir todos os nossos sonhos. Podemos ser personalidades “pés no chão” mas do que nos vale esta vida se não pudermos sonhar, se não pudermos ter um “algo mais”, desejos que nos acalentam o espírito e que nos enchem o corpo de adrenalina, prontos para provarmos a nós mesmos que somos capazes.
Os sonhos são tão importantes para mim porque me mostram que sou, de facto, capaz. Sou capaz de dar esse passo, de ir até onde o outro não quis, mostram-me que aqueles que continuam desacreditam os objectivos dos outros são aqueles que têm medo de dar esse passo além e são os que continuamente nos cortam as asas para que não sejamos capazes de voar.
Sou sincera, a minha alma tem uma necessidade imensa de voar. Os sonhos são a energia que alimentam o meu espírito e alimentam a minha vontade de alcançar esse “algo mais”. Não há sensação melhor do que olhar para trás e ver a lista dos sonhos com riscos determinantes que gritam REALIZADO. Não há sensação melhor do que ver a nossa alma voar e pensar, fui capaz. E estou a ser capaz. E serei capaz.
Recuso-me e recusar-me-ei a ser desacreditada ou desmotivada. Porque não há melhor sensação do que calar as bocas que dizem “não és capaz”.

(encontrado aqui)

Estados de Espírito #42

Quando um ano acaba e outro começa gosto de reflectir sobre o ano de leituras que acabou de passar. Sou daquelas pessoas que primeiro pensa na lista de leituras antes das resoluções do novo ano. Ou melhor, as minhas resoluções de novo ano passam sempre por ler mais. Como a cada ano que passo leio menos, acho que isto das resoluções anda tudo ao contrário e portanto devo antes começar cada novo ano a dizer que quero ler menos. Assim as expectativas estão mais baixas e posso depois ficar surpreendida.

De qualquer maneira, aqui vai o ano 2013 de leituras em números:

Número de livros lidos: 182

Para os mais cépticos que dizem que este número não é possível, escusem-se. É possível tanto que eu os li (também ajuda que esteja na área das literaturas). 😀

Número de livros com 5 estrelas: 23

Em 182 livros são muito poucos, mas no geral até foi um ano de grandes descobertas.

Número de livros com 1 estrela: 2

São dois pequenos contos do Diário de Notícias, pelo que não existiu, durante este ano, nenhum livro que eu possa dizer que tenha odiado! Boa notícia.

Número de páginas lidas: 58,897

Livro mais longo: 2666 de Roberto Bolaño com 1,031 páginas

Os meses em que li mais foram aqueles em que estive de férias claro, os que li menos aqueles que tive que ler para efeitos escolares. Janeiro foi o meu melhor mês, Novembro o meu pior.

leituras13

Li muitos mais em inglês do que em português. Dos 182 livros que li, apenas 70 foram em português. Os restantes em inglês. Fico triste, mas só mostra que o meu orçamento está cada vez mais limitado para livros em português, o que não é novidade nenhuma.

ingport

133 dos livros estavam ou no meu ereader (88) para ler ou eram livros físicos (45), pelo que o saldo é positivo tendo em conta que durante todo o ano comprei menos de 30 livros. As restantes leituras foram requisitadas pela biblioteca ou foram empréstimos de amigos, familiares, etc. Estou muito contente com esta estatística.

Agora falando nas melhores e piores experiências do ano…

Dos 23 melhores livros que eu descobri este ano decidi fazer um Top 5 (sem querer tirar protagonismo ao restantes, mas olhando para trás, estes foram aqueles que me deram algo mais que uma leitura prazerosa – ofereceram ensinamentos para a vida).

top5 leituras

Os piores do ano para mim foram:

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Sintam-se à vontade para partilharem os links dos vossos resumos de 2013 em leituras. Para mim, o objectivo em 2014 vai ser o mesmo: ler mais, comprar menos.

Estados de Espírito #41

É difícil quando queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Quando não queremos perder nem um minuto. Os últimos tempos têm sido assim e quem sofre é sempre o mesmo, por isso é que depois aparecem os posts a justificar as ausências dos blogues. O mundo, a realidade do outro lado do ecrã é insistente e não me larga, pelo que O Labirinto tem andado um pouco solitário. Não é por falta de vontade, é porque há momentos na vida em que as prioridades mudam e esse é um desses momentos. As leituras têm-se feito a conta gotas, daí que as opiniões não cheguem. No entanto, o blogue está sempre à espera de ser actualizado e quando tiver uns tempos mais livres assim o farei. Com paciência, chego lá.

Não queria deixar de deixar os meus votos de Boas Festas a quem lê o blogue, com o desejo que o próximo ano vos deixe concretizar muitos sonhos e que vos dê momentos de alegria ao lado daqueles que realmente importam. E com muitos livros (como seria de esperar) porque o que seria a vida sem os livros, não é?

(imagem retirada daqui)

Estados de Espírito #40

Vivemos no tempo do imediato. Do momento. Do agora. A revolução tecnológica muito ajudou para que passássemos a viver a nossa vida a correr. A infância passa a correr, a adolescência parece que nunca mais acaba mas no esquema geral das coisas, é um pequeno ponto no horizonte. E a nossa vida adulta é feita de momentos que queremos agarrar. Andamos sempre a correr de um lado para o outro, a cabeça em mil coisas ao mesmo tempo. Vivemos no tempo do agora.
As redes sociais são uma realidade da nossa vida, hoje em dia. Já muita tinta correu sobre o facto de termos deixado entrar no nosso quotidiano estas redes. É com maior facilidade que partilhamos a nossa vida, os nossos momentos. É um hábito já partilharmos nem que seja uma frase, uma fotografia para ilustrar os momentos que tanto queremos guardar. Como em tudo, nós adaptámo-nos a esta nova realidade virtual.

O mercado dos livros tem evoluído ao longos dos anos e tem acompanhado a evolução dos tempos (como qualquer outra área de negócio, na verdade). E isso implica adaptar o mercado à realidade em que se vive hoje. Falo especialmente da adaptação das empresas às redes sociais, que é uma temática que me interessa sobremaneira, por estas redes fazerem parte integrante da nossa vida de forma óbvia. As empresas, regra geral, adaptaram-se todas às redes sociais como forma de se aproximarem do seu cliente e de terem um contacto mais “familiar” com este.
Sejamos francos – estas editoras que cultivam as suas páginas e redes sociais e outras plataformas online têm tudo a ganhar. Não só contactam mais com o cliente, há um contacto mais imediato. Chegam de forma mais rápida ao cliente, seja para publicitar novidades, passatempos, etc. A verdade é que muitas vezes o que as empresas não percebem é que o cliente é a alma da festa. Por isso, tratando de chegar ao cliente de forma mais rápida e eficiente, têm muito que ganhar com a situação.

É por este e por mais factores que defendo que as empresas devem apostar nas suas plataformas online como forma de conhecerem melhor o público ao qual estão a vender o seu produto. São muitos os exemplos que posso citar de uma boa adaptação e uma boa gestão das redes sociais por parte de empresas no mundo editorial. Mas, para muito espanto meu, também temos os maus e os muito maus. A ideia de falar nesta situação nesta rubrica surgiu quando contactei uma editora portuguesa via página facebook para perguntar se contavam publicar um x livro (uma editora que já me tinha respondido em ocasiões anteriores).

Contactei essa primeira vez, não me responderam. Perguntei uma segunda vez, não me responderam. Mas reparei que a página era frequentemente actualizada, com novidades literárias (quando é para vender estão sempre actualizados), com divulgação de um grande passatempo e então comecei a notar que já outras pessoas tinham feito perguntas do mesmo cariz da minha e não obtiveram qualquer resposta igualmente. À terceira vez que escrevi na página da editora, foi para dizer que lamentava o facto de eles ignorarem os seus leitores e que talvez me respondessem àquele reparo – o que não aconteceu, claro.

O que me incomoda nesta situação é o facto de eles obviamente serem activos nas redes sociais e não se dignarem nem sequer a reconhecer o interesse do cliente. A resposta para eles é ignorar o cliente. Isso é alguma política? O que é que eles têm a ganhar com a situação? Nada, a meu ver. Claro que eu sou apenas uma cliente e no esquema geral das coisas, eu bem podia gritar aos sete ventos a minha insatisfação que nada faria, mas esta situação irritou-me bastante, porque acredito que uma empresa se deve aproximar do cliente e, na medida do possível, criar uma relação amigável com os mesmos. Alienar assim os clientes não me parece de todo, uma política correcta.

A editora de que falo é uma chancela da Bertrand Editora, 11×17, que publica livros de bolso.

Sinceramente, se apenas utilizam as vossas páginas para divulgar novos livros, nem sequer tenham as respectivas páginas, porque as novidades também se descobrem por outras fontes. E se querem dar o passo seguinte, sejam um pouco mais ambiciosos e contactem com quem compra os vossos produtos. Têm tudo a ganhar quando tentam manter o público satisfeito.

(daqui)

Estados de Espírito #39

O verão é uma estação do ano algo contraditória para mim. É tempo de calor e de praia, de mais tempo livre, de férias – de mais tempo para ler e para actualizar o blogue. Todos anos, quando vejo Julho a aproximar-se, tenho sempre os mesmos objectivos delineados. Postar no blogue com mais regularidade, apostar nas novas ideias que ando o ano todo a engendrar e ler mais. E escrever opiniões para os tantos livros que quero ler, na chamada minha lista de “livros a ler neste verão”. O Julho chega e passa, quase sem me dar conta. Agosto bate à porta e com ele, a promessa de umas férias descansadas rodeada de livros. Mas o calor, a praia, a piscina, as noites de verão convidativas com tanta vida metem-se no meio. As leituras fazem-se a conta-gotas, as opiniões chegam com dificuldade. Ou não chegam.
Começo a ver a lista sem que metade dela tenha sido rasurada. É mau sinal. Ou talvez seja bom sinal. Nalguns dias é difícil distinguir a diferença. Os livros estarão sempre cá, eu é que não. E o tempo que tenho disponível não dá para tudo, é uma batalha eterna que não tem solução.
Mas esta época do ano, por muito que eu queira, deixa-me sempre drenada de inspiração. O blogue esmorece neste meses, não apenas devido ao período de férias, mas porque me desleixo um pouco no sentido da dinamização. A preguiça para escrever opiniões é alarmante, mesmo que eu tenha adorado o livro para o qual pretendo escrever uma opinião. Muitas das vezes, quando acabo de escrever uma opinião, esta parece-me sensaborona. Sem sal, sem entusiasmo. E embora para mim seja importante sentir que escrevo sem qualquer obrigação, este é também um sentimento que me deixa sempre triste. Sentir que não consigo escrever, que não tenho paciência para tal.
Tenho a certeza que já todos passámos por fases assim, mas para mim, esta estação do ano é impossível. Por muito que eu me discipline a escrever mais e com mais regularidade, chego ao verão e pfffff – lá se vai a vontade de escrever (seja o que for). É frustrante, é desmotivador por vezes, é chato. Mas ultimamente, penso assim: é um período de refrescar ideias e de descansar de tudo aquilo que me preocupa nos outros dias do ano. E é um período de esperança, em que penso que quando a vontade de escrever voltar, as coisas sairão melhor, com mais estímulo.
O verão é ao mesmo tempo o meu pior inimigo e o meu melhor amigo. Inimigo na hora da inspiração, amigo na hora da não preocupação. Pesada a balança, creio que é uma época de equilíbrio.

(daqui)

Estados de Espírito #38

Todo e qualquer leitor tem as suas manias.
Alguns gostam de dobrar o canto das páginas para marcar o sítio onde estão, outros só gostam de livros de capa dura, uns gostam de cheiras as páginas e outros gostam é do cheiro a livro antigo e usado. Há manias para todo o gosto e eu também tenho as minhas. E não são poucas. Os meus livros por exemplo estão todos bem tratadinhos e gosto de os ver como novos na estante. Também gosto de livros usados, claro, mas aqueles livros que eu compro com o meu dinheiro, esses, gosto de os ver como novos, como investimento que são. Adoro livros de bolso e paperbacks, bem mais do que gosto dos livros de capa dura e adoroooooo o cheirinho a livro acabado de sair da gráfica.
Gosto mais de ler deitada, mas normalmente tenho sempre dificuldade em manter a mesma posição durante muito tempo, pelo que por vezes passo mais vezes às voltas a tentar encontrar uma posição confortável para ler do que a ler mesmo.
Adoro falar com os personagens tal como se eles me estivessem a ouvir e dou-lhes conselhos em voz alta quando acho que eles estão a ir por um caminho errado. Rio-me nos transportes públicos e portanto é normal que haja algumas pessoas que me achem maluquinha.
Quando vou a uma livraria, consigo passar horas só a olhar e a tocar os livros. É um dos meus passatempos favoritos, visitar a casa dos livros. Acho as livrarias universos fantásticos. Estão ali montes de histórias, montes de destinos decididos e estão ali milhares de personagens à espera para serem amadas e reconhecidas.
Quando entro num café e vejo outras pessoas a ler, adoro tentar descobrir o que estão a ler. Algumas das vezes sinto uma vontade incrível de falar com os colegas leitores e dizer-lhes “oh, já li esse livro e é fabuloso” ou então “que horror, esse livro é um suplício” ou ainda “recomenda esse livro? tenho tanta curiosidade, está na minha lista há anos…” .
Há ainda leitores que gostam de sublinhar os seus livros e confesso que essa mania a mim não me assiste, como dizia o outro. Contudo, os livros que leio para a faculdade estão cheios de post-its e notas e folhas lá enfiadas para dentro com notas.
Por outro lado, gosto de apontar quotes/citações  num caderno e é normal que quando esteja a ler em casa tenha sempre um caderninho e uma caneta ao meu lado para poder apontar alguma coisa que me chame à atenção.
Se existe adaptação cinematográfica de um livro que eu queira ler, não a vejo a não ser depois de ler o livro. Posso contar pelos dedos das mãos o número de filmes que vi sem antes ler o livro que lhe deu origem. É uma mania que me recuso a perder, pois para mim, é muito mais importante ler o livro primeiro.
Tenho uma lista de pessoas a quem acho seguro emprestar livros. Por já ter visto livros meus desaparecer no buraco negro que é a casa de outras pessoas, acabei por ganhar alguma aversão ao conceito de emprestar livros. E assim, criei “Book Stealers – A Lista Negra“. Tenham medo, muito medo de entrar nesta minha lista.

A lista de manias podia continuar indefinidamente, na verdade.

E vocês, têm alguma mania que considerem fora do vulgar? Contem-me tudo.

(daqui)

Estados de Espírito #37

Agora que estou de férias, tenho andado mais activa não só na Internet, mas na blogsfera. Tenho conseguido estar a par de mais coisas, ler mais opiniões e mais posts. E tenho dado por mim a ler muitos posts de aniversários de blogues. Já tinha notado que os meses de verão pareciam ser os favoritos para criar blogues e é fácil perceber porquê. É quando normalmente se está de férias e o tempo livre, o tédio e o ócio começam a martelar a nossa mente e a insistir que devemos arranjar algo com que ocupar o nosso tempo. O blogue apresenta uma perfeita solução para todos esses problemas.

Se, depois desse período, se consegue manter o blogue, já é uma questão diferente. Muitos desaparecem mas outros tantos florescem e mantém-se activos. E O Labirinto, sem ser nenhuma excepção também tem o seu aniversário no verão. Foi no 10 de Julho de 2011 que ele nasceu e sim, cá estamos nós 2 anos depois, ainda vivos e bem de saúde. Mais que um post de celebração, isto é para mim um motivo de orgulho. Nunca pensei gostar tanto de ter um blogue. Nem nunca esperei que a minha paciência desse para tanto, visto que eu sempre fui daquelas crianças que se aborrece com um brinquedo novo em 20 minutos.

Mas ter um blogue ajudou-me a criar hábitos de escritas e hoje em dia era impensável não o ter. Mas mais importante é que em 2 anos continuo a fazer isto por prazer. E isso é o que me deixa mais feliz ao pensar nestes dois últimos anos.

Portanto, obrigada a todos aqueles que me seguem há muito ou pouco tempo. Obrigada por passaram por aqui e ajudarem a manter o Labirinto vivo.

Já contamos 2 anos, mas serão muitos mais.

(daqui)

Estados de Espírito #36

Sinopse:

Esta é a história de uma leitora que dizia não gostar de fantasia. Há alguns anos atrás, deve ter tido qualquer experiência traumática que acabou por a estragar para o dito género literário e isso impediu que entrasse no mundo puro da fantasia. Contudo, rapidamente entrou para a terapia chamada blogue literário e lenta mas eficientemente conseguiu ultrapassar o trauma. Hoje em dia vive feliz numa casa cheia de livros e voltou a ler fantasia de forma saudável.

***

Como já devem ter percebido, esta é na verdade a minha história. Parece incrível mas é verdade. Eu passei realmente por uma experiência traumática com o género literário do fantástico. Queria apontar uma razão justificada para não gostar de fantasia, mas por muito que procure a minha memória, não consigo encontrar um episódio especial. Por isso mesmo não consigo definir em que ponto decidi que não queria nada com a fantasia. Isto até parece uma mentira, visto que sou uma leitora que nunca se negou a qualquer tipo de género literário. E analisando as minhas leituras enquanto miúda e adolescente, parece falacioso dizer que não gosto de fantasia. Como toda a gente li o Harry Potter e foi uma das melhores séries que alguma vez tive a oportunidade de ler. Na verdade, eu cresci com o Harry Potter. Os livros dele acompanharam-me desde o início da adolescência até ao último ano do secundário. Por isso, como posso dizer que não gostava de fantasia naquela altura?

É por isso que crescer é uma experiência tão emocionante e elucidativa. Porque erramos e aprendemos com os nossos próprios erros e com a nossa estupidez.
Na verdade, creio que fui um pouco injusta com este género literário. Fechei-me às experiências que ele poderia oferecer-me e acabei por julgar um género por alguma experiência menos boa que tive. E isso impediu-me, durante anos, de arriscar ler livros que faziam parte deste género.

A missão “recuperar a Filipa para o mundo da fantasia” foi um processo um pouco doloroso e compreendeu vários estágios de evolução.

A primeira fase deste processo foi a negação, como em todos os processos traumáticos. Se fosse preciso, eu proclamava que a fantasia era o pior género literário à face da Terra. Argumentos como “não consigo passar das 50 páginas, é uma tortura física” foram utilizados muitas vezes ao longo dos anos. Até ao momento em que deixei de poder usar isso como desculpa plausível. Esta primeira fase aconteceu simultaneamente com a segunda, a raiva. Ao mesmo tempo que não queria ler fantasia porque não gostava, enraivecia-me o facto de ler todos os géneros menos este, pois se há coisa de que sempre me orgulhei foi de ler um pouco de tudo. Para isso, é preciso ter espírito aberto. Exactamente o que eu não tinha na altura (pelo no que toca a este assunto).

A terceira fase, a da negociação, aconteceu de forma algo subtil, devo dizer. Recordo-me perfeitamente de como começou esta fase. Depois da total negação em familiarizar-me com este género, de um momento para o outro, comecei a ler sinopses que me interessavam, de uma maneira ou de outra. Nunca arriscando muito, acabei por abrir-me à experiência da fantasia. O primeiro livro que comprei e que veio mudar definitivamente o rumo do meu processo de recuperação foi o Aprendiz de Assassino da Robin Hobb. Nunca perdi o receio que o livro me pudesse desiludir mas quando finalmente o decidi ler, a experiência surpreendeu-me bem mais do que estava à espera.
Esta foi talvez a fase que durou mais tempo. Aos poucos, quase sem se notar, fui comprando mais livros de fantasia. Fui pegando neles, fui espreitando as narrativas e voltei a redescobrir algo que tinha andado escondido por muito tempo. Digamos que fui mergulhando aos poucos no universo fantástico e fui de certa forma, perdendo o receio de comprar, de ler e de experimentar fantasia. Digamos que acabei por saltar a quarta fase e passei logo para a última fase do processo.

Mas antes de falar do último passo que dei nesta missão, quero falar sobre o momento derradeiro em que me apercebi que não podia voltar a dizer que não gostava de fantasia. Foi quando comecei o meu Desafio aos Leitores. Isto porquê? Porque sendo a fantasia um género muito apreciado e inclusive, o género literário favorito de muita gente, era óbvio que isso se iria revelar não só nas sugestões, mas igualmente nas derradeiras votações e decisões. Isso obrigou-me, de forma absoluta, a sair da minha zona de conforto e obrigou-me a ler mais fantasia, mais vezes. Obrigou-me a estar mais consciente de livros maravilhosos que estava a perder por ser teimosa ou por não querer abrir os meus horizontes. Mas, agora que o fiz e agora que pretendo fazê-lo mais vezes, abracei a última fase do meu processo de reabilitação e cheguei à aceitação.

Daí que, depois de todas as experiências bem-sucedidas que tive não só neste ano mas também no anterior, posso dizer que estou rendida ao género. E nunca mais poderei dizer ou utilizar argumentos que estão velhos e estragados, fora de validade. Ainda que não me possa considerar uma verdadeira fã do género, estou a conhecer universos que são fantásticos em vários sentidos e não apenas em género. Mais, estou a encher a minha lista para ler de livros que fazem parte do género e se há uma coisa que é positiva no meio disto tudo, além da óbvia vantagem de abrir os meus horizontes e ler realmente de tudo o que existe em termos de géneros literários, é que estou a descobrir coisas maravilhosas pela primeira vez. E isso é uma das melhores sensações do mundo.

Portanto, esta é a história de como me converti à fantasia. À laia de conclusão, permitam-me dizer – eu sou a Filipa e não consigo parar de ler livros de fantasia.

(daqui)

Estados de Espírito #35

A altura da Feira do Livro de Lisboa é sempre a loucura para mim. A altura em que o raciocínio fica toldado e em que o bom-senso financeiro é jogado à rua. Todos os anos, no final da Feira, faço um balanço e prometo a mim mesma que para o próximo ano tenho que ponderar melhor, ver mais, comprar menos. Quem se começou a rir ainda antes de ter acabado de ler esta última frase está perdoado. Não vos levo a mal, prometo! 😀
A verdade é que passam os anos e todos os anos o resultado é o mesmo. Sinceramente, acabo por não me preocupar tanto conforme os anos vão passando. Visto que é na verdade um dos poucos períodos do ano em que realmente perco a cabeça e faço compras mais impulsivas. E já que é tão poucas vezes ao ano que tal ocorrência se dá, que se possa afirmar que se faz as coisas em grande!
Ainda que algumas compras não sejam para meu usufruto directo, o nível de alegria e satisfação não é menor por isso. Por isso, o balanço que faço da 83ª edição da Feira do Livro de Lisboa no Parque Eduardo VII, é este:

A minha fortuna vai toda para o mesmo sítio 😛

Ainda que não chegue aos calcanhares da SdE, o grupo Porto Editora também não se pode queixar.

Como podem ver, tenho aqui leituras para mais de um mês. (E ainda houve dois livros que ficaram aqui a faltar na fotografia). Se sou uma leitora feliz? Sou, claro. Como poderia não ser, com tantos livros que trouxe para casa? Se me arrependo? Não, claro que não. Aliás, no próximo ano lá estarei a fazer das minhas novamente. Se eles entretanto não se lembrarem de acabar com a FLL, também. Quanto tempo vou demorar a ler estes livros? Ah, pois… aí reside o cerne da questão. Provavelmente daqui a 4 anos ainda terei alguns destes livros em lista de espera.  Então porque é que compras se sabes que vais demorar tanto tempo a lê-los? Não sei, podemos sempre perguntar à minha voz interior, aquela que quando vê um livro desata a gritar – “vá, tu sabes que me queres, leva-me”.  É uma condição sem cura. Felizmente ou infelizmente, já não sei o que diga. Gostavas de ter comprado mais livros? Sim claro, ainda vi lá outros que chamaram por mim, mas graças aos santinhos houve algo que me parou. Se existisse mais oferta de livros em inglês, provavelmente não diria a mesma coisa, porque aí ninguém me parava. É esta a altura em que agradeço só a Fnac e a Bertrand terem uma oferta assim mais ou menos jeitosa de livros em inglês?
Enfim, reflexões sem fim à parte, como sempre passei óptimos períodos de tempo nesta feira, não só a comprar livros como também a rever pessoal conhecido e a conhecer novo pessoal (incluindo a autora Dorothy Koomson, um dos melhores momentos da feira deste ano).
Passei muitos momentos de risota e são estes os momentos que vale a pena recordar, com pessoas que tão bem percebem o prazer de passar tardes rodeada de livros por todo o lado.
Venha a próxima edição!