Até que o Rio nos Separe




Doss Michaels nasceu e cresceu num parque de caravanas junto ao rio St. Mary e tenta sobreviver como pintor. Abigail Coleman é a única e lindíssima filha do mais poderoso senador da Carolina do Sul. Um único encontro foi suficiente para perceberem que ficariam juntos para sempre.
Após dez anos de casamento, Abbie debate-se com uma doença terminal. Sempre a seu lado, Doss trava com ela uma terrível batalha pela vida.
Quando Abbie elabora uma lista de dez coisas que gostava de fazer antes de morrer, Doss tudo faz para a ajudar a concretizar os seus desejos.
E, antes que seja tarde de mais, partem juntos para a viagem das suas vidas.

ISBN: 9789720041777 – Porto Editora / 2009 – 392 páginas

Abigail Galeman, Abbie para todos menos para o seu pai, é filha de um senador. Rica e protegida, sempre viveu a vida de uma maneira apaixonada. É determinada e nunca deixou que o seu pai conservador ditasse a maneira como ela deveria viver a sua vida. Quando se apaixonou por Doss Michaels, um estudante de arte com poucas posses, casou com ele sem a bênção do seu muito poderoso pai.
Quando o cancro lhe foi diagnosticado, Doss manteve-se sempre ao seu lado e acompanhou a mulher nesta luta contínua, até ao final.
Já Doss, nem queria acreditar que uma mulher como Abbie se apaixonasse por ele, quanto mais que quisesse passar a vida com ele. Sempre foi um homem de parcas posses e a pintura é a única coisa que faz para tentar ganhar a vida. Viu o seu mundo virar-se de pernas para o ar quando o cancro da sua mulher a destruiu aos poucos. Não queria acreditar que estava a ver o amor da sua vida morrer-lhe à frente dos olhos.
E por isso, quando Abbie anuncia o desejo de concretizar dez coisas antes de morrer, Doss parte com ela para o rio onde nasceu, cresceu e viveu. Uma viagem que lhe vai ensinar algumas coisas, relembrar outras, mas mais importante: vai estar com a mulher que detém o seu coração incondicionalmente e vai acompanhá-la nesta aventura. 

Esta é outra das minhas estreias deste ano. Esta era uma obra que já há vários anos me suscitava curiosidade. Só agora é que me dispus a lê-la, resultado de um impulso. Creio que foi na contracapa do livro que li que Charles Martin se assemelhava a Nicholas Sparks e tenho de admitir que revirei logo os olhos muito dolorosamente. Não é que eu tenha algo contra este último autor. De facto, houve tempos em que li quase todos os livros dele e gostava daquele tipo de histórias românticas com umas mortes trágicas e emocionantes à mistura. Mas esse tempo e essa fase já passaram há muito. Agora procuro um tipo de leitura diferente e por isso confesso que apesar de estar entusiasmada para conhecer a obra de Charles Martin, também me encontrava um pouco receosa. 

Agora que acabei de ler o livro, posso dizer que a afirmação não está metade incorrecta, embora eu não goste muito de fazer este tipo de comparações entre autores. Cada um tem a sua marca pessoal e ao fazer estas comparações, podemos estar a colocar coisas diferentes no mesmo saco. Mas de facto, Charles Martin escreve aquele tipo de histórias de amor incondicionais com muito carga emocional. Até aqui temos uma semelhança com o outro autor. 
Mas Charles consegue distinguir-se ao mesmo tempo. E isto deve-se à sua escrita. É ligeiramente diferente, é mais vagarosa, mais pausada. Tem um ritmo diferente e o estilo discursivo acaba por se tornar diferente do seu companheiro de profissão. 

Sobre Até que o Rio nos Separe posso dizer que gostei quanto baste. Sinceramente, posso afirmar com toda a certeza que esperava uma coisa diferente. Tinham-me avisado sobre a obra, que era uma daquelas obras que inevitavelmente iria fazer com que algumas lágrimas se escapassem e por isso cá para mim, pensava que era daquelas histórias que são bonitas mas também são emocionalmente devastadoras. 
Aquilo que eu encontrei foi de facto uma história de amor incondicional, muito bonita e com a sua quota-parte de obstáculos. Mas ao mesmo tempo, achei uma história cheia de clichés. Isto é a típica história de menina rica que se apaixona por um rapaz pobre, casam mesmo quando o pai da menina rica não lhes dá autorização e são o amor da vida um do outro, por 14 longos anos, até que o cancro vem assombrar a relação perfeita. Apesar da Abbie ser uma personagem muitíssimo interessante, que inspira admiração, não deixei de sentir que isto me soube a pouco.

Isto é daquelas histórias que devia ter-me arrasado emocionalmente por razões óbvias, mas cheguei ao final a pensar – “uau, isto nem foi comovente o suficiente para me pôr a chorar”. E acreditem que eu sou daquelas pessoas que se emociona por coisas pequenas. Apesar de ter gostado, queria mais. Mais sentimento, mais…algo.

Tenho outra obra deste senhor para ler que se intitula A Montanha Entre Nós e espero gostar mais desse livro do que gostei deste.