O Circo dos Sonhos

Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite.
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz – um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver, e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e determinação. Apesar de tudo, e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor – um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro.
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas do circo até aos seus mentores, está em causa, assente num equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto.
Escrito numa prosa rica e sedutora, este romance arrebatador é uma dádiva para os sentidos e para o coração. O Circo dos Sonhos é uma obra fascinante que fará com que o mundo real pareça mágico, e o mundo mágico, real.

ISBN: 9789722634267 – Civilização Editora / 2012 – 464 páginas

Não existe circo mais mágico que este.
Dizem que o circo chega sem existir qualquer aviso. Ao deitar, o descampado que vemos pela janela encontra-se vazio, mas de manhã, ao acordar, olhando pela mesma janela podemos ver um aglomerado de tendas enormes às riscas em estilo monocromático. Ora riscas pretas, ora riscas brancas. A notícia vai correndo a cidade, que um circo misterioso, abre quando o sol se põe e fecha quando o sol nasce, veio espalhar um pouco de magia pelos habitantes das cidades por onde passa. Os sonhos dão o nome a este circo e de facto, qualquer visitante poderá ver cada um dos seus sonhos serem realizados após uma noite passada a visitar as mais variadas tendas do Le Cirque des Rêves. É que não há nenhuma outra experiência que se possa igualar a esta e no mundo da magia, tudo é possível. 
Contudo, este circo é mais do que aquilo que aparenta ser. Isto porque, não é apenas um meio de entretenimento das massas. É algo mais importante, mais fulcral, na vida de duas pessoas, que são no fundo, o coração e a alma deste circo. 
Celia e Marco conhecem-se nas audições que Celia perfez para se tornar ilusionista do Circo dos Sonhos. Entre eles, existe desde início, um clique. Qualquer coisa que se acende no ser de cada um e embora eles na altura não o reconheçam, esse momento irá ficar marcado para o resto da existência. Tanto da do circo como a de cada um deles. Quando se apaixonam, vêem o seu amor ser condicionado por questões que eles não conseguem resolver e que não têm propriamente uma resposta definitiva, ou uma solução fácil. 
O facto de eles terem sido treinados desde pequenos para se enfrentarem um ao outro em qualidades mágicas, não interessa para nada, a não ser que é a única condicionante que não lhes permite estar juntos como eles tanto desejam.   
Este confronto, no entanto, irá repercutir-se no circo e em todos aqueles que façam com que este tenha vida e que continue a espalhar magia por esse mundo fora e é também a única coisa que Celia e Marco não querem que se destrua no meio de uma luta de poderes.

Em 2011 li aquele que viria a ser um dos meus livros favoritos de sempre e que falava sobre um teatro mágico. As actividades recreativas, de entretenimento, misturadas com a temática da magia não são um tema popular na literatura. E esta combinação tinha-me conquistado de uma forma avassaladora. Assim, quando descobri que Erin Morgenstern se estreou no mundo de ficção com um livro que combinava estas duas vertentes, decidi que este livro era para mim. Tinha decididamente que o ler. Claro está, que após ter comprado o livro, o mesmo foi para a lista de espera e muito teve que esperar até que eu me decidi a ler a obra. 
Não sei o que esperava, embora as opiniões que passaram pela minha vista, tenham sido incrivelmente positivas. Sei no entanto que as expectativas eram consideráveis. O livro tinha que me fazer sonhar e nada menos era aceitável. 

Uma citação de Oscar Wilde, maravilhosa, saltou logo à vista e marcou o momento em que eu me apaixonei por este mundo de magia. A escrita da autora é um fio narrativo de uma beleza adorável, parece mel que escorre pela garganta. Adorei as descrições, o facto do enredo ser lento, com passo vagaroso, tomando o gosto à história, ao cenário, à época e às personagens. O mundo mágico que a autora criou, no final do século XIX e início do século XX, envolveu-me de uma forma que não podia de nenhuma forma esperar. Nem evitar. 
Este é realmente um circo que faz sonhar, que nos eleva a uma existência que é tão atractiva que nos parece real. O escape de realidade perfeito, que nos envolve até sem darmos por isso. 
É como hesitar em frente de uma porta que se encontra entreaberta, uma porta que não sabemos se devemos abrir pois não sabemos o que nos espera. E numa questão de momentos, a porta já está aberta e nós já fomos irremediavelmente sugados para o mundo fantasioso que se encontra do outro lado da realidade à nossa espera.
Quando dei por mim, já estava agarrada à história sem possibilidade de fuga. De tal modo que quando o final se apresentou aos meus olhos, fiquei insatisfeita, pois representava a despedida. 

Os personagens são igualmente mágicos, todos com a sua personalidade cativante e as suas características pessoas que os tornam especiais, únicos. No entanto, há 6 que irão ficar na minha memória por bastante tempo. Eles são, Celia e Marco, Bailey e Poppet, Widget e Alexander. Todos de marcaram de uma forma muito diferente, mas todos se revelaram presenças indispensáveis em toda a história. De facto, foi com muita pena que não os vi durante mais tempo para que pudesse desfrutar mais um pouco da sua companhia. 
E contudo, houve apenas uma pequena coisa que me desiludiu no livro. Enfim, a bem dizer, não é propriamente uma desilusão arrebatadora, mas fez-me de algum modo, triste. 
Depois da leitura do livro e até ao momento em que escrevi esta opinião, ponderei sobre a influência deste pequeno pormenor na minha experiência de leitura e cheguei, no entanto, à conclusão de que apesar de no momento de leitura, esse pequeno pormenor,  tenha causado alguma tristeza em mim, não posso em boa consciência dizer que mudaria alguma coisa neste livro. Olhando agora para esta leitura de uma forma mais ampla, mais geral e mais distante, posso dizer que este livro conseguiu exactamente aquilo que espero de todos os livros e nem todos conseguem: preencheu completamente o meu espírito e fez-me sonhar. 

E mais não posso pedir.   




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