O Décimo Terceiro Conto

Opinião:

Este é o primeiro livro da autoria de Diane Setterfield que leio. Aliás, nunca antes tinha ouvido falar deste livro. Mas há poucos meses, numa exploração pela Internet descobri esta capa que me pareceu deliciosa. Então decidi pesquisar mais sobre o livro, as respectivas opiniões e tudo o que poderia existir sobre ele. Até que me deparei com palavras muito positivas e que diziam maravilhas sobre o mesmo. Ainda mais porque um livro que fale sobre livros é sempre uma tentação para mim. 
Este livro conta-nos a história de Miss Winter. Vida Winter, uma escritora de grande sucesso, passou a sua carreira a inventar histórias sobre a sua pessoa. A cada entrevista que dava, a história da sua vida era sempre diferente, o que gerava ainda mais curiosidade entre os seus leitores e jornalistas que a queriam entrevistar, mesmo que tivessem consciência que Miss Winter lhes iria contar uma nova mentira. 
Mas, não é só e apenas a sua carreira que é um mistério. A primeira obra que Miss Winter escreveu, que era intitulada “Treze Contos de Mudança e Desespero” também se encontra envolvida numa manta de mistério. 
Margaret Lea, filha de um alfarrabista, tem uma primeira edição deste livro tão aclamado. Mas ao ler esta obra, constatou que o livro apenas contém doze contos e não treze. 
A história começa quando Vida Winter se dirige a Margaret e convida a biógrafa amadora a escrever o percurso da vida de uma das escritoras mais misteriosas de Inglaterra. Mas irá Miss Winter contar a verdade ou será mais uma das muitas mentiras que circulam nos jornais sobre a sua vida? E assim começa a viagem de Margaret, em que o seu objectivo é destrinçar o mistério que rodeia a existência desta escritora tão aclamada.
A verdade é que este não é só e apenas um livro sobre livros. Os livros que entram nesta história são como organismos vivos e são uma parte essencial para que a história se desenrole com desenvoltura. O livro está recheado de citações que só um leitor inveterado/bibliófilo consegue na sua totalidade, compreender. 

“Eu sempre fui uma leitora; li em todas as fases da minha vida e não houve altura em que ler não fosse a minha maior alegria. […] Os livros, deve dizer-se, são a coisa mais importante que existe para mim. “

– em “O Décimo Terceiro Conto”

O leitor vê-se assim envolvido numa narrativa tentadora de mistérios dentro de mistérios. É impossível ficar indiferente. A escrita de Diane Setterfield é muito envolvente, pelo que nem damos pelo tempo a passar. As suas palavras passam por nós e aquecem-nos por dentro. São reconfortantes, em certos momentos. Assustadoras e frias, deixam-nos a tremer quando o momento de suspense assim o pede. 

“Sabem a sensação que se tem ao começar a ler um livro novo antes de a membrana do último ter tido tempo de se fechar atrás de nós? Largamos o livro anterior com ideias e temas – e até personagens – presos nas fibras da roupa e, quando abrimos o livro novo, elas ainda permanecem connosco.”

– em “O Décimo Terceiro Conto”

Conseguem reconhecer este sentimento de que a autora fala acima? Foi assim que me senti com este livro e acho que este é o melhor elogio que se pode fazer a um livro. 
Recomendo a leitura, sem dúvida alguma.