A Rainha Branca

A história do primeiro volume de uma nova trilogia notável desenrola-se em plena Guerra das Rosas, agitada por tumultos e intrigas. A Rainha Branca é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.

ISBN: 9789722630122 – Civilização Editora / 2010 – 448 páginas


A Guerra das Rosas foi um conjunto de batalhas que se estenderam entre os anos de 1455 e 1487 entre primos da mesma família real, cada um a lutar pelo seu ramo da família. As casas que se defrontaram foram a de Lancaster e a York, cujos emblemas eram uma rosa vermelha e uma rosa branca respectivamente. Edward IV, futuro Rei de Inglaterra acaba por conseguir levar os York ao trono, defendendo o estandarte da rosa branca e, a sua mulher Elizabeth Woodville, antes do casamento uma mera plebeia, ascende ao trono e vê-se repentinamente obrigada a lidar com as conspirações e os muitos perigos que a corte inglesa e o conflito contínuo entre primos representam.
A Rainha Branca foi a minha estreia com a autora de romances históricos Philippa Gregory. Apesar de já ter ouvido falar neste nome e alguns dos seus livros me terem chamado a atenção, nunca antes tinha tido oportunidade de pegar num livro dela.  Decidi pegar nesta série intitulada The Cousins’ War por me interessar por este período da História de Inglaterra. Aliás, interesso-me pela História desta nação de forma geral, mas A Guerra das Rosas – sendo um dos mais importantes eventos históricos do país, interessou-me particularmente.
O livro é escrito na perspectiva da Rainha, uma voz que nos mostra um lado diferente da corte, da vida que a família real leva e de todos os desafios que os governantes do país têm de enfrentar. Para além do enredo principal que nos conta a ascensão de Elizabeth e Edward ao trono de Inglaterra e como estes lidam com as rebeliões que se vão levantando ao longos dos tempos tentando tirá-los do poder, a autora explorou também o mistério do desaparecimento dos filhos de Elizabeth enquanto estavam a ser mantidos em clausura na Torre de Londres. Um mistério que, na vida real, nunca encontrou nenhuma resposta ou qualquer satisfação é trazido de novo à vida no universo ficcional de uma forma muito inteligente e que encaixa perfeitamente na cronologia dos acontecimentos narrativos.
Confesso que o que mais gostei neste livro foi mesmo o trabalho de pesquisa que existiu por trás da construção deste romance e adorei o pormenor da autora apresentar bibliografia no final, pois é muitas vezes o que falta noutros romances históricos para os mais curiosos e interessados : uma fonte não ficcional na qual podem ir buscar mais conhecimento que foi suscitado pelo livro. A escrita da autora é bastante fluída e convida a uma leitura activa e interessada. Não posso deixar de fazer notar, igualmente, a forma como a autora conjugou factos históricos com ficção e como manipulou todos esses elementos. Dando informação, conseguiu também enriquecer o enredo onde a História nos deixa com algumas brancas e lacunas sem explicação. A ficção, neste livro, é um complemento enriquecedor para os factos reais.
Por outro lado, tenho que deixar o apontamento: a tradutora do livro achou por bem traduzir tudo o que era nomes e com isso não consigo concordar e fez-me uma confusão enorme. Sei que costuma ser norma em Portugal, traduzir nomes de Reis e casas reais, mas a minha posição quanto à tradução de nomes mantém-se inalterável – não se devem traduzir nomes, não faz sentido.
Foi uma leitura agradável que me deixou com enorme vontade de continuar a série. Segue-se portanto, num futuro próximo, o segundo volume desta série promissora.

Lições de Sedução

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A Arca

Tessalonica, 1917. No dia em que Dimitri Komninos nasce, um incêndio devastador varre a próspera cidade grega, onde cristãos, judeus e muçulmanos vivem lado a lado. Cinco anos mais tarde, a casa de Katerina Sarafoglou na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. No meio do caos, Katerina perde a mãe e embarca para um destino desconhecido na Grécia. Não tarda muito para que a sua vida se entrelace com a de Dimitri e com a história da própria cidade, enquanto guerras, medos e perseguições começam a dividir o seu povo. Tessalonica, 2007. Um jovem anglo-grego ouve a história de vida dos seus avós e, pela primeira vez, apercebe-se de que tem uma decisão a tomar. Durante muitas décadas, os seus avós foram os guardiões das memórias e dos tesouros das pessoas que foram forçadas a abandonar a cidade. Será que está na altura de ele assumir esse papel e fazer daquela cidade a sua casa?

ISBN: 9789722635264 – Civilização Editora / 2012 – 416 páginas

 

 

 


Este é o terceiro livro da autora Victoria Hislop e é também o terceiro livro que leio dela. Adorei o primeiro livro dela e o segundo revelou ser muito bom, mas não exactamente o que estaria à espera da autora que me encantou na sua primeira obra. Tinha esperanças que a autora me voltasse a deslumbrar com este A Arca e na verdade, fiquei entusiasmada com esta leitura, apesar de não se ter revelado a maravilha absoluta que estava à espera.

Este livro fala-nos sobre um período histórico muito complicado da Grécia, entre os anos de 1917 e 1945. Durante estes anos, a nação grega passa por diversas complicações políticas, a começar pelos exílio prolongado do rei e consequentemente, as guerras que se sucederam neste território. A ocupação pelos tropas alemãs acabam por instalar o terror profundo e a perseguição aos judeus é acesa. De igual forma, os comunistas são perseguidos como criminosos. As consequências são sofridas pela população da pior forma: os habitantes passam fome, são retirados e expulsos das suas casas e das cidades. Os campos de refugiados não têm condições próprias para albergar a população que sofre as baixas destas guerras sucessivas e prolongadas. Famílias separam-se e perdem contacto durante o que parece uma vida. Novas relações desenvolvem-se a partir do infortúnio.

Os pontos positivos desta história são vários. Gosto bastante da forma como a autora constrói a sua narrativa e também dos seus cenários. A sua escrita é fluída e os seus livros lêem-se com rapidez, por serem cativantes. A sua pesquisa e a forma como a autora encaixa os factos históricos na sua narrativa ficcional é subtil e muito bem construída. Este é um período histórica pelo qual tenho um particular interesse e portanto gostei de ler sobre a Segunda Guerra Mundial sob uma nova perspectiva – a perspectiva grega. É um novo prisma que ainda não tinha sido explorado, normalmente leio sempre obra sob a perspectiva alemã, norte-americana ou britânica, e soube bem ler algo que embora fale sobre as mesmas circunstâncias, fala sobre estas de maneira diferente e nova.

Creio que entre os pontos menos positivos, podemos dizer que falta por vezes uma maior introspecção das personagens, eu gosto de ter um maior conhecimento dos sentimentos das personagens. O desenvolvimento das personagens fica um pouco aquém das expectativas. A Katerina foi uma personagem que me interessou mas parece-me que a sua personalidade foi apenas superficialmente explorada. O mesmo para o Dimitri, que tinha potencial para muito mais.

Contudo, esta é uma bonita história de amor, com muito sentimento e é também uma obra histórica que me deu um imenso prazer ler. Creio que a autora explora bem os factos históricos e constrói à volta destes um universo ficcional muito apelativo. Esta obra foi uma viagem muito apetitosa ao passado e tenho pena que tenha passado tão depressa. Gosto desta autora e se ela lançar mais livros, tenho intenção de os ler pois são sempre viagens agradáveis.

3-5

Wolf Hall

Vencedor do Man Booker Prize 2009. De uma das melhores escritoras contemporâneas, “Wolf Hall” explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem. Inglaterra, década de 1520.Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais.

ISBN: 9789722631044 – Civilização Editora / 2010 – 672 páginas


Wolf Hall retrata-nos uma época sangrenta e particularmente complexa em termos políticos e religiosos para a Inglaterra do século dezasseis, era do Renascimento e uma época tão rica quanto conturbada para o território das Ilhas Britânicas. No trono de Inglaterra senta-se o Rei Henrique VIII da família Tudor, uma das maiores famílias reais da história desta nação. Henrique, que pretende um divórcio da viúva do seu irmão não tem descendência e enceta uma batalha contra a Igreja, no sentido de lhe ser concedido o divórcio que tanto deseja e almeja. Thomas Cromwell, personagem singular, vai crescendo na confiança do monarca até se tornar seu conselheiro. Mas nesta corte, onde as aparências reinam, os inimigos estão à espreitas onde menos se espera e as conspirações estão logo ao virar da esquina. Um dia aliados, outro dia inimigos é o ambiente de tensão política, religiosa e social que governa o território inglês por esta altura. Uma obra narrada pela mão de Thomas Cromwell, esta é uma narrativa que pretende deslocar o leitor para os conflitos que se espalham na corte.

Não só adoro Inglaterra como sou fascinada pela história das Ilhas Britânicas na sua generalidade. A dinastia Tudor é das que mais interesse me suscita não só em obras literárias, mas também em séries televisivas e adaptações cinematográficas. Por ser uma das famílias que mais polémica gerou, com monarcas que agitaram a corte inglesa das mais variadas formas, é uma fonte de inspiração quase infinita. E é o palco perfeito para os conflitos e as conspirações proliferarem. O século 16 e o 17 são particularmente ricos em termos históricos e culturais, pelo que aguardei ler esta obra com alguma expectativa por retratar algo que sabia ser do meu interesse. A obra é bastante conhecida e ganhou inclusive o prémio Man Booker Prize no ano de 2009. A autora tem sido bastante elogiada pela sua narrativa e pela forma como retratou este período da História de Inglaterra. Esta obra é até bastante extensa e daí que eu tenha demorado 2 meses (ou muito perto disso) a conseguir ler tudo do início ao fim.

Começo por dizer que esta não é uma leitura fácil. É um romance histórico muitíssimo trabalhado, com doses pesadas de pesquisa e factos que se intercalam com a narrativa e nem sempre são fáceis de destrinçar se não conhecermos bem a história e o passado do território inglês. A escrita da autora não é muito amigável, nem convida a leituras entusiásticas, na minha opinião. É pelo contrário uma narrativa lenta, com baixa margem de progressão e que nem sempre é muito clara – claro que isto pode ser uma coisa minha e não geral, não se deixem afectar por este comentário em particular.
Além disso, temos uma perspectiva algo limitada dos acontecimentos. A autora escolher fazer do seu protagonista Thomas Cromwell, um personagem histórico que se veio a revelar de extrema importância para o destino do reinado de Henrique, mas na minha opinião muito pessoal, eu teria preferido um narrador na terceira pessoa, omnisciente, que nos mostrasse uma perspectiva mais alargada dos eventos.
Isto tudo porque a autora não conseguiu cativar-me com a personalidade de Cromwell e dotou o seu discurso de um tom monótono, quase sem vida, que não alicia à compulsividade da leitura.

Talvez por isso, as minhas expectativas tenham saído um pouco frustradas. Esperava encontrar uma obra cheia de vivacidade e que me deixasse completamente deslumbrada e acabei por ter momentos em que desesperava para avançar 30 páginas. Contudo, isso não dita que esta obra não tenha nada que se aproveite. Muito pelo contrário. A forma como a autora retrata a Inglaterra desse tempo é interessante e deixou-me a imaginar como seria mesmo estar lá, a experienciar todo aquele ambiente instável e desconfiado da corte. É igualmente interessante ver uma perspectiva pessoal (e tão próxima do epicentro deste caos) dos acontecimentos que ditaram que Inglaterra se distanciasse da Igreja Católica.

Tendo tudo isto em conta, foi um livro que apesar de ter um potencial extraordinário para me encantar, revelou-se uma leitura com altos e baixos. Gostei mais da parte histórica, contextual e social do livro do que propriamente o relato de Thomas Cromwell. A narrativa não me conseguiu deslumbrar por completo, mas no entanto, fiquei com vontade de ler o segundo livro – exactamente pela forma como a autora construiu o retrato de uma Inglaterra a passar por muitas mudanças sociais e religiosas. Gostei.

3

Revolutionary Road

O primeiro romance de Richard Yates, Revolutionary Road, tornou-se um clássico logo após a sua publicação em 1961. Nele, Yates oferece um retrato definitivo das promessas por cumprir e do desabar do sonho americano. Continua hoje a ser o retrato da sociedade americana. Um casal jovem e promissor, Frank e April Wheeler, vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos anos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante da incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras. Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para a França onde estarão mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de brigas, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização.
ISBN: 9789722626361 – Civilização Editora / 2009 – 284 páginas

Frank e April Wheeler são o típico casal americano de classe média. Ele trabalha, ela fica em casa a cuidar dos dois filhos. Têm uma bonita e simpática casa em Revolutionary Road, nos subúrbios que é mais para aparência do que propriamente gosto. A vida deles, aos olhos dos seus vizinhos, é perfeita. São um casal sem problemas, com dois filhos bonitos e bem educados e tudo na vida desta família é perfeita. 
Contudo, a realidade é bem mais triste do que se faz crer. Frank sente-se pouco realizado no trabalho que tem, vive perpetuamente na sombra do seu pai que também trabalhou na mesma empresa. A sua mulher, April, às parece que já não o ama e este casamento é um beco sem saída. A relação dos dois tem vindo a ficar mais azeda com o tempo e as discussões acabam por aumentar em número proporcional ao tempo que se encontram juntos. 
April, uma dona de casa que também não se sente realizada com o seu modo de vida, acaba por ter a ideia de que tudo se resolverá com a família desde que eles se mudem para a Europa, mais propriamente para a França. 
No entanto, aquilo que parecia uma ideia excelente e exequível no início, rapidamente se torna mais um problema e mais um obstáculo que separa Frank de April e vice-versa. 

Quem conhece aquela sensação de querer tanto, mas tanto, ler um determinado livro que depois, quando realmente o lê, sabe-lhe a pouco, decerto consegue perceber o que é que se passou com esta minha leitura de Revolutionary Road. Este é daqueles clássicos modernos que tinha uma curiosidade, quase mórbida, em ler. Não só já tinha visto reviews muito elogiosas, como também é um livro sobre uma temática que me interessa de forma particular. 
Toda a gente conhece o mito/realidade do chamado sonho americano. Este livro fala, de certa forma, sobre este conceito que os estrangeiros e os próprios americanos têm do seu território e das oportunidade que ele oferece aos seus cidadãos. Contudo, este livro também trabalha com muitos estereótipos sobre a sociedade norte-americana e é por isso que tinha tanta curiosidade em ler este clássico moderno.
Na verdade, lá no fundo, nem sabia bem o que esperar. Uma coisa é saber mais ou menos sobre o que uma história fala, outra é saber o que esperar de uma história, em concreto. Acho que, na minha cabeça imaginei uma coisa bem diferente do que aquela que se veio a revelar.

A leitura começou logo com o pé esquerdo. Passados dois capítulos, tive a sensação de que a escrita do autor era daquelas um pouco monótonas e que ia ser algo difícil relacionar-me com estes personagens. A descrição da rotina do Frank e da April, em si interessante, foi descrita de uma forma aborrecida e confesso que chegada às primeiras 100 páginas do livro, cheguei a perder a esperança de gostar deste livro. 
Até aqui, estava dividida entre não gostar do Frank e tentar compreender aquilo que ele sentia sobre o seu trabalho, sobre a sua mulher e sobre as suas muitas frustrações. Estava também dividida entre dar um estalo na April e fazê-la acordar e tentar compreender que ela é uma personagem peculiar, que precisa de algum acompanhamento e que por isso, tem alguma desculpa. 
Na verdade, estes são personagens únicos à sua maneira. Mas eu não consigo compreender os princípios de Frank, tal como não consigo sentir empatia pela posição que April tem neste contexto. 
Isto era o que eu sentia até ter começado a terceira e última parte deste Revolutionary Road. 

As últimas 100 páginas desta leitura foram algo muito diferente e conseguiram surpreender-me pela positiva, ao ponto de mudar a minha perspectiva geral deste livro. O livro tomou um novo fôlego e esta obra acabou por se revelar de maneira diferente aos meus olhos. Não posso dizer que acabei esta leitura muito satisfeita, porque as minhas expectativas acabaram por sair um pouco goradas, mas o livro acabou por ser muito melhor do que aquilo que eu esperava ao início. 
Frank e April foram personagens que me testaram a paciência ao longo desta viagem, mas que de alguma forma, também me conseguiram fascinar. Cheguei ao final do livro com um sentimento de tristeza, por ser uma história com um tom algo depressivo, mas também cheguei com um sentimento de quase paz. Não posso exactamente explicar porquê (porque não quero estragar a experiência a outras pessoas) mas foi daqueles finais bastante apropriados. 


Para a Minha Irmã

Os Fitzgerald são uma família como tantas outras e têm dois filhos, Jesse e Kate. Quando Kate chega aos dois anos de idade é-lhe diagnosticada uma forma grave de leucemia. Os pais resolvem então ter outro bebé, Anna, geneticamente seleccionada para ser uma dadora perfeitamente compatível para a irmã. Desde o nascimento até à adolescência, Anna tem de sofrer inúmeros tratamentos médicos, invasivos e perigosos, para fornecer sangue, medula óssea e outros tecidos para salvar a vida da irmã mais velha. Toda a família sofre com a doença de Kate. Agora, ela precisa de um rim e Anna resolve instaurar um processo legal para requerer a emancipação médica – ela quer ter direito a tomar decisões sobre o seu próprio corpo.
Sara, a mãe, é advogada e resolve representar a filha mais velha neste julgamento. Em Para a Minha Irmã muitas questões complexas são levantadas: Anna tem obrigação de arriscar a própria vida para salvar a irmã? Os pais têm o direito de tomar decisões quanto ao papel de dadora de Anna? Conseguimos distinguir a ténue fronteira entre o que é legal e o que é ético nesta situação? A narrativa muda de personagem para personagem de modo que o leitor pode escutar as vozes dos diferentes membros da família, assim como do advogado e da tutora ad litem, destacada pelo tribunal para representar Anna.
ISBN: 9789722623704 – Civilização Editora / 2006

Apesar de por fora, parecerem uma família como qualquer outra, vulgar, são tudo menos isso. A família Fitzgerald não é, de todo, qualquer família. De facto, atravessa períodos muito complicados. E travam uma batalha constante com a vida.
O casal Fitzgerald, tem três filhos. Jesse, Kate e Anna. Kate tem uma doença bastante grave e muito, muito rara. Uma sub-categoria de leucemia, foi-lhe diagnosticada aos dois anos de idade e os pais da criança ficam desapontados, senão desiludidos quando descobrem que o seu irmão mais velho, Jesse, não é compatível e por isso não poderá salvar a sua pequena irmã. 
Contudo, uma solução apresenta-se. O casal resolve ter outro filho, que será planeado geneticamente para ser um dador compatível com Kate. Durante os seus anos de criança e depois, da adolescência, Anna irá ter que suportar horas intermináveis nos hospitais para que estejam constantemente a recolher sangue e medula óssea, para que a leucemia de Kate entre em remissão e possa existir, eventualmente, uma cura para a sua  doença.

Esta leitura foi a minha estreia com a autora Jodi Picoult. Fez parte do Desafio aos Leitores e foi sugerido pela Mafi, a quem eu quero agradecer pelo incentivo e por participar sempre nas minhas iniciativas. Como esta é uma das suas autoras favoritas, estava desejosa de ler este livro, que foi um sucesso estrondoso por aí. Devido às opiniões maravilhosas e tudo aquilo que condiciona as expectativas de um leitor, esperava um livro maravilhoso que me deixasse dormente. 
Contudo, saiu-me o tiro pela culatra. Tanto elevei as minhas expectativas que estas acabaram por sair defraudadas.
De facto, não consegui tornar-me fã nem da leitura, nem da autora.

Já sabia que esta autora escrevia dramas e por isso mesmo, é que nunca a tinha lido. Eu gosto de dramas, mas não gosto de qualquer drama. Tem de ser muito bem escrito e as temáticas têm que ser tratadas de uma forma particular. Não exageradas, verosímeis e a apostar na parte sentimental da coisa. Embora isto sejam características relativas e portanto cada leitor tem os seus gostos pessoais, confesso que não me senti particularmente emocionada com este relato da família Fitzgerald. Esperava uma história polémica sim, mas que apelasse mais à emoção e embora perceba porque é que outros leitores escolhem este livro como um dos seus favoritos, eu não consegui adorar esta história. 
Para já, toda esta questão de planear geneticamente uma criança para salvar outra, parece-me senão estúpido, injusto para a criança que vai nascer. Isso não é ser pai, isso é ser algo sem nome. Depois, sujeitar a uma criança, logo desde o início da sua vida a estes procedimentos de retirar amostras de medula óssea e etc., não só me enojou, como me irritou.
Perdoem-me, fãs, mas esta é a minha opinião. Não me parece moral. 
Por outro lado, percebo a intenção da autora tentar fazer o papel de advogado de diabo, onde mostra que trazer uma criança a este mundo para tentar curar UM cancro, afinal não é assim tão mau. 
Esta polémica dá pano para mangas, mas a minha opinião pessoal é uma e só uma, embora perceba os argumentos que vão contra àquilo que eu acredito ser o correcto.

Mas, polémicas à parte, não gostei do estilo de escrita da autora. Não sei se foi este livro em particular, algumas passagens obriguei-me a ler e dei por mim com o pensamento a vaguear para coisas mais interessantes. Isso, para mim, é sinal que o livro nunca vai captar a minha atenção na sua totalidade e estraga logo a minha leitura. 
Os últimos capítulos são um bocadinho melhores, mas chegando ao final, tive a sensação de esta viagem não ter valido a pena, porque a autora….. Enfim, não vos quero estragar o prazer de descobrirem o que a autora fez no final. Acho que irá ter maior impacto se não souberem do que falo.
Para aqueles que já leram o livro e sabem do que eu estou a falar, que fique registado que fiquei permanentemente chateada com esta autora, por cometer tal atrocidade. Como é que é possível? Só me apetece revirar os olhos. 
Aliás, só de estar a escrever sobre isto me apetece voltar a ir buscar o livro à biblioteca e atirá-lo contra uma parede a ver se a Jodi sente uma dor fantasma em algum lado. 
Contudo, a parte judicial da coisa foi bastante interessante, só para contrariar a tendência de todo o livro.  


O Circo dos Sonhos

Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite.
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz – um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver, e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e determinação. Apesar de tudo, e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor – um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro.
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas do circo até aos seus mentores, está em causa, assente num equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto.
Escrito numa prosa rica e sedutora, este romance arrebatador é uma dádiva para os sentidos e para o coração. O Circo dos Sonhos é uma obra fascinante que fará com que o mundo real pareça mágico, e o mundo mágico, real.

ISBN: 9789722634267 – Civilização Editora / 2012 – 464 páginas

Não existe circo mais mágico que este.
Dizem que o circo chega sem existir qualquer aviso. Ao deitar, o descampado que vemos pela janela encontra-se vazio, mas de manhã, ao acordar, olhando pela mesma janela podemos ver um aglomerado de tendas enormes às riscas em estilo monocromático. Ora riscas pretas, ora riscas brancas. A notícia vai correndo a cidade, que um circo misterioso, abre quando o sol se põe e fecha quando o sol nasce, veio espalhar um pouco de magia pelos habitantes das cidades por onde passa. Os sonhos dão o nome a este circo e de facto, qualquer visitante poderá ver cada um dos seus sonhos serem realizados após uma noite passada a visitar as mais variadas tendas do Le Cirque des Rêves. É que não há nenhuma outra experiência que se possa igualar a esta e no mundo da magia, tudo é possível. 
Contudo, este circo é mais do que aquilo que aparenta ser. Isto porque, não é apenas um meio de entretenimento das massas. É algo mais importante, mais fulcral, na vida de duas pessoas, que são no fundo, o coração e a alma deste circo. 
Celia e Marco conhecem-se nas audições que Celia perfez para se tornar ilusionista do Circo dos Sonhos. Entre eles, existe desde início, um clique. Qualquer coisa que se acende no ser de cada um e embora eles na altura não o reconheçam, esse momento irá ficar marcado para o resto da existência. Tanto da do circo como a de cada um deles. Quando se apaixonam, vêem o seu amor ser condicionado por questões que eles não conseguem resolver e que não têm propriamente uma resposta definitiva, ou uma solução fácil. 
O facto de eles terem sido treinados desde pequenos para se enfrentarem um ao outro em qualidades mágicas, não interessa para nada, a não ser que é a única condicionante que não lhes permite estar juntos como eles tanto desejam.   
Este confronto, no entanto, irá repercutir-se no circo e em todos aqueles que façam com que este tenha vida e que continue a espalhar magia por esse mundo fora e é também a única coisa que Celia e Marco não querem que se destrua no meio de uma luta de poderes.

Em 2011 li aquele que viria a ser um dos meus livros favoritos de sempre e que falava sobre um teatro mágico. As actividades recreativas, de entretenimento, misturadas com a temática da magia não são um tema popular na literatura. E esta combinação tinha-me conquistado de uma forma avassaladora. Assim, quando descobri que Erin Morgenstern se estreou no mundo de ficção com um livro que combinava estas duas vertentes, decidi que este livro era para mim. Tinha decididamente que o ler. Claro está, que após ter comprado o livro, o mesmo foi para a lista de espera e muito teve que esperar até que eu me decidi a ler a obra. 
Não sei o que esperava, embora as opiniões que passaram pela minha vista, tenham sido incrivelmente positivas. Sei no entanto que as expectativas eram consideráveis. O livro tinha que me fazer sonhar e nada menos era aceitável. 

Uma citação de Oscar Wilde, maravilhosa, saltou logo à vista e marcou o momento em que eu me apaixonei por este mundo de magia. A escrita da autora é um fio narrativo de uma beleza adorável, parece mel que escorre pela garganta. Adorei as descrições, o facto do enredo ser lento, com passo vagaroso, tomando o gosto à história, ao cenário, à época e às personagens. O mundo mágico que a autora criou, no final do século XIX e início do século XX, envolveu-me de uma forma que não podia de nenhuma forma esperar. Nem evitar. 
Este é realmente um circo que faz sonhar, que nos eleva a uma existência que é tão atractiva que nos parece real. O escape de realidade perfeito, que nos envolve até sem darmos por isso. 
É como hesitar em frente de uma porta que se encontra entreaberta, uma porta que não sabemos se devemos abrir pois não sabemos o que nos espera. E numa questão de momentos, a porta já está aberta e nós já fomos irremediavelmente sugados para o mundo fantasioso que se encontra do outro lado da realidade à nossa espera.
Quando dei por mim, já estava agarrada à história sem possibilidade de fuga. De tal modo que quando o final se apresentou aos meus olhos, fiquei insatisfeita, pois representava a despedida. 

Os personagens são igualmente mágicos, todos com a sua personalidade cativante e as suas características pessoas que os tornam especiais, únicos. No entanto, há 6 que irão ficar na minha memória por bastante tempo. Eles são, Celia e Marco, Bailey e Poppet, Widget e Alexander. Todos de marcaram de uma forma muito diferente, mas todos se revelaram presenças indispensáveis em toda a história. De facto, foi com muita pena que não os vi durante mais tempo para que pudesse desfrutar mais um pouco da sua companhia. 
E contudo, houve apenas uma pequena coisa que me desiludiu no livro. Enfim, a bem dizer, não é propriamente uma desilusão arrebatadora, mas fez-me de algum modo, triste. 
Depois da leitura do livro e até ao momento em que escrevi esta opinião, ponderei sobre a influência deste pequeno pormenor na minha experiência de leitura e cheguei, no entanto, à conclusão de que apesar de no momento de leitura, esse pequeno pormenor,  tenha causado alguma tristeza em mim, não posso em boa consciência dizer que mudaria alguma coisa neste livro. Olhando agora para esta leitura de uma forma mais ampla, mais geral e mais distante, posso dizer que este livro conseguiu exactamente aquilo que espero de todos os livros e nem todos conseguem: preencheu completamente o meu espírito e fez-me sonhar. 

E mais não posso pedir.   




O Ladrão de Arte

Em O Ladrão de Arte, três roubos são investigados simultaneamente em três cidades, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar.
Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma peça de altar desaparece sem deixar rasto a meio da noite.
Paris: Na cave da Society Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da Sociedade desapareceu, Branco Sobre Branco do Suprematista Kasimir Malevich.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras. Repleto de detalhes históricos fascinantes, diálogos intrigantes, e um enredo de puxar pela cabeça, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante, e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

ISBN: 9789722626484 – Civilização Editora / 2008


Nunca antes tinha ouvido falar sobre esta obra, até há bem pouco tempo, quando foi escolhido para um grupo de leitura conjunta em que costumo participar. Então, na Feira do Livro de Lisboa, andando em busca do livro, o rumor era que o livro estava esgotado em todo o lado. “O livro deve ser mesmo bom, uma obra de arte literalmente. ” – pensei eu, já entusiasmada com aquela que haveria de ser a minha próxima leitura. Noah Charney estreia-se com este mistério/suspense policial que mistura arte com crime e esta pareceu-me uma conjunção deveras interessante. As opiniões que li dividiam-se muito e por isso mesmo tentei não criar demasiadas expectativas. Assim foi a estreia com este autor:

Três cidades, todas elas conhecidas mundialmente, não só por serem cidades que têm um peso enorme na cultura mundial, mas cidades em que a arte tem uma importância crucial na estrutura de cada uma delas. A arte no seu sentido mais abstracto revela-se de formas diferentes em cada cidade e é de importância fulcral para o ambiente e para a aura destas grandes cidades. Todos nós já ouvimos descrições que fazem com que fiquemos com água na boca. Aqueles que visitaram podem concordar e matar algumas saudades, pensando nessas visitas com extremo carinho e aqueles que ainda não visitaram, mantêm o desejo de visitar  e imaginam, cada um à sua maneira, estas metrópoles que não deixam ninguém indiferente.
São elas: Londres, Roma e Paris. Em cada uma destas cidades ocorreu um crime. Aparentemente, são apenas 3 crimes isolados, nestas 3 cidades diferentes. Foram roubadas três peças de arte de grande importância e os três crimes estão a ser, simultaneamente, investigados. No entanto, estas três ocorrências, que são acreditadas como isoladas, têm mais em comum do que aquilo que se vê à superfície.
Em O Ladrão de Arte, vamos acompanhar uma verdadeira caça às obras de arte e vamos aprender de que maneira e em que circunstâncias é que estes três crimes poderão estar ligados. E mais importante, porquê.

Como referi anteriormente, tentei não criar demasiadas expectativas para esta leitura, não só pelas opiniões que li bem como por este ser um novo autor e que portanto me poderia conquistar ou aborrecer. Confesso que apesar de tudo, esperava muito melhor desta obra do que aquilo que veio a acontecer. Acho que o autor anda ali num misto de conquista e aborrecimento. 
Quando li a sinopse, achei que estaria frente a frente a um policial com um ritmo frenético e cativante, com um mistério que mantém o leitor cativo, sem querer largar o livro até que possa ter a revelação à frente dos seus olhos. No entanto, acabei por encontrar um livro que em vez de habituar o leitor ao seu ambiente de escrita, bombardeia invés, com factos históricos, e também com história de arte. 
Eu adoro História, bem como arte embora nesta última possa ser considerada leiga. Contudo, gosto que os autores me envolvam com os seus relatos e que vão revelando os factos de uma forma gradual e lógica. Como é óbvio, ninguém tem uma capacidade de absorção de conhecimento sobre-naturalmente rápida e ser constantemente bombardeado com informações históricas acaba por chatear bem como aborrecer. Foi exactamente isso que me aconteceu.
Com isto, acabei também por não apreciar muito a escrita do autor, até que a leitura de forma geral, acabou por ficar prejudicada. Até ter ido pesquisar os dados biográficos do autor. Aí, percebi o porquê desta obra ter sido escrita da maneira como foi.
É que o autor é fundador da primeira organização mundial de crimes contra a arte. E tem também dois mestrados que misturam arte, crime e história. Ao acabar o livro, apercebi-me que este livro parecia um exame universitário, onde se debita o conhecimento todo, para depois libertarmos o cérebro para absorver o conhecimento para o exame seguinte. Esta obra pareceu-me uma maneira de o autor mostrar que é um especialista na sua área de interesse e até aí, tudo bem.
O que não está bem é a maneira como o autor demonstra este orgulho. Parece aqueles professores que vão para a aula escrever no quadro até nunca mais acabar e sem terem qualquer contacto real com os alunos. Essa não é a melhor forma de fazer passar tanto interesse como conhecimento. 

Com isto tudo, fiquei bastante desiludida com esta obra e acho que o autor tem que melhorar esta ânsia de passar o seu conhecimento, bem como melhorar a sua escrita para fazer com que o leitor não se aborreça logo nas primeiras páginas.
Para mim, foi uma leitura muito pouco proveitosa e muito difícil. Isto implica que há sempre espaço para melhorar e quem sabe se o seu próximo livro não sairá melhor. 
Não é mesmo uma obra de arte, mas talvez haja por aí a quem este livro agrade. 






Irmã



Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se, com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess – e de que não está preparada para a terrível verdade que terá de enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.



ISBN: 9789722633833 – Civilização Editora / 2012

Rosamund Lupton estreia-se no mundo literário com este thiller/policial – Irmã. Já muito ouvi falar sobre o livro e as críticas positivas são mais do que as que posso contar. São muitos aqueles que recomendam esta leitura e que dizem que este livro é um policial fantástico, como há muito que não se via. Bem, com tanto aparato à volta deste livro tive de espreitar, como é óbvio. 
E mal comecei a ler opiniões e ver as críticas maravilhosas a choverem, tornou-se impossível não formar certas expectativas quanto a esta obra. Esta coisa de criar expectativas quanto a uma leitura é uma coisa muito traiçoeira. Tanto pode sair bem, como mal. Tanto podemos chegar ao fim e ver que a obra superou as ditas expectativas, como também podemos chegar ao final da leitura e ver que se calhar, o burburinho à volta de certo livro, parece-nos de certa forma injustificável. 
Mais uma vez, foi devido à Tinkerbell do blogue My Imaginarium, que tive a oportunidade de ler esta novidade editorial, e por isso um muito obrigada gigante. Já perco a conta às boas leituras e bons momentos que me proporcionaste, mesmo quando vejo um livro chegar ao fim e me dou conta que não gostei assim tanto. Como se diz e muito bem, o que conta é a intenção e eu estou-te eternamente agradecida pelas oportunidades que me dás.

A obra Irmã traz-nos um mistério, à primeira vista como muito outros que andam por aí. Beatrice, que vive com o seu marido em Nova Iorque, recebe inesperadamente uma chamada de telefone da sua mãe a comunicar que a sua irmã mais nova, Tess, se encontra desaparecida há já alguns dias. Temendo o pior, Bee decide largar toda a sua vida e obrigações para ir à procura da sua irmã. 
No entanto, é quando chega a Londres que, ao deparar-se com as verdadeiras circunstâncias do desaparecimento da sua irmã que Beatrice se apercebe que a irmã que julgava conhecer tão intimamente também tem alguns segredos e talvez não a conheça tão bem quanto ao início julgava. E esta recusa-se a deixar-se levar pelas pessoas que acreditam que Tess, uma rapariga determinada, lutadora e ambiciosa, tenha desaparecido sem deixar rasto e sem qualquer justificação. 
Mas, quando Tess é encontrada morta indicando que suicídio terá sido a causa desta tragédia, Beatrice nem consegue acreditar e mais determinada se torna de forma a que consiga deslindar este mistério. Bee, desgostosa e contudo, mais determinada que nunca, com o amor e afecto que sente pela irmã a motivar a sua causa recusa-se a desistir de tentar provar que a irmã não se suicidou. Beatrice acredita piamente que a sua pequena irmã terá sido assassinada por algum motivo obscuro e ela irá fazer de tudo para trazer a verdade à luz do dia…

A primeira vez que peguei no livro até esfreguei as mãos, a pensar como seria óptimo voltar ao meu género literário favorito. Foi com entusiasmo que comecei o livro que parecia ter todos os ingredientes para me agradar. No entanto, parece que as milhentas críticas positivas que li não fizeram jus ao livro, na minha opinião. Acho que esta estreia está muito sobrevalorizada e não consegui apreciar a obra da forma como muitos outros o fizeram. 
Apesar da autora ter uma escrita agradável, sem grandes artifícios, a leitura foi algo penosa devido à organização do livro. Os constantes saltos temporais entre passado e presente mal clarificados deixaram-me confusa e com a cabeça à roda, já para não dizer altamente frustrada. Este factor fez com que por variadas vezes perdesse o fio à meada e me perdesse na história.
Além deste pormenor, confesso que não consegui criar nenhuma ligação com os personagens deste livro. Beatrice, personagem principal deste thriller por diversas vezes me deu vontade de puxar os cabelos e a sua personalidade foi algo que me irritou sobremaneira. 
No entanto, gostei do retrato que a autora fez da relação fraternal e consegui sentir-me próxima dessa ligação. Achei bonito os sentimentos e o apoio incondicional entre irmãs e esse foi sem dúvida, o melhor ponto da história.

Por fim, o meu grande problema com esta leitura foi mesmo o próprio enredo da história e a forma como a autora escolheu apresentar e relatar este mistério aos seus leitores. Não tenho nada contra livros que são escritos em formato epistolar, como podem confirmar em outras opiniões que escrevi aqui no blogue. De facto, um dos meus livros preferidos de sempre é um romance epistolar. Contudo, não posso deixar de referir que não concordo que este formato tenha sido o mais feliz para apresentar neste tipo de thriller e não ajudou em nada à fluidez da leitura. 
Já o mistério não me impressionou de maneira nenhuma, talvez por se debruçar de uma forma muito intensa na genética e na temática da Fibrose Quística. Eu, embora interessada em conhecer sempre novas realidades e absorver conhecimento, não deixo de ser uma leiga no que toca a estas temáticas e a maneira como a autora explorou o assunto, deixou-me aborrecida e não foi de forma nenhuma, esclarecedora. Quando leio um livro gosto de sair mais esclarecida e não a sentir-me de alguma forma mais ignorante. 
Talvez não tenha ido com espírito aberto para esta leitura, mas o resultado final acabou por ser um pelo qual eu não esperava. 

De qualquer forma, o pequeníssimo excerto que constava no final do livro pareceu-me interessante e quem sabe se o seu próximo livro muda o rumo da maré?
Estou disposta a deixar que esta autora me impressione. 


  





Uma Questão de Atração

Brian Jackson, estudante universitário, chegou à faculdade com um desejo mais forte do que o da aquisição de conhecimentos: ser uma estrela do concurso mais famoso da TV. Mas o seu avanço no Desafio Universitário é de certo modo travado pela sua atração crescente pela sedutora Alice Harbinson, que luta para deixar a sua marca como atriz. E, à medida que os obstáculos impedem a sua relação, Brian fica cada vez mais convencido de que só um sucesso esmagador no concurso o fará conquistá-la. 
ISBN: 9789722628648 – Civilização Editora / 2011
Uma Questão de Atração é o segundo livro publicado em Portugal de David Nicholls,  autor do bestseller “Um Dia” (opinião aqui) . Apesar de não ter ficado totalmente rendida ao autor com o seu primeiro livro, decidi dar uma segunda oportunidade ao senhor.
Bem, por onde começar? O argumento deste livro é muito simples. Brian prestes a entrar no mundo universitário, não se sente completo. Por isso mesmo, decide candidatar-se a um concurso de televisão intitulado “Desafio Universitário”. 
No entanto, irá conhecer Alice que é uma jovem que faz de tudo para tentar ser conhecida pelo seu trabalho como actriz. Brian fica completamente louco por Alice e todas as suas decisões passam a tomar a rapariga como consideração. É óbvio que para um rapaz no fim da adolescência, que Alice é importante para o percurso da sua vida e quando Brian começa a tomar consciência de que não está a conseguir conquistar Alice com nenhum “método”, convence-se a ela próprio que a concretização dos seus desejos apenas se tornará possível se ele ganhar o concurso televisivo. Será que as coisas são bem assim? 
Chego agora à conclusão que este autor prima pelo humor, sim, mas não me consegue cativar completamente. Recordando o que disse sobre o outro livro, achei que a obra era bastante morna. E muito sinceramente, este “Uma Questão de Atração” é mais do mesmo. Confesso que o enredo é bastante original e tem várias cenas bastante divertidas, mas não passa daí. A loucura dos anos 80, etc. é bastante bem retratada a meu ver, mas dá-me a sensação  que o autor não abre, propriamente, os seus horizontes. 
Jovens com crises existenciais devido a paixões é o mote para muito literatura, nem toda ela é particularmente interessante. Apesar de o autor ter um dom para o humor e para as situações caricatas, não me conseguiu cativar com o enredo em si e as próprias personagens.
Não quero com isto dizer que não devam ler o livro e julgar por vós mesmos, mas para mim, acabou por ser uma desilusão porque espero sempre deste autor aquilo que não posso ter, que consiste em haver mais emoção e sentimento nos livros deles e não apenas humor (quase) impessoal.
Até certo ponto a história faz sentido, mas depois o autor acaba por exagerar o retrato dos anos 80, tornando o enredo e as personagens cansativas e até certo ponto, enjoativas.
Não recomendaria este livro a toda a gente, é certo, mas visto que eu acredito que é preciso experimentar para saber gostar e portanto acho que ler ou não ler este livro terá que ficar ao critério de cada um… De qualquer modo, espero que gostem da experiência. Ou se não gostarem, possam perceber o porquê! 
 
  

A Decisão Final do Major Pettigrew

O Major Ernest Pettigrew não está interessado nas frivolidades do mundo moderno. Desde a morte da mulher, Nancy, que ele tenta evitar as coscuvilheiras da aldeia, o seu ganancioso filho e a cada vez mais evidente suburbanização do campo inglês, preferindo levar uma vida calma defendendo os valores tradicionais pelos quais as pessoas se regem há várias gerações. 

Mas quando a morte do irmão desencadeia uma amizade inesperada com a Sr.ª Ali, uma viúva paquistanesa, dona da loja da aldeia, o Major é arrastado do seu mundo disciplinado e forçado a confrontar as realidades da vida no século XXI. Unidos pelo amor à literatura e pela perda dos respetivos cônjuges, o Major e a Sr.ª Ali cedo descobrem que a sua amizade se está a transformar em algo mais profundo. Mas, embora o Major tenha nascido em Lahore e a Sr.ª Ali em Cambridge, a sociedade da aldeia insiste em considera-lo, a ele, como um verdadeiro inglês e a ela como uma permanente estrangeira. O Major sempre teve um orgulho especial na sua aldeia, mas como irão os caóticos acontecimentos recentes afetar a sua relação com o local que ele considera o seu lar? Escrito com uma perceção aguda e um encantador sentido de humor, este livro é uma história de amor enternecedora com um inesquecível elenco de personagens, e questiona o que cada um deve sacrificar da sua felicidade pessoal a favor das obrigações familiares e dos valores tradicionais.


ISBN: 9789722633727 – Civilização Editora / 2011


Eu, muito sinceramente gostava imenso de conhecer as pessoas que se encontram responsáveis pelas capas com que os livros vão para mercado. Quer dizer, tenham dó dos leitores. Hoje em dia uma imagem também vende e sempre ouvi dizer que “os olhos também comem”. 
É verdade que fico um bocadinho chateada quando leio um livro que tem uma capa fantástica e o conteúdo não está à altura, mas por favor, há capas que são um verdadeiro…. susto.
Incluindo esta que é um verdadeiro horror, perdoem-me a expressão e as sensibilidades.

Conheci este livro através da Tinkerbell do My Imaginarium (o meu maior agradecimento). Foi a partir do Blogring dela que decidi experimentar este livro. Devo dizer que parti para a leitura sem sequer ler sinopse ou espreitar opiniões. Pode-se dizer que queria dar a oportunidade ao livro de revelar a sua verdadeira essência. Assim poderia ir partir para esta leitura com uma mente aberta. E ainda bem que tomei esta decisão, porque não creio que fosse ler este livro se tivesse ido pesquisar sobre ele. Não é que o livro tenha logo à partida algo de mau (a não ser capa, realmente) mas sagas familiares são livros que aprendi a escolher muito bem, porque são normalmente livros que apelam à aparência, mas depois se tornam uma desilusão. Já não é o primeiro livro que leio do género e como podem imaginar, hoje em dia, se tiver escolha sou capaz de não ler este tipo de livro. 


A Decisão Final de Major Pettigrew acabou por não se revelar a excepção da regra, mas não posso dizer que não gostei da experiência. Este livro acabou por me entreter bastante, mas isso não faz dele perfeito. Como o título do livro nos diz, Major Pettigrew tem algumas decisões a tomar na sua vida. Major é um viúvo que vê a sua vida mudar de rumo após a morte do seu irmão. Major, que sempre foi um homem recatado, firme nos seus valores e princípios tradicionais adora a pequena aldeia onde vive. 
A Sra. Ali também é viúva, paquistanesa. Além dos respectivos cônjuges terem perecido, o que torna estas duas personagens tão ligadas um ao outro? Uma amizade vai nascer entre desgostos de amor devido à perda, à literatura e também devido às complicações familiares com que ambos têm de lidar.


Helen Simonson fez aqui um óptimo trabalho, com a construção de personagens e uma história de amor bastante comovente. Embora o ritmo da sua narrativa tenha altos e baixos – o que é um factor crucial para mim – creio que a autora se esforçou por criar aqui um romance com uma mistura grande de ingredientes. Valores e princípios antiquados são vencidos neste livro e a escrita da autora é uma sem preconceitos. A mensagem final que a autora quis fazer passar é que o amor pode vencer qualquer circunstância. E esta não é apenas uma frase para os mais românticos. No livro, acabamos por compreender que o afecto entre duas pessoas é mais importante que qualquer outro obstáculo que nos pareça intransponível. Este foi o ponto forte do livro e aquele que fez valer a sua leitura.


Contudo, esta é apenas mais uma saga familiar que pouco de novo nos traz no panorama literário. Livros sobre famílias disfuncionais, com parentes interesseiros, com segredos, etc. é o que não falta por aí e embora a autora tenha conseguido pegar num casal fora do normal, não quer dizer que no resto, isso tenha sido assim. 


Mas… além disto tudo, considero que este livro poderá conquistar muita gente, porque tem os ingredientes certos: muito amor, amizade, risos, uma pitada de drama – mistura-se tudo e o que nos aparece à frente é um entretenimento razoável para aproveitarem o vosso serão.