Persuasão

É em Persuasão, o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável – Anne Elliot. Naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia, é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo reflectido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surgem como seres moralmente análogos.

ISBN: 9789722321136 – Editorial Presença /2007 – 256 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Jane Austen conquistou-me com a sua obra Orgulho e Preconceito. Já faz alguns anos que me apaixonei por essa obra e nunca mais a esqueci. Depois dessa primeira experiência inigualável com a autora, decidi ir lendo aos poucos os outros livros que ela escreveu. Contudo, não posso dizer que me tenham conquistado tão irremediavelmente quanto o Orgulho e Preconceito (e Mr. Darcy, claro). Persuasão era um livro que já estava na minha estante há algum tempo e vinha com elevadas recomendações. Com recomendações tão boas quanto as que dou hoje em dia de Orgulho e Preconceito, pelo que posso dizer que as minhas expectativas eram elevadas.
É óbvio que Jane nos traz uma história de amor, mas é uma história sofrida onde o leitor investe as suas emoções no enredo, nas personagens e em todas os eventos a que assistimos. Esta história apresenta-nos Anne Elliot e Frederick Wentworth, mais conhecido como Capitão Wentworth. Naquele que foi um romance frustrado há sete anos atrás, Anne é persuadida pela família a desistir desta ligação porque Wentworth não tem nome, posses e herança. Anne, na altura, acaba por se deixar ir nos argumentos apresentados, mas nunca conseguiu esquecer esta ligação, este amor. Sete anos depois, Wentworth regressa com as regalias e o nome de Capitão e tem ideias de assentar e criar uma família, só precisa da mulher que ele visiona como sendo a perfeita para a sua personalidade.

Apesar de ter começado a leitura a achar que não poderia encontrar obra melhor que Orgulho e Preconceito dei por mim completamente encantada com esta história de amor. Os livros de Jane Austen começam todos com um ritmo muito lento e descritivo, como que preparando o palco para as cenas que serão realmente mais importantes para um futuro próximo. Quando leio um livro de Jane Austen, o que a leitura destes livros me fazem sentir é um percurso emocional muito idêntico: primeiro as emoções estão latentes, como que adormecidas. Sente-se alguma coisa, mas ainda não se percebe o efeito total das emoções. Ao longo da leitura, as emoções começam a vibrar, de maneira que não podem ser ignoradas e a frustração ajuda a reavivar essas mesmas emoções que começaram por estar latentes. E quando se chega aos últimos capítulos da obra essas emoções explodem todas num repente esplendoroso, perfeito. Esta obra não foi excepção nenhuma e adorei todo o percurso que vivi com Persuasão.

Não tirando crédito ao estilo narrativa de Jane Austen, com as suas tiradas sarcásticas, com a sua crítica subtil à sociedade educada londrina da altura, os comentários à literatura da época, o que mais me conquistou foi mesmo o romance. E Anne Elliot e Captain Wentworth, não tendo levado o prémio de melhor casal (esse vai para Darcy e Izzie) levam um segundo lugar muito renhido no meu coração. Adoro a forma como a autora explora e desenvolve os seus personagens e adoro a forma como manipula os acontecimentos para frustrar o romance entre os protagonistas até ao momento final.

E esse momento final compensa sempre qualquer desespero, tristeza ou frustração, pois são momentos de uma beleza indescritível, onde as palavras fazem realmente jus ao romance. Organizadas e construídas de uma forma tão… intensa. Essas palavras são a força demonstradora de tudo o que une os casais de Austen. Alguém que consegue moldar as palavras para lhe dar toda essa beleza merece a minha estima e a minha apreciação.

Mais um livro que irei guardar no meu coração e com ele criar expectativas irrealistas quanto ao romance em geral. 😛

4,5

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Mil Sóis Resplandecentes

No contexto das convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas, Mariam e Laila, duas mulheres que embora à partida pouco tenham em comum, vão ter os seus destinos irremediavelmente entrelaçados quando a guerra e a morte as obrigam a partilhar um marido. A partir desse momento, apenas a amizade e a coragem lhes permitirem lutar pela felicidade, num cenário que ameaça constantemente a própria sobrevivência. Em Mil Sóis Resplandecentes, Khaled Hosseini disseca as complexidades da sociedade afegã numa época devastadora, criando uma obra de grande sensibilidade e profundamente humana.

ISBN:  9789722339087 – Editorial Presença / 2008 (1ª edição) – 328 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Este é o segundo romance que leio do autor Khaled Hosseini. A estreia fez-se com o livro The Kite Runner (O Menino de Cabul), publicado no dia 17 de Setembro pela Editorial Presença. O primeiro livro do autor que li surpreendeu-me por diversos factores, mas aquele que mais me marcou foi a escrita emocional do autor.
Esperava o mesmo deste livro, Mil Sóis Resplandecentes. Já percebi que o autor tem uma temática favorita, creio que ele encare os seus livros como forma de fazer chegar uma mensagem. Especialmente à cultura ocidental. A verdade é que ele escolheu relatar a vida de duas mulheres – Mariam e Laila – que vivem no Afeganistão e estão exactamente no centro das mudanças sociais e políticas que este país sofre.
Este livro é um relato muito pessoal das vidas destas duas mulheres, que promete emocionar o leitor.

Creio que não são todos os autores que conseguem escrever de uma forma tão emocional. É incrível como o leitor sente compaixão pelos personagens de Khaled. Foi-me completamente impossível não ler este livro sem sentir pena e compaixão por estas duas mulheres que tudo enfrentaram. Mas, acima de tudo, foi-me completamente impossível não sentir admiração e não desejar que elas conseguissem superar todo o sofrimento por que passaram. A escrita do autor é muito transparente no que toca a sentimentos. Ele consegue fazer passar a mensagem que pretende com muita clareza e sem muitos artifícios.
O enredo é muito linear, tem um início meio e fim e aquilo que o autor pretende é que nos deixemos emocionar com os seus relatos.

Não posso deixar de fazer comparações com o livro anterior que li do autor, que apesar de ter semelhanças óbvias (a questão da temática, da mensagem que o autor quer passar, do sofrimento, obstáculos, etc.) também têm as suas diferenças. É verdade que ambos os livros falam da nação afegã e dos períodos conturbados por que esta passou, especialmente com o regime talibã no poder. Mas onde o livro anterior foi relatado pela voz de um homem, este foi pela voz de duas mulheres que viveram em primeira mão, as consequências de ter um regime talibã a governar os seus quotidianos. E esta é uma grande diferença.
Como mulher ocidental, não posso deixar de me emocionar com os relatos que este livro faz, em particular da vida matrimonial e da importância (ou não importância) da mulher no regime talibã. Foi um livro muito educativo e ao mesmo tempo assustador. Foi um livro que me deu esperança mas que me deixou deprimida ao mesmo tempo.
Se há coisa que o autor consegue fazer na perfeição é dar-nos uma história de sofrimento com gostinho a vitória. Sabe dar-nos um vislumbre de esperança no meio do desespero, um feixe de luz no meio da escuridão.

Até agora, a cada nova obra que leio deste autor, tenho visto que é possível sofrermos toda a nossa vida, mas que também é possível não desesperarmos e que é possível alcançarmos o que mais desejamos na vida – ainda que nos custe tudo o resto. Esta foi uma obra que me ensinou a pôr em perspectiva a cultura ocidental e a dar mais importância à liberdade que a mulher tem nesta parte do mundo. Também me deu a oportunidade de reflectir sobre a cultura islâmica e aprender mais sobre costumes e tradições desta.

Creio que há muito que se pode tirar com esta leitura. Uma lição de vida, sobrevivência e força. Um relato que me deu muito gosto ler e que me mostrou que o no fundo, todos somos iguais e todos queremos o mesmo. Agora quero, sem qualquer dúvida, ler o mais recente livro do autor, que promete iguais doses de aprendizagem.

4

Uma Morte Súbita

Pagford é uma idílica cidade inglesa, com uma praça principal em pedra de calçada e uma antiga abadia. No entanto, este belo cenário não passa de uma aparência que esconde uma cidade em guerra. Os ricos em guerra com os pobres, os adolescentes em guerra com os pais, as mulheres em guerra com os maridos, os professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece à primeira vista. A história começa quando Barry Fairbrother, membro da Assembleia Comunitária, morre aos quarenta e poucos anos. Pagford entra em estado de choque e o lugar que ficou vazio torna-se o catalisador da guerra mais complexa que já alguma vez ali se viveu. No final, quem sairá vencedor desta luta travada com tanto ardor, duplicidade e revelações inesperadas?

ISBN: 9789722349321 – Editorial Presença / 2012 – 494 páginas

O Hobbit

Tudo começa com a morte súbita do vogal Barry Fairbrother da Assembleia da pequena cidade de Pagford. Ninguém estava à espera que isto acontecesse, muito menos nas circunstâncias em que esta morte se deu. A comunidade desta cidade inglesa fica abalada, pelas melhores e piores razões. Uma morte assim faz pensar na vida, nos tempos que achamos que temos pela frente e que nos são retirados de um momento para o outro. Mas por outro lado, uma vaga súbita na Assembleia é um palco e uma oportunidade perfeita para alguns membros desta comunidade e assim a cidade de Pagford vê-se envolvida numa luta de vontades que se revela muito mais do que apenas o preencher de uma vaga da Assembleia.

Já todos conhecemos este nome da literatura inglesa contemporânea e todos sabemos o quanto este livro deu que falar na esfera literária. É um nome que dispensa apresentações e foi com um entusiasmo febril que os fãs da autora receberam este seu novo lançamento. Já muito se escreveu sobre esta obra. Há quem diga mal e há quem diga maravilhas. Estes livros que rapidamente se tornam um fenómeno são sempre assim, não dá de maneira nenhuma para agradar a gregos e a troianos. Na altura em que o livro saiu e era uma novidade fresquinha, vi muitas opiniões que se referiam ao facto deste regresso de Rowling ter sido uma desilusão. Não querendo contrariar a opinião pessoal de ninguém, nem os seus gostos, tenho que admitir que a desilusão deve ter sido por razões que não se prendem com o livro em si.
Dá-me a parecer que alguns leitores não se conseguem dissociar do nome que Rowling criou para si como criadora de Harry Potter. E talvez por isso não olhem para este livro como ele merece ser olhado. Para mim, um grande escritor é aquele que (além de outros factores) consegue variar o seu estilo de escrita e é aquele que se move com conforto em várias áreas da literatura. O que interessa escrever 7 grandes livros de fantasia juvenil se só soubermos escrever sobre isso a vida inteira? O sucesso já foi atingido, é preciso é talento para manter esse mesmo sucesso.

Foi por isso que abri este livro a pensar que isto seria uma autora que estaria a experimentar pela primeira vez. Não sabia ao que ia e apesar de estar extremamente curiosa, não construí nenhum tipo de expectativas para esta leitura. Não podemos pôr um autor num altar e depois trucidá-lo quando ele tenta criar algo diferente, apenas porque estamos habituados a vê-lo num certo registo. Uma Morte Súbita tem um início algo… estranho, diria. A primeira abordagem ao livro dá a parecer que será um livro de difícil leitura, pesado, até um pouco maçante.
As primeiras 50 páginas deixaram-me realmente um pouco hesitante na leitura. Temos muitas personagens para conhecer e a autora está a apresentar-nos um mundo que nos é desconhecido, mas ao mesmo tempo familiar. Pensei inclusive que não estava a perceber o que é que a autora queria atingir com aquele início – seria isto um thriller ou apenas um conjunto de circunstâncias estranhas com muita asneira à mistura?

Mal passou esse período de adaptação, comecei a entranhar-me nesta pequena comunidade de Pagford e comecei a interessar-me realmente nas pessoas que a autora nos estava a tentar dar a conhecer de uma maneira muito particular e muito intimista. Já tinha investido algo de pessoal na leitura, apenas porque senti uma ligação àquele universo fechado que é uma pequena cidade. O que a autora fez nesta obra foi pegar numa comunidade inglesa e descrever na perfeição uma micro sociedade incrivelmente realista. Entramos de rompante na vida destes personagens e deixamo-nos arrastar para o seu dia-a-dia que é feito de pequenos desafios. A autora poderia estar a descrever a vida de qualquer um dos habitantes deste planeta. Esta micro sociedade que ela criou tem tudo – até as discrepâncias entre ricos e pobres. Está cá tudo, inclusive descriminação racial e económica. Fico sempre admirada quando os autores conseguem capturar na perfeição esta que é a nossa dimensão humana. Todos os nossos defeitos, tudo aquilo que nos move.

Este livro captura de uma forma incrivelmente certeira tudo aquilo que nos caracteriza como humanos, seja isso o bom ou o mau que vive dentro de todos nós. Mais incrível que tudo é apercebermo-nos de como um acontecimento quase “casual” (afinal morrem pessoas todos os dias) cria este rol de acontecimentos verdadeiramente estonteante.
Para mim este é um retrato social muito bem construído e a forma como a autora escolher expor este cenário por vezes degradante, foi muito inteligente. Também tenho noção que não será um livro de que toda a gente gostará, mas para mim, foi um livro que me fez parar para pensar nisto de ser humano.

E se há livros que me ficam na memória, são mesmo aqueles que me fazem parar para pensar. É um livro que para mim, vale verdadeiramente a pena ler.

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A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo arrebatador, que alia a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense. Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo, que para Henry assume contornos estranhamente inusitados – Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer para uma data e um local inesperados. Uma obra inesquecível, que retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo.

ISBN: 9789722332743 – Editorial Presença / 2004 – 484 páginas

O Hobbit

Henry DeTamble é um viajante do tempo, condição que se manifesta no seu código genético.  Viajar no tempo pode ser um conceito interessante e com certeza todos nós já pensámos em viajar para trás ou para a frente no tempo. Contudo, isto já não parece tão divertido a Henry. Isto porque o viajar no tempo para Henry vem com algumas condições, grande parte delas, nada agradáveis. Ele nunca sabe quando é que vai viajar e nunca sabe por quanto tempo é que viaja. Além disso, sempre que ele chega a um novo lugar, chega sem nada. Com ele, não tem roupas, nem qualquer objecto pessoal. Para sobreviver, Henry tem de roubar, mentir, assaltar, fugir. Mas sobretudo tem de correr. Correr pela sua sobrevivência. Pela sua vida. Apesar de passar a vida no médico, nunca nenhum deles conseguiu descobrir o que é que causa estas impulsos involuntários de viajar no tempo. Apenas se sabe que é uma condição que se desenvolve a partir do seu ADN.
Mas, é devido a estas viagens no tempo que Henry conhece o amor da sua vida, Clare. Clare viu pela primeira Henry quando tinha 6 anos. Na altura, acreditou que Henry era realmente um viajante do tempo e a partir desse momento, a vida de Clare é recheada de momentos com Henry. Momentos intermitentes, efémeros, mas foi assim que Clare se foi apaixonando por Henry. No presente, Henry só irá conhecer Clare mais tarde, mas quando a conhece, tudo parece encaixar. Na verdade, uma vida com um viajante do tempo não é nada fácil. Ser aquele que é constantemente deixado para trás pode ser um peso.

A Mulher do Viajante no Tempo foi a estreia da autora Audrey Niffenegger no mundo da ficção e foi com este romance que me estreei na escrita da autora. Este livro foi um grande sucesso no universo literário. Ganhou diversos prémios e a crítica diz maravilhas sobre este romance. Teve, inclusive, direito a uma adaptação cinematográfica com os actores Rachel McAdams e Eric Bana. Confesso que estava curiosa para ler este livro, mas inexplicavelmente nunca senti grande vontade de o ler. Passaram-se anos e anos até que finalmente decidi pegar neste livro e ver se realmente o livro merecia tantos louvores.
O início foi um pouco atribulado.  Sendo um romance que tem como temática central viagens no tempo,  a linha da narrativa pode tornar-se um pouco confusa, por vezes. Especialmente quando o leitor ainda se está adaptar a todo este novo universo. Durante as primeiras 50 páginas, senti-me por vezes confusa e um pouco perdida.
Contudo, acabei por entrar dentro da estrutura do livro rapidamente depois disso. E quando passei a fase da confusão, comecei a apreciar verdadeiramente o testemunho tanto da Clare como do Henry.

A escrita da autora é daquelas que ou se gosta ou não. Para mim, não existiu um meio-termo. A forma como ela comunica com os seus leitores é muito directa – talvez por escrever na primeira pessoa – e por isso mesmo, sofri com os personagens. Certas passagens do livro angustiaram-me verdadeiramente, por serem tão intensas, tão cheias de emoção. Este romance é mais que uma história de amor sem consequências. É um relato de sobrevivência, da parte do Henry. E é um relato de coragem pela parte da Clare, que continua presente mesmo na ausência. Não deixa de ser um romance lindo, com sacrifícios, onde tanto Henry como Clare oferecem ao outro partes de si. Quando estão juntos, eles são um. E quando não estão, têm sempre alguma parte do outro consigo. É uma história que tem momentos tocantes. Angustiantes. E também tem a sua dose de irritação. Sim. A Clare testou a minha paciência algumas vezes. Mas chegada à meta, ao final desta viagem, posso dizer que me encontro muito satisfeita.

É um livro que vale a pena ler se se procura um romance com bastante imaginação e com uma história de amor algo sofredora. Que nos mostra que os obstáculos que encontramos na nossa existência podem ser ultrapassados se assim estivermos dispostos. Mas também nos mostra que outros estão fora das nossas mãos. Um livro bastante emocionante.

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Até que Ele nos Separe


Rachel White sempre foi o protótipo da «menina certinha», que fazia o que se esperava dela e se sacrificava em prol dos outros. Só que, na manhã após a festa do seu aniversário, Rachel acorda ao lado do noivo da sua melhor amiga. O mais correcto seria esquecer o que aconteceu e seguir em frente, mas, à medida que a data do casamento se aproxima, Rachel descobre que as coisas não são assim tão simples, e em breve terá de escolher entre abrir mão da felicidade ou da sua amizade mais antiga. Um romance que lança um olhar pleno de lucidez e de sensibilidade sobre as nuances que existem no amor, na amizade e na traição.





ISBN: 9789722341738 – Editorial Presença / 2009 – 344 páginas

Rachel White e Darcy Rhone foram amigas durante toda a vida. Desde pequenas que criaram uma ligação e Rachel sempre valorizou muito esta amizade, apesar dos defeitos que Darcy tem. E apesar de tudo, não se pode dizer que Darcy seja má amiga. Pelo menos, não totalmente. 
Darcy até preparou uma festa surpresa (pelo menos era a intenção) para celebrar os 30 anos de Rachel. Embora esta não seja completamente uma surpresa, Rachel aprecia o gesto de igual forma. Contudo, esta é uma fase decisiva na sua vida. 30 anos, o fim da juventude. O fim dos tempo gloriosos. Com os 30 começa a entrar numa idade diferente, uma idade mais pesada. E apesar de já se sentir mal por fazer os tão assustadores trinta, o pior disto tudo é que Rache ainda é solteira. 
Já receia que a esta altura do campeonato consiga realmente o Tal. Apesar de isso, ainda sonha com o homem certo que a irá pedir em casamento e constituir família com ela. 
Mal ela sabe que a viragem para os 30 anos vai representar a maior mudança na vida dela. E a mais difícil.
Com uma amizade muito íntima  Rachel e Darcy sempre partilharam tudo. Ou praticamente tudo. Mas agora, até partilham o mesmo homem. Após a festa do seu aniversário, Rachel dorme com Dex, noivo de Darcy. Esta sente-se horrorizada com o fez, mas a situação é mais complicada do que parece à primeira vista. Porque o casamento da sua melhor-amiga e do homem que ama está à porta e Rachel vai, talvez pela primeira vez na sua vida, ter que escolher entre a amizade ou o amor.

Este livro já está na lista para ler há quase um ano. Finalmente, depois de um (grande) incentivo, decidi começar a lê-lo. Mal o comecei a ler, senti algo de familiar. Parece que já tinha visto este início em qualquer lado, apenas não me conseguia recordar muito bem onde. Mal li 3/4 capítulos, lembrei-me onde já tinha lido/visto isto. É que, inadvertidamente, já tinha visto a adaptação cinematográfica, coisa que não me deixou nada feliz. Afinal tinha visto o filme e nem sequer tinha reparado que este tinha sido baseado num romance. Enfim. 
Bem, lá continuei a ler o livro, tentando não pensar nada no facto de ter destruído o meu pequeno ritual de ler primeiro, ver depois. 
Como já sabia a história, ou pelo menos os detalhes principais, foi fácil identificar-me com os actores e com as personagens literárias. Que até estão todas bem escolhidas, excepto o Dex. 

Mas apesar de já ter visto o filme e de já saber mais ou menos como é que a história se poderia vir a desenvolver, o livro acabou por me surpreender. É que as descrições da autora sobre esta amizade entre Darcy e Rachel, são… qualquer coisa. Gostei imenso de ler sobre esta amizade e claro que fiquei com pó à Darcy, apesar de também não ter gostado de todo o livro andar à volta da traição. Já sei que há coisas que não são admissíveis, mas vá lá, é amor. Toda a gente gosta de uma boa história de amor, com os seus altos e baixos, certo? 
É porque é isto que este livro é. 

É uma bonita história de amor, com o seu quê de drama e de comédia. E ao contrário das expectativas que tinha (não sei porquê, não achava que fosse gostar deste livro) até acabei por aprender qualquer coisa sobre relações humanas – amizade, amor – neste romance. Agora, depois de ler o livro, vou sem dúvida rever o filme e apreciá-lo de uma forma completamente nova. Com outra visão.

Quero ler a sequela. E será em breve, com certeza. Para quem gosta de uma leitura leve, esta será uma opção a considerar.  

     

Maze Runner – Correr ou Morrer

Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado – a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo.





ISBN: 9789722348508 – Editorial Presença / 2012 – 400 páginas

Quando Thomas acorda dentro de um elevador e se dá conta que não tem nenhuma memória, ou mesmo como foi parar a tal sítio, fica confuso e um pouco agitado. Ainda mais quando percebe que chegou a um sítio desconhecido e se depara com um grupo de rapazes adolescentes preparados para lhe dar as boas-vindas. A ele, que é o novo membro da comunidade que se formou no sítio mais estranho que se pode imaginar. Este mini-cosmos é estranho e fascinante ao mesmo tempo. Estes rapazes vivem num género de labirinto, aparentemente sem solução, que dura já há dois anos. Todos os meses, esta pequena sociedade recebe um novo membro, mas agora que Thomas chegou a esta Clareira, tudo será diferente. 
Não só Thomas é diferente de todos os outros rapazes que habitam este universo, pois sente que esta sua nova casa lhe é de alguma forma familiar, bem como a sua chegada desencadeia uma série de acontecimentos extraordinários e dignos de suspeita por parte dos seus irmãos de armas, por assim dizer.
Quando no dia seguinte à chegada de Thomas, o alarme da chegada de um novo habitante soa, todos ficam atordoados. Quando o elevador revela que a nova chegada é uma rapariga, o mundo a que eles estavam habituados desmorona-se por completo. Theresa veio abalar este mundo dominado por rapazes, mas vai ao mesmo tempo ser uma espécie de solução para este labirinto interminável.

Desde há 3 anos para cá, que as distopias em romances young-adult se tornaram um hype, não só nos Estados Unidos da América, mas no mundo literário na sua generalidade. Desde o fenómeno Hunger Games, que este género de livros é muito popular. Eu própria caí neste ciclo vicioso. Já li não só Hunger Games, como também Divergente. E agora faltava ler o Maze Runner, que à semelhança dos livros anteriores que referi também foi alvo de muita popularidade e falatório. 
Confesso que estava curiosa, pois apesar de não ser uma fã inveterada do género young-adult, o sub-género de distopia conquistou-me inevitavelmente.
Embora este livro já estivesse na minha lista para ler, aquando fiz o meu desafio aos leitores, este foi um dos livros recomendados e acabou também por ser um dos escolhidos. Este foi o escolhido pela Sofia Teixeira, do blogue Morrighan e por isso quero agradecer-lhe o incentivo para ler este livro mais cedo do que tarde.

Falando sobre o livro propriamente dito, creio que a primeira coisa que posso apontar é a originalidade do enredo. Neste mundo literário (e não só) é muito difícil ser original e ir buscar novas perspectivas que já não tenham sido exploradas por alguém nesse mundo fora. Por isso mesmo, louvo a originalidade do autor, que apesar de ter arriscado ao ter escrito um livro de um género que já é muito “batido”, conseguiu ser original e mostrar uma nova realidade dentro deste tipo de livros. A sua escrita também não é má, embora não seja de facto maravilhosa. Digo isto não tanto pela qualidade técnica da sua escrita, mas antes pelo tom do seu discurso. É um tom muito moroso, que demora a desenvolver, que arrasta muito o enredo, até que de um momento para o outro acontece tudo em catadupa. Tão depressa as coisas não têm solução, como no momento seguinte, já o mundo está salvo.
Estou a exagerar um pouco, mas a ideia com que fiquei é que o autor tem uma escrita de extremos, por assim dizer.
Ou está ali a cozer as coisas em lume brando, como de seguida, já está o prato todo queimado. 

Já as personagens e a estrutura do mundo que o autor criou criaram uma impressão ligeiramente diferente. Gostei das personagens que ele criou, especialmente o Newt, o Thomas e a Theresa (que surpresa, não é?).  O mundo, ainda que original como já tinha referido, não teve uma componente visual muito forte. E as descrições pouco ajudaram. 
E para mim, um dos prazeres maiores que retiro de um livro é poder imaginar na minha cabeça, o mundo em que se passa e todas as suas nuances. Com este livro não consegui imaginar nada de nada e até tentei fazer um desenho com base nas descrições do autor, mas simplesmente nenhuma imagem compreensível vinha à minha cabeça. Esse aspecto desiludiu-me imenso, visto que eu conto com as descrições que os autores dão para criar um mundo na minha cabeça e viver o livro como se fosse real. Este livro não me trouxe nenhum sentimento de real, nem me fez viver e sentir com ele e por isso, acabou por não me apelar tanto como poderia ter feito.

De qualquer forma, creio que o livro até se lê bastante bem e é uma leitura bastante razoável, mas acabei por compreender que eu como leitora, já começo a denotar algum cansaço deste género literário sensacionalista e isso acabou por não permitir que este livro me conquistasse de uma forma definitiva.

Contudo, por outro lado, não posso deixar de dizer que apreciei muito a forma como o final acabou e que o autor me deixou ligeiramente curiosa para saber que coisas novas o segundo livro poderá trazer. Se o irei ler ou não, será uma questão para ponderar no futuro. 



        

O Viajante Assassino

O Viajante Assassino é um primeiro romance admirável, que de imediato se tornou um bestseller internacional. Quando Charlie Parker bateu com a porta após mais uma discussão conjugal, não podia suspeitar que algumas horas mais tarde, ao regressar a casa, iria deparar com um cenário do mais absoluto terror. Diante de si jaziam os cadáveres da mulher e da filha de três anos selvaticamente dissecados, vítimas da brutalidade demoníaca de um louco. Atormentado pela dor e por um insaciável desejo de vingança, este ex-agente da polícia de Nova Iorque envereda por caminhos que atravessam as fronteiras da lei e da própria sanidade mental, numa cadeia de investigações tortuosas que acabará por conduzi-lo ao rasto de sangue do serial killer que lhe destruiu a família – o viajante assassino. A sua imparável demanda leva-o de Nova Iorque até à Virgínia e a Nova Orleães, num vórtice descendente que o atira para níveis cada vez mais sinistros de violência. O Viajante Assassino é uma obra que contribui para elevar o género literário a que pertence.

ISBN: 9789722334501 – Editorial Presença / 2005 – 448 páginas

John Connolly estreia-se num primeiro volume de uma série que conta já com 11 volumes até hoje. Conta com o protagonismo de Charlie Parker, um ex-detective que não leva uma vida fácil, mas que tem um tacto especial para se colocar no meio dos problemas. O seu passado é um misto de sombras e mistérios e o presente não se parece revelar muito melhor do que isso, condenado à procura de respostas a perguntas que o assolam desde que a sua mulher e a sua filha foram vítimas de um crime brutal, que não lhes roubou a vida como a dignidade. A polícia não consegue encontrar nenhuma pista que lhe indique o caminho até ao assassino e Charlie, desamparado, deixa a força policial, tentando com isso resolver aquilo que está mal na sua vida. 
contudo, não se consegue manter afastado desta vida por muito tempo e envolve-se num caso de desaparecimento de uma jovem. Charlie acaba por desvendar este mistério com aparente facilidade, mas não se apercebeu que este caso estaria ligado ao seu passado e ao assassínio da sua mulher e filha e que, ultimamente, o levaria a chegar à identidade daquele que foi apelidado como Viajante Assassino, fascinado pela mortalidade e pela religião e que anda por Virgínia, Nova Iorque e Nova Orleães a semear o medo.

Esta foi a minha estreia com o autor. Nunca antes tinha ouvido falar do seu nome, mas devido a um empréstimo tive oportunidade de ler este livro, cuja sinopse me tinha interessado. Não sabia muito bem o que esperar, pelo que não tinha nenhuma expectativa para este livro, a não ser o desejo de que este se revelasse um policial que me agradasse. Foi exactamente isso que aconteceu, embora não possa dizer que o livro me tenha deslumbrado completamente. Foi uma boa leitura, bastante fluída, que me surpreendeu em alguns aspectos, mas no final acabei por ter a sensação que faltava aqui qualquer coisa para fazer com que o livro passasse ao nível seguinte. 
Até certo ponto no enredo, o livro era constituído por duas tramas paralelas. A do caso do Viajante Assassino e a do desaparecimento da jovem que Charlie está a investigar. A primeira é a central, que atravessa todo o livro e apenas no fim é que chega a um desfecho. A última, secundária, encontra uma solução ainda a meio do livro. Gostei da estrutura do livro, do facto de ter dois mistério entrelaçados num e dos capítulos serem pequenos, de forma a que leitores (como eu) que só gostam de interromper a leitura no final dos capítulos, o possam fazer sem qualquer problema. 
Os mistérios em si eram muito interessantes e bem construídos, integrados numa trama inteligente, que vai deixando algumas pistas de forma a que o leitor siga o caminho deixado pelos guloseimas até à solução.  
Claro que o mistério principal foi aquele que mais me cativou e o mais complexo também. Visto que implicava a vida de Charlie, não havia nenhuma outra possibilidade. A resposta para este mistério é que me deixou boquiaberta e as minhas suspeitas estavam todas completamente erradas. Não esperava que o assassino fosse quem acabou por ser e isso foi dos melhores pontos neste livro. A pesquisa que o autor fez e os argumentos que apresentou para a solução dos crimes foi igualmente fabulosa, pois tudo se encaixou com sentido.
Em relação aos personagens, gostei praticamente de todos, mas a meu ver, existem sérios problemas de construção e estruturação de personagens aqui. Não só me parecem um pouco fantasiados, como este livro tem um nível incrível de crimes, atrocidades, violência que passa incólume. Não me parece correcto isto acontecer. O protagonista mata mais que uma pessoa e embora, legalmente não tenha culpa, não me parece uma atitude muito própria do tipo de protagonista que Charlie pretende ser.
De facto, Charlie Parker não ficará na lista de personagens favoritos, mas por outro lado, fiquei com a sensação que ele ainda agora começou a mostrar a sua personalidade. É uma personagem conflituosa, com bom coração, mas que deixa o intelecto intervir muito nas acções. Fiquei com a sensação que era uma personagem muito ambígua e gostaria que tivesse existido um trabalho mais cuidado na construção do protagonista. Contudo, sendo que este é o primeiro livro de uma série, pode ser que esta condição nos livros seguintes já não esteja presente. 

Como já não é novidade no nosso mercado editorial, a série não foi continuada e apenas o primeiro volume se encontra publicado. Contudo, vou querer ler o segundo livro da série, desta vez em inglês. Fiquei curiosa com o final aberto que se apresenta neste O Viajante Assassino e por isso mesmo terei que tirar as minhas dúvidas com o segundo volume. Embora não sendo o melhor policial que já li, parece-me que esta série tem algum potencial. Uma leitura agradável.   


A Queda dos Gigantes

Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista. 

Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. 
Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.
ISBN: 9789722344289 – Editorial Presença / 2010 – 930 páginas

Uma trilogia, um retrato de um século. O primeiro volume da trilogia “O Século” intitulado A Queda dos Gigantes, inicia um ciclo que pretende retratar a vida, o quotidiano, as diferentes realidades, as tristezas, os sucessos e as alegrias do século XX, uma das épocas mais importantes a nível mundial. 
Neste primeiro volume, começamos a viagem em 1911 e acabamos em 1925. Ou seja, vamos viajar até à Europa nos anos em que a Primeira Guerra Mundial grassou um pouco por todo o território europeu. O leitor vai poder transportar-se para esta época conturbada que teve um impacto a uma escala mundial, na medida em que após este conflito, a sociedade como era conhecida, nunca mais voltará a ser o que era. A Grande Guerra veio significar muitas coisas, mas a mais notória é o massacre de vidas humanas, em número abismal. Mais de 16 milhões de pessoas morreram neste conflito e esta guerra encontra-se na tabela dos conflitos da história mundial que mais mortes e causalidades causou. 
O acontecimento que originou a Primeira Guerra foi o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando de Áustria, em 28 de Junho de 1914 , o príncipe herdeiro do trono de Áustria Hungria, que resultou depois num ultimato por parte dos Habsburgos contra o reino da Sérvia. Rapidamente se desencadearam outros desenvolvimentos e o sentimento de fatalidade e guerra  instalou-se, logo de seguida, nas mentes dos europeus, dos russos e do mundo em geral.

Ken Follett acaba por pegar num conjunto de personagens que provêem, todas elas, de realidades muitos distintas e acaba por transportar o leitor para a vida destas pessoas que serão todas afectadas por este período de grande instabilidade, em todas as áreas das suas vidas. 5 famílias que não poderiam ser mais diferentes e conhecendo todas elas realidades opostas (não só pela questão da nacionalidade), vão cruzar as suas vidas de uma forma ou outra e a questão permanecerá no espírito de cada um de nós: conseguirão todos eles, sobreviver, para ver o mundo renascer? 
Uma família alemã, uma inglesa, uma escocesa, uma russa e outra americana. Todas elas vão ser tocadas pelo conflito que grassa na Europa e muitos deles vão ver a sua vida virar-se de pernas para o ar. Uns, tentam fazer com que o amor que os unem não se escape por entre os seus dedos. Outros ainda tentam agarrar as suas crenças com a maior força possível, defendendo o sufrágio feminino e melhores condições nos locais de trabalho. A luta pela sobrevivência encontra-se em cada linha, palavra, parágrafo, capítulo deste livro. É impossível não nos sentirmos tocados de alguma forma por este relato histórico, que conta  com personalidades também elas históricas, hoje em dia, os nossos exemplos (tanto para o bem como para o mal). Lenine e Winston Churchill, Woodrow Wilson  são alguns deles. 
Podemos acompanhar uma geração inteira de lutas, de traições, de guerra, de sobrevivência, de amor, de perseverança e de esperança. São 14 anos de história que se encontram retratados, descritos e apresentados, sendo fruto de uma pesquisa histórica muito cuidada e de uma mestria narrativa sem igual.

Esta não é a primeira obra do autor que leio. Nem a maior, de facto. Os Pilares da Terra (como um todo) ainda conseguem superar, em quantidade de páginas, a extensão deste A Queda dos Gigantes.  O que eu quero dizer é que este autor já me é familiar em ambas as vertentes – policiais/thrillers e romances históricos. 
Tendo em conta que são duas vertentes diferentes, seria de esperar que tivesse preferência e que gostasse mais do estilo do autor numa do que noutra. No entanto, não é isso que acontece. O autor tem uma escrita fabulosa nas diferentes vertentes e nunca deixa de me conquistar com os seus livros, com as suas tramas e sobretudo com a sua narrativa. Ken Follett é um escritor brilhante, não só dotado de uma mestria narrativa, como antes referi, como também sabe como captar rapidamente o leitor, sem que este perca motivação com a extensão dos seus livros. Estes romances históricos são sempre obras que levam uma quantidade enorme de tempo a preparar e a planear. A pesquisa histórica que é necessária para construir estes livros tem de ser tomada em conta de uma maneira especial, sendo que o autor tem de saber discernir o que é fulcral para o seu enredo e aquilo que não o é. Por isso mesmo, o autor tem que decidir qual é a informação histórica que vai apresentar e integrar no seu romance e tem que se certificar que esta é de rigor, não se limitando a “despejar” factos históricos sem qualquer veracidade. 

O autor fez isto e tudo mais. É notável, logo à partida, que a pesquisa feita para este livro foi extensiva e exaustiva. Os pormenores históricos estão aqui presentes numa quantidade incrível, descritos de forma clara e explícita. O facto de a obra ser estruturada de forma cronológica, facilita ao leitor transplantar-se rapidamente para a época que se vive no livro e mais facilmente o leitor cria empatia com as personagens e com o enredo. 
Devido ao elevado número de personagens, a primeira metade do livro pode às vezes ser confusa, mas o índice de personagens  ordenado por nacionalidade, ajuda muito o leitor a colocar as ideias em ordem.
Diria que este livro é uma noção de história, mas é bem mais que isso. Além de factos verídicos, contexto histórico, pude realmente imaginar como seriam as vidas de quem passou por tal período na história do nosso mundo. Pude apreciar a paz que vivemos no nosso país hoje em dia e pude estabelecer alguns paralelos entre a realidade do que foi e a realidade do que hoje é. Pude também colocar-me no lugar de todos aqueles homens, soldados que deram a sua vida, o seu contributo para que hoje em dia possamos viver num entendimento (às vezes precário), possamos viver em paz. Possamos compreender e aceitar as nossas diferenças e não partir logo para a guerra, como antes parecia acontecer. 
De facto, pude imaginar-me a mim a viver naquele tempo e não no de hoje e a desesperar por não ver um fim à guerra, ao tempo de miséria, ao tempo de constante estado de instabilidade. 
Fez-me também ver em que aspectos progredimos e em que aspectos não progredimos. 

Ken Follett cria um equilíbrio flexível entre a realidade histórica e a ficção, mas nem isso tira paixão à narrativa. A escrita do autor, em nenhum momento, se torna aborrecida, embora ache que existiram certas passagens em que era desnecessário tanta descrição. Contudo, foi um livro que apesar de ser muito extenso, sempre me deu alento para continuar a minha leitura e quando, ao fim de mais de 900 páginas, poisei o livro senti que um peso me tinha libertado (literal e figurativamente – porque o livro é bem pesado!). Chegando ao fim da longa jornada, senti-me preenchida com a história complexa, mas por demais completa, que o autor nos apresenta. 

É um dos melhores romances históricos que já li, onde o romance e a história se harmonizam de uma forma perfeita. Um livro que ninguém deve perder, pela riqueza cultural, pela viagem ao passado e pela roleta russa de emoções que nos faz sentir. 


Darling Jim

Darling Jim reúne thriller psicológico, suspense romântico, terror, lendas e contos de fadas num enredo coeso e fascinante. Tudo começa com o aparecimento dos cadáveres de duas irmãs e da tia de ambas, assassinadas numa casa de Malahide. O mistério que envolve a sinistra descoberta parece insolúvel, mas quando Niall, um jovem carteiro, descobre o diário de uma das irmãs e decide fazer uma investigação por conta própria, a verdade começa a vir à luz do dia. Uma história de amor trágica e um bardo dos tempos modernos parecem ter estado na origem dos crimes. Malicioso e irresistível, Darling Jim é um romance que nos fala dos perigos de nos apaixonarmos pela pessoa errada.




ISBN: 9789722346283 – Editorial Presença / 2011

Três cadáveres são encontrados dentro de uma casa em Malahide, na Irlanda. A investigação que a polícia leva a cabo decifra parte do mistério – percebe-se que dois dos cadáveres são de mulheres jovens, na flor da idade e os seus corpos eram testemunhas de alguns maus tratos e a evidência é que ambas viveram por um período considerável encarceradas naquela casa. Como prisioneiras. Sabe-se também que o terceiro cadáver, uma mulher mais velha que as outras duas é a sua tia, única familiar destas duas mulheres após a perda dos seus pais num incêndio domiciliário. 
No entanto, também se sabe que na cave desta mesma casa existem indícios de que outra prisioneira foi lá mantida contra a sua vontade, mas não há nenhum corpo que sustente esta teoria, por isso é deduzido que o quarto elemento que vivia nesta casa conseguiu escapar da “prisão” a tempo e ainda com vida e que anda por aí, ainda que ninguém saiba onde e como é que esta pessoa conseguiu salvar-se. 

Os esforços da polícia para desvendar o mistério que envolve esta moradia são em vão e aquele que é um dos mistérios mais famosos da Irlanda permanece assim, em segredo. Como é esperado, após algum tempo, os jornais e os media em geral acabam por se desinteressar por esta história, que ao início fazia correr tinta sem parar. O sangue derramado naquela casa haveria por perdurar ainda por muito tempo para os habitantes de Malahide e a quem esta história tocou perto. Contudo, a vida continua e não havendo mais pistas para seguir, o mistério acaba por ficar enterrado no tempo.

Até que…

Niall, um funcionário dos correios decide ver uma das caixas que se designa ao correio que não foi entregue. Qualquer coisa lhe chama à atenção e mesmo que ele ainda não saiba o porquê, ele será a chave do mistério da casa de Malahide. 
Isto porque o que lhe chama à atenção é o diário de uma das irmãs que foi encontrada morta naquela casa e Niall acaba por se envolver no mistério e faz uma promessa – a de descobrir a verdade do que se passou. 
Com isto, Niall lê o diário de uma das irmãs e depressa se dirige à cidade natal dos protagonistas deste drama, onde tudo começou, e descobre que a razão de tudo é Jim, um sedutor nato que se revela muito mais que isso. 
A solução deste mistério encontra-se nesta pessoa misteriosa e Niall acaba  por ser se lançar na caça da verdade e não só, não sabendo que podia desenterrar muito mais que a verdade…

Darling Jim é o romance de estreia do autor Christian Mørk. Quando este foi publicado em Portugal, gerou-se tal comoção à volta do mesmo que foi impossível manter-me indiferente a esta obra. 
As opiniões positivas eram a jorros e a curiosidade foi aumentando, até que decidi que tinha de ler este livro, nem que fosse para poder saber de onde vinha tanto falatório e entusiasmo. 
Numa situação como esta, é normal que as expectativas estejam um pouco altas mas sinceramente, eu não fazia ideia do que esperar deste livro e portanto posso dizer que parti um pouco à descoberta e não esperava nada de extraordinário.

Desconfio sempre quando após o lançamento de uma novidade, as opiniões se revelam demasiado positivas e a verdade é que este livro acabou por não fazer jus às mesmas.
De facto, muitas vezes penso onde é que está a razão de alguns elogios que para aí vi?
Certo que este livro é fluído, com um mistério envolvente, com alguns momentos interessantes, mas se é suposto esta ser a sétima maravilha da literatura, vou ali…. ler novamente o livro e já volto. 
Não me levem a mal. Afinal, este livro tem realmente aspectos positivos e o mais importante deles todos é a escrita do autor. É muito agradável, super fluída e envolve-nos sem sabermos como. A trama é igualmente bem construída, inspirada num artigo de jornal que o autor leu e consegue-se perceber que é uma mente criativa que gosta de um bom mistério e de todo o processo que leva ao desmantelamento dos segredos que o constroem. 
Apesar de tudo isso, achei o enredo um pouco previsível e sendo eu fã de thrillers, sejam eles de que género for, fiquei um pouco desiludida com a verdade por trás disto tudo. Rapidamente cheguei ao cerne da questão e apesar de ter gostado das personagens e da história em si, achei que merecia uma solução mais rebuscada e sem dúvida, mais interessante.

Todos sabemos que um homem que se mete entre mulheres, acaba por sair escaldado, mas sinceramente esperava mais desta história. 
No entanto, tenho que referir mais uma vez que o autor me surpreendeu pela sua escrita e pela sua imaginação (refiro-me à história que ele construiu tendo como inspiração apenas um artigo de jornal) que se revela ser algo a apreciar.
Sendo este um romance de estreia, não posso deixar de felicitar esta obra, mas creio que existe espaço para melhorar. 
Estou curiosa para ver o que o futuro reserva para este escritor, porque creio que tenha potencial com a sua escrita.

Sumariamente, Darling Jim, não conseguiu seduzir esta leitora, embora ainda exista esperança para que Christian Mørk se revele como autor de policiais



Os Pilares da Terra (Vol I, II )


Do mesmo autor do thriller “A Ameaça”, chega-nos o primeiro volume de um arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima aclamada pela comunidade de leitores de vários países que num verdadeiro fenómeno de passa-palavra a catapultaram para a ribalta. Originalmente publicado em 1989, veio para o nosso país em 1995, publicado por outra editora portuguesa, recuperando-o agora a Presença para dar continuidade às obras de Ken Follett. O seu estilo inconfundível de mestre do suspense denota-se no desenrolar desta história épica, tecida por intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição. Conheça o trabalho de um autêntico mestre da palavra naquela que é considerada a sua obra de eleição.

ISBN: 9789722337885 – Editorial Presença / 2007







Segundo volume da obra-prima de Ken Follett.

Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história.
Recheado de suspense, corrupção, ambição e romance, “Os Pilares da Terra” é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo. 


ISBN: 9789722338196 – Editorial Presença / 2007


Ken Follett é um dos grandes autores da actualidade. Muitos (incluindo eu própria) começámos por reconhecer a mestria do autor nos policiais e nos thrillers que ele constrói, mas Follett é um autor com várias facetas e por isso mesmo, durante anos desejou entregar às tramas históricas. Quando finalmente se decidiu arriscar, Os Pilares da Terra foram o seu primeiro romance histórico. E o primeiro de muitos que fizeram sucesso a nível mundial.  
Follett tornou-se não só então, um conhecido e reconhecido autor de policiais mas também como romancista histórico. Tendo já lido os dois volumes, considerei que faria mais sentido publicar apenas uma opinião (visto que isto é apenas uma obra e não duas). 

Os Pilares da Terra, publicados em Portugal pela Editorial Presença e divididos em dois volumes, conta-nos a história sobre a catedral de Kingsbridge. Mas desenganem-se aqueles que pensam que a história gira apenas à volta de tal catedral. Apesar de a edificação ter um papel central na trama, pois é ela que move os interesses dos personagens, esta obra é toda ela um conjunto de pequenas tramas e de personagens com as mais variadas motivações. 

Contudo, a história começa quando Tom, um pedreiro que sonha um dia vir a construir a sua própria catedral se debate para encontrar um emprego a reconstruir igrejas das terras por onde passa. Com dois filhos para sustentar, Tom vê-se numa situação complicada após a morte da sua mulher no parto. Por isso mesmo, Tom, acaba por chegar à vila de Kingsbridge, que tem uma catedral que necessita de alguns reparos e restauros. Tom, apesar de não ter esquecido o sonho de construir a sua catedral, sabe que tem que aproveitar a oportunidade que lhe é concedida, se quiser dar de comer aos seus filhos. Além disso, a catedral foi amor à primeira vista. Esta edificação gótica, típica da arquitectura europeia do século XII, é não só enorme como tem uma aura inexplicável à sua volta que conquista os habitantes e os demais visitantes daquela cidadela. 

Assim, o leitor acaba por se envolver nesta que é uma aventura épica, onde a construção de uma catedral consegue mover toda uma população. Estamos num período conturbado da história do Reino Unido e a política anda de mãos dadas com a Igreja e Os Pilares da Terra acabam por mostrar ao leitor como é que a vida quotidiana no século XII era e consegue, de uma forma absolutamente fantástica, transportar-nos até essa mesma época. 

Quanto aos personagens, o autor conseguiu criar um leque variado de personalidades muito grande e todas elas com alguma coisa interessante para mostrar. De uma complexidade (a)normal, Follett acabou por me fazer crer que estas são personagens que eu gostaria de ter conhecido e no entanto, acabou por me dar uma sensação de familiaridade com os mesmos. Senti uma ligação bastante grande a Tom e à sua família, bem como a Aliena. 
Todos os restantes personagens, mesmo com os vilões, consegui sentir alguma ligação e ao acabar o livro (e até mesmo durante o decorrer da leitura)  senti-me algo triste por ter que dizer adeus a vários deles. 

Considerando este um livro com alguma extensão, há que referir a mestria do autor na narrativa que construiu. Com livros grandes é preciso sempre que o autor saiba como cativar o seu leitor, pois de outra forma, corre o risco de o aborrecer e de o desinteressar na história que tem para lhe contar. Por isso mesmo, um livro tão grande tem que ter uma estrutura muito bem pensada, já para não falar da construção da narrativa.
Embora eu seja uma leitora que gosta bastante de calhamaços, confesso que por vezes ao olhar para o número de páginas de um livro me torno algo céptica. Isto porque tenho sempre algum receio de que o autor perca a perspectiva e aquela que poderia ser uma grande obra, acaba por se revelar muito mediana. Por isso mesmo e apesar de eu abraçar estas leituras extensas com bastante entusiasmo, tento não elevar muito as minhas expectativas. 
Mas Ken Follett mostrou saber como cativar o leitor com a sua narrativa, com a sua trama e enredo e com os seus personagens e em nenhum momento da leitura achei que estava aborrecida ou a perder o interesse. A prova que tenho disto é que após ter lido os dois volumes em português, adquiri o volume original em inglês e reli esta aventura épica novamente, como se fosse a primeira vez. 

Não posso descrever esta obra com outro adjectivo que não esse, porque esta é de facto uma aventura sem igual e que não deixa nenhum leitor indiferente. É sem dúvida, uma das melhores leituras deste ano e um livro que pretendo guardar com muito carinho e admiração. 
Acredito também que será uma obra para reler (nem que seja apenas algumas passagens para matar saudades) porque vale a pena a viagem. Não interessa o número de vezes que a façamos, irá sempre parecer a primeira. 

Uma obra inesquecível e uma leitura que não podem deixar para trás!