Mrs. Dalloway

A I Guerra terminou, o Verão apodera-se de Londres e Clarissa prepara-se para dar mais uma das suas festas. Mas o aparecimento de Peter Walsh, o seu primeiro amor, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude. E de súbito, Clarissa Dalloway toma consciência da força da vida em seu redor.
A singularidade da obra vem dessa espécie de sósia de Mrs.Dalloway, que é Septimus Warren Smith, um homem prestes a enlouquecer com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência. Septimus é contraponto de Clarissa: uma chaga aberta, a sua dor exposta ao mundo. Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobrindo-o com festas sociais.
Virginia Woolf expõe neste romance diferentes modos sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem.


ISBN: 9789898452436 – Clube do Autor / 2011 – 208 páginas

Na Londres pós-guerra, a população começa a entrar novamente no ritmo mundano da sociedade, onde as festas e o convívio social são parte integrante da rotina de cada um dos cidadãos. Clarissa Dalloway atarefa-se com a preparação da sua própria festa, evento crucial para ela, pois é a sua forma de controlar o ambiente que a rodeia. 
Contudo, não contava encontrar Peter Walsh, que em tempos esteve apaixonado por Clarissa. Peter acaba por motivar em Clarissa uma reviravolta de emoções e memórias que desequilibram o estado emocional de Mrs. Dalloway, ao mesmo tempo que temos um vislumbre da vida de outras personagens que rodeiam Clarrisa e a sua família.

Este era um dos clássicos que mais tinha curiosidade em ler. Virginia Woolf foi uma autora muito importante no panorama literário inglês e mundial e por isso sempre tive muito curiosidade em ler as suas obras. De alguma forma, pareceu-me correcto estrear-me com este livro, visto que os elogios a esta obra são muitos, até faz parte da lista dos 1001 livros a ler antes de morrer (falo muito disto por aqui no blogue). E como não é de admirar, as minhas expectativas encontravam-se bastante elevadas. 
Confesso que à partida não foi muito fácil entrar na escrita de Virginia. Quando dava por mim, o meu olhar desfocava-se e ficava a ler a mesma frase 20 vezes de seguida. Inclusive cheguei a dormitar agarrada ao livro, tal era o entusiasmo com que o lia. Até que pensei para mim que assim não podia ser e recomecei a ler com redobrada atenção, mesmo que precisasse de voltar atrás e ler a mesma passagem algumas vezes para ver se percebia bem. Lá a partir de metade do livro, encarrilei na escrita e na história, muito a custo, mas lá consegui.
Às tantas já pensava com algum desespero que isto ia ser uma leitura tirada a ferros. E sinceramente, chegando ao fim, foi isso mesmo que pareceu. Sempre me perguntei como é que é possível existirem livros com 500 páginas ou mais, que se lêem tal e qual como se come chocolate (de uma vez só) e há outros com 200 que parece que nunca mais acabam. Enfim.

A verdade é que, ao contrário daquilo que eu esperava, foi uma leitura que não conseguiu cativar-me. A narrativa foi difícil de desbravar e confesso que os personagens também não me entusiasmaram por aí além, embora tenha gostado de conhecer as diversas perspectivas de cada um e de ver Londres pelo olhar de cada um dos intervenientes do enredo.
No final, ficou um sabor agridoce, pois no momento em que já estava a ficar mais entusiasmada com a leitura, com Peter, Clarissa e Sally, o livro acabou. 

Embora não tenha ficado propriamente admirada com esta estreia, sei com toda a certeza que os meus caminhos se vão cruzar mais algumas vezes com Virginia Woolf. Fica a esperança que os próximos encontros sejam mais frutíferos. 



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