As Meninas dos Chocolates

Edie, Ruby e Janet são amigas e dedicam-se a fazer chocolates na famosa fábrica Cadbury, em Inglaterra. As suas vidas poderiam ser de sonho, não fossem as atribulações familiares e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Edie casa muito jovem. A sua fé no futuro é ilimitada mas o destino tem outros planos para ela. Com apenas dezanove anos, Edie enfrenta a guerra sozinha e tomada pela dor após a perda do marido e do filho. Até que uma noite, durante um bombardeamento, uma criança abandonada é deixada ao seu cuidado… Entretanto, a sua jovial amiga Ruby, apesar do medo de ficar solteirona, acaba por se casar com Frank, desconhecendo o seu carácter temperamental. E há também Janet – inteligente, bondosa e atraída pelos homens errados. Profundamente magoada pela sua última relação amorosa, Janet está convencida de que nunca mais se apaixonará. Mas David, a criança que Edie acolhe, conquista o coração de todos. E quando tem idade suficiente para questionar a sua verdadeira identidade, David vai novamente transformar as suas vidas e proporcionar-lhes algo com que nunca sonharam … Três mulheres cujas vidas são marcadas pela amizade, a guerra e o amor por uma criança.

ISBN: 9789892316130 – Edições ASA / 2011 – 492 páginas


As Meninas dos Chocolates é um romance histórico que conta as aventuras de três amigas que trabalham na fábrica de chocolates de Cadbury em Inglaterra durante os conflitos bélicos da Segunda Guerra Mundial. A vida durante a guerra não é nada fácil, com os racionamentos e as dificuldades que surgem na vida quotidiana e a insegurança em geral. Mas, coisas boas também podem surgir nestes momentos mais difíceis. Para Edie, a vida não tem sido fácil. Depois de perder o seu jovem marido um dia antes deste ir para a guerra, acaba por perder o filho dele que trazia no ventre e a vida não parece ter mais nada de agradável para lhe oferecer, até que acolhe um rapazinho que foi o único sobrevivente de um bombardeamento. Ruby, recém-casada com Frank acaba por se aperceber que a vida de casada não é tão conto-de-fadas como ao início pensava e agora que se vê com uma criança para cuidar é que se apercebe que ao longo do caminho se poderá ter precipitado em algumas decisões. E Janet acha que o amor não é para ela depois de se envolver com o homem mais errado para ela mas acaba por se apaixonar por um colega voluntário e a vida parece dar-lhe alguma esperança. Os infortúnios que juntam estas três mulheres vão ajudá-las a ultrapassar estes tempos mais complicados e amizade e o amor que junta este pequeno círculo revela-se forte o suficiente para atravessar qualquer maré.

Este romance de Annie Murray é a minha estreia com a autora. Nunca antes tinha ouvido falar dela, nem do seu trabalho e portanto quando peguei neste livro fi-lo sem saber ao que ia. Apenas sabia que o livro decorria durante o período da Segunda Guerra Mundial, que é uma temática que mais vezes do que não, costuma chamar a minha atenção com bastante eficácia. Confesso que a minha primeira reacção a um título destes é algo do género: “deve ser um daqueles romances que apesar de ter um cenário desolador, é tão doce que entope as minhas veias de açúcar”. Afinal lá diz o dito popular, as aparências iludem. E não é que iludem mesmo?
Está certo que este é um romance e está certo que tem alguns momentos mais ternurentos, mas ficou bem aquém de me deixar com uma crise de doçura excessivas nas veias. A história é simples. Três amigas confrontam-se com vários problemas emocionais durante o enredo e cada uma tenta, à sua maneira, conquistar o seu final feliz. De alguma maneira, achei que faltava mais a esta história. Apesar de a narrativa ter um enredo secundário que poderia suscitar algum mistério, senti que ficou a faltar mais emoção ao longo de todas estas voltas e reviravoltas.

A escrita da autora é incrivelmente fluída e lê-se com uma facilidade imensa. Gosto da sua maneira de expor os eventos da narrativa e o leitor é capaz de acompanhar bem o enredo sem se sentir de forma alguma aborrecido. Contudo, apesar da escrita agradável, os seus personagens deixam algo a desejar, são frágeis – fracos até. Com fracos quero eu dizer que não têm nada que os distinga, que me faça pensar: «tu tens algo de diferente, de especial». A personagem que mais me agradou nesta história foi o David, por ter uma vontade de ferro e por ser alguém que quis construir um caminho para si mesmo, ainda que pudesse ter que o fazer à força. As restantes personagens desiludiram-me em grande escala, por achar que deveriam ter sido melhor esculpidas.

O romance concentra-se mais na vertente romântica do que propriamente na pesquisa histórica mas é possível notar-se que a autora não descurou a vertente histórica do seu enredo e isso para mim tem pontos positivos também. Em suma, foi uma leitura agradável quanto baste mas não me encheu as medidas. Quando o chocolate chegou ao final, fiquei com gosto agridoce na boca ao invés de doce. Ainda assim e depois de ler a sinopse da sequela, não posso deixar de me sentir curiosa com o próximo livro.

Pássaros Feridos

Milagre

August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola. Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.

ISBN: 9789895579655 – Edições ASA / 2012 – 368 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

August é uma criança que tem uma aparência pouco usual. Quando vai à rua com a sua família, é normal as pessoas virarem as cara e olharem para o outro lado, na esperança de esquecerem aquela visão. É que August nasceu com uma deficiência genética rara e a sua aparência distingue-o de outras pessoas. É algo que não passa despercebido, embora a família de August tente levar uma existência o mais normal possível.
Tanto que os pais de August decidem inscrevê-lo na escola, para que ele possa ter uma infância como outras crianças têm. Ele, que vai entrar para o quinto ano, verá a sua vida mudar de direcção e terá que superar novos desafios todos os dias, seja explicar às outras crianças porque é que o seu rosto é deformado, seja lidar com preconceitos desde tenra idade.
Será para August e para todas as pessoas que o rodeiam, um ano de novas descobertas e muitas batalhas, mas também um ano de aprendizagem e de milagres.

Já tinha lido bastantes opiniões positivas a este livro mas foi apenas quando este foi sugerido para a minha rubrica, Desafio dos Leitores, que tomei verdadeira atenção ao mesmo. Decidi lê-lo mais cedo que mais tarde e não me arrependo de tomar tal decisão, pois este livro é uma maravilha. Logo desde as primeiras páginas pressenti que August seria um narrador que apelaria a muitos leitores, pela forma como apresenta o seu dia-a-dia e como lida com os desafio que têm que encarar. Isto porque o seu relato primeiro inspira pena, mas esse é apenas um sentimento passageiro. Na verdade, a história de August inspira admiração e empatia a níveis que é difícil explicar. Embora seja um livro escrito a várias vozes, foi a voz de August aquela que mais me emocionou.

Este é daqueles livros que se podem considerar uma lição de vida, por serem tão incrivelmente reais e tão inspiradores. É daqueles livros que nos obriga a considerar o que faríamos nós se tivéssemos na mesma situação. Várias vezes durante a leitura do livro me perguntei como me comportaria fosse eu o August, ou melhor ainda, que atitude teria eu se fosse amiga do August, se fosse professora de o August, se passasse pelo August. Estas são o tipo de perguntas que povoam o meu pensamento quando leio este tipo de livros. Porque apesar de ser um livro que inspira em nós sentimentos de maravilha e admiração pela bondade humana, também é um livro que nos obriga a pensar na crueldade humana e nos valores que nos são passados desde tenra idade, sobre o que é ou não normal. E é interessante pensar e considerar que tipo de seres humanos nos revelaríamos nas mesmas circunstâncias. Porque todos gostamos de pensar que somos bons e honrosos, mas só julgamos verdadeiramente o nosso carácter quando somos confrontados com as situações reais, quando nos acontece a nós.

Em suma esta foi uma leitura que puxou muito pelas minhas emoções e é impossível não nos deixarmos encantar pela personalidade de August. E, acima de tudo, é uma leitura que nos dá esperança, que nos mostra que o mundo é bonito quando queremos que ele assim o seja. São as nossas acções que verdadeiramente definem o nosso carácter e são as nossas acções que determinam o comportamento que outras pessoas têm connosco. Foi uma leitura que me mostrou que em vez de esperarmos que o mundo seja gentil connosco, devemos nós ser gentis com o mundo.

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Pequena Abelha

Não queremos contar-lhe O QUE ACONTECE neste livro. Esta é uma HISTÓRIA MESMO ESPECIAL e não queremos desvendá-la.
Ainda assim, vai precisar de saber um pouco mais sobre ela para querer lê-la, por isso, vamos dizer apenas o seguinte:
Esta é a história de DUAS MULHERES. Os seus destinos vão cruzar-se UM DIA e uma delas terá de fazer UMA ESCOLHA terrível, o tipo de escolha que ninguém deseja enfrentar. Uma escolha que envolve vida ou morte. DOIS ANOS DEPOIS, elas encontram-se de novo. É então que a história começa verdadeiramente…
Depois de ler este livro, vai querer falar dele a TODOS OS SEUS AMIGOS. Quando o fizer, por favor, também não lhes diga o que acontece. Permita-lhes saborear a sua MAGIA.

ISBN: 9789892313177 – Edições ASA / 2011 – 266 páginas

O Hobbit

Não posso contar o que acontece neste livro, não quero estragar a magia, como a sinopse bem demonstra. A beleza neste livro é ir ao seu encontro sem expectativas, sem sabermos o que acontece nestas páginas. Por isso, quero muito falar sobre o livro e sobre o que senti aquando a sua leitura, mas para saberem e perceberem verdadeiramente a minha experiência, terão que o ler.
A verdade é que foi especialmente por causa desta opinião que eu comprei o livro. Nem pensei duas vezes, comprei o livro e pronto. Nunca pensei que demorasse 2 anos a chegar até ele, mas mais vale tarde que nunca e finalmente peguei na obra de Chris Cleave.
Como já disse, não sabia o que ia encontrar nas páginas deste livro e quando comecei a leitura, passei por momentos de estranheza, talvez por me estar a estrear num novo autor e num novo tipo de escrita. Não durou muito, esta estranheza. O segundo capítulo escrito pela voz da Bee marcou o momento em que me deixei fascinar pela escrita do Chris Cleave e pela história que ele se preparava para contar. Quando a história começou a delinear-se com mais clareza, também se tornou mais claro para mim que este é um livro muito especial.
Não sei o que me tocou mais nesta leitura, se o relato individual destas duas mulheres – que são estrondosos, pela força que demonstra ao longo do livro – se a forma como o autor nos mostrou isso mesmo. Não resta dúvida nenhuma que a narrativa do autor é fantástica. A forma como ele nos descreve pequenas coisas do dia-a-dia de forma tão pouco usual dá-nos que pensar. O discurso de Bee, inocente e sábio ao mesmo tempo é das coisas mais deliciosas que existe neste livro. E a voz de Sarah, tão disfuncional, emocional e racional ao mesmo tempo, das mais desafiantes.
Se pudesse arranjar um adjectivo que descrevesse esta leitura seria intenso. Mas mesmo essa palavra não chegaria para descrever o mundo de emoções que esta história encerra.
Há tantas passagens deste livro que tive que apontar para mais tarde recordar mas há uma, que apesar de não ser mais especial que as outras todas, me deixou uma marca especial:

You will laugh, but this was the first time I had seen water made solid. It was beautiful – because if this could be done, then perhaps it could be done to everything else that was always escaping and running and vanishing into sand or mist.

– Chris Cleave

E várias vezes senti a necessidade de solidificar todas as emoções que tive durante a leitura deste livro. Talvez, se isso fosse possível, pudesse explicar de melhor forma o impacto que esta história teve em mim. Se há livro que me deixa sem palavras, este é o tal. Nem sempre podemos descrever o que sentimos ao ler um livro e esse é um destes casos. Talvez porque não exista, na verdade, muitas palavras que possam explicar a experiência. E se assim é, deixemos que o livro fale por si mesmo.

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O Medo do Homem Sábio – Parte II

Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei.
Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu… até aparecer Kvothe.

ISBN: 9789895579259 – 1001 Mundos (Edições ASA) / 2011 – 684 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

Depois de ter lido a primeira parte daquele que é o segundo volume das Crónicas do Regicida, decidi pegar na segunda metade logo de imediato, para não deixar a leitura do livro pendurada. Confesso que embora tenha gostado da primeira parte, o livro acabou por me desiludir um pouco, tendo em conta a maravilha que encontrei no livro O Nome do Vento. Não sei se isto foi consequência das expectativas elevadas que tinha para a leitura do segundo volume, mas a verdade é que apesar de ter sido uma leitura fantástica, não foi maravilhosa, nem perfeita.
Contudo, as minhas esperanças estavam reservadas para esta segunda metade. Se as metades se juntassem num único volume, este contaria com mais de 1300 páginas e por isso achei (e bem) que esta segunda parte trouxesse não só mais movimento e dinamismo à narrativa, mas também mais fantasia, que esteve incrivelmente ausente da primeira parte.  E foi isso exactamente que acabou por acontecer.

A primeira metade, que acaba de forma algo abrupta – por razões óbvias – não dá para revelar ao leitor o retrato na totalidade. É por isso que considero muito importante, que quando os livros estejam divididos, que se leiam as metades de seguida. Isto porque estamos na verdade a ler um livro. Não faz sentido ler metades e ficar a meio de uma história. Acabamos por ter apenas metade da perspectiva, metade dos factos, metade das suspeitas. Enfim, metade de tudo. E não é esse o objectivo dos autores quando escrevem os livros. Contudo, as editoras que têm as suas próprias estratégias, e neste domínio são elas que mandam e os leitores acabam por ir lendo um livro aos bochechos. Não que neste caso esteja contra a medida, mas então no mínimo, que possamos ler as metades de seguida para que não percamos o fio à meada.
Neste livro em particular é notória a diferença entre as duas metades. A primeira lenta, com uma narrativa muito vagarosa e que não avança de forma particular no enredo pode tornar-se aborrecida para os leitores mais impacientes.
A segunda pelo contrário, acaba por contrariar o cenário da primeira. Na verdade, quase que são pólos opostos. Se na primeira pensei algumas vezes “bolas, isto nunca mais anda”, nesta pensei “ALERTA: excesso de informação”.

Por isso mesmo e pensando nestas duas metades como um todo, é-me difícil apresentar uma opinião decidida. Não gostei particularmente da mudança abrupta de tom e creio que o autor teria ganho mais em ter feito uma mudança de ritmo mais gradual, mais ponderada e pensada. Acabei por me sentir como um peixe fora de água, ora lento lentinho e quase parado, ora um bombardear de pequenas bombas nucleares que me obrigavam a parar por momentos para processar todas as novas informações. Talvez não ajude a que neste volume sejam inseridos muitos elementos novos ao leitor e novos ao mundo. Para além das novas personagens, Tempi e os restantes mercenários que acompanham Kvothe, temos Felurian e todo o universo Faen, que embora rico e descrito de uma forma belíssima pelo autor, não deixou de ter muitos pormenores. Acabei por sentir que era demasiada informação para apenas uma só metade.
Por outro lado, também temos a cultura dos adem que à semelhança do universo dos Fae, foi introduzido nesta segunda parte e foi também pesada em termos de informação. Não deixou de ser interessante acompanhar o Kvothe pelas suas jornadas e por todas as suas novas experiências, mas confesso que senti a cabeça à roda apenas com o nível de pequenos detalhes que o autor introduziu de forma muito rápida.

Kvothe, contudo, cresceu e teve uma evolução muito grande neste segundo volume. Agora que deixou de estar protegido e limitado pelas ruas da Comunidade e pelos livros da Universidade, ele acaba por se aperceber da verdadeira natureza do mundo real. Todo o seu interlúdio com Felurian e outras que tais, enfim, considero que tenha sido importante na sua evolução como homem, mas retirou-me um pouco de interesse na leitura. Foram partes que facilmente veria serem passadas à frente.

O grande ponto forte deste livro foram os últimos dois/três capítulos. O autor acabou por me tirar o tapete debaixo dos pés quando me mostrou um lado de Bast que me deixa incrivelmente ansiosa para saber como é que esta trilogia irá acabar. Bast, personagem que anseio conhecer melhor desde o início acabou por me surpreender a meras páginas do final e deixa-me sem palavras. Também Kvothe o fez de uma forma mais subtil. E assim se deixa uma leitora no desespero, a clamar por 2014 e pela publicação do terceiro e último livro desta trilogia que nos conta, em primeira mão, as aventuras e desventuras de Kvothe.

Vale a pena ler.

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O Medo do Homem Sábio – Parte I

Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei.
Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu… até aparecer Kvothe.
Em O Medo do Homem Sábio, Kvothe dá os primeiros passos no caminho do herói e aprende o quão difícil a vida pode ser quando um homem se torna uma lenda viva.

ISBN: 9789895578498 – 1001 Mundos (Edições ASA) / 2011  – 703 páginas

O Regresso do Rei - Senhor dos Anéis, Vol.3

O Medo do Homem Sábio – Parte I é a primeira metade do segundo volume que integra a trilogia Crónicas do Regicida. O livro foi dividido em duas partes devido à sua extensão que mete respeito. Juntando as duas partes, este segundo volume conta com 1387 páginas, o que não é pouco. Tenho que concordar com esta decisão, embora normalmente abomine estas divisões por achar que não faz sentido dividir ao meio uma obra que é suposto ser lida como apenas uma. Mas estes livros são enormes, pesados… não são propriamente fáceis de transportar, por isso a divisão é uma decisão estratégica ajuizada, a meu ver.
E falando sobre o livro propriamente dito, depois daquela que foi uma estreia maravilhosa com o livro O Nome do Vento, as minhas expectativas não se podiam encontrar mais elevadas. Ansiava verdadeiramente para conhecer melhor esta personagem misteriosa e tão complexa que é Kvothe, homem de muitas caras. Mas não ansiava apenas conhecer mais dele, mas sim de todos aqueles que o rodeiam nas suas aventuras.

A estrutura do livro continua igual – vamos tendo flashbacks sucessivos da vida de Kvothe e o Cronista vai apontando o relato com uma dedicação e entusiasmo sem igual. A escrita do autor continua igualmente cativante. Havia dito no primeiro volume que o autor escreve de uma forma maravilhosa, com várias histórias entrelaçadas noutras e a forma como o faz é tão intuitiva que é impossível não nos sentirmos bem-vindos a este universo fantástico. Contudo, apesar de na minha opinião a escrita do autor continuar ao mesmo nível, a narrativa foi um pouco mais lenta e não tão dinâmica. A história demorou a avançar e tendo em conta que isto foi apenas a primeira parte, senti-me por vezes receosa que o livro não ganhasse ritmo.
Felizmente, tal não aconteceu e o enredo ganhou ânimo do meio para a frente, o que ajudou a uma leitura bem mais rápida, feita com muito mais entusiasmo.
Nesta primeira parte do livro a fantasia a que tivemos direito ver no primeiro volume foi neste inexistente. O autor concentrou-se mais na educação do nosso herói e também mais no romance do que propriamente na acção ou mesmo mistério. Digamos que esta parte pode ser considerada como sendo a construção dos pilares da história. Veio preparar as bases e a partir de agora poderemos ver mais movimento e mais acção (suponho eu).

O que mais gostei neste volume foi tudo o que teve que ver com a aprendizagem de Kvothe na Universidade, adoro aquele espaço, a forma como o autor o construiu e não me importava de visitar um Arquivo como este que existe na Comunidade. Parece o sítio perfeito para me perder por dias, semanas, anos.
Embora esta primeira metade não se tenha revelado tão perfeita como estava à espera, adorei a oportunidade de continuar a seguir as memórias de Kvothe e é exactamente por isso que se segue a leitura da segunda metade, para não perder a embalagem.
Kvothe e companhia prometem ainda muitas emoções e expectativas elevadas à parte, foi uma leitura que me agradou por me mostrar como é belo o mundo das histórias.

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Sonhos Proibidos

Londres, 1910. Belle tem quinze anos e uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, ela nunca se apercebeu de que a casa onde vive é um bordel, regido com mão de ferro pela sua mãe. Porém, a verdade encontra sempre maneira de se revelar… Para Belle, será no trágico dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Ingénua e indefesa, ela fica à mercê do criminoso, que a rapta e leva para Paris, onde se inicia como cortesã. Afastada do único lar que conheceu, a jovem refugia-se nas memórias de infância e acalenta o sonho de voltar aos braços do seu primeiro amor, Jimmy. Mas Belle já não é senhora do seu destino. Prisioneira da sua própria beleza, é alvo do desejo dos homens e da inveja das mulheres. Longe vão os anos da inocência e, quando é levada para a exótica e decadente cidade de Nova Orleães, ela acaba por apreciar o estilo de vida que o Novo Mundo tem para lhe oferecer. Mas o luxo e a voluptuosidade que a rodeiam não mitigam as saudades que sente de casa, e Belle está decidida a tomar as rédeas da sua vida. Um sonho que pode ser-lhe fatal pois há quem esteja disposto a tudo para não a perder. No seu caminho, como barreiras fatais, erguem-se um continente selvagem e um oceano impiedoso. Conseguirá o poder da memória dar-lhe forças para sobreviver a uma viagem impossível?

ISBN: 9789892321493 – Edições ASA / 2012 – 599 páginas

O Hobbit

Annie’s Place é um bordel situado num dos bairros mais pobres de Londes, Seven Dials. Nesta vizinhança, ninguém se preocupa com ninguém, embora exista um certo sentido de lealdade dentro da própria comunidade contra forasteiros indesejados. As pessoas que aqui vivem não tem muitas posses e não vivem desafogadamente. Foi nesta realidade em que Belle foi criada. Esta nasceu no Annie’s Place e a sua mãe, Annie, deixou-a aos cuidados da governanta e amiga, Mog. Mog sempre foi a mãe de Belle, em todos os sentidos que interessam e Belle cedo se revela ser uma criança inteligente, embora ingénua contrariando a ideia de que por ter nascido e ter sido criada num bordel, conheceria melhor que ninguém, o mundo da prostituição e a devassidão que geralmente descreve esta realidade.
De facto, é exactamente o contrário. A mãe de Belle sempre teve regras bem definidas e Belle passou pela sua infância sem nunca perceber que tipo de negócio a sua mãe geria ou o que se passava nos andares superiores do Annie’s Place. Até ao dia em que, por um mero acaso, assiste ao assassínio de uma das raparigas que trabalhava para Annie. O perpetrador do crime viu-a quando Belle fez a sua fuga desesperada e esta mais tarde acaba por ser raptada pelo mesmo homem, que a vende para um bordel francês. Belle vê a sua vida simples e ingénua virar-se de pernas para o ar e vê-se iniciada – contra a sua vontade –  no mundo da prostituição que a leva inclusive para outro continente, a América. Belle sabe que não tem nenhum verdadeiro amigo, a não ser Etiénne que foi o homem que a levou para a América. Mas mesmo este, não pode fazer muito para retornar Belle à sua família. Assim, sonhando com a vida que deixou para trás, recordando o seu amigo especial Jimmy e Mog, Belle fez de tudo para se libertar das amarras que o mundo da prostituição representa para ela, tentando sobreviver o melhor que pode.

A autora Lesley Pearse conta com 6 livros publicados em Portugal, até ao momento (incluindo este Sonhos Proibidos). Destas 6 obras, li 5, sendo que a única que me falta ler é Nunca Digas Adeus. Tenho para mim que já conheço bem o estilo desta autora e sei, dentro de alguns parâmetros, aquilo que posso esperar dos livros dela. Apesar de ela também escrever romances contemporâneos, como é exemplo a obra Procuro-te e o Nunca Digas Adeus, nota-se os romances históricos são o seu forte. As suas obras focam-se particularmente em Inglaterra e Estados Unidos da América. Uma das características que mais admiro nesta autora prende-se exactamente com o conhecimento que ela tem da história dos Estados Unidos. Nos seus livros, é sempre notável o quanto ela conhece da história desta nação, seja esse conhecimento sobre o período colonial, a Depressão, ou as grandes imigrações para a América. A sua pesquisa histórica é um elemento muitíssimo importante nos seus romances históricos e por essa prisma, posso dizer que os livros dela sempre me fascinaram, por serem tão ricos em informação que é inserida no enredo do livro de uma forma tão natural.

Apesar da maior parte dos livros da autora serem grandes e com um número de páginas superior à média, a sua escrita fluída ajuda a que a leitura seja feita de uma forma rápida. Digo-o com a maior convicção, já que cada vez que pegava neste livro quando dava por mim já tinha lido mais de 150 páginas sem sequer me aperceber. Em obras com esta dimensão, ajuda a que a escrita seja dinâmica e agradável, de modo a que o leitor consiga aproveitar a viagem sem dar pelas páginas a passarem.
Em termos de história, este livro não sai da norma. Conta a jornada de uma personagem feminina que passa por muito drama na sua vida e que tenta encontrar um espaço onde possa ser si mesma. Como é óbvio, a autora foca-se no domínio da prostituição e confesso que foi uma temática que por vezes me incomodou. Mas acredito que parte das palavras da autora traduzam muito bem a realidade. É um tema especialmente forte quando se tem em conta que Belle é apenas uma criança quando se vê apanhada nesta rede.
Esta é uma obra muito completa recheada de descrições, reviravoltas e aprendizagem. Gostei da Belle, mas tenho que admitir que me irritou constantemente aquela ingenuidade. Mesmo depois de ter confiado nas pessoas erradas mil e uma vezes, voltava a fazer a mesma à primeira oportunidade. Uh, que seca. Contudo, gostei bastante dos relatos da investigação de Noah e Jimmy, estavam muito bem narrados e foram todos muito interessantes.
Em opiniões anteriores era normal referir-me ao nível exagerado de drama nos romances da autora. A verdade é que o drama é a imagem de marca desta autora, com justificação no seu passado difícil. Tenho a sensação que ela gosta de fazer passar para as suas obras a luta que ela própria teve de travar para subir na vida. O drama está presente neste livro como seria de esperar mas ao contrário do que aconteceu nos restantes livros da autora, creio que aqui o drama é legítimo. Ou melhor, o nível de drama é mais que justificado e uma história deste foro, pede esta dose de sofrimento.

Em suma, é uma obra desafiadora e que convida a uma leitura dedicada. Gostei muito do leque de personagens e da forma como o enredo se desenvolveu. Algumas reviravoltas são inesperadas, outras não, mas todas elas dão movimento e vida à história. Gostei bastante do leque de personagens e tenho que admitir que este livro acabou por se revelar um dos meus preferidos da autora, dentro de todos os que já li. Além disso, estou muito curiosa para ler a sequela, que se irá intitular A Promessa e vai continuar a jornada de Belle na primeira Guerra Mundial.

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Para mais opiniões da autora, ver aqui.

Mariana

Julia Becket acredita no destino. Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Julia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai- se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Julia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera?

ISBN: 9789892321684 – Edições ASA / 2013

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A primeira vez que viu aquela casa misteriosa ainda era uma criança. À segunda vez, já era uma jovem adulta e ficou completamente maravilhada com aquele pedaço de terra que parecia chamar por si, como nenhuma coisa havia feito até agora. Quando viu a casa pela terceira vez, decidiu comprá-la pois já não podia negar, nem a si mesma, o encanto que a casa exercia sobre si. Alguma coisa naquela propriedade chamava por si e é assim que Julia Beckett, uma ilustradora de profissão, decide trocar a azáfama de Londres pela tranquilidade da vida do campo. Contudo, mal podia saber que a sua vida iria dar uma volta inesperada e repentina, porque é após mudar-se para esta casa maravilhosa, antiga e cheia de história, que Julia começa a dar-se conta de algo muito estranho. Por vezes, recordações de outros tempos assaltam-lhe a memória e ela vê-se transportada para uma época em que é outra jovem. Mariana. No século XVII, Mariana viveu nesta mesma casa e agora Julia dá por si a recordar o dia-a-dia desta jovem órfã.

Este já é o terceiro livro da autora Susanna Kearsley que leio. Os outros dois, em que apenas um é que se encontra publicado em Portugal (O Segredo de Sofia) foram descobertas maravilhosas. A escrita da autora é fluída, agradável e muito cativante. A sua narrativa parece que se desenvolve de maneira natural. Sem qualquer esforço, o leitor vê-se transportado para o mundo em que os personagens vivem. Contudo, os romances que a autora escreve têm sempre uma mistura entre passado e presente, portanto, claramente podemos destrinçar dois enredos diferentes. Eu pessoalmente adoro a maneira como a autora faz a ligação entre as duas épocas e fico sempre fascinada com a pesquisa que ela faz. Nota-se algum trabalho cuidado no que toca às referências históricas e o toque de ficção que acompanham estes relatos de tempos distantes são sempre bem-vindos, tal como refrescantes.

Além da ficção histórica, a autora também introduz sempre um fio de mistério à narrativa, o que torna a leitura muito mais dinâmica e interactiva. Não se pode dizer que são enredos muito intrincados, complexos e profundos. Mas os livros de Susanna Kearsley são sempre interessantes, entretêm e claro, o romance está sempre presente nestes livros, ainda que seja de uma forma mais subtil, mais romântica. E estes livros têm uma componente humana muito forte. Geralmente o leitor acaba sempre por reagir às personagens que nos são aqui apresentadas.

Falando em personagens, confesso que ainda tenho sempre gostado dos protagonistas. Uns mais que outros, sim, mas regra geral, consigo sempre gostar dos protagonistas que a autora cria. Mariana e Julia tal como Richard e Iain não foram nenhuma excepção. Aliás, tenho que confessar que acho que finalmente encontrei o meu personagem masculino favorito. O Iain foi uma personagem que logo desde início me deixou fascinada. É difícil explicar porquê, sem entrar em pormenores específicos da história.

Contudo, apesar de achar que os livros desta autora são realmente verdadeiras histórias de encantar, tenho que dizer que esta leitura não resultou melhor para mim devido a um pequeno pormenor – que é o final. Apesar de eu ter ficado com o coração aos pulos, porque os meus desejos foram concretizados, não posso deixar de referir que este foi um final que deixou muito a desejar. Queria que algumas pontas tivessem ficado melhor arranjadas. E o facto de isso não ter acontecido, deixou-me com um trago amargo na boca. De facto, não fosse a maneira como a autora deixou algumas coisas mal resolvidas, para mim teria sido uma leitura perfeita.

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Procuro-te

Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raízes e confrontar-se com o passado. 
Na ânsia por saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica, e à medida que vai desvendando a história da família, Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos. 
Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.
ISBN: 9789892306469 – Edições ASA / 2009 – 400 páginas
 
Daisy sempre soube que era adoptada. Contudo, nunca sentiu vontade ou necessidade de saber quem era a sua verdadeira mãe, nem de conhecer a sua família biológica. No entanto, quando a sua mãe adoptiva morre, esta deixa-lhe uma caixa de recordações onde Daisy encontra os seus dados de nascimento. Esta acaba por se sentir curiosa em conhecer as suas origens, num momento em que a sua vida se encontra num ponto de viragem. 
A única coisa que tem para continuar é o nome da sua mãe biológica, visto que o pai não consta dos seus dados de nascimento. 
E é assim que Daisy vai à procura da sua mãe biológica para conhecer as suas origens. O que não esperava é que a história da sua família biológica fosse uma tão trágica e com tantos segredos. 
 
Procuro-te é o quarto livro que leio desta autora. Embora não possa dizer que esta autora me tenha alguma vez surpreendido, por alguma razão, continuo a apostar nas obras dela. Não sei muito bem se isto tem alguma explicação lógica, mas a verdade é que, volta e meia, acabo sempre a ler um livro dela. 
A escrita de Lesley Pearse apesar de ser fluída e agradável q.b., tem uma característica que me impede de gostar mais das suas obras. É a capacidade extrema que ela tem para o drama. Não que isso seja mau, muito pelo contrário. Só que, por vezes, é demais. E por isso mesmo é que ainda não existiu nenhum livro dela que me tocasse de maneira especial. 
Apesar de ela construir enredos e personagens interessantes, há sempre algo que falta. Estava com esperanças de gostar deste livro porque é algo diferente do que é costumeiro na autora. Normalmente, ela escreve romances históricos ou ficção histórica e este livro é um romance contemporâneo. 
Não se deixem enganar, o drama continua cá. Mas é um drama numa época diferente. E eu simplesmente tinha algumas expectativas que este livro se revelasse diferente dos outros. 
 
E de certa maneira, até acabou por ser diferente. Só não foi assim tão entusiasmante quanto aquilo que eu estava à espera. O livro lê-se muito bem, é uma leitura que se desenvolve de uma forma muito natural e sem grandes complicações. O enredo é interessante e a aura de mistério impele o leitor a continuar a sua leitura para poder descobrir o futuro dos personagens que aqui nos são apresentados.
Contudo, isto não foi o suficiente para mim. Ou melhor dizendo, não foi o suficiente para me admirar. No final, acabei por sair desta leitura com um sentimento de neutralidade. 
Não havia nada de absolutamente errado na forma como a autora construiu a sua  história e como criou os personagens, mas não foi uma leitura que me emocionasse. Ou que me tocasse de alguma forma em especial.
 
No que toca ao mistério, acabei por desvendar, com alguma facilidade, a verdade. E talvez esse seja outro factor que me impediu de gostar mais deste livro. Estava, secretamente, à espera que a autora escolhesse algo que fosse menos óbvio, para que a leitura se tornasse diferente aos meus olhos. 
Contudo, não posso dizer que não gostei de conhecer a história da mãe de Daisy. Na verdade, como já disse antes e volto a repetir, esta é daquelas leituras que se lê com uma desenvoltura grande. Mas se estão à espera de algo estonteante, não creio que o vão encontrar por aqui.
 
Dito isto, o balanço que faço da autora até agora é um que se caracteriza pela neutralidade, quase. De todos os livros que já li, posso dizer que há uns bons e outros menos bons. Mas ainda não existiu nenhum que me deixasse fora de mim. 
O que me faz pensar que, se calhar, esta autora não me irá surpreender muito mais com outras obras dela. 
 
Opiniões da mesma autora:
 
 Nunca Me Esqueças 
 
 
 
 

A Melodia do Amor

Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva. 
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis. 
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar? 
Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.
ISBN: 9789892315973 – Edições ASA / 2011 – 520 páginas


Beth era uma criança que apenas se preocupava com tocar violino e piano e sonhar com tudo aquilo que queria alcançar quando crescesse. Contudo, tudo mudou quando encontrou o seu pai na cave onde este trabalhava, acabado de se suicidar. Após este acontecimento, a vida de Beth e de Sam, o irmão mais velho torna-se dura. São obrigados a trabalhar por salários muito baixos e acabam por ter de vender parte da mobília e inclusive o piano de Beth. Tudo se complica quando estes descobrem que a mãe está grávida. Depois da pequena Molly nascer, a mãe acaba por falecer e Beth tem de se tornar na mãe substituta da pequena criança. 
A vida dos irmãos está cada vez mais complicada. As dificuldades financeiras apertam e ambos tem de se governar com muito pouco. A vida que levavam de crianças de classe média já se encontra completamente no passado. Até que a sorte parece bafejar para Beth. Esta consegue arranjar um emprego numa casa de uma família próspera, onde é amada e onde pode viver com um irmão num pequeno quarto. 
Contudo, Sam tem um sonho, que é o de ser rico e ter sucesso material. E para isso, tem de emigrar para a América, terra da oportunidades. Este acredita que será lá que encontrará a sorte grande. Depois de tanto tempo a poupar, Sam e Beth decidem, com algum peso no coração, embarcar nesta aventura sem retorno. Molly acaba por ficar em casa dos empregadores de Beth, pois é amada por todos os membros da família. E assim começa a aventura de Beth e de Sam que vão à procura de uma vida melhor no outro lado do Atlântico. Durante a viagem Beth conhece Jack e Theo, homens muito diferentes a começar pela condição social. Jack é um homem trabalhador, que só conheceu miséria na sua vida, enquanto Theo é um rapaz de classe média-elevada a quem a vida só lhe deu bons momentos. 
Os quatro vão tornar-se um grupo inabalável e vão andar por América à procura de conseguir alcançar os seus sonhos.
Será que Beth também vai conseguir alcançar os seus, que é amar um homem tanto quanto ama o seu violino?

Este é o terceiro livro de Lesley Pearse que leio. Os outros dois foram o Segue o Teu Coração e o Nunca Me Esqueças.   O primeiro até gostei, o segundo nem por isso, até que nem tive paciência para fazer uma opinião para ele aqui no cantinho. 
Olhando para este cenário, foi com uma mistura de medo e de ansiedade que peguei neste A Melodia do Amor. A verdade é que não sabia o que esperar, mas a estreia com esta autora deixou-me com impressões positivas e portanto queria perceber para que lado da balança é que este livro pendia. 
A escrita da autora é bastante fácil de seguir e não é cansativa, embora por vezes tenha a sensação de que ela “engonha” um pouco as coisas e que podia ser mais directa e expedita. 
Contudo, não é a sua escrita que me mexe com os nervos. É a sua tendência para dramatizar exageradamente as coisas. Toda a gente gosta, de vez em quando, de um bom drama que nos mexa a sério com as emoções, mas esta senhora é 8 ou 80. Os coitados dos personagens dela nunca podem sentir-se muito confortáveis que ela arranja logo uma data de tragédias para os mandar abaixo e embora ela nos apresente sempre personagens corajosos, resilientes e fortes, às vezes cansa-me tanto dramatismo e pouco sucesso. A verdade é que para os personagens de Lesley Pearse por cada sorriso que existe na história, existem 15 desgraças. E não desgraças pequenas. É logo coisas monumentais. 
E contudo, choramingas como sou, era de esperar que eu até simpatizasse com isto e que sentisse pena dos desgraçados dos personagens. E não consigo. Pronto, algo comigo encontra-se muito de errado, mas nem lágrimas de crocodilo eu consigo produzir para este pobres personagens. 

Não é que não goste de ler os livros dela, porque até gosto e por isso é que continuo à espera que ela me mostre algo mais extraordinário. É porque fica sempre algo a faltar. Ou é um final melhor, ou é um relato melhor, não sei. Este A Melodia do Amor já esteve mais perto daquilo que eu procuro num drama, mas também ainda não está no ponto. 
Embora não tenha simpatizado com a Beth, gostei bastante do relato dela e da sua aventura por toda a América e também pelo Canadá. Mas confesso que a personagem que me conquistou logo desde o início foi o Jack. Logo à partida gostei da sua personalidade e do pouco que a autora nos mostrou sobre este rapaz modesto, mas que se viria a revelar um belo homem. 

Acho que a autora escolheu retratar uma época histórica que vale a pena pesquisar mais sobre, pois confesso que não sabia nada de nada sobre a corrida de ouro de Klondike/Yukon e gostei muito da perspectiva que a autora nos mostrou com este livro. 
Este é realmente o ponto que me continua a agradar na autora, é a sua pesquisa histórica e a forma como insere esses cenários na sua narrativa. Ela dá-me sempre a sensação de que estou lá a viver no século XIX, XX, o que for. E isso é uma mais valia nos seus relatos.

Aquilo que me continua a incentivar na leitura destes livros, é a lição de história que tiro deles. Eu adoro História, sempre adorei e por isso, esta é uma oportunidade para ganhar um pouco mais de cultura geral e conhecer realidade de outros tempos, outras sociedades e outras culturas e costumes. 
Aprendo sempre alguma coisa nestas leituras e o que aprendo é feito de uma maneira divertida e em forma de lazer. Acho que isso é o mais importante. 

Aqui fica uma imagem da corrida de ouro de Klondike, que data de 1898. Talvez vos abra o apetite. 

(daqui)
Opiniões da mesma autora:
 Nunca Me Esqueças

Breve História de Amor

Breve História de Amor é o desfile de retratos autênticos sobre relações quotidianas. Caminhos do acaso que levam homens e mulheres a cruzarem os seus destinos, por vezes, nas circunstâncias mais surpreendentes. 

Pessoas que se encontram, ou se reencontram, que se unem ou se separam, sentimentos intensos e irreprimíveis que determinam as suas vidas e alteram bruscamente e sem aviso os seus destinos.

Através de uma descrição intensa e cirúrgica, Tiago Rebelo conduz-nos aos pensamentos mais íntimos das personagens que tantas vezes se confundem com os nossos. 

Autor de romances bem conhecidos do público, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda ou Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo oferece aos leitores a versão original das melhores histórias publicadas ao longo de mais de um ano na revista Domingo, do Correio da Manhã, e ainda o conto inédito Amores Indeléveis.
ISBN: 9789892316574 – Edições Asa / 2011 – 161 páginas


Breve História de Amor é uma colectânea de pequenas histórias de amor, como o título muito bem indica. Alguns destes contos foram publicados na revista Domingo, do Correio da Manhã. Na verdade, não há muito que dizer sobre este livro fala. Fala sobre amor. Fala sobre o quotidiano e a forma como o amor pode aparecer sem aviso e inesperadamente. Fala sob encontros, desencontros e reencontros. Tenta mostrar como a malha das relações humanas pode ser tão complicada, mas tão bela ao mesmo tempo, porque para nós, o amor é tudo. Fala sobre destino, sob acções que tomamos, parecendo-nos insignificantes, mas que mais tarde percebemos que significam tudo.

Não estava a contar ler Tiago Rebelo tão cedo. Isto porque, a minha primeira experiência que tive com o autor não superou as minhas expectativas. Contudo, este título falou comigo. A sério. Sempre que eu lhe dizia “não, tu ainda não és para já. Quero guardar-te durante mais um pouco”, ele contrariava-me e dizia de volta “mas eu tenho um título tão sugestivo, tão romântico, tu sabes que me queres ler”. Quem acabou por ganhar a batalha foi o livro, como podem verificar. E assim foi, sabendo eu que tinha de dar oportunidade ao autor de me mostrar mais do seu trabalho, porque eu ainda não estava disposta a desistir da sua escrita. E posso dizer que a experiência se revelou melhor, sem dúvida.
Normalmente não costumo apreciar contos, devido à curta extensão dos mesmos, o facto de não podermos criar uma relação mais estreita com os personagens e o facto de o enredo ser tão fugaz, parece que mal o começamos a ler já ele nos escapa dos dedos. Por isso, não sabia muito bem o que devia esperar deste Breve História de Amor
Já percebi que Tiago Rebelo é um romântico. Acredito nisso muito fielmente e apenas com duas obras dele lidas. Este sentimento, de amor, está sempre muito presente nas suas palavras, mesmo que subliminarmente  Os seus personagens masculinos tem todos uma aura de romantismo e simbolismo à sua volta. Não sei explicar muito bem o que quero dizer, mas os seus personagens masculinos são sempre homens que sentem muito, que são apaixonados e que dão uma aura de paixão e de sofrimento em tudo o que fazem no seu dia-a-dia. Com isto, acredito que estes pequenos pormenores são um simbolismo em si mesmo. Simbolismo de que o autor está a dar uma parte de si a cada personagem, uma parte do seu romantismo, que transborda para os seus trabalhos. 
Claro que isto, sou eu a extrapolar e nada mais. Mas com os livros deste autor permito-me dar largas à sua personalidade, talvez por ele ser português, talvez por ser dos poucos autores em que reconheço tanta intensidade ao escrever sobre amor, sobre perda, sobre desencontros. 

Voltando ao livro, apesar de pequeno e apesar também de ser uma colectânea de contos, o autor conseguiu verdadeiramente captar o meu interesse. Gostei da brevidade das histórias, sem me dar possibilidade de me integrar muito na vida dos personagens. Deu-me a sensação de ir andar pela rua e ter estes breves vislumbres, que isto poderia de facto acontece. Eu poderia ser testemunha de alguma destas situações nos meus passeios diários entre São Sebastião e Campo Pequeno, ver as pessoas ao meu redor e assistir a algumas cenas (como de facto, já aconteceu). De modo geral gostei de todos os contos porque (uns mais que outros) têm todos uma carga emocional muito grande e são todos histórias bastante verosímeis.

Gostei bastante e recomendo para quem gosta de ler pequenos contos que retratam de uma forma muito verdadeira a panóplia de sentimentos característicos da nossa natureza humana.  
Para aqueles que estão curiosos, já escolhi o próximo livro do autor que lerei: Uma Promessa de Amor. Foi outro título que falou comigo. (Os títulos das obras deste autor estão fantasticamente cativantes. Parabéns).
Um autor português que ainda me irá surpreender ainda mais, espero. 

Opiniões do mesmo autor: