Uma Questão de Atração

Brian Jackson, estudante universitário, chegou à faculdade com um desejo mais forte do que o da aquisição de conhecimentos: ser uma estrela do concurso mais famoso da TV. Mas o seu avanço no Desafio Universitário é de certo modo travado pela sua atração crescente pela sedutora Alice Harbinson, que luta para deixar a sua marca como atriz. E, à medida que os obstáculos impedem a sua relação, Brian fica cada vez mais convencido de que só um sucesso esmagador no concurso o fará conquistá-la. 
ISBN: 9789722628648 – Civilização Editora / 2011
Uma Questão de Atração é o segundo livro publicado em Portugal de David Nicholls,  autor do bestseller “Um Dia” (opinião aqui) . Apesar de não ter ficado totalmente rendida ao autor com o seu primeiro livro, decidi dar uma segunda oportunidade ao senhor.
Bem, por onde começar? O argumento deste livro é muito simples. Brian prestes a entrar no mundo universitário, não se sente completo. Por isso mesmo, decide candidatar-se a um concurso de televisão intitulado “Desafio Universitário”. 
No entanto, irá conhecer Alice que é uma jovem que faz de tudo para tentar ser conhecida pelo seu trabalho como actriz. Brian fica completamente louco por Alice e todas as suas decisões passam a tomar a rapariga como consideração. É óbvio que para um rapaz no fim da adolescência, que Alice é importante para o percurso da sua vida e quando Brian começa a tomar consciência de que não está a conseguir conquistar Alice com nenhum “método”, convence-se a ela próprio que a concretização dos seus desejos apenas se tornará possível se ele ganhar o concurso televisivo. Será que as coisas são bem assim? 
Chego agora à conclusão que este autor prima pelo humor, sim, mas não me consegue cativar completamente. Recordando o que disse sobre o outro livro, achei que a obra era bastante morna. E muito sinceramente, este “Uma Questão de Atração” é mais do mesmo. Confesso que o enredo é bastante original e tem várias cenas bastante divertidas, mas não passa daí. A loucura dos anos 80, etc. é bastante bem retratada a meu ver, mas dá-me a sensação  que o autor não abre, propriamente, os seus horizontes. 
Jovens com crises existenciais devido a paixões é o mote para muito literatura, nem toda ela é particularmente interessante. Apesar de o autor ter um dom para o humor e para as situações caricatas, não me conseguiu cativar com o enredo em si e as próprias personagens.
Não quero com isto dizer que não devam ler o livro e julgar por vós mesmos, mas para mim, acabou por ser uma desilusão porque espero sempre deste autor aquilo que não posso ter, que consiste em haver mais emoção e sentimento nos livros deles e não apenas humor (quase) impessoal.
Até certo ponto a história faz sentido, mas depois o autor acaba por exagerar o retrato dos anos 80, tornando o enredo e as personagens cansativas e até certo ponto, enjoativas.
Não recomendaria este livro a toda a gente, é certo, mas visto que eu acredito que é preciso experimentar para saber gostar e portanto acho que ler ou não ler este livro terá que ficar ao critério de cada um… De qualquer modo, espero que gostem da experiência. Ou se não gostarem, possam perceber o porquê! 
 
  

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Opinião – Um Dia

Opinião:

Muito já se falou sobre este livro, como sendo a grande aposta da Civilização Editora de 2010. Confesso que com tanto burburinho em torno deste livro e mais recentemente com a sua adaptação para formato cinematográfico, a curiosidade aumentou exponencialmente.
Assim sendo, aproveitei o empréstimo da Vera e lá fui para a leitura deste livro.
Não tendo visto nada acerca do livro, comecei a leitura sem qualquer tipo de expectativa. Tenho a dizer que o livro foi tanto uma surpresa, como ao mesmo tempo, não se revelou assim tão digno de tanto burburinho. É óbvio que não se pode agradar a gregos e troianos;  não quero com isto dizer que não gostei do livro. Até pelo contrário.
Mas em alguns momentos durante a leitura, fui vendo algumas opiniões e não consegui perceber tanto “alarido” provocado por esta obra. Sim, o autor retrata cenas divertidas, que me fizeram sorrir interiormente – no entanto, não me arrancaram nenhuma gargalhada, ou mesmo um riso inspirado. O autor tem uma escrita agradável, com várias referências ao mundo da televisão e referências do mundo musical e literário.
Particularmente, não acho grande piada quando os autores se apoiam de forma constante a estas referências. Não faz mal, por uma vez ou outra, referir algum nome, em determinadas situações, mas cheguei a uma certa altura no livro em que me via inundada de referências a coisas que não me consigo ligar, ou compreender (a não ser as literárias).
No entanto, não foi este aspecto que me prejudicou a leitura. De facto, penso neste livro como sendo um livro morno. É um livro engraçado, com algumas situações caricatas e também um enredo que brinca constantemente com o destino e com o rumo que a vida de dois companheiros de pós-adolescência pode levar. 
Em igual medida é um livro frustrante. Apesar de ter em seu favor o carácter cru e real do que é o nosso quotidiano, na medida em que mostra ao leitor que isto, sim – é a vida real e nem sempre as coisas sucedem como queremos, é com algum rancor que penso no rumo que a história poderia ter levado, se o autor tivesse em mente algo menos dramático, diremos assim. 
Não querendo fazer passar a mensagem que o livro não vale a pena, direi apenas que fiquei esperançada de que o enredo fosse algo revestido de mais esperança. Não conhecendo o estilo do autor, não poderia de qualquer maneira adivinhar qual poderia ser o rumo que os acontecimentos tomassem. Com isto tudo quero dizer que eu olho (a maior parte das vezes) para a ficção como um instrumento que me permite sonhar e esperar por acontecimentos que me preencham a alma. Não obstante e olhando de forma mais distante para toda a construção do livro, posso dizer que adorei a ideia do autor de o seu livro se basear na vida de duas pessoas, durante o espaço de 20 anos. Foi interessante ver estas duas personalidades a crescerem e a evoluírem. Posso também dizer que me conformei com algumas particularidades do enredo e que aceito o porquê de o autor assim ter decidido este caminho.
Contudo, não posso deixar de referir que gostaria que houvesse outro.
O livro não me arrebatou completamente, da forma como fez a outros leitores certamente, mas foi para mim o suficiente para querer ler mais obras do autor; em particular a outra obra, também publicada pela Civilização Editora, em 2011. A premissa pareceu-me interessante e espero algum dia, se possível, num futuro próximo reencontrar-me com o autor nas páginas do seu novo romance.
Como nota final, embora já tenham aconselhado não ver o filme, fá-lo-ei com toda a certeza. Este é o meu ritual e mesmo que livro e filme se revelem demasiado diferentes, é um processo do qual não abdico. Assim sendo, vou com expectativas de que o filme preencha o espaço da minha alma que ficou a faltar com o livro. 

Um abraço do tamanho do mundo para a Vera