Os Diários Secretos

O verão está a chegar ao fim e a escritora Erica Falk regressa ao trabalho depois de gozar a licença de maternidade. Agora cabe ao marido, o inspetor Patrik Hedstr¿m, tratar da pequena Maja. Mas o crime não dá tréguas, nem sequer na tranquila cidade de Fjällbacka e, quando dois adolescentes descobrem o cadáver de Erik Frankel, Patrik terá de conciliar os cuidados à filha com a investigação do homicídio deste historiador especializado na Segunda Guerra Mundial. Recentemente, Erica fez uma surpreendente descoberta: encontrou os diários da mãe, com quem teve um relacionamento difícil, junto a uma antiga medalha nazi. Mas o mais inquietante é que, pouco antes da morte do historiador, Erica tinha ido a casa dele para obter informações sobre a medalha. Será que a sua visita desencadeou os acontecimentos que levaram à sua morte? E estará Erica preparada para conhecer os segredos dos diários da mãe? Camilla Läckberg combina com mestria uma história contemporânea com a vida de uma jovem na Suécia dos anos 1940. Com recurso a numerosos flashbacks, a autora leva-nos a descobrir o obscuro passado da família de Erica Falk.

ISBN: 9789722050470 – D.Quixote (Leya) / 2012 – 518 páginas


Os Diários Secretos é o quinto livro da série policial que tem lugar na pequena cidade costeira de Fjällbacka, na Suécia.  Dos cinco livros que já li escritos por esta autora posso dizer que ainda nenhum me desiludiu de nenhuma forma, pelo que à quinta crítica começa a ser já um pouco difícil arranjar novos adjectivos para descrever estas obras de mistérios que são tão viciantes.
Camilla Läckberg constrói histórias muito bem organizadas, ponderadas e estruturadas. Não deixa nada ao acaso, nos puzzles que desenvolve para deleite dos seus leitores. A primeira coisa que gostos nestes livros é mesmo a sua organização em termos de capítulos, que permite ao leitor ter diversos pontos de vistas e acompanhar diversos personagens ao longo do livro. Por outro lado, a escrita da autora é a outra grande atracção desta série. E por escrita não digo apenas a forma como a autora conjuga as palavras para construir frases, refiro-me antes a todo o seu universo ficcional. A forma como explora as suas personagens, como entrelaça as vidas pessoais com as vidas profissionais e com a vertente de mistério do livro. Tudo se encaixa de forma perfeita nestas obras e é por isso que estes livros ainda me continuam a chamar a atenção. Pequenos nadas que se vão juntando ao longo das páginas para nos dar uma visão geral da paisagem não apenas dos crimes que ocorrem ao longo das narrativas, mas igualmente do puzzle complexo que estas personagens são, com as suas personalidades distintas e motivações secretas. E a forma de narrar: essa é simplesmente viciante.
Gostei particularmente deste volume por se concentrar em dois aspectos que me interessam muito. Um que sempre me interessou, o evento histórico da Segunda Guerra Mundial e outro que me interessava no universo desta série e era algo que desejava ver explorado – a história da mãe de Erica.
Tanto um como o outro foram deliciosamente bem desenvolvidos. Primeiro que tudo, nunca tinha lido um livro que falasse sobre a perspectiva Sueca e Norueguesa ao longo do período da 2ª Guerra Mundial e foi para mim muito interessante ler sobre este conflito de uma perspectiva completamente diferente, fazendo notar os efeitos que a Guerra teve na Europa do Norte. Tendemos a concentrarmo-nos nos países que mais destaque tiveram e acabamos por achar que os outros não sofreram com este período.
E depois, no universo mais marcadamente ficcional adorei conhecer melhor a mulher que trouxe Erica ao mundo. Esta sempre tinha sido envolta num véu de mistério desde o princípio da série e foi muito bom conseguir desvendar a história que moldou a mulher que viria a ser mãe de Erica.
Sobre o caso policial no qual este livro se debruçou tenho que dizer que embora fosse sem dúvida estimulante, não se revelou ser tão surpreendente como eu tinha achado logo às primeiras páginas. Acabei por conseguir intuir certas nuances ao longo da narrativa que me permitiram acertar várias coisas, especialmente no que concerne às páginas finais. Ainda assim, nunca perdi o estímulo para avançar nas páginas e continuei grudada à escrita.
O que posso dizer é que este livro, à semelhança dos anteriores, conseguiu dar-me momentos de grande entretenimento e foi um livro que trouxe vários desenvolvimentos aos personagens, já meus conhecidos, sobre os quais adorei ler. Esta série está rapidamente a transformar-se como uma das minhas preferidas.

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Ave de Mau Agoiro

Com três títulos já editados em Portugal – A Princesa de Gelo, Gritos do Passado e Teia de Cinzas -Ave de Mau Agoiro confirma Camilla Lackberg como uma das mais talentosas autoras de romances policiais da atualidade. Com mais de oito milhões de exemplares vendidos no mundo, a autora transporta-nos uma vez mais para um universo onde a harmonia familiar da escritora Erica Falk e do inspetor Patrick Hedström contrasta com a violência dos crimes que este tem de resolver.

ISBN: 9789722048095 – D. Quixote (Leya) / 2011 – 408 páginas


Este é o já o quarto livro da série de policiais pela mão da escritora sueca Camilla Läckberg que leio e apesar de já ter passadobem mais de um ano desde que li o terceiro livro (Teia de Cinzas) não sinto que a série tenha perdido o encanto, muito pelo contrário. De facto, apesar de estar com receio de não me lembrar de algumas coisas, mal comecei a ler, dei por mim a relembrar-me de coisas que tinha lido no volume anterior. Desta vez, Patrik Hedström vê-se confrontado com o homicídio de uma mulher que apesar de ser abstémia, é encontrada dentro do seu próprio carro com um nível absurdo de álcool no sangue. A juntar a este homicídio estranho e aparentemente sem qualquer justificação, a comunidade local acaba por receber um reality show que promete trazer mais vida à pequena cidade e aumentar o  fluxo de turistas na pequena cidade esquecida a um canto da Suécia. Os jovens que participam neste programa têm todos um ponto fraco, já para não falar das auto-estimas debilitadas e, as emoções e conflitos começam a estalar à medida que o programa se desenrola. O que ninguém esperava era que uma das concorrentes aparecesse morta, o seu corpo deixado ao abandono num caixote do livro, na manhã após uma festa do programa.

Para mim, esta autora sabe equilibrar bem todas as vertentes da sua narrativa. Esta tem um pouco de tudo: romance, dramas familiares/ pessoais e o caso policial que por vezes pode ter mais ramificações do que à partida parece, como é o caso neste quarto volume. Camilla cria um enredo que se vai tornando mais complexo à medida que o leitor avança nas páginas e as voltas e reviravoltas são muitas, ao ponto de muitas vezes o leitor ser surpreendido com a identidade do culpado. Embora a autora tenha realmente um dom para me confundir no que toca aos suspeitos, neste livro em particular o meu palpite revelou-se certíssimo e confesso que as minhas suspeitas estavam lá desde o início, pelo que o factor surpresa nesse prisma não esteve muito presente.

Ainda assim, deu-me um gosto especial ler este policial. A escrita da autora é muito boa e é impossível não nos deixarmos levar pelos enlevos da narrativa. Na verdade, este livro pede para ser devorado sem qualquer demora. Eu demorei pouco mais de um dia para acabar este livro exactamente por isso, pela escrita viciante que esta autora revela ter, tendo em conta os livros que já publicou e que eu já li. Mal peguei no livro fui imediatamente sugada para esta história e queria sempre ler apenas mais um capítulo para ver como o enredo se iria desenrolar.
Essa é das maiores qualidades que qualquer escritor pode ter. A capacidade que tem para cativar o seu leitor e de o envolver no seu mundo ficcional – esta capacidade mostra-nos a força da história e da escrita.

O que quero com isto dizer é que não é preciso ser uma obra-prima para ser uma leitura que nos preenche de sentimentos ou que nos faz devorar centenas de páginas em horas. Se a escrita e a história forem realmente boas, forem trabalhadas com alguma coerência, o leitor não se consegue dissociar tão facilmente daquele livro. Foi o que me aconteceu com este volume, que me oferecer entretenimento ao mais alto nível. Tinha, na verdade, muitas saudades de um bom policial. E este satisfez-me muito. E ainda me deixou com água na boca para ler o próximo da série, que já se encontra na estante à espera da sua vez.

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Teia de Cinzas

Outono em Fjällbacka. Um pescador que acabou de recolher os ovos de lagosta que lançara ao mar está em estado de choque. No deck do barco jaz agora à sua frente o corpo inerte de uma menina. Enquanto Erica Falk desespera no seu papel de mãe, Patrick Hedstrom é mais uma vez chamado a desvendar o mistério daquela morte que vai afectar de forma devastadora a vida de muita gente que lhe é próxima. E enquanto a investigação vai decorrendo, os mistérios continuam: que pasta negra era aquela que a menina tinha no estômago quando foi autopsiada? Quem atirou cinza para um bebé que ficara por um momento num carrinho à porta da loja onde a mãe tinha ido fazer compras? Que cinzas eram aquelas que atiraram à bebé do próprio Patrick Hedstrom? Perguntas a que só a investigação da competente equipa liderada por Patrick Hedstrom poderá responder.


ISBN: 9789722045117 – D.Quixote (Leya) / 2011 – 487 páginas

Uma criança de sete anos é encontrada no mar. Todos os indícios indicam que esta morreu afogada. Um terrível acidente, um infortúnio. A pequena cidade de Fjällbacka está chocada com este acontecimento, totalmente inesperado. Afinal, foi uma pequena criança que morreu e isso toca qualquer coração. Contudo, a equipa técnica da polícia descobre que os pulmões da rapariga continham água doce nos pulmões, ao invés da água salgada que seria de esperar nestas circunstâncias particulares.
E isso faz com que esta tragédia assuma uma aura de irreal perante os habitantes da cidade, pois realmente, quem é que seria capaz de cometer um crime destes contra uma criança? Só pode ser um monstro, com certeza. Não existe outra possibilidade.
Erica fica particularmente chocada com estas notícias, pois a mãe da criança é sua amiga e foi o seu ombro em muitas das vezes em que Erica desesperou com a maternidade recente. Isto porque Maja, a sua filha e a de Patrick, tem apenas alguns meses e está a revelar-se uma bebé de trato difícil, segundo a mamã que passa a vida cansada, no sofá a ver televisão, sentindo que a sua vida tomou um rumo inesperado. 
Assim, esta tragédia, aconteceu perto de casa e Patrick, pensando no que poderia acontecer à sua própria filha, fica determinado a resolver este caso macabro o mais rápido possível. Tudo seria melhor se ele não fosse obrigado a trabalhar com Ernst, o totalmente incompetente colega, que é completamente insuportável e sem nenhum sentido de ética…

Há muito tempo que já não lia nenhum livro desta série, apesar de ser uma das minhas preferidas no campo do policial. A sério. Há mais de um ano.
A razão é simples – quando tenho alguma série de que gosto muito, tenho sempre alguma relutância em ler logo os livros, porque gosto de antecipar o momento em que leio os livros, de construir as minhas expectativas e gosto simplesmente de saber que na prateleira estão os livros daquela série à espera para eu os ler, quando eu sentir que o momento é o certo. E quando comecei a sentir saudades desta autora, decidi que já era tempo de eu ler mais um livro do Patrick Hedström e da Erica. 
Gosto muito deste casal e foi com grandes expectativas que comecei esta leitura. Não só esperava que o caso, que o mistério fosse algo cativante, como desejava saber como é que Erica e Patrick se iam dar com uma filha em mãos. 
Sem dúvida que as minhas expectativas foram correspondidas. Como sempre acontece com esta autora, aliás. 
A sua escrita consegue sempre aliciar-me a uma leitura rápida, fluída e sempre pontilhada por muito interesse da minha parte em construir teorias verosimilhantes e em desvendar o mistério que está presente em todo o enredo. 
Desde o primeiro livro que esta série me prendeu o interesse, como podem ver pelas opiniões aos volumes anteriores. A autora sempre conseguiu conquistar-me com a sua escrita, com a sua mestria em construir um bom caso, um bom mistério e com umas personagens (tanto as boas como as más da fita) bem exploradas. O terceiro livro desta série não foi, de todo, nenhuma excepção. 

As personagens que já conhecia dos livros anteriores continuam a crescer e a evoluir a cada livro e é muito interessante ver o rumo que a autora está a escolher para cada um. É importante para mim como leitora acompanhar o progresso deles, pois a cada livro que leio e cada vez que volto a este universo, eles são pessoas com as quais eu convivo. Além dos protagonistas, pelos quais já exprimi a minha satisfação, tenho de destacar o Martin – colega  e parceiro do Patrick – que tem vindo a ter mais destaque e está a ser uma personagem que estou a adorar acompanhar. É um doce. 
Por outro lado, aquelas personagens que são temporárias e só aparecem neste livro, estando ligadas ao caso policial em questão, também foram bem exploradas, à excepção provavelmente de Niclas. Acho que foi uma personagem infeliz, muito unilateral e gostava que a autora tivesse escolhido mostrar este homem sob outra luz. 

Acerca do enredo e do caso, não tenho muito a apontar. A autora conseguiu, brilhantemente, construir exactamente aquilo que se pretende nos livros deste género particular. Um homicídio repugnante envolto em muito mistério, segredos que vão sendo, lentamente, descortinados e onde o véu da verdade é gradualmente levantado.
A autora costuma de facto, surpreender-me sempre com o assassino. O que é usual no género é eu acertar em algumas coisas, mas falhar nas mais fundamentais. Contudo, este livro revelou ser um pouco mais óbvio para mim, porque creio que a autora mostrou uma inclinação especial para a personagem, com descrições que me saltaram à vista logo desde cedo. Por isso, este foi talvez o primeiro livro da série em que consegui descobrir o assassino principal e falhar em alguns detalhes secundários. O que no final interessa é que Camilla conseguiu surpreender-me na mesma com esses detalhes, que foram limados nos últimos capítulos.

Uma leitura em nada desapontante e que matou as saudades que tinha de ler um policial que me obrigasse a pensar sobre cada passo de cada personagem e que me obrigou a reflectir sobre os motivos ocultos e as verdades escondidas de cada pessoa que passou por este livro. Camilla Läckberg continua assim, na lista de preferências no que toca a autores que escrevem bons policiais. 

Para quem gosta do género e até para quem acha que não gosta, mas gostaria de abrir horizontes, é uma boa aposta. 

Opiniões da mesma autora:
  

Opinião – Gritos do Passado

Opinião:

Este é o segundo livro da série Patrik Hedström da autora Camilla Läckberg. Já tinha ficado com uma impressão extremamente positiva acerca da escrita da autora no primeiro volume e este livro só veio cimentar essa opinião. Foi com muito agrado que li este livro. 
A pequena cidade de Fjällbacka volta a ver-se a braços com um criminoso perigoso à solta que rapta jovens mulheres, tortura-as e depois de mortas transporta-as para um parque, onde são posteriormente encontrados os seus restos mortais. Foi com alguma ansiedade que comecei esta leitura. Já tinha saudades do inspector Patrik, que com uma personalidade única e cativante, nos transporta para este mundo de crime, onde nem tudo é o que parece.
Este livro foca-se em grande parte na religião. Mas não é uma religião qualquer, é uma religião que se torna distorcida sob a visão de algumas pessoas. Foi muito interessante ver a autora a explorar este tema e a criar personagens à altura. 
Além disso, esta criou também a família Hult, que é uma família cheia de intrigas e segredos que escondem de toda a gente. Foi uma experiência enriquecedora tentar descortinar todos os segredos que a família carregava dentro das paredes das suas propriedades.
Em termos de mistério e imprevisibilidade, este livro deixou algo a desejar, comparando com o primeiro. No primeiro, fui claramente surpreendida com certos aspectos da trama. Neste, as minhas teorias não se afastaram da realidade. Aliás, andei sempre nos arredores da verdade, sendo que apenas pequenos pormenores falharam. Devo confessar que eu gosto em igual medida de ser surpreendida, como gosto de acertar nas coisas.  No entanto, estava convencida que a autora me iria trocar as voltas, visto que muita gente me disse que a autora tinha sido algo rebuscada neste livro.
Tal não aconteceu, mas de qualquer forma, gostei de toda a dinâmica de que este livro foi alvo. 
A autora continua a ter um ritmo de escrita mais vagaroso, mas já me começo a habituar a tal característica. No entanto, notou-se mais acção neste livro e como disse anteriormente, também mais dinamismo. 
A começar por este livro ter mais capítulos do que o anterior, o que permite ao leitor não ficar cansado com capítulos tão extensos (o que é o meu caso, visto que eu só gosto de parar o livro, quando acabo um capítulo).
Este livro conta também com algumas cenas humorísticas, em que a personagem principal é a Erica, que está grávida do seu primeiro filho. Acontece que Erica, com a sua boa educação, não consegue recusar quando familiares ou amigos, lhe pedem guarida na sua casa. No entanto, estes mal agradecidos hóspedes aproveitam-se de Erika sem pensarem duas vezes na sua condição de 8 meses de gestação. Foram momentos de diversão, que só trouxeram vantagens para a trama em geral. 

Com este livro, afiro que é mais uma série que vou seguir diligentemente. (mais uma, que surpresa).
Esperemos que os próximos livros sejam tão bons quanto este. Estou muito contente com esta descoberta nórdica, embora perdoem-me – Ai de quem a comparar com Agatha Christie. 




 

Opinião – A Princesa do Gelo

Opinião:
“A Princesa do Gelo”. Um título cativante. Uma capa ainda mais atraente. Conjugando com isto tudo, um nome nórdico, promete com certeza um bom policial. Já tinha várias vezes ouvido falar desta autora que é referenciada como sendo a Agatha Christie do frio. Tenho de confessar que apesar de ter achado a premissa muitíssimo interessante, não me sentia disposta a investir em mais outra série. Para quem já me acompanha, sabe perfeitamente que eu acompanho mais de duas dezenas de séries, pelo que hoje em dia, tento restringir um pouco a proliferação de novas séries nas minhas estantes.
No entanto, é impossível resistir quando uma pessoa que se revê nos nossos gostos literários e vice-versa,  lê e adora os primeiros dois livros da série Patrik Hedström e refere de forma casual e subtil o quanto, certamente, iríamos gostar das obras.
Na minha opinião e contrariamente ao que digo quase sempre dos primeiros livros de uma série, este foi um óptimo começo, pelo que as expectativas irão ter tendência a aumentar para os restantes volumes.
Não vou fazer nenhuma descrição alargada do enredo, porque acreditem quando digo que a sinopse fala por si.
Vou sim, dizer que gostei imenso desta experiência e mal vejo a hora de a repetir. O segundo volume desta série já se encontra na mesa de cabeceira à espera de vez.
Gostei da escrita da autora, apesar de ela ter um ritmo muito inconstante. Isto porquê? Ora escreve de forma vagarosa – onde o leitor se vê a par com as partes mais tranquilas de um policial, ora de forma frenética – onde se descobrem várias coisas ao mesmo tempo cheias de significado. É óbvio que todo o livro policial tem de ter momentos destes, mas nunca tinha notado uma diferença de ritmo tão acentuada como neste livro.
Por um lado pode ser uma óptima característica, na medida em que a autora não é previsível e deixa os seus leitores sempre na expectativa de serem surpreendidos.
Por outro lado, não permite que a leitura seja feita de forma fluída. Ambas as situações aconteceram comigo. Por um lado, senti-me sempre na dúvida, sem certeza do que realmente poderia acontecer; por outro não me sentia impelida a “devorar” o livro e este foi um dos livros que mais tempo levei a ler.

Agora, quero debruçar-me sobre outro aspecto de extrema importância para mim. A comparação entre Agatha Christie e Camilla Läckberg. Bem, agora que já li ambas as autoras, posso e devo dizer-vos que para mim não existe comparação possível. Agatha é uma das minhas autoras favoritas dentro deste género e quem eu considero a verdadeira mestre na escrita policial. Para mim, é errado fazer este tipo de comparações por motivos de marketing ou publicidade. Cada autor tem a sua cunha pessoal e para mim é algo preocupante quando dois seres humanos são comparados (não interessa que as intenções sejam boas/más). Todos nós somos diferentes e todos nós temos as nossas características melhores e piores. E acho verdadeiramente de mau tom, quando estas comparações são feitas no mundo literário. Porque para mim ambas as autoras são fantásticas. Por isso, não, não considero que a Camilla possa alguma vez ser comparada a Agatha. Primeiro, porque a questão temporal é crucial. Agatha alcançou o sucesso com a sua série “Poirot” em 1926. Camilla é uma escritora do século XXI, com uma formação e educação completamente diferente das que Agatha teve. Como é possível existir este tipo de comparação em tempos claramente tão distintos? É errado.
As próprias estruturas da trama são tão diferentes que não existe manobra para qualquer tipo de comparação.
Agatha foi uma inovadora neste género literário, Camilla não, pois hoje em dia o mercado está saturado de tanto livro, em praticamente todos os géneros que é difícil alguém ser inovador. Já se fez de tudo. Acaba por estar tudo ligado a questões temporais, por isso, é que nunca poderá haver uma base de comparação: seja entre estas duas autoras, seja entre quaisquer outros autores.

Se pensarmos bem, existem muito poucas parecenças: o facto de ambas as séries terem protagonistas, investigadores, masculinos. Ambas escrevem policiais. Mas estas são as únicas. 

Um é um investigador privado, outro é polícia. Um é belga, outro é sueco. 
Claro que não quero com isto dizer que Camilla não tem qualidades. Muito pelo contrário. É uma autora que mesmo sendo inconstante escreve com uma perícia como nem todos conseguem fazer transparecer. Mantém o leitor na expectativa e sempre com o cérebro a trabalhar a mil à hora, tal é a ansiedade de descobrir o que se passa por trás das aparências. 
Por isso mesmo, estou ansiosa de ler mais livros desta série. E principalmente, para saber como é que a autora vai pegar nos personagens que neste livro nos apresentou e, saber também como os vai desenvolver. 
Mas não poderá haver comparações, porque para mim, Agatha é especial e uma mestre no seu campo, no tempo em que viveu e deixou a sua marca. Camilla também é especial e deixa outra marca também, mas no seu respectivo espaço temporal. Cada qual tem um talento maravilhoso e os livros são tentações, sendo elas, no entanto, personalidades diferentes, mentalidades distintas e individuais. Logo, não devem ser comparadas.

Este primeiro livro apenas peca pelo tal ritmo inconstante, que é para mim um detalhe fundamental e um dos factores que mais influencia a minha experiência de leitura.

Para quem gosta de policiais, garanto-vos que este livro é para vocês.