O Regresso

Este é o segundo livro da Victoria Hislop que leio. Já antes tinha lido o seu romance de estreia, intitulado A Ilha e a estreia com esta autora não poderia ter sido melhor. Embora já tenha lido há algum tempo esse livro (significando que já não me lembro de todos os contornos da história, a não ser os traços gerais), sei que gostei muito e que foi um livro que me marcou na altura em que o li. 
Por isso mesmo, o entusiasmo para voltar a ler um romance desta autora de novo, era grande. Ainda mais, porque a premissa prometia momentos intensos e emocionais.

Este livro conta-nos duas histórias paralelas: uma em 2001 e outra que começa no ano de 1931. 
Sónia Cameron é uma inglesa que tem uma paixão inexplicável por danças latinas. É o seu escape, tanto para o casamento infeliz que vive, como para a sensação de vazio que a enche nos dias mais cinzentos na cidade londrina. Quando Sónia dança, a sua vida enche-se de cor e é onde ela retira forças para o seu dia-a-dia e onde encontra felicidade. 
Por ocasião do aniversário da sua melhor amiga, Maggie, estas duas mulheres decidem ir passar uma semana a Granada, uma cidade situada no sopé da Serra Nevada, para dançar salsa e flamenco. E rapidamente a cidade como que lança um feitiço a Sónia com a sua vivalma. Ainda mais quando conhece Miguel, dono de um café chamado “El Barril”, que lhe decide contar a história da cidade nos tempos obscuros e perigosos da Guerra Civil Espanhola. O café, nesses tempos, era a herança da família Ramirez, que viveu tempos difíceis e conturbados durante essa época. Miguel transporta Sónia, com os seus relatos, para os anos em que a família Ramirez viveu e deixou a sua marca na cidade. Com ajuda do legado vivo, El Barril, e as infinitas fotografias que se encontram expostas nas paredes do café, Miguel – que à partida não parece ter qualquer ligação a esta família – vai deslumbrar Sónia com uma história que mistura guerra, famílias e amores que se perdem no tempo.

Esta foi uma leitura algo difícil. Passo a explicar o porquê: relatos históricos são muito difíceis de se capturar da melhor maneira. Tanto podem ser descritos de maneira viva, como podem ser descritos de uma maneira maçadora. Apesar de este livro se basear neste período histórico, tem muitos elementos ficcionais que ajudam o leitor a ambientar-se à narrativa. No entanto, Victoria, tem uma escrita algo particular e um bocado inconstante. Digo inconstante, porque o livro tanto me entusiasmava, como não apelava à sua leitura. Não é por acaso que demorei quase um mês a ler o livro. 
No início da leitura, foi francamente difícil avançar no enredo, pelo que desanimei um pouco. No entanto, depois de me embrenhar melhor na história, a narrativa já se desenrolou com outra desenvoltura. Os responsáveis foram os tais elementos ficcionais que referi acima. 

Notou-se em toda a obra, a notável e abrangente pesquisa que a autora fez, não só do período histórico, tal como da cultura espanhola e a origem das próprias danças latinas. No entanto, houveram vários pormenores que estiveram a mais, a meu ver (especialmente no que toca a explanações sobre danças). Nisto, num livro com quase 500 páginas, é preciso saber muito bem em que temáticas se debruçar e Victoria Hislop acabou por me maçar em certos trechos da sua narrativa. 
Contudo, a perseverança, permitiu-me apreciar este livro mais do que estava a contar no início. Gostei especialmente de conhecer a família Ramirez e o romance “perdido” ente Javier e Mercedes, que me mantiveram entretida durante muitas horas.
A autora capturou muito bem a intensidade da época histórica (não que diga isto por experiência, claro, mas senti-me de facto, transportada para o ambiente que aí se vivia).
Esquecendo alguns pontos negativos que encontrei na obra (que se ligam todos a um exagero de descrições em algumas temáticas), foi uma leitura muito recompensadora e diferente do que havido lido até agora. A autora deitou outra luz a esta época.

Possivelmente se não tivesse lido “A Ilha” primeiro, ficaria desiludida com esta obra, mas assim sendo, mantenho na memória a forte impressão que o romance de estreia da autora me deixou. Este segundo romance, não me deixou uma marca tão forte, mas sem dúvida que irei continuar a ler os trabalhos desta Escritora. 


Antes de Adormecer



Opinião:

Este é daqueles livros que quando saiu deu muito que falar! Não só em Portugal, como por esse mundo fora. Eu, que ando sempre com um olho em várias novidades, não pude de qualquer maneira resistir ao boom de críticas fantásticas que começaram a povoar o mundo bloggista e não só. Por tudo o que era lado, eu li maravilhas sobre o romance de estreia deste autor londrino.
Claro que o facto de ser um policial (o meu género de eleição) e de ter uma premissa muitíssimo tentadora, ajudaram de facto, a que este interesse se mantivesse aceso até eu ter tido oportunidade de o ler. Para isso, quero agradecer à Tinkerbell.  

Este livro conta-nos a história de Christine Lucas, uma mulher de 47 anos que é amnésica. No entanto, a sua situação não é das mais comuns. O que acontece é que contrariamente ao que é usual, Christine apenas consegue armazenar memórias durante um período de 24 horas. Um dia. Tanto a sua memória de longo prazo, como a de curto prazo parecem ter sido altamente prejudicadas e tanto “funcionam” como não. 
Mas, o que é despoletou esta situação? Como é que Christine, que ao acordar se imagina como uma mulher saída da adolescência, perdeu mais de 20 anos da sua vida e não se lembra de nenhum feito importante do seu passado? 
Como é que a estranha que se vê ao espelho veio da mulher atraente que vê na sua cabeça e se tornou numa mulher de meia idade, um pouco flácida – uma estranha? 
E será que Christine pode confiar no homem ao lado do qual acorda todas as manhãs, o seu marido? 

Como disse, este é o romance de estreia de S.J.Watson, o que me admirou em todo o livro. Se não soubesse deste facto, nunca diria que este era o livro de estreia do senhor. Watson conseguiu agarrar a atenção do leitor e mantê-lo no escuro. Quando pensamos que já sabemos o que está por trás de tudo, o autor pega no enredo e dá mais umas voltas inesperadas. Com uma trama muito original e inesperada, não conseguimos largar o livro até desvendarmos o mistério que está presente em todas as páginas deste livro.
É uma história altamente curiosa e o facto de uma parte do livro – a mais importante, na realidade – ser narrada em forma de diário é muitíssimo interessante.
As personagens apresentadas são igualmente atraentes. Tanto o Dr. Nash, como a Christine foram personagens que me mantiveram fascinada durante todo o livro.
Tive pena que outras personagens, tal como o Adam e o Ben não tivessem tido a sua oportunidade de brilhar. 

Esta obra foi realmente uma excelente surpresa. Não sei o que esperava, na realidade, mas acabei por ficar surpreendida. Ainda mais por ser um trabalho muito original e muito bem executado. Não me canso de expressar admiração pelo trabalho de estreia do autor, por isso, perdoem-me pela minha repetição. Os meus parabéns ao mesmo, porque nem toda a gente, nem todos os escritores consegue captar e gerar um interesse tão grande na sua estreia. O sucesso é mais que merecido. Um livro que não me irei esquecer tão cedo, embora tivessem havido alguns pormenores que queria ter visto explorados de maneiras e que tivesse tomado um rumo diferente àquele que o autor decidiu dar. No entanto, uma leitura muito satisfatória. 


Opinião – Um Dia

Opinião:

Muito já se falou sobre este livro, como sendo a grande aposta da Civilização Editora de 2010. Confesso que com tanto burburinho em torno deste livro e mais recentemente com a sua adaptação para formato cinematográfico, a curiosidade aumentou exponencialmente.
Assim sendo, aproveitei o empréstimo da Vera e lá fui para a leitura deste livro.
Não tendo visto nada acerca do livro, comecei a leitura sem qualquer tipo de expectativa. Tenho a dizer que o livro foi tanto uma surpresa, como ao mesmo tempo, não se revelou assim tão digno de tanto burburinho. É óbvio que não se pode agradar a gregos e troianos;  não quero com isto dizer que não gostei do livro. Até pelo contrário.
Mas em alguns momentos durante a leitura, fui vendo algumas opiniões e não consegui perceber tanto “alarido” provocado por esta obra. Sim, o autor retrata cenas divertidas, que me fizeram sorrir interiormente – no entanto, não me arrancaram nenhuma gargalhada, ou mesmo um riso inspirado. O autor tem uma escrita agradável, com várias referências ao mundo da televisão e referências do mundo musical e literário.
Particularmente, não acho grande piada quando os autores se apoiam de forma constante a estas referências. Não faz mal, por uma vez ou outra, referir algum nome, em determinadas situações, mas cheguei a uma certa altura no livro em que me via inundada de referências a coisas que não me consigo ligar, ou compreender (a não ser as literárias).
No entanto, não foi este aspecto que me prejudicou a leitura. De facto, penso neste livro como sendo um livro morno. É um livro engraçado, com algumas situações caricatas e também um enredo que brinca constantemente com o destino e com o rumo que a vida de dois companheiros de pós-adolescência pode levar. 
Em igual medida é um livro frustrante. Apesar de ter em seu favor o carácter cru e real do que é o nosso quotidiano, na medida em que mostra ao leitor que isto, sim – é a vida real e nem sempre as coisas sucedem como queremos, é com algum rancor que penso no rumo que a história poderia ter levado, se o autor tivesse em mente algo menos dramático, diremos assim. 
Não querendo fazer passar a mensagem que o livro não vale a pena, direi apenas que fiquei esperançada de que o enredo fosse algo revestido de mais esperança. Não conhecendo o estilo do autor, não poderia de qualquer maneira adivinhar qual poderia ser o rumo que os acontecimentos tomassem. Com isto tudo quero dizer que eu olho (a maior parte das vezes) para a ficção como um instrumento que me permite sonhar e esperar por acontecimentos que me preencham a alma. Não obstante e olhando de forma mais distante para toda a construção do livro, posso dizer que adorei a ideia do autor de o seu livro se basear na vida de duas pessoas, durante o espaço de 20 anos. Foi interessante ver estas duas personalidades a crescerem e a evoluírem. Posso também dizer que me conformei com algumas particularidades do enredo e que aceito o porquê de o autor assim ter decidido este caminho.
Contudo, não posso deixar de referir que gostaria que houvesse outro.
O livro não me arrebatou completamente, da forma como fez a outros leitores certamente, mas foi para mim o suficiente para querer ler mais obras do autor; em particular a outra obra, também publicada pela Civilização Editora, em 2011. A premissa pareceu-me interessante e espero algum dia, se possível, num futuro próximo reencontrar-me com o autor nas páginas do seu novo romance.
Como nota final, embora já tenham aconselhado não ver o filme, fá-lo-ei com toda a certeza. Este é o meu ritual e mesmo que livro e filme se revelem demasiado diferentes, é um processo do qual não abdico. Assim sendo, vou com expectativas de que o filme preencha o espaço da minha alma que ficou a faltar com o livro. 

Um abraço do tamanho do mundo para a Vera